Em Defesa da Palavra de Deus

Por Walter Andrade Campelo, seminarista do SEBANOP

"Não acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do SENHOR vosso Deus, que eu vos mando." (Deuteronômio 4:2)

"Toda a Palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiam nele. Nada acrescentes às suas palavras, para que não te repreenda e sejas achado mentiroso." (Provérbios 30:5-6)

"Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; e, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro." (Apocalipse 22:18-19)

Introdução

É dever de todo Cristão zelar pela Palavra de Deus. Transmitindo-a com fidelidade e correção, ensinando a doutrina Cristã conforme ordenança de Nosso Senhor:

"Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado..." (Mateus 28:19-20)

Caso a Palavra de Deus seja deturpada, usurpada, adulterada, vilipendiada, ou de alguma forma alterada seremos impedidos por completo de cumprir a clara ordenança de Jesus: "ensinado-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado".

Mas, o que se tem visto são versões e versões da Palavra de Deus surgindo, e tomando lugar no seio de nossas igrejas, fazendo com que nossos jovens passem a ter dúvidas sobre a inteireza e confiabilidade da Palavra de Deus, e desta forma também do poder de Deus em preservá-la.

A Palavra de Deus foi escrita originalmente em três línguas, a saber: O Velho Testamento principalmente em hebraico, e a partir do exílio babilônico, em Aramaico, e o Novo Testamento em Grego (Koiné).

Neste estudo vamos tratar principalmente da questão do Novo Testamento, pois é onde o ataque à Palavra de Deus tem-se dado de forma mais intensa em nossos dias causando desconfiança e descrença na Palavra de Deus como um todo, e por conseguinte, desconfiança e descrença na doutrina Cristã.

Texto Recebido

A tradução da palavra de Deus de João Ferreira de Almeida foi executada entre 1681 e 1753[1] baseando-se em um conjunto de aproximadamente 5.000 manuscritos, de origem Bizantina (Antioquia), que vieram juntamente com eruditos do oriente (quando de sua fuga para o ocidente devido à invasão militar islâmica de Bizâncio), cada um destes manuscritos continha uma parte ou todo o Novo Testamento, sendo eles em praticamente 100% dos versos concordantes entre si, tendo sido intensamente utilizados por intelectuais e pelas igrejas até aquele momento. Este conjunto de manuscritos formou a base para o que depois veio a ser conhecido como Texto Recebido (Textus Receptus ou simplesmente TR). O Texto Recebido é na verdade uma compilação dos textos contidos nestes manuscritos, de modo a compor um único texto grego contendo todo o Novo Testamento. A primeira compilação deste texto foi executada pelo exímio teólogo, intelectual e estudioso chamado Erasmo de Roterdã em 1516 d.C.. Este texto teve posteriormente várias outras edições publicadas tanto pelo próprio Erasmo, como por Beza, Estienne, e pelos Elzevirs, entre outros. As edições considerados como as principais representantes do TR são as edições de Estienne de 1550 (a terceira) e a edição dos Elzevirs de 1633.

É digno de nota que, apesar de todas as pesquisas e revisões dos textos gregos nas diversas edições do TR, entre a primeira edição de Erasmo em 1516 e a edição dos Elzevirs em 1633, há uma diferença de menos de 300 palavras em 140.000 que compõem o Novo Testamento, ou seja, apenas 0,002 % !!! O Texto Recebido foi utilizado para a criação de várias outras traduções da Palavra de Deus para várias outras línguas, como as Bíblias de Lutero em 1522, de Tyndale em 1526, e do Rei Tiago (King James) em 1611, e também para a tradução de João Ferreira de Almeida para o português em 1681. É importante, neste ponto, notarmos que o TR diretamente ou através de uma de suas traduções, foi aceito por 100% dos crentes em 100% das Igrejas após a Reforma, e que esta posição se manteve intocável, no Brasil, até meados do século XX.

Texto Crítico

Existem entretanto manuscritos com origens diferentes das do TR. São os manuscritos de Alexandria no Egito, conhecidos como Textos Alexandrinos. Destes manuscritos, dois se destacam sobremaneira: O "Aleph", encontrado em um mosteiro no Monte Sinai em meados do século XIX, ficando por esta razão conhecido como códice Sinaiticus, e o "B", que foi encontrado nas prateleiras de uma biblioteca do Vaticano em meados do século XV, e assim ficou conhecido como códice Vaticanus. Uma compilação destes manuscritos foi publicada primeiramente por Westcott e Hort em 1881. Westcott e Hort foram padres da igreja da Inglaterra e críticos textuais defensores dos textos alexandrinos; por esta razão este conjunto de manuscritos ficou conhecido como Texto Crítico, ou simplesmente TC.

Os dois manuscritos do TC são mais antigos que os manuscritos utilizados para a compilação do TR, e também estão em muito melhor estado de conservação, sendo esta uma das razões pelas quais foram escolhidos por Westcott e Hort como base para o seu texto em grego, e de por várias vezes serem chamados de "melhores textos".

Versões da Palavra de Deus em português

Até 1948 não houve qualquer interferência quanto à fonte (texto original) das Bíblias publicadas no Brasil e utilizadas pelos crentes brasileiros. Todas se utilizavam da tradução de João Ferreira de Almeida, e eram 100% baseadas no TR, tendo ao longo do tempo a ortografia e a gramática revistas e corrigidas. Neste ano de 1948, surge uma versão da Bíblia de Almeida Revista e Corrigida com algumas interferências do TC. Nada substancial contudo, apenas 0,1%, mas iniciava-se ai a campanha para a derrocada da confiabilidade da Palavra de Deus no Brasil. Em 1959 foi pela primeira vez apresentada a versão Revista e Atualizada pela Sociedade Bíblica do Brasil (anteriormente chamada de Sociedade Bíblica Unida), e baseada em grande parte no TC. Tendo sido fortemente aplaudida por alguns eruditos evangélicos, foi principalmente aplaudida pela cúpula da CNBB, a qual a considerava como estando "de acordo com o texto original grego", sendo portanto recomendada a todos os católicos de língua portuguesa.

Após a versão Revista e Atualizada vieram várias outras versões baseadas no TC, como:

Devemos notar especialmente que todas as atuais Bíblias católicas se baseiam no TC, estando entre as mais famosas as traduções do Padre Antônio Pereira de Figueiredo de 1790 (cuja revisão para o português do Brasil se deu entre 1905 e 1917) e a tradução do Padre Matos Soares de 1930.

Preservação pela providência divina

Deus preservou Sua Palavra por Sua própria providência. Vejamos:

Deus nos prometeu que:

"Quanto a mim, esta é a minha aliança com eles, diz o SENHOR: o meu espírito, que está sobre ti, e as minhas palavras, que pus na tua boca, não se desviarão da tua boca nem da boca da tua descendência, nem da boca da descendência da tua descendência, diz o SENHOR, desde agora e para todo o sempre." (Isaías 59:21)

E Jesus nos disse que:

"Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido." (Mateus 5:18)

Estas passagens tornam claro que Deus irá preservar a sua palavra íntegra, inalterada e confiável.

Ao compararmos as diversas versões da Bíblia hoje disponíveis baseadas no TC com a única versão confiável impressa hoje em dia, a Almeida Corrigida Fiel da Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil (ACF), ou com a antiga Almeida Revista e Corrigida (ARC), vemos enormes aberrações que dão margem a erros doutrinários e enfraquecem a confiança na Palavra de Deus como a única e perfeita revelação de Deus aos homens.

A preservação da Palavra de Deus pela providência divina tem que ter sido contínua, não pode ter havido uma Palavra de Deus em um momento e outra palavra em outro:

"A tua palavra é a verdade desde o princípio, e cada um dos teus juízos dura para sempre" (Salmo 119:160)

Assim ao se fazer a crítica textual de qualquer parte da Palavra de Deus deve-se ter esta máxima em mente: - Não há como se tratar o texto bíblico como um texto qualquer, pois não o é.

Alguns estudiosos tentam justificar a opção pelo TC por serem seus manuscritos principais (o Aleph e o B) mais antigos que os manuscritos do TR e por estar o material destes manuscritos em melhor estado de conservação.

Vamos tratar destas questões:

1) Os manuscritos do TC são mais antigos que os manuscritos do TR:

Este é um fato incontestável, mas, que não quer dizer absolutamente nada. Se pensarmos que a preservação da Palavra de Deus deve ser contínua, não importa ser mais antigo ou não. Importa, sim, ser esta a Palavra de Deus ou não. Mas como então tomarmos esta decisão? Vejamos:

Todos estes documentos seguiram caminhos diferentes e relativamente isolados, sendo reunidos novamente, 13 séculos depois após ser inventada a imprensa, e todos foram achados concordantes entre si!

Diferentemente, os manuscritos do TC não concordam com os do TR, aliás, não concordam nem entre si, apresentando por várias vezes incoerências e contradições dentro de seus próprios textos, além de mostrarem claros sinais de sucessivas correções e rasuras.

2) Os manuscritos do TC apesar de mais antigos estão melhor conservados:

Outro fato incontestável. Mas, o que realmente isto significa? O fato é que estão melhor conservados por não terem sido utilizados, e isto quebra a regra de que Deus preserva Sua Palavra em uso pelos Seus filhos, e não guardada em uma prateleira empoeirada do Vaticano, ou de qualquer outro lugar.

"Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem o seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite." (Salmo 1:1-2)

Diferenças entre o TC e o TR

É fundamental entendermos as diferenças entre o TC e o TR, para que possamos entender as diferenças encontradas entre as diversas versões da Bíblia publicadas nos dias de hoje e para que possamos escolher com consciência qual versão deve ser utilizada por nós e por nossa igreja, o que equivale dizer que devemos escolher uma versão da Palavra de Deus que seja baseada no TR.

O TC difere terrivelmente do TR, somente nos quatro Evangelhos há 7.578 diferenças entre o códice B (Sinaiticus) e o TR, e 8.972 diferenças entre Aleph (Vaticanus) e o TR. Destes fatos, é evidente que mesmo entre os dois textos base do TC há milhares de diferenças. No total o TC difere do TR ao suprimir cerca de 6.000, adicionar 2.000 e mudar outras 2.000 palavras. São 10.000 palavras, ou 7% das 140.000 palavras do Novo Testamento[2]!!! O TC exclui partes significativas de 147 versículos, e outros 45 versos são excluídos completamente, também extirpa em vários outros versículos a divindade de Cristo, e em outros ainda esconde a referência ao sangue de Cristo, descaracteriza sua morte vicária (ter sofrido e morrido em nosso lugar), esconde a doutrina da Trindade, omite o fato de que a salvação é garantida e que é somente pela fé em Cristo, oculta provas de que a Bíblia foi divinamente inspirada, que há necessidade de jejum, e em várias outras questões introduz erros e contradições, atacando e diminuindo a certeza na inerrância da Palavra de Deus.

Para esta parte do estudo, vamos utilizar a versão Almeida Corrigida e Revisada Fiel ao Texto Original editada pela Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil (ACF), como legítima representante do TR, e a Nova Versão Internacional (NVI) e a Bíblia na Linguagem de Hoje como as representantes do TC. Os textos a seguir são apenas alguns entre os muitos textos que podem nos esclarecer. Existem, claro, muitos outros que não foram citados neste estudo:

Mateus 12:31-32

(ACF) "Portanto, eu vos digo: Todo o pecado e blasfêmia se perdoará aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada aos homens. (32) E, se qualquer disser alguma palavra contra o Filho do homem, ser-lhe-á perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro."

(BLH) "Por isso eu afirmo que as pessoas serão perdoadas por qualquer pecado ou blasfêmia que disserem contra Deus. Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo não será perdoado. (32) Se alguém disser alguma coisa contra o Filho do Homem, será perdoado; mas quem falar contra o Espírito Santo não será perdoado nem neste mundo, nem no mundo que há de vir."

Notar que no TC existe uma clara alteração do significado de tempo terreno para espaço dimensional. Com isto passa-se a ter a clara inferência de que no mundo que há de vir, ou após a morte ou após Deus ter criado o novo céu e a nova terra, os outros pecados poderão ser perdoados. E este é um dos pontos utilizados como justificativa para a prática romanista da oração pelos mortos.

Mateus 20:16

(ACF) "Assim os derradeiros serão primeiros, e os primeiros derradeiros; porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos."

(NVI) "Assim, os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos."

O TC, aqui, ataca violentamente a doutrina da salvação, com clara intenção de enfraquecê-la.

Marcos 2:17

(ACF) "E Jesus, tendo ouvido isto, disse-lhes: Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento."

(NVI) "Ouvindo isso, Jesus lhes disse: 'Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Eu não vim para chamar justos, mas pecadores'."

Omitida aqui, pelo TC, a necessidade de verdadeiro arrependimento para a salvação.

Lucas 4:4

(ACF) "E Jesus lhe respondeu, dizendo: Está escrito que nem só de pão viverá o homem, mas de toda a Palavra de Deus."

(NVI) "Jesus respondeu: Está escrito: 'Nem só de pão viverá o homem'."

Nesta passagem o TC ataca a inspiração da Palavra de Deus, e de que é ela nosso alimento espiritual.

João 3:13

(ACF) "Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu."

(NVI) "Ninguém jamais subiu ao céu, a não ser aquele que veio do céu: o Filho do homem."

Aqui, o fato de que Cristo é Deus e que é onipresente é omitido pelo TC.

João 3:15

(ACF) "Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna."

(NVI) "Para que todo o que nele crê tenha vida eterna."

Apesar de no verso seguinte haver uma reparação, neste verso o TC elimina a referência de que quem não crer perecerá, ou seja, passará a eternidade em sofrimento no "lago de fogo que arde com enxofre", que é a morte eterna.

João 6:47

(ACF) "Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim tem a vida eterna."

(NVI) "Asseguro-lhes que aquele que crê tem a vida eterna."

Nesta passagem segundo o TC, Jesus está dizendo que basta crer em algo ou em alguma coisa para ter a vida eterna!(?)

Atos 8:37

(ACF) "E disse Filipe: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus."

Esta passagem é completamente extirpada pelo TC, anulando o fato de que para haver o batismo é necessário que primeiramente se creia em Cristo, se creia em tudo o que Ele é, e em tudo o que Ele disse!

Atos 9:5-6

(ACF) "E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões. (6) E ele, tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que eu faça? E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e entra na cidade, e lá te será dito o que te convém fazer."

(NVI) "Saulo perguntou: 'Quem és tu, Senhor?' Ele respondeu: 'Eu sou Jesus, a quem você persegue. (6) Levante-se, entre na cidade; alguém lhe dirá o que deve fazer'"

Ocorrem vários problemas nesta passagem:

  1. O mais evidente é a omissão do fato de Cristo ser o Senhor (Deus).
  2. É também omitido o fato de que a salvação vem pela aceitação de Cristo como Senhor.
  3. Omite-se também o fato de que é necessário um trabalho prévio do Espírito Santo para que possa ocorrer a salvação, permitindo a doutrina da salvação instantânea, sem a ação do Espírito Santo.

Romanos 8:1

(ACF) "Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito."

(NVI) "Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus."

O TC nesta passagem, deixa de informar que há sim condenação para os salvos que andam segundo a carne. Não em termos de salvação, mas no que diz respeito à comunhão, ao galardoamento, etc..

Romanos 14:10, 12

(ACF) "Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo. (12) De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus."

(NVI) "Portanto, você, por que julga seu irmão? Ou por que despreza seu irmão? Pois todos compareceremos diante do tribunal de Deus. (12) Assim, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus."

Nesta passagem suprime-se que é a Cristo que compete o julgamento dos crentes (para galardoamento).

I Coríntios 5:7

(ACF) "Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós."

(NVI) "Livrem-se do fermento velho, para que sejam massa nova sem fermento, como realmente são. Pois Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado."

Nesta passagem o TC deixa de apresentar a natureza vicária do sacrifício de Jesus.

Colossenses 1:14

(ACF) "Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados;"

(NVI) "em quem temos a redenção, a saber, o perdão dos pecados."

Aqui, o TC omite que através do sangue de Cristo derramado por nós, Deus foi propiciado e que temos por esta razão nossos pecados expiados.

I Timóteo 3:16

(ACF) "E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória."

(NVI) "Não há dúvida de que é grande o mistério da piedade: aquele que foi manifestado em corpo, justificado no Espírito, visto pelos anjos, pregado entre as nações, crido no mundo, recebido na glória."

Este texto é com freqüência usado como prova da deidade de Cristo; o TC destrói esta importante passagem.

I Pedro 2:2

(ACF) "Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo;"

(NVI) "Como crianças recém-nascidas, desejem intensamente o leite espiritual puro, para que por meio dele cresçam para salvação"

O TC nesta passagem caracteriza e valida o crescimento gradual para a salvação, doutrina pregada por várias seitas heréticas.

I Pedro 4:1

(ACF) "Ora, pois, já que Cristo padeceu por nós na carne, armai-vos também vós com este pensamento, que aquele que padeceu na carne já cessou do pecado;"

(NVI) "Portanto, uma vez que Cristo sofreu corporalmente, armem-se também do mesmo pensamento, pois aquele que sofreu em seu corpo rompeu com o pecado"

Novamente nesta passagem o TC deixa de apresentar a natureza vicária do sacrifício de Jesus.

I João 4:3

(ACF) "E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já está no mundo."

(NVI) "mas todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus. Este é o espírito do anticristo, a cerca do qual vocês ouviram que está vindo, e agora já está no mundo."

O TC nesta passagem agrada aos gnósticos, e a outros com pensamentos semelhantes, não estabelecendo com firmeza que Jesus Cristo apesar de sua natureza divina foi 100% humano, razão primeira do verso de João.

I João 5:7-8

(ACF) "Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um. (8) E três são os que testificam na terra: o Espírito, e a água e o sangue; e estes três concordam num."

(NVI) "Há três que dão testemunho: (8) o Espírito, a água e o sangue; e os três são unânimes"

O TC aqui ataca frontalmente a doutrina da Trindade (trinitariana).

A questão de Marcos 16:9-20

O TC extirpou todo este conjunto de versos, contudo as versões da Bíblia baseadas no TC trazem o texto, é verdade, mas entre colchetes e com nota de rodapé informando que: "Os versículos 9 a 20 não fazem parte do texto original grego"[3], o que equivale dizer que o texto foi incluído posteriormente, e portanto não faz parte da Palavra de Deus, ou que há sérias dúvidas sobre sua autenticidade (como sugerido pelo rodapé da NVI).

O fato é que nem "Aleph" nem "B", a base do TC, apresentam os textos referentes a estes versículos.

Vamos então analisar como ficaria o final do evangelho de Marcos sem os versículos de 9 a 20:

"Mas ide, dizei a seus discípulos, e a Pedro, que ele vai adiante de vós para a Galiléia; ali o vereis, como ele vos disse. E, saindo elas apressadamente, fugiram do sepulcro, porque estavam possuídas de temor e assombro; e nada diziam a ninguém porque temiam." (Marcos 16:7-8)

Partindo do fato de que estamos lidando com a Palavra de Deus, e que "toda a Escritura é divinamente inspirada"[4] não podemos sequer imaginar que fosse da vontade de Deus que o evangelho de Marcos terminasse com "e nada diziam a ninguém porque temiam"!!! E sob esta mesma ótica, não podemos conceber que uma biografia de Jesus Cristo autenticada pelo Espírito Santo omitisse justamente as provas de Sua ressurreição.

Mas, é assim que acontece nos manuscritos do TC. A explicação para isto, segundo alguns defensores do TC é a de que o evangelho de Marcos teria sido escrito em forma de códice e não de rolo, tendo, por alguma razão, a última página rasgada e perdida, e que o texto que nos chegou teria sido escrito posteriormente, para "tapar o buraco".

Esta é uma das alegações mais absurdas que se pode fazer quanto à Palavra de Deus. Como dissemos no início deste estudo, Deus, Ele mesmo providenciou a preservação de Sua Palavra. Esta alegação dos críticos coloca Deus como tendo sido incompetente ao preservar Sua Palavra!!! E pior, se houve este precedente no evangelho de Marcos, quantos outros erros não ocorreram? Como termos certeza sobre quaisquer dos textos bíblicos? Todos podem ter sido adulterados, perdidos, trocados ou incluídos por mãos posteriores, tornando assim a Palavra de Deus uma verdadeira colcha de retalhos sem qualquer validade!!! E isto é inconcebível.

Mas a situação é ainda mais grave, pois analisando os códices Sinaiticus (Aleph) e Vaticanus (B), bem como o 304 do século XII, nas páginas onde deveria haver o texto de Marcos 16:9-20 tem-se ou um espaço em branco de tamanho igual ao necessário para os versos, ou há clara indicação de falsificação (como em Aleph).

Entretanto, o mais importante é que a passagem está em todos os 1800 manuscritos em grego exceto em 3, os já acima mencionados, está em todos os 8000 MSS em latim, exceto em um, está em todos os 1000 MSS sírios, exceto em um, está em todas as traduções primitivas da Palavra de Deus, feitas a partir de 150 d.C.

E, especialmente, a passagem está íntegra em todos as Bíblias fiéis aos textos originais até os dias de hoje, e assim continuará até o fim!

"Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão." (Marcos 13:31)

O ensino da Palavra de Deus

A Palavra de Deus deve ser ensinada na sua íntegra como fica claro pela ordem do Mestre:

"Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado;" (Mateus 28:20)

Não há como ensinar "todas as coisas" se algumas destas coisas não estiverem devidamente registradas na tradução da Palavra de Deus que estiver sendo utilizada. Como ficou demonstrado nos tópicos anteriores houve a extirpação de várias passagens, e pior, a adulteração de outras, dando uma conotação e um sentido diferentes do original, possibilitando a ocorrência de graves erros de interpretação.

Não podemos crer que houve má fé por parte daqueles que sob oração trabalharam para a confecção destas diversas versões da Bíblia, as quais contém erros. Mas, cremos que a causa primeira é o conjunto de manuscritos utilizados como base destas versões. Os textos alexandrinos utilizados NÃO merecem confiança, estão permeados de erros e rasuras. E principalmente têm como principal fonte de sustentação de sua validade e correção a autoridade da Igreja Católica Romana.

Como é sabido os romanistas têm especial interesse em que várias doutrinas básicas do verdadeiro cristianismo sejam enfraquecidas, que contradições sejam criadas, que os crentes fiquem sem a autoridade definitiva da Palavra de Deus, pois é a própria Palavra de Deus que está sendo contestada e que apresenta erros. Este é um argumento adicional para a alegação dos romanistas de que somente um "clero divino" pode interpretar corretamente a Palavra de Deus.

Criar dúvidas sobre a Palavra de Deus, e sobre sua validade é também uma forma de facilitar a introdução do conceito ecumênico, pois sem firmeza doutrinária os Cristãos ficam suscetíveis às más influências. Podemos ver isto claramente ao percebermos que as denominações mais propensas a aceitar a idéia ecumênica são justamente aquelas que por anos a fio têm-se utilizado da tradução de Almeida Revista e Atualizada, baseada no TC. Como mais um reforço, ainda vemos que esta versão foi "agraciada" com carta de recomendação da cúpula católica do Brasil, a qual estava "orgulhosamente" impressa junto a seu Novo Testamento de 1968, conhecido como "A Palavra de Deus para uma Nova Era", conforme selo em sua página de apresentação!

Não podemos de forma alguma desprezar o fato de que a verdadeira Palavra de Deus é viva e eficaz. E sendo assim, qualquer pessoa deve ser capaz de se alimentar dela e em tudo obter edificação. Não deve haver erro ou mescla de erro. Não deve haver a necessidade de comparações intermináveis entre as diversas versões da Bíblia para se descobrir qual delas é a verdadeira Palavra de Deus.

Como sustentação a esta enorme profusão de versões da Bíblia, alguns têm, hoje, alegado que o texto bíblico é de difícil interpretação e que várias palavras não são entendidas por uma parcela significativa da população, e que isto tem sido um entrave ao crescimento do reino de Cristo em nosso país. Não podemos pensar desta forma se cremos que a Palavra de Deus é realmente viva e eficaz:

"Porque a Palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração" (Hebreus 4:12)

Como exemplo, podemos citar o ministério dos Gideões Internacionais que tem distribuído o Novo Testamento acrescido de Salmos e Provérbios em escolas, hospitais, penitenciárias, navios, hotéis, e etc. Em todos os lugares têm-se testemunhos maravilhosos de transformação de vidas, de conversões dramáticas, de pessoas de todos os níveis socioculturais colocando-se, por força da Palavra de Deus, aos pés de Cristo. E a versão que é distribuída por eles é a ACF (da Sociedade Bíblica Trinitariana), baseada no TR!

De alguma forma até poderíamos ver algum valor na tentativa de tornar a linguagem utilizada na Palavra de Deus em português mais acessível, apesar de ser esta, em geral, uma empreita desnecessária. Mas, não podemos nunca aceitar que tal tentativa se baseie em algo que não seja a pura e verdadeira Palavra de Deus, como é o caso destas versões que se baseiam nos textos Alexandrinos (TC).

Westcott e Hort

Todo o Texto Crítico (TC) foi originalmente compilado por estes dois críticos textuais. E foram eles também que publicaram a primeira Bíblia em inglês baseada nesta compilação, a English Revised Version, que teve uma tradução para o português em 1917. Mas, como nos países de língua inglesa, também no Brasil esta versão teve pouco sucesso. Somente com a introdução nos EUA na década de 50 da New American Standard Version (NASV), e no Brasil da Almeida Revista e Atualizada durante os anos 60, é que Bíblias baseadas no TC começaram a se tornar populares entre os Cristãos.

Nós devemos sempre ser relutantes ao usar argumentos humanos, ou seja nos concentrar nas personalidades ao invés de nos fatos. Contudo o caráter e as crenças professadas por aqueles envolvidos em questão tão vital quanto o texto e a tradução da Bíblia não podem ser negligenciados. É necessário que aqueles manuseando as palavras inspiradas por Deus, sejam, eles mesmos, homens espirituais. E este é o ensino da própria Palavra de Deus:

"Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus. Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus. As quais também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais. Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido. Porque, quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo" (I Coríntios 2:11-16)

Neste ponto torna-se então de suma importância uma visão de como o TC veio a ser produzido e a postura doutrinária daqueles que foram responsáveis por sua compilação, ou seja, Westcott e Hort.

Resumo histórico de Westcott, Hort e do TC[5]

12/01/1825 Brooke Foss Westcott nasce em Birmingham - Inglaterra.
23/04/1828 Fenton John Anthony Hort nasce em Dublin - Irlanda.
21/12/1851 Westcott é ordenado padre da Igreja da Inglaterra.
30/12/1851 Hort diz: "Eu não tinha idéia até algumas semanas atrás da importância dos textos, tendo lido tão pouco o Testamento em grego, e arrastado-me pelo vil (baixo, desprezível), Textus Receptus. Pense naquele vil Textus Receptus baseando inteiramente em MSS posteriores.; é uma bênção que haja estes tais mais antigos" (Life, Vol I, página 211)
19/04/1853 Westcott e Hort decidem um projeto conjunto para a criação de um novo texto para o Novo Testamento.
29/09/1853 Carta de Westcott para Hort: "Com nossa proposta revisão do texto do Novo Testamento, nosso objetivo será, suponho eu, preparar um texto para uso comum e geral...Com esta finalidade em vista, não seria melhor introduzir somente certas emendas ao texto recebido, e anotar na margem o que nos parecer provável ou perceptível - a exemplo de Griesbach?...Eu sinto muito fortemente a desgraça da circulação do que penso serem cópias falsificadas das Sagradas Escrituras, e estou extremamente ansioso para prover algo que lhes substituam. Isto não pode ser qualquer texto baseado somente em nosso próprio julgamento, mesmo que nós não sejamos tão inexperientes que não possamos criar um; mas este deve ser suportado por uma clara e óbvia preponderância de evidência. As margens darão amplo campo para nosso próprio engenho e princípios...meu desejo é deixar o popular texto recebido exceto onde ele estiver claramente errado" (Life, Vol I, pág. 228- 229).
04/11/1853 Westcott e Hort iniciam o trabalho no seu Novo Testamento em grego.
??/02/1856 Hort é ordenado padre da Igreja da Inglaterra.
20/03/1856 Hort diz: "Eu penso já ter mencionado a você a respeito do livro de Campbell sobre a redenção, que é valioso até certo ponto; mas infelizmente ele não sabe nada além de teologia protestante". (Life, Vol I, página 322).
01/05/1860 Hort para Lightfoot[6]: "Se você tiver uma decidida convicção na absoluta infalibilidade do N.T. praticamente um sine qua non para cooperação, temo eu, não poderei me juntar a você, mesmo que você esteja disposto a esquecer seus temores sobre a origem dos Evangelhos." (Life, Vol I, página 420).
04/05/1860 Hort para Lightfoot: "Também estou feliz que você tenha a mesma base provisional sobre a infalibilidade que eu" (Life, Vol I, página 424).
05/05/1860 Westcott para Hort: "agora eu encontrei a presunção em favor da verdade absoluta: eu rejeitei a palavra infalibilidade das Sagradas Escrituras opressivamente." (Life, Vol I, pág 207)
18/05/1860 Hort para Lightfoot: "Isto parece uma coisa arrogante a se dizer, mas há muitos casos nos quais eu não irei admitir a competência de ninguém para julgar uma decisão minha em matéria textual, que seja somente um amador, e que não tenha considerável experiência em formação de textos." (Life, Vol I, página 425).
30/04/1862 Hort diz: "Parece estar clara e amplamente aconselhada a manutenção de que o clero inglês não está compelido a sustentar a absoluta infalibilidade da Bíblia. E independente do que seja a verdade, esta parece ser justamente a liberdade requerida pelo presente momento, se alguma crença existente vier a sobreviver na Terra." (Life, Vol I, página 454).
1870 Westcott e Hort imprimem uma edição de teste de seu N.T. em grego para distribuição privativa somente.
10/02/1870 A Convenção Sul da Igreja da Inglaterra resolve ser desejável uma revisão da King James, A.V., mas a Convenção Norte declina de cooperar.
05/1870 Eleito um comitê de 18 pessoas para produzir a versão Revisada.
04/06/1870 Westcott para Lightfoot: "Não deveríamos nós ter uma conferência antes do primeiro encontro para Revisão? Há muitos pontos nos quais é importante que estejamos de acordo. As regras do pensamento liberal são vagas, e a interpretação deles irá depender da ação que a princípio tiver sido definida" (Life, Vol I, página 391).
1881 O Bispo Ellicott submete a Versão Revista à Convenção Sul.
12/05/1881 "O Novo Testamento no Grego Original" de Westcott e Hort Volume I é publicado (Texto e pequena introdução).
17/05/1881 A Versão Revista em inglês é lançada na Inglaterra, mas falhou em conseguir amplo apoio popular.
04/09/1881 "O Novo Testamento no Grego Original" de Westcott e Hort Volume II é publicado (Introdução e apêndice).
01/1881 Aparece o primeiro de três artigos de Dean Burgon contra a Versão Revista.
05/1881 Ellicott publica um panfleto em resposta a Burgon, defendendo o texto grego de Westcott e Hort.
1883 Burgon publica a Revisão Revisada, incluindo uma resposta a Ellicott.
01/05/1890 Westcott é consagrado Bispo de Durham.
30/11/1892 Morre Hort.
27/06/1901 Morre Westcott.

Posições doutrinárias de Westcott e Hort[5]

Westcott:

Hort:

Temos assim, a clara certeza sobre o caráter e a motivação que em primeiro lugar levaram à criação do TC.

Tradução por equivalência formal e tradução por equivalência dinâmica

Além de todos os problemas, já citados devidos à fonte das traduções "modernas" da Bíblia, temos em algumas, como na Bíblia na Linguagem de Hoje e na Nova Versão Internacional, uma tradução segundo o princípio da equivalência dinâmica. Este princípio tenta usar uma frase que se aproxime do sentido original do texto usando a fluência própria da língua para a qual se está traduzindo. Esta forma de tradução permite que ocorram interpretações pessoais e errôneas, por parte daquele que estiver fazendo a tradução, alterando, assim, definitivamente, o significado do texto original.

Já através da equivalência formal faz-se a tradução da forma mais literal possível, traduzindo-se palavra por palavra do original. Desta forma a tradução por equivalência formal não dá qualquer margem a interpretações pessoais por parte daquele que a estiver executando. Para que possamos entender como funciona a tradução por equivalência formal, tomemos como exemplo a palavra "água". Esta palavra no grego é "hudor". Assim, por exemplo, quando Cristo disse ser "água viva" em João 4 a palavra em português "água" tem exatamente o mesmo significado da palavra originalmente escrita: "hudor". Entretanto com algumas palavras ou em algumas circunstâncias esta equivalência direta não é possível por haver necessidade de mais que uma palavra em português para representar o real sentido da palavra no texto original ou quando no texto original temos palavras implícitas, mas que devam constar do texto em português. Nestes casos os tradutores empregam textos em itálicas indicando que estes não constavam do original, sendo contudo necessários à sua compreensão em português. Esta preocupação não existe na tradução por equivalência dinâmica, o que sempre nos deixa com a sensação de que não temos o verdadeiro significado do verso original, o que em geral é um fato.

Além destas duas formas de tradução existe também a paráfrase que na verdade não é uma tradução, mas uma forma de livre interpretação do texto, uma tentativa de, com outras palavras, dizer a mesma coisa que está no original. Neste caso é certo que o significado original não é o que está expresso pela frase traduzida.

Assim, de todas as formas de tradução a única que pode ser aplicada a textos bíblicos é a tradução por equivalência formal. Temos que nos lembrar que estamos tratando da Palavra de Deus, e a Palavra de Deus não pode sofrer qualquer alteração de sentido, sob pena de deixar de ser a Palavra de Deus e passar a ser uma interpretação humana da Palavra de Deus, o que, em verdade, é um enorme perigo.

"Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes." (Tito 1:9)

Necessidade de Padrão

Alguns tem afirmado que há riqueza na diversidade. Apesar de em geral este ser um pensamento válido, quando se trata da Palavra de Deus este argumento traz em si um enorme perigo.

Para exemplificar, imaginemos a Palavra de Deus como um prato de comida: de tudo o que há nele podemos nos alimentar e saciar nossa fome espiritual. Mas e se tivermos em nossas mãos uma destas Bíblias onde parte do texto foi contaminado? Uma destas Bíblias baseadas no TC em que 7% do texto foi corrompido? Neste caso, se soubermos onde está o veneno e o evitarmos, poderemos nos alimentar do restante e assim saciar nossa fome espiritual. Mas, e se, como é comum, não soubermos onde a contaminação está localizada? Neste caso podemos estar nos alimentando de veneno espiritual!

As pessoas, em geral, convivem bem com pequenas imprecisões. Vejamos o caso do horário: Se em uma sala cheia perguntarmos às pessoas que horas são, cada uma poderá dizer um horário diferente, mas, dentro de, digamos, uns poucos minutos. Isto é considerado normal e não causa maiores problemas.

Mas, qual é a razão para esta tranqüilidade frente ao erro? A explicação é que existe um padrão! Existe em Greenwich na Inglaterra um relógio que é referência para todos os outros relógios do mundo. Assim, sempre que necessário o padrão é consultado, e o padrão é único, pode até haver cópia da referência, mas não há duas referências distintas. Outro exemplo pode ser dado no caso das réguas utilizadas nas escolas, ou em outros locais onde se fazem necessárias. Elas normalmente são confeccionadas com materiais que não permitem uma grande precisão na medida, e assim, pequenas diferenças entre as medidas das diversas réguas são freqüentes e são encaradas com naturalidade.

Mais uma vez, por que há complacência com a pequena imprecisão? Porque há um padrão para o sistema métrico na França, e existe uma cópia deste padrão no Instituto de Pesos e Medidas em Brasília, e em qualquer necessidade pode ser consultado e comparado. E mais uma vez o padrão é único, há cópias da referência, mas, aqui também, não há duas referências distintas.

E esta segurança que se obtém ao se ter um único padrão, em termos bíblicos, nos é dada pelo TR. Este é o texto original da Palavra de Deus e todas as traduções devem estar baseadas nele. Podem, como no caso da hora e da régua, haver pequenas diferenças entre as diversas traduções, uma palavrinha aqui e outra lá, mas o padrão, original e único, está lá, retratado. E mais, está disponível e pronto a dirimir quaisquer dúvidas que possam surgir.

É desta forma que o povo de Deus poderá ter segurança e confiança em qualquer tradução da Palavra de Deus para qualquer língua que seja: - Se esta tradução se basear no padrão único e original. E mais uma vez, o padrão para os textos bíblicos do Novo Testamento é o Texto Recebido!

Conclusão

Não podemos descartar a atualização de expressões arcaicas utilizadas na tradução da Palavra de Deus, mas sempre tendo em vista o texto original como fonte divinamente inspirada (TR). Nunca devemos nos utilizar de uma fonte deturpada (TC) sob a alegação de fazer uma atualização textual, pois com isto estaremos na verdade fazendo uma alteração contextual.

Nestes tempos de apostasia, em que se avizinha a segunda vinda de Cristo, e em que a fé de muitos está se esfriando, porque já está aí o tempo em que não suportarão a sã doutrina:

"Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências;" (II Timóteo 4:3)

Neste tempo, chamado de hoje, qualquer doutrina que diminua a responsabilidade, que facilite a integração com o mundo, que torne mais branda a sã doutrina cristã é, por aqueles, extremamente bem-vinda. Mas, os verdadeiros Cristãos, os eleitos de Deus, estes, devem lutar para preservar sua regra de fé, que é a Palavra de Deus, e devem se afastar dos ventos de doutrina que insistentemente sopram por todos os lados, chamando a um caminho de esterilidade, clamando a que se coloque a luz debaixo da cama e não no velador!

"A FÉ QUE SE ALICERÇA SOBRE UMA CLARA PROMESSA É MAIS FORTE QUE AS OBJEÇÕES QUE SÃO LEVANTADAS POR NOSSA FALTA DE INFORMAÇÃO. Uma vez que Deus prometeu preservar Sua Palavra para todas as gerações, e uma vez que Deus tem tão singularmente usado a verdade pregada a partir do Texto Recebido, eu tenho que seguí-lo e rejeitar as outras Bíblias onde dele diferirem." (Bruce Lackey)[9]


[1]João Ferreira de Almeida pessoalmente traduziu todo o Novo Testamento e o Velho Testamento até Ezequiel 48:21, quando em 1691 veio a falecer. O trabalho foi concluído pelo pastor Jacobus op den Akker e por Cristóvão Teodósio Walther em 1753.

[2]Números aproximados.

[3]Nota de Rodapé da Bíblia na Linguagem de Hoje.

[4]II Timóteo 3:16

[5]Textos selecionados, traduzidos do inglês pelo autor deste estudo, com base nos seguintes livros:
Hort, A.F., Life and Letters of Fenton J.A. Hort, MacMillan and Co., London, 1896, vols. I,II.
Westcott, A., Life and Letters of Brooke Foss Westcott, MacMillan and Co., London, 1903, vols. I,II.

[6]Deveria escrever uma gramática e um léxico do grego para acompanhar a versão do Novo Testamento.

[7]uma estátua da virgem triste, tendo em seus braços um Cristo morto.

[8]doutrina que ensina que Cristo sofreu e morreu em nosso lugar.

[9]Dr. Bruce Lackey (1930-1988) - Pastor da Lakewood Baptist Church (Chatanooga) e deão da Bible School do Tennessee, é autor de livros nos quais defende a inteireza e correção da palavra de Deus. Tradução e adaptação do texto realizadas pelo autor deste estudo.