Ainda Sobre As Versões Da Bíblia

 

C.M.O.

 

 

 

     Cumpre-nos fazer mais alguns esclarecimentos complementares importantes. 


ERROS?


     A inspiração, preservação e inerrância (a impossibilidade de erros) das Escrituras, andam de mãos dadas. Uma Bíblia inspirada é uma Bíblia que vence a erosão do tempo e não tem erros, doutro modo não seria inspirada. Se Deus é eterno, e a Bíblia é a Sua Palavra, a Bíblia é eterna. Se Deus não pode errar e a Bíblia é a Sua Palavra, a Bíblia não pode conter erros. Dizer que alguma porção das Escrituras esteve omissa durante algum tempo na história é pôr em causa a preservação das Escrituras e a sua eternidade. Dizer que durante algum tempo - por pouco que fosse - as Escrituras contiveram alguma porção espúria ou apócrifa é pôr em causa a sua inerrância. Afirmar que há erros na Bíblia é o mesmo que dizer que Deus revelou verdade e erro. A própria natureza de Deus seria posta em causa. Atribuir erros à Palavra de Deus significa atribuir erros ao próprio Deus. À semelhança da Palavra Viva (Cristo), a Palavra Escrita (a Bíblia) esteve sempre isenta de qualquer erro. O menor erro que as Escrituras tivessem destitui-las-ia da autoridade que são. O menor erro nelas tornaria suspeito todo o seu conteúdo. Dizer que as Escrituras têm erros é querer roubar ao crente a autoridade e fidelidade da Palavra de Deus. É colocar sobre o homem a responsabilidade de determinar que partes são inspiradas e que partes não são. É atribuir ao homem o direito de decidir o que ele quer crer e deseja rejeitar, podendo rejeitar o que lhe desagrade e escolher para crença apenas os ensinos que mais lhe agradem. É colocar o homem, com a sua falibilidade e subjectividade, no trono judicial de decisão. É transformar o homem em autoridade final. Aceitarmos tal heresia é entregarmo-nos às nossas perversões pessoais ou às asserções incertas dos outros. 

     Como seres humanos fracos, finitos, e propensos ao pecado, não queiramos nem aceitemos colocarmo-nos a nós ou a outrem como tribunal de última instância em assuntos que envolvem o nosso destino eterno. 

     Não constitui surpresa o facto dos ateus e dos infiéis declarados questionarem e negarem a Palavra de Deus. Porém já não diremos o mesmo a respeito dos que assim procedem igualmente e sobem aos púlpitos nos cultos. Até agora este problema registava-se apenas nos modernistas e liberais. Porém, hoje o problema é que a infecção se alastrou ao chamado "Cristianismo Evangélico". Hoje há quem tenha feito profissão de fé e negue o mais fundamental das verdades fundamentais das Escrituras - a sua inspiração verbal e plenária.


TOMADA DE POSIÇÃO
 

     Este assunto é vital, mais caro do que a própria vida. 

     Como crentes no Senhor Jesus Cristo cremos que vamos para o céu. Como sabemos isto? Pelas Escrituras. Elas são muito claras. Porém, se a Bíblia contivesse erros que garantia teríamos nós de que toda ela não seria um erro? Aos que negam a inerrância das Escrituras e ainda assim professam as outras doutrinas fundamentais da fé Cristã, só lhes podemos dizer que uma vez que capitulem na verdade da infalibilidade da Bíblia serão inevitavelmente conduzidos às mais indesejáveis consequências, acabando na apostasia. É completamente impossível suster o processo da deterioração teológica, uma vez abandonada a inerrância das Escrituras. Poderá levar meses ou anos, todavia o naufrágio será inevitável. Será impossível defender todos os outros ensinos doutrinais da Palavra de Deus, se se abdicar da inerrância das Escrituras. O muito conhecido e prestigiado Francis A. Schaeffer afirmou certa ocasião que "se não se tomar uma posição clara a favor da inerrância das Escrituras a próxima geração será completamente arrasada".


LÍDERES INFIÉIS

     Os crentes devem ter cuidado em não seguir a liderança dos que negam a inspiração verbal e plenária das Escrituras. 

     As suas ideias perniciosas não são resultado do estudo das Escrituras, mas de considerações gerais e vagas não provadas do que leram ou ouviram da parte de infiéis. 

     Tudo quanto se possa descobrir só pode ser para confirmar a veracidade das Escrituras. As Escrituras já deram, ao longo de largos séculos, provas suficientes de que são dignas de confiança total. Apesar da veracidade das Escrituras ser frequentemente questionada, é notável como tem sido repetidas vezes confirmada. Os seus atacantes têm caído; elas continuam inabalavelmente de pé. Muitos críticos têm ridicularizado certas porções das Escrituras como sendo completamente contrárias aos "factos", somente para ficarem depois envergonhados com as descobertas que provam a falsidade do seu criticismo. 

     O que se tem sempre verificado como facto sintomático é que a razão real de haver pessoas que rejeitam partes das Escrituras deve-se não a estas se contradizerem, mas a estas os contradizerem. 

     A incoerência de alguns crentes professos é alarmante. Dizem que crêem na promessa que Deus fez acerca da preservação da Bíblia, porém na prática ignoram esta promessa ao tratarem o texto sagrado exactamente como o texto dum livro ordinário a respeito do qual nenhuma promessa divina foi feita. Constituem-se assim culpados da infidelidade mais básica e elementar. Ao darem ouvidos aos críticos infiéis da Bíblia, mergulham na incredulidade. Permitem que a sua fé seja minada, privam-se do fundamento básico principal para a confiança na infalibilidade da Bíblia, e, mais grave que isso, abalam a fé de muitos outros crentes que até ali criam confiadamente na fidelidade das Escrituras. Se a Bíblia fosse apenas um livro ordinário, então a fidelidade do seu texto seria, na melhor das hipóteses, apenas probabilidade, nunca uma certeza. 

     A autoria humana do texto sagrado é, nesta relação, irrelevante. Para o crente é de pouca importância quem escreveu o livro de Rute . Contudo é de toda a importância para o crente que foi inspirado por Deus.


AS LOGIA

     Debrucemo-nos um pouco, agora, sobre a história das Escrituras, que decerto o ajudará a entender melhor toda a problemática gerada em torno da inspiração do Novo Testamento. 

     As Logia, (como eram conhecidas as Escrituras) correram de boca em boca em toda a Igreja. Antes de escrito, o Novo Testamento foi transmitido oralmente. Quando um primeiro grupo eclesiástico docente declarou canónico qualquer livro do N.T., já a consciência colectiva o decidira. 

     Primeiro Deus deu à Sua Igreja os 27 livros do N.T. por meio da inspiração do Espírito Santo, e depois, por Seu intermédio, também guiou a Igreja no reconhecimento destes livros como canónicos. Durante o segundo século, contudo, Satanás procurou confundir a Igreja levantando homens enganadores que escreveram obras pseudónimas, reivindicando falsamente serem apostólicas. Estes ataques satânicos visavam abalar o reconhecimento do verdadeiro cânon. Todavia foram conduzidos ao insucesso. Sob a guia do Espírito Santo a Igreja foi guiada a confirmar apenas os 27 livros do N.T. integralmente como canónicos e a rejeitar todos os outros. A partir daí os ataques do diabo passaram a incidir nos manuscritos, usando infiéis para os corromper. Porém a Igreja foi uma vez mais guiada a aceitar os manuscritos donde João Ferreira de Almeida traduziu a Bíblia. 

     Uma cuidadosa leitura de Actos 15 prova o cuidado escrupuloso com que a igreja primitiva guardava os seus escritos sagrados.


MANUSCRITOS

     Se cremos que Deus guiou a Igreja a respeito dos livros do N.T. será lógico que Deus guiou semelhantemente a Igreja no texto que estes livros continham. Seria incoerente crer numa coisa e não crer na outra. Porém parece que os críticos não crêem nisto. Crêem que durante todo o período medieval e ao longo da era da Reforma e pós-Reforma o verdadeiro texto do N.T. se perdeu, tendo sido recuperado no meio do Séc. XIX quando Tischendorf (1815-74) o descobriu nos manuscritos Sinaiticus e Westcott (1815-1901) e Hort (1828-92) nos manuscritos Vaticanus.

     Embora ouçamos com frequência de "manuscritos originais", o facto é que de todos os escritos sagrados não há um único manuscrito original - nem do V.T. nem do N.T. -, tanto quanto se saiba. Em alguns casos quando estes preciosos documentos envelheciam, eram reverentemente enterrados pelos Judeus, que usavam cópias fidedignas em seu lugar; outros perderam-se em guerras e perseguições desencadeadas contra o povo de Deus. 

     Vemos nisto a providência sábia de Deus, pois se tivesse ficado algum dos documentos originais manuscrito por Moisés, David, Isaías, Daniel, Paulo ou João, o coração dos homens é tão louco que decerto seriam olhados supersticiosamente e até adorados, como sucedeu com a serpente de metal nos dias de Ezequias (2 Reis 18.4), adorando assim o Livro e não o seu Autor, que é bendito eternamente. 

     Apesar disto, não há, felizmente, motivo de alarme para a base da nossa fé, pois hoje existem milhares de manuscritos Hebraicos e Gregos que foram copiados dos originais por escribas Judeus muito competentes. 

     Os copistas eram muito cuidadosos, contando, não apenas as palavras mas até as letras, anotando mesmo quantas vezes cada letra particular ocorria. Destruíam de imediato uma folha em que fosse detectada alguma falha, para evitarem a introdução de qualquer erro nas Escrituras que eles tanto prezavam e reverenciavam. 

     Cada nova cópia tinha de ser feita de um manuscrito aprovado, escrita com uma tinta especial em folha de pele de animal que fosse "puro". Os copistas também tinham que pronunciar em voz alta cada palavra antes de a escrever e em nenhum caso havia palavra escrita de memória. Limpavam reverentemente a pena antes de escreverem o nome de Deus qualquer que fosse a forma e lavavam-se antes de escreverem "Jeová" a fim deste santo nome não ser manchado nem na escrita. A nova cópia era por fim cuidadosamente examinada em confronto com o original quase de imediato e se alguma letra estivesse incorrecta toda a cópia era rejeitada e logo destruída. 

     Um Rabi disse um dia a um Escriba, "Tem cuidado como fazes o teu trabalho, pois a tua obra é obra do céu. Tem cuidado em não tirares ou acrescentares uma letra que seja ao manuscrito, a fim de que não te constituas dessa forma num destruidor do mundo". 

     No entanto, a despeito de todo este cuidado penoso surgiram alguns (poucos, muito poucos, graças a Deus) manuscritos com erros, como revelam alguns (poucos, muito poucos) documentos que chegaram até nós. É claro que o diabo tinha que procurar destruir a Palavra de Deus usando agentes seus. 

     Todavia os erros que foram introduzidos por alguns copistas constituem um forte argumento a favor da inspiração verbal das Escrituras. 

     Tendo nós, na boa providência de Deus, tantos manuscritos para consultar, compreendemos facilmente que o erro dum copista num manuscrito é, como regra, facilmente detectado pela caligrafia correcta da mesma passagem em muitos outros documentos. 

     Assim, pode ser dito com segurança, com a posse dos milhares de manuscritos que existem, apesar de cópias, que podemos ter acesso às palavras exactas das Escrituras como elas vieram originalmente de Deus através dos Seus servos. E a aditar a tudo isto acrescem ainda muitas citações das Escrituras nos escritos dos chamados Pais da Igreja, datados entre o segundo e o quinto séculos, que se provou que, sem qualquer assistência doutra parte, todo o Novo testamento podia ser reproduzido apenas a partir destes! Quão cuidadosamente o nosso Pai celestial guardou o Livro que Ele deu aos filhos dos homens!


MANUSCRITOS CORROMPIDOS

A geração actual de crentes está a aceitar perigosamente as teorias de Westcott e Hort sem lhe fazerem um exame crítico sério. Entre outras coisas, que o espaço aqui não nos permite dizer, podemos assegurar que tais manuscritos não oferecem a menor confiança. Revelam um assinalável descuido por parte de quem os manuscreveu. Em numerosos lugares são encontrados erros. Os escribas que os transcreveram repetiram a mesma palavra ou frase duas vezes em sucessão repetidas vezes. Revelam marcas de 10 (dez) diferentes correctores ao longo dos séculos - contêm dez tipos diferentes de letra. 

     Tischendorf descobriu o Sinaiticus num cesto de papéis no Convento de Stª Catarina situado na base do Monte Sinai. Westcott e Hort foram heréticos que puseram em causa a inspiração das Escrituras e criam na teoria da evolução. Em 21 de Outubro de 1858 o primeiro escreveu assim a Rowland Williams: "Há sérias diferenças entre mim e os evangélicos em questões de autoridade, especialmente a autoridade da Bíblia". Negaram a inspiração de Marcos 16.9-20, João 7.53-8.11 e muitas outras porções das Escrituras, eram Mariolatras (adoravam Maria), anti-Protestantes, evolucionistas, ritualistas, criam na doutrina Católica da expiação, etc., etc. 

     Na balança dos Sete Testes da Verdade, que normalmente se faz aos manuscritos a fim de testar a sua autenticidade, as especulações da escola de Westcott e Hort, que têm enganado milhões, são TEKEL - pesadas na balança e achadas em falta. Os Sete Testes da Verdade para os manuscritos são: 1. Antiguidade; 2. Número ou concórdia de testemunhos; 3. Catolicidade ou variedade de evidências; 4. Respeitabilidade dos testemunhos ou peso; 5. Continuidade ou tradição não quebrada; 6. Evidência de todas as passagens ou contexto; 7. Considerações internas ou rasoabilidade. 

     Como é que ao fim de cerca de 1800 anos 998 cópias de 1000 são tidas como indignas de confiança e 2 completamente desconhecidas até ao fim do século passado são aceites como fidedignas? Encontrar-se-ia em profundo segredo durante tantos séculos o que o Espírito Santo inspirou? Quem é que acredita nisso? Estes hereges ignoram o carácter único da Bíblia - diferente de todos os outros livros, divinamente inspirada e providencialmente preservada. 

     A falsificação destes manuscritos é atribuída a duas causas principais: a primeira, à falsificação deliberada das Escrituras Neotestamentárias por hereges durante os segundo e terceiro séculos; a segunda, sem dúvida aos esforços desastrados de certos Cristãos, durante o mesmo período, em "melhorar" o texto do Novo Testamento por intermédio de "emendas conjecturais". Os escritos dos chamados Pais da Igreja são disso testemunha. 

     Ora foi a apostasia verificada na Igreja primitiva que preparou o caminho para a corrupção das cópias de manuscritos como o Sinaiticus e o Vaticanus. A corrupção dos manuscritos da Bíblia remonta aos dias de Eusébio e Orígenes (Pai do Arianismo) no ano 200 A.D., e a sua influência estendeu-se até aos nossos dias com especial ênfase nos manuscritos Sinaiticus e Vaticanus e nas modernas versões da Bíblia neles baseadas, que têm vindo a invadir perigosamente as igrejas causando enorme confusão. 

     Todas as versões da Bíblia que não concordam com o Textus Receptus (Texto Tradicional por ter sido desde sempre usado, quer no império Grego, Sírio, Norte de Itália, Sul de França, Ilhas Britânicas no Séc. II, etc., algumas vezes chamado Texto Recebido ou ainda Bizantino, por ter sido usado no período Bizantino 312-1453) donde foi traduzida a edição de João Ferreira de Almeida e a esmagadora maioria das versões da Bíblia que surgiram antes de meados do século passado, como a afamada versão inglesa King James, baseiam-se certamente em manuscritos corruptos. Os defensores das modernas versões corrompidas da Bíblia defendem-nas dizendo que elas se baseiam nos manuscritos mais antigos e melhores; mas "melhores" e "mais antigos" não andam necessariamente de mãos dadas. Ireneu denunciou no início do Séc. II a tentativa de alguns mutilarem as Escrituras. Epifanio, no seu tratado Panarion descreve cerca de 80 grupos heréticos com planos para adulterar as Escrituras. E Paulo não falou de nos seus dias da existência duma falsa epístola com o seu nome? (2 Tes. 2.2). É bom que se saiba que existem versões (traduções) que são mais antigas que qualquer manuscrito conhecido. Assim, desta forma, somos indirectamente capazes de ter acesso a manuscritos muito mais antigos que os mais antigos que sobreviveram. É suposto que Orígenes, sendo um crítico textual, tenha corrigido numerosas porções de manuscritos sagrados. No entanto há evidências de que, pelo contrário, alterou-os para os ajustar à sua muito própria filosofia humana de ideias místicas e alegóricas. Francis Schaeffer disse que "a predilecção dele por Platão (filósofo Grego) levou-o a cometer enormes erros". Assim, por meio desta espécie de escolasticismo fraudulento certos manuscritos foram corrompidos. E foi deles que vieram essas versões modernas revistas e paráfrases da Bíblia que são um verdadeiro atentado contra a integridade das Escrituras. 

     Hort e Westcott basearam-se na teologia de Orígenes e nos escritos por ele adulterados. Basearam a sua investigação em manuscritos fraudulentos. Podemos seguramente dizer que a superstrutura da argumentação infiel de Hort e Westcott não assenta numa fundação insegura. Não! Assenta em nenhuma fundação. Sabia que Orígenes ensinou que o Senhor Jesus Cristo "é um ser criado que não teve existência eterna como Deus"? 

     É verdade! Assistimos nos nossos dias à proliferação do que somente pode ser denominado de versões corruptas que alimentam muitas almas que não suspeitam de nada.


A VERSÃO DE ALMEIDA
Edição Revista e Corrigida (ERC)

A versão de João Ferreira de Almeida, que desde sempre, durante séculos, serviu o povo de Deus em Portugal, é digna do nosso maior respeito e dum trato muito mais reverente que o que lhe estão a dar alguns. Esta versão «desde os ombros para cima» sobressai sobre a esmagadora maioria das outras versões da Bíblia em Português. E não foi sem merecimento e justiça que alcançou no meio da Igreja em Portugal o lugar de texto padrão desde há praticamente 300 anos, tendo sido a primeira versão da Bíblia a aparecer no nosso país em língua Portuguesa. Nestes 300 anos ela já deu sobejas provas de que merece o nosso respeito e confiança. 

     João Ferreira de Almeida iniciou a sua obra de tradução do N.T. em 1644 aos 16 anos, usando as versões Italiana, Francesa, Espanhola e Latina. Este trabalho, porém, perdeu-se. A tradução definitiva foi publicada em 1681, feita directamente do Grego. Em 1681 começou a ser publicado o N.T. de Almeida. A 1ª Edição foi feita em Amesterdam, por ordem da Companhia Holandesa das Índias Orientais, com a finalidade de circular entre as Igrejas Evangélicas Portuguesas que esta companhia estabelecera nas suas feitorias asiáticas. 

     O trabalho tipográfico continha muitos erros, principalmente devido a ter sido publicado por Holandeses, tendo a edição sofrido uma revisão por Almeida em 1691. 

     Em 1748 foi publicado o Tomo I do V.T. traduzido por Almeida e em 1753 o Tomo II. Almeida só traduziu até ao final do livro de Ezequiel por, entretanto, o Senhor o ter chamado à Sua presença. O seu amigo Holandês Jacobus Opden Akker conclui a obra tendo feito a tradução dos Profetas Menores. 

     O Dr. Teófilo Braga, poeta, crítico, filósofo e ex-Presidente da República Portuguesa, escreveu acerca desta obra: "É esta tradução o maior e mais importante documento para se estudar o estado da língua Portuguesa do Séc. XVII. É um magnífico monumento literário". 

     Em 1809 a Sociedade Bíblica Britânica publicou uma edição do N.T. em Português da versão de João Ferreira de Almeida. 

     Em 1819 a Bíblia completa da versão de Almeida foi publicada em um só volume pela primeira vez em Londres. 

     Desde então esta versão sofreu algumas revisões sofrendo a correcção de alguns erros e algumas modificações ortográficas e de linguagem face à evolução da língua Portuguesa, tendo a última ocorrido em 1898 sob o nome Revista e Corrigida.


VERSÕES DE "ALMEIDA" INFIÉIS
 

     Em 1902 as Sociedades Bíblicas do Brasil nomearam uma comissão para traduzir do Grego e Hebraico uma versão - Edição Brasileira (EB) - que se concluiu em 1917. Os Brasileiros pretendiam uma versão da Bíblia que fosse deles. Ao optarem por traduzir directamente do Grego e do Hebraico decidiram fazê-lo a partir dos manuscritos corrompidos propagandeados por Hort e Westcott que o diabo tão bem foi capaz de tornar facilmente aceites como melhores. Isso denotava como também pretendiam uma versão da Bíblia diferente, e não apenas Brasileira. O veneno lançado pelo diabo a esse respeito minara-os. Esta Bíblia, no entanto, não teve aceitação entre o povo de Deus, que já estava habituado à velha Bíblia de Almeida que vingou preferência. 

     Ardilosamente, os defensores de tais manuscritos, como não conseguiram vingar através da Edição Brasileira fizeram a chamada Edição Revista e Actualizada (ERA) na década de 40 com base na versão de Almeida, que mais não foi do que usar o nome de Almeida para camuflar e encobrir as alterações que pretendiam fazer tomando por base os falsos manuscritos. Contudo, na operação de cosmética da mudança, a razão invocada para o surgimento de tal operação foi a de se lhe conferir uma linguagem actualizada. O que fizeram foi no mínimo desonestidade e mentira, pois continuaram a chamar versão de Almeida a algo que nada tem com a obra de Almeida. Almeida não traduziu a partir daqueles manuscritos fraudulentos. Apreciamos, estimamos e temos em muita consideração aqueles que procuram rever as versões da Bíblia no sentido de as fazer acompanhar a evolução da língua, pois prestam um elevado serviço. Mas, infelizmente, não é isso que temos verificado ultimamente com o surgimento de novas edições. 

     Na mesma década a Imprensa Bíblica Brasileira fez exactamente o mesmo com a chamada Versão Revisada (VR). O mal sempre se espalhou velozmente! 

     Talvez o leitor não saiba que no prefácio dos editores da 1ª Edição em Português da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs (Versão corrupta da Bíblia usada pelas falsamente autodenominadas Testemunhas de Jeová), se lê: 

     "No que se refere às Escrituras Cristãs, a Tradução do Novo Mundo baseia-se principalmente no famoso texto Grego de Westcott e Hort, que se harmoniza com os mais antigos manuscritos Gregos. Esta é a razão de a Tradução do Novo Mundo não apresentar certos versículos e partes de versículos contidos em versões da Bíblia feitas antes da publicação do texto Grego de Westcott e Hort, pois não existem neste texto Grego autorizado. Os versículos assim omitidos acham-se indicados por um travessão após o número do versículo" (ênfase nossa). 

     Comentários? Para quê? 

     Griesbach, Lochmann, Tischendorf, Tregelles, Alford, Wordsworth, Westcott e Hort, em notas de fundo de página e traduções, alteraram o TEXTUS RECEPTUS em cerca de 6.000 lugares. Noutro artigo anterior apresentámos mais de 200 alterações só no N.T. 

     O escolasticismo moderno e infiel tem feito uma autêntica lavagem ao cérebro à maioria dos responsáveis pela publicação das Bíblias, mas nós como povo de Deus devemos repudiar todas essas versões infiéis. 

     O conteúdo do Textus Receptus começou com as igrejas apostólicas e perdurou ao longo de todos os intervalos da era Cristã. A presente controvérsia entre a Edição Revista e Corrigida de Almeida e as versões modernas é a mesma velha batalha entre a igreja primitiva e as seitas rivais; e mais tarde, entre os Valdenses e os Papistas do Séc. IV ao Séc. XIII; e mais tarde ainda entre os Reformadores, que privilegiaram sempre e tão somente o Textus Receptus e os Jesuítas no Séc. XVI que optaram antes pelos manuscritos infiéis. 

     O Imperador Romano Constantino endossou ao Papado a Bíblia editada por Eusébio e escrita por Orígenes. Essa Bíblia era bem diferente da dos Valdenses (que ao contrário do que muitos pensam não tiveram início com Pedro Valdo em 1175, mas remontam ao ano 120 A.D., sendo o seu nome oriundo dos vales onde eles viviam). Como resultado dessa diferença os Valdenses foram objecto de ódio e perseguição. Jerónimo, pai da Vulgata Latina foi acérrimo defensor de Orígenes. O Origenismo invadiu a Igreja Católica por meio de Jerónimo. 

     Será de admirar ver a Igreja Católica, não ter a Bíblia como autoridade suprema e final em questões de fé e de prática, mas reger-se pela Tradição que ofende inúmeros preceitos Bíblicos? Pois é, uma Bíblia oriunda de tais manuscritos é uma Bíblia sem autoridade. O leitor já avaliou bem o que subjaz a tais versões, e para onde elas conduzem? 

     Caro leitor, se crê que os escritos originais das Escrituras foram verbalmente inspirados por Deus, então tinham que ser necessariamente preservados providencialmente por Ele através dos séculos, sem interrupções ou quebras. Assim sendo, só precisamos de saber qual a versão mais fiel. Como vimos, a Edição Revista e Corrigida de João Ferreira de Almeida (ERC) é a recomendável - a melhor de todas as versões em língua Portuguesa. Quanto às outras versões, usemo-las apenas como livros de referência para estudo.

     Como Stuart E. McNair também nós dizemos: Prefiro Almeida! Prefiro Almeida! E nós não preferimos a Edição Revista e Corrigida (ERC) de João Ferreira de Almeida só porque é proveniente de manuscritos fiéis, mas também porque é genuinamente uma versão Portuguesa, ao contrário das outras versões que enfermam de brasileirismos que nada têm a ver com o Português escrito e falado em Portugal.

     Em conclusão:
 Se o leitor almejar ter a reputação de sábio hoje e quiser arriscar-se a ser um louco daqui a algum tempo, denuncie os "erros" que a Bíblia contém. Mas, como Charles Haddon Spurgeon disse, e bem, "Se quiser ser considerado um louco agora, sabendo que a sua posição daqui a algum tempo será justificada, então defenda a inerrância deste Livro". 

     Oh, que o Senhor possa dizer de todo o Seu povo de hoje naquele dia: 

     «Guardaste a Minha Palavra»!

 

- C.M.O.

Copiado de http://www.iqc.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=561:ainda-sobre-as-versoes-da-biblia&catid=51&Itemid=76, em 19.10.2015.




Só use as duas Bíblias traduzidas rigorosamente por equivalência formal a partir do Textus Receptus (que é a exata impressão das palavras perfeitamente inspiradas e preservadas por Deus), dignas herdeiras das KJB-1611, Almeida-1681, etc.: a ACF-2011 (Almeida Corrigida Fiel) e a LTT (Literal do Texto Tradicional), que v. pode ler e obter em http://BibliaLTT.org, com ou sem notas.



(Copie e distribua ampla mas gratuitamente, mantendo o nome do autor e pondo link para esta página de http://solascriptura-tt.org)




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