A IGREJA QUE JESUS CONSTRUIU

Por
Dr. Roy Mason, Th.D.




A IGREJA QUE JESUS CONSTRUIU.. 1

Introdução. 1

I. Capítulo Introdutório. 1

II. Jesus Fundou a Igreja? Se Sim, Quando?. 1

III. O Tipo de Igreja que Jesus Construiu. 1

IV. A Família, o Reino e a Igreja de Deus. Diferenciados. 1

V. A Promessa do Mestre. 1

VI. A Busca da Verdadeira Igreja. 1

VII. O Teste Doutrinário. 1

VIII. Pontos a Serem Lembrados. 1

IX. Os Batistas Sob Outros Nomes. 1

X. Afirmações dos Historiadores. 1

XI. Qual é a Missão da Igreja que Jesus Construiu?. 1

XII. A Igreja que Jesus Construiu Justifica Sua Existência. 1

XIII. Conclusão. 1

LIVROS LIDOS OU CITADOS. 1

 


Introdução

Ao escrever a introdução à sétima edição de “A IGREJA QUE JESUS CONSTRUIU”, Dr. J.W. Jent, naquele tempo Presidente do Colégio Batista do Sudoeste, Bolivar, Missouri, disse:

“Escrever uma introdução à sétima edição deste livro é um prazer peculiar. Quando a primeira edição foi publicada em 1923, eu lhe dei as boas vindas não somente porque ela atendia a uma necessidade real como um livro texto para o meu departamento na Universidade Batista de Oklahoma, mas porque eu nunca tinha lido algo que descrevesse tão profunda e claramente minha própria concepção da ‘ECCLESIA’ de Cristo. Na segunda edição, que usei como texto no Seminário Teológico da Universidade Mercer, foi mais abrangente e mais bem organizada do que a primeira edição. É uma contribuição valiosa e oportuna para a literatura das Polêmicas Cristãs. A emissão da sétima edição reflete a persistência do gratificante interesse nos fundamentos Cristãos – uma refutação tangível do clamor de que esse denominacionalismo esteja morto”.

“Tive minha apresentação à Eclesiologia do Novo Testamento aos pés do meu pai, há anos, nas igrejas campestres do sudoeste do Missouri. Ele ainda atende como pastor rural naquela área e é amplamente conhecido como o pregador talvez mais fortemente doutrinário nas Montanhas Ozarks. Muitas e muitas vezes, durante os oscilantes anos de minha meninice, eu o ouvi através de suas séries de sermões sobre A IGREJA – sua natureza, instituição, CARACTERÍSTICAS, PERPETUIDADE e sua moderna IDENTIDADE. Quando o segui para o ministério e o pastorado campestre, trabalhamos juntos estabelecendo os fundamentos Bíblicos sobre os quais ficou fácil para mim, mais tarde, construir uma superestrutura doutrinária, sob a complacente direção do Dr. B. H. Carroll”.

“Anos de estudo e experiência prática me convenceram que a interpretação do meu pai e meu grande mestre está correta: que a IGREJA – a ‘ECCLESIA’ de Cristo – é a ‘CONGREGAÇÃO DE CRENTES BATIZADOS associados num COMPANHEIRISMO DO EVANGELHO’. Que ela é uma DEMOCRACIA ESPIRITUAL, visível e LOCAL ou PARTICULAR. Que ela é UMA INSTITUIÇÃO DO NOVO TESTAMENTO, designada por Nosso Senhor, historicamente instituida por Ele, persistindo século após século, conservando as características do modelo do Novo Testamento, facilmente identificada pelos detalhes da integridade doutrinária. Uma verdade funcional para o espírito de sua Santa Missão. Justificando sua existência por suas aquisições desafiadoras e Sua benevolente benção à humanidade amaldiçoada pelo pecado. Esta é a TESE que Dr. Mason defende tão habilmente nas páginas seguintes. Ele é franco, sincero, consistente e convincente. Seus argumentos são impulsionadores e irrespondíveis. Ele declara a representativa crença Batista, com suas implicações essenciais. Ele dá a ‘razão para a fé que está em nós’ – a inextirpável consciência de uma missão e um destino – a total intolerância à cortesia e transigência – o ponto de vista único em que temos o paradoxo da inflexível exclusividade sintetizada com superlativa tolerância e boa vontade”.

Já que a doutrina da igreja é claramente determinante no campo distintivo, este livro não só atende uma séria necessidade da denominação, mas esclarece admiravelmente a atmosfera para o público em geral. Seu desafiador restabelecimento da TESE BATISTA não apenas atende, com inabalável candura, a propaganda da ‘igreja invisível’ dos Pedobatistas, mas o sentimento superficial dos modernistas não denominacionais e contra-denominacionais. O autor soa os clarins chamando à nova cruzada de pregação doutrinária construtiva. Ele aponta o caminho para um programa que revitalizaria não apenas nossas igrejas, mas nosso maquinário denominacional. A dinâmica que sempre sensibilizou e impeliu como uma CONVICÇÃO inteligente, uma CONSCIÊNCIA DENOMINACIONAL e a consciência de uma MISSÃO DENOMINACIONAL. Temos uma MENSAGEM que o mundo precisa e realmente quer ouvir. É cego aquele que não percebe que o grande meio dia da Democracia no entardecer do século vinte é um dia Batista. “A ousadia da lealdade denominacional e a sabedoria são o gênio construtivo para produzir sua maior parte”.

“O apelo sonoro do Dr. Mason à razão e à Divina Revelação neste livro deve conquistar a mente aberta que lhe der ouvidos. Pastores sábios colocarão em seus programas de ensino ‘A IGREJA QUE JESUS CONSTRUIU’. Ele merece um lugar nos cursos de treinamento de todos os nossos departamentos auxiliares. O autor nos colocou todos nós Batistas sob o dever de agradecer-lhe por um serviço tão oportuno, fundamental e de alcance tão amplo. Que Deus possa abençoar esta sétima edição e torná-la uma permanente benção a um grupo de leitores sempre crescente e estudantes de mente aberta por todos os anos do porvir”.

J. W. Jent.

Presidente do Colégio Batista do Sudoeste, Bolivar, Missouri.

 

É para nós um grande prazer ter a oportunidade de publicar novamente ‘A IGREJA QUE JESUS CONSTRUIU’, do Dr. Roy Mason. Acreditamos na necessidade ainda maior de um livro Biblicamente impactante dessa natureza do que foi há um ano. O pastor e membros da Igreja Batista de Buffalo Avenue acreditam que Deus forneceu os meios para publicarmos esta  e endossamos seu uso entre nosso povo Batista tão veementemente quanto o fez Dr. Jent.

Pr. Claude King

Pastor da Igreja Batista de Buffalo Avenue.

 

“A Fé Batista é radical e fundamentalmente diferente de todas as demais. Somente neste fundamento, sua existência continuamente separada pode ser justificada”.

M. P. Hunt, em “A Fé Batista”.

Dr. Mason foi pastor na Igreja de Buffalo Avenue por 29 anos. Durante esse tempo ele editou o jornal da igreja que chamava “Fé e Vida”, e por muitos anos ele foi o maior pregador diário em toda a rede de rádios, entre todos os pastores do país. Dr. Mason ainda dirige programas em mais de cinco estações de rádio patrocinadas pela Igreja Batista de Buffalo Avenue, algumas delas com programas diários.

 

“E Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” [João 8:32].

Jesus


 

I. Capítulo Introdutório

Há algumas coisas sobre as quais muitas noções falsas e opiniões heréticas são defendidas, como a igreja. Muitos se casam com uma teoria eclesiástica que variam totalmente dos ensinamentos claros das Escrituras. Alguns defendem essas falsas teorias honestamente, nunca tendo estudado cuidadosamente a questão da igreja por si só. Outros – deve-se temer – as defendem porque se ajustam a seu esquema eclesiástico e porque entregar-se à verdade significaria uma revolução em sua vida, envolvendo uma mudança na questão de sua afiliação à igreja.

Por causa da negligência à verdade da igreja, um pensamento fraco e visões erradas sobre o que realmente constitui uma igreja do Novo Testamento, muitos defendem a igreja à luz da estima. Não é, para eles, uma coisa alta e santa, como deveria ser. Não é, para eles, a divina instituição considerada como alta torre acima de todas as organizações e instituições dos homens. É, sem dúvida, comum encontrar pessoas que estimam locais, clubes, sociedades ou outras organizações desse tipo em par com a igreja. E entre as multidões de seitas de denominações que se autodenominam igrejas, as pessoas comumente fazem pequenas distinções. A ideia popular é que “uma igreja é tão boa quanto qualquer outra”, sem mencionar se ela tem Jesus Cristo como seu Fundador e Chefe. Mais tarde, quando comecei a estudar a questão da igreja, minha ideia do que se constitui uma verdadeira igreja se estreitou e se tornou mais distinta. À luz dos ensinamentos das Escrituras, a ideia da perpetuidade da igreja, à primeira vista tão repulsiva, se tornou cada vez mais racional. Finalmente ficou claro para mim que, se as Escrituras são verdadeiras e podemos confiar na promessa de Jesus, a igreja que Jesus fundou deve ter tido uma continuidade de existência através de todas as eras e deve estar em algum lugar no mundo de hoje. Um estudo cuidadoso das Escrituras e da história, junto com um estudo da origem e ensinamentos das diferentes denominações serviram para formar dentro de mim uma convicção quase tão forte quanto a própria vida. Essa convicção é que a primeira igreja que foi organizada foi a que hoje chamamos de uma igreja Batista e que as igrejas do mesmo formato, caracterizadas pelas mesmas doutrinas e práticas têm existido desde o dia que a primeira foi estabelecida até o presente momento e continuará a existir até que o Senhor volte novamente.

É meu propósito expor nas próximas páginas alguns dos fundamentos, bíblicos e históricos, sobre os quais baseio minhas convicções e mostrar a racionalidade e credibilidade da reivindicação Batista ao que normalmente é chamado de “perpetuidade da igreja”.

Nesta linha de pensamento, uma das primeiras questões que surgem é com referência à importância prática dessa doutrina. Pois eu penso podemos chamar de doutrina a perpetuidade da igreja. Certamente, parece importante considerar que a veracidade da Palavra de Nosso Senhor e a validade de Sua promessa estão em pauta. Se a igreja que Jesus estabeleceu não fosse perpetuada, então Sua promessa teria falhado. Se Sua promessa sobre a igreja tivesse falhado, então não seria possível que Sua promessa sobre nossa salvação e destino da mesma forma falharia?

Novamente é importante saber qual igreja pode realmente reivindicar existir em cumprimento da promessa de Cristo de perpetuidade, porque encontrar essa igreja significa encontrar a única verdadeira. Num mundo cheio de todos os tipos de assim chamadas igrejas, cada uma defendendo sua doutrina e características peculiares, muitos estão desesperadamente confusos e não sabem a que igreja se voltar. Um conhecimento da verdade sobre a perpetuidade desfará a confusão e tornará claro o dever dos Cristãos.

Um adequado entendimento da promessa de Cristo sobre a igreja e o reconhecimento do cumprimento dos princípios Batistas evitariam, talvez, a condição cismática do Cristianismo de hoje. Cristo prometeu que Sua igreja não falharia e não cessaria. Todas as organizações das assim chamadas igrejas repousam sobre a suposição de que Sua promessa foi quebrada e que Sua igreja fracassou.

A doutrina da perpetuidade da igreja Batista tem sido sempre uma doutrina ofensiva àqueles de outra fé e isso é muito natural. Pois se pudermos mostrar que as igrejas Batistas são as verdadeiras igrejas de Cristo, então as igrejas de outra fé, imediatamente passam a ocupar a posição de rivais daquelas que tenham origem divina. No entanto, não é apenas aqueles de outra fé que acham essa doutrina ofensiva. Nesses dias modernos de tolerância e falta de convicção, não é pouco frequente que alguém descubra um Batista de tipo “Unitariano” ou “Indiferente” que faz exceção a essa doutrina bíblica. Lembro que um Batista como esse ou de propensões Pedobatistas uma vez me fez avaliar minhas visões sobre a perpetuidade da igreja, dizendo que poderia não ser provado historicamente que as igrejas Batistas continuaram desde os dias de Jesus até hoje. Com os dados históricos que chegaram até mim frescos na mente, respondi que acreditava totalmente que já foram produzidas provas históricas suficientes para estabelecer isso. Então continuei dizendo que a questão era mais do que histórica, era mais bíblica que histórica. “Se”, eu disse, “eu só tivesse o meu Mestre para perpetuar Sua igreja, isso seria o bastante para me fazer crer em sua existência atual”. Deus fez uma vez uma promessa surpreendente a Abraão, cuja realização parecia impossível. Sobre a fé de Abraão, Paulo diz (Romanos 4:20-22 - ACF):
“E não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus, e estando certíssimo de que o que ele tinha prometido também era poderoso para o fazer. Assim isso lhe foi também imputado como justiça”. Não deveríamos ter a fé de Abraão? Cristo prometeu perpetuar Sua igreja. Não deveríamos ter fé para acreditarmos que “Aquele que prometeu tem o poder de cumprir a promessa?”

Ao lidar com a questão da perpetuidade da igreja, estou ciente de que encontrarei, com toda a possibilidade, alguém antagonista ao termo “perpetuidade”. Esse antagonismo foi induzido pelo frequente mau uso na ligação com “sucessão”, “continuidade”, e “perpetuidade”. Como um autor coloca, “há três palavras usadas quase indiscriminadamente na discussão sobre a história da igreja, isto é: ‘sucessão’, ‘continuidade’ e ‘perpetuidade’. Nenhuma dessas palavras expressam toda a ideia, mas cada uma delas é quase certa e suficiente para uma discussão honesta”. Considerando qual palavra eu deveria usar, finalmente decidi usar a palavra perpetuidade como, talvez, a mais adequada das três para meu propósito. Porém, por causa do mau emprego da palavra perpetuidade tão usada, é aconselhável definir, de início, o que ela significa e o que não significa, segundo seu uso nas páginas seguintes.

1. Quando os Batistas afirmam a crença na perpetuidade de suas igrejas, eles não querem dizer que possam traçar uma inquebrável SUCESSÃO DE BISPOS, desde os dias dos apóstolos ATÉ OS DIAS DE HOJE. A Igreja Católica Romana baseia sua reivindicação da perpetuidade sobre a alegada sucessão de bispos ou papas como os chamam. Assim, encontramos o Cardeal Gibbons dizendo (A Fé de Nossos Pais, p. 93) que “a Igreja Católica ensina também que nosso Senhor conferiu a Pedro o primeiro lugar de honra e jurisdição no governo de toda a Sua igreja e que a mesma supremacia espiritual sempre residiu com os papas, ou bispos de Roma, como os sucessores de Pedro. Consequentemente, para serem verdadeiros seguidores de Cristo, todos os Cristãos, seja entre o clero e entre o laicato, devem estar em comunhão com o Senhor de Roma, onde Pedro governa na pessoa do seu sucessor”. Pode-se bem observar, nessa ligação, que o que os Católicos reivindicam sobre perpetuidade falha por muitas razões. Fazemos uma pausa para fazer uma menção límpida de quatro delas. Primeiro, sua falta de bons fundamentos onde basear sua reivindicação sobre a supremacia de Roma. Segundo, a absoluta falta de prova, bíblica ou histórica, de que Pedro tenha sido o primeiro papa. Terceiro, o ensinamento claro do Novo Testamento que impede a ideia de que Pedro teria ocupado o lugar de primazia, no sentido de ser o vice-gerente de Cristo e Chefe da igreja. Quarto, a falta de cobertura de evidência histórica para provar que Pedro tenha tido tanta importância em Roma e muito menos o primeiro papa.

2. Os Batistas não reivindicam a perpetuidade à base de uma CADEIA DE BATISMOS sucessiva e inquebrável. Os oponentes da perpetuidade Batista muitas vezes buscam invalidar as afirmações Batistas dizendo que seria necessário para eles estabelecer, além de qualquer dúvida, que não houve, em tempo algum, uma quebra na cadeia de batismos, antes de assumirem o direito de perpetuidade. Isso surge de uma má concepção da posição Batista e do que adequadamente se constitui a perpetuidade.

3. Os Batistas não querem a perpetuidade à base de uma cadeia de IGREJAS que se sucedam umas às outras, no sentido em que reis e papas se sucedam entre si. Dr. J. B. Moody coloca essa verdade de modo muito hábil quando diz: “no sentido em que papas e reis se sucedem uns aos outros, a palavra (perpetuidade) não deve ser usada na história da igreja, porque uma igreja não toma o lugar de outra. Às vezes uma igreja morre como instituição e alguns dos membros podem constituir outra no mesmo local ou em outro e assim, uma pode suceder à outra. Mas isso dificilmente estaria envolvido nessa discussão, exceto onde as igrejas possam ter sido levadas de um lugar a outro, ou de um país a outro. A igreja de Jerusalém se multiplicou em igrejas da Judéia, Samaria, etc., mas não sucederam a igreja de Jerusalém, porque aquela igreja não morreu, como quando reis e papas se sucedem uns aos outros por morte. Essa ideia particular de suplantar, ou tomar o lugar da outra, deve ser eliminada”.

4. Os Batistas não reivindicam a perpetuidade à base do NOME BATISTA. Eles não exigem que as igrejas chamadas pelo nome Batista tenham existido em todas as épocas. Os verdadeiros Batistas existiram sempre, mas foram chamados muitas vezes por outros nomes. As igrejas do Novo Testamento, como existiram através das eras normalmente receberam seus nomes de seus inimigos e perseguidores. Os nomes foram recebidos como termos de ódio e reprovação. Mostraremos mais tarde que os crentes do Novo Testamento se agruparam em igrejas do Novo Testamento aqui e ali, deram-se diferentes nomes em diferentes épocas, como Paulicianos, Bogomilos, Waldenses, Anabatistas, Cátaros, etc., cada nome dado aos povos das igrejas do Novo Testamento aqui mencionadas, embora espalhados por perseguição, caçados e conduzidos a covis e cavernas da terra e se ajustaram em pontos essenciais aos ensinamentos do Novo Testamento e foram os progenitores dos modernos Batistas.

O que, então, é entendido por perpetuidade segundo o uso dos Batistas? Não estarei errado por citar dois ou três Batistas bem conhecidos que deram a esse assunto mais do que atenção comum. Nos escritos de S. F. Ford, L. L. D., de honrosa memória, encontramos essas palavras: “a sucessão entre Batistas não é uma cadeia interligada de igrejas ou ministérios, não interrompidos e rastreáveis desde esse dia distante. A verdadeira e defensável doutrina é que os crentes batizados existiram em todas as épocas desde que João batizava no Jordão e se encontraram como uma congregação batizada em pacto e companheirismo onde uma oportunidade permitia”.

Novamente, de W. A. Jarrell, D. D., autor de um livro muito convincente sobre a perpetuidade da igreja, cito o seguinte: “tudo que os Batistas entendem por ‘sucessão de igrejas’ ou perpetuidade da igreja é que nunca houve um dia, desde a organização da primeira igreja do Novo Testamento em que não tenha havido uma igreja genuína do Novo Testamento existente na terra”.

Como está indicado nessas citações, os Batistas afirmam que a primeira igreja do Novo Testamento organizada por Jesus tinha essencialmente as mesmas doutrinas e práticas das igrejas Batistas de hoje. Eles afirmam que nunca houve um dia, desde que Jesus iniciou a primeira, quando essas igrejas não existiam, para levar o verdadeiro testemunho Dele. Eles afirmam que há prova histórica suficiente para demonstrar que as igrejas Batistas de hoje têm ligação histórica direta com as igrejas dos tempos apostólicos. Eles acreditam que à medida que o tempo passa e outras investigações são feitas no campo da igreja, a prova de sua continuidade se tornará tão irresistível que nenhum respeitável historiador da igreja poderá racionalmente negá-lo.

Eles não apenas defendem a autoridade da Palavra de Deus e a confiável história que as igrejas do Novo Testamento seriam o que seria chamado de igrejas Batistas de hoje. Os Batistas são os descendentes históricos das mesmas igrejas do Novo Testamento, mas também acreditam e defendem que as igrejas Batistas continuarão a existir até que o Mestre venha novamente a esta terra.

“O Protestantismo tem uma ideia confusa da origem da igreja. Alguns dizem que ela começou com Abraão e outros nos contam que iniciou no dia de Pentecostes após a ressurreição de nosso Senhor. Não há absolutamente qualquer centelha de evidência na Bíblia ou fora dela de que a igreja tenha sido fundada ou tenha começado em Pentecostes. Se os que querem Pentecostes como a data de aniversário da igreja, procurarão os registros e descobrirão que qualquer igreja nascida naquele dia ou após está atrasada para receber qualquer Comissão do Senhor. Consequentemente, escritural e logicamente, qualquer igreja nascida em Pentecostes ou num dia posterior não tem a Comissão do nosso Senhor para fazer qualquer coisa e deve ser uma instituição humana e não divina”.

J. T. Moore, em “Por Que Eu Sou Batista”.


II. Jesus Fundou a Igreja? Se Sim, Quando?


A crença Batista na perpetuidade de suas igrejas envolve várias questões. A resposta correta a essas questões produzirão o pavimento do método para um exame adequado de suas afirmações. Entre as questões mais importantes estão as seguintes:

1.  Jesus fundou a Igreja?

2.  Se o fez, quando?

3.  Que tipo de Igreja era?

4.  Ele prometeu sua perpetuidade?

O fato de Jesus ter fundado a Igreja está tão bem estabelecido, que parece quase supérfluo para nós gastar tempo considerando a primeira questão proposta acima. Mas talvez não seja impróprio gastarmos alguns momentos nessa pergunta, pois deveremos encontrar aqui e ali aqueles que abertamente ou por implicação neguem que Jesus tenha fundado uma Igreja. É uma coisa comum nas críticas destrutivas de nossos dias tentar indispor Jesus e Paulo, um contra o outro, e tentar mostrar que Jesus nunca teve em mente a fundação de uma igreja. Essas críticas nos levariam a crer que os discípulos, particularmente Paulo, impingiram a igreja ao mundo sem a divina garantia. Na substância, essa é a reclamação de que eles substituíram uma igreja de sua própria visão pelo pensamento e propósito do Reino de Jesus.

Há algumas denominações que abraçam a teoria que praticamente nega que Jesus tenha fundado a Igreja. Eles antecipam a afirmação que a igreja existia nos tempos do Antigo Testamento e que a igreja ou os tempos do Novo Testamento e do presente sejam meramente uma continuação da igreja que já existia de qualquer modo desde os dias do início de Israel.

Os que defendem tal teoria não vêem qualquer diferença essencial entre a
economia* do Antigo Testamento e do Novo, mas defendem que o batismo surgiu para ocupar o mesmo lugar na igreja do presente que a circuncisão ocupava na “igreja” de Israel. Essa teoria nega claramente, por implicação, que Jesus tenha fundado uma igreja. Pois é evidente que Ele não teria fundado a igreja se ela já existisse no tempo de Sua vinda.

Para aqueles que acreditam que o Novo Testamento é a Palavra de Deus inspirada, a questão “Jesus fundou uma Igreja?” está, de uma vez por todas, respondida na afirmativa de Mateus 16: 18, em que o próprio Jesus afirmou:
“Eu ..edificarei [construirei] a minha Igreja” (ACF).

Os evangelhos registram a menção de Jesus sobre a igreja pelo menos duas vezes e isso não é assunto de um momento apenas, à vista do fato que, após Sua Ascensão e Glorificação, segundo registrado no Apocalipse, encontramos Ele falando da igreja várias vezes. E, de fato, se o Senhor só tivesse mencionado a igreja uma única vez, seria suficiente pela validade de Sua promessa. Uma afirmação feita uma única vez pode ser bastante verdadeira se a pessoa reiterá-la mil vezes. O Ponto é: Jesus disse que Ele construiria Sua Igreja. Um pouco mais tarde Ele fala aos discípulos sobre uma questão que deveria ser considerada antes da igreja sobre sua disciplina. Em Suas Palavras, Ele claramente indica que a igreja então já existe. Então temos Sua promessa da igreja. A implicação clara em Suas próprias palavras do cumprimento daquela promessa. O Novo Testamento relata sobre a igreja desde seu início por muitos anos e o testemunho da história mostra, com efeito, que a igreja de Cristo é uma instituição que existe somente desde o tempo de Cristo.

Se as palavras de Cristo em Mateus 16:18 significa alguma coisa, elas devem significar que a instituição que Ele prometeu era separada e distinta de qualquer instituição que antes teria existido no mundo, ou teria existido naquele tempo. Mostraremos agora que os discípulos já estavam profundamente familiarizados com a palavra “ecclesia” ou “igreja” e seu significado. Mas Jesus indicou muito claramente que a instituição que Ele propôs seria uma nova igreja, distinta e a ser distinguida de todas as outras “ecclesias” porque seria SUA Igreja, construída sobre fundações inteiramente diferentes do que uma ecclesia existente naquele tempo.

Tendo determinado pelo Novo Testamento que Jesus começou uma igreja, vamos voltar a uma breve consideração sobre a questão seguinte:

QUANDO JESUS COMEÇOU SUA IGREJA?

Esta se torna uma importante questão, em vista dos ensinamentos heréticos tão disseminados em nossos dias. Várias heresias muito perigosas surgiram da teoria de que a igreja teria iniciado nos dias de Pentecostes. Uma delas é a teoria da “Igreja Invisível”, que usa de modo pesado a suposição Pentecostal. Então há a teoria tão amplamente promulgada por Dr. C. I. Scofield, Dr. James M. Gray do Instituto Bíblico Moody e outras, que a igreja foi formada no dia de Pentecostes pelo batismo do Espírito Santo e que cada crente se torna um membro da Igreja universal da mesma forma, por ter sido batizado pelo Espírito Santo. Esta é realmente uma teoria muito absurda. Ela se baseia principalmente sobre uma perversão de I Coríntios 12:13 e um exame do contexto da escritura é fatal para essa teoria. Dr. Scofield (em Síntese da Verdade Bíblica, p. 42) diz claramente sobre a igreja: “o corpo não podia começar a existir antes da exaltação de Cristo e a descida do Santo Espírito”. Ele também vai longe dizendo que uma igreja antes da morte de Cristo seria uma igreja sem redenção. Isso é como dizer que nenhum dos discípulos foram salvos antes de Pentecostes!

Aqueles que não têm vontade de admitir a perpetuidade Batista lutam desesperadamente para mostrar que a igreja não existia antes de Pentecostes. Nada mais ajusta sua teoria de uma igreja “invisível”.

Quais são, então, os fatos? Quando a igreja começou? Não usarei espaço para entrar em detalhes, mas colocarei a resposta em uma frase: foi do material preparado por João o Batista que Jesus organizou e fundou Sua igreja durante os dias de Seu ministério pessoal aqui na terra.

Nessa crença não estou só. O Dr. L. R. Scarborough, presidente de um dos maiores seminários teológicos no mundo, num artigo recente sobre o Padrão batista é citado dizendo: “é certamente verdade que Cristo em seu próprio ministério pessoal estabeleceu Sua igreja”.

Um longo capítulo poderia ser escrito para provar minha afirmação, mas devo me restringir a algumas razões. Primeiro, deixe-me perguntar eles já não teriam todas as coisas essenciais necessárias a uma igreja antes de Pentecostes? Vejamos:

1.  Eles tinham o Evangelho (Marcos 1:1).
2.  Eles eram crentes batizados. Os apóstolos foram discípulos de João, tendo sido batizados por ele (Atos 1:22) Sobre o batismo de João, sabemos que ele veio do céu (João 1:33).
3.  Eles tinham uma organização. Tinham até um tesoureiro, embora tenha se tornado desonesto.
4.  Eles tinham o mesmo chefe que a igreja de hoje tem: Cristo.
5.  Eles tinham a ordenança do batismo.
6.  Eles tinham a ordenança da Ceia do Senhor.
7.  Eles tinham a Grande Comissão.
8.  Eles se reuniam como igreja para orar, antes de Pentecostes.
9.  Além disso, eles tiveram uma reunião de equipe e selecionaram alguém para substituir Judas. Numa tentativa de desacreditar essa ação da igreja, Dr. Scofield (notas da Bíblia Scofield) afirma que os discípulos erraram ao fazer isso. Ele afirma que Deus ignorou sua escolha chamando Paulo mais tarde para esse lugar e afirma que não encontramos menção de Matias no Novo Testamento. Nisso ele capta uma aspersão não confirmada sobre a igreja do Novo Testamento. Além disso, sua afirmação sobre Matias não é verdade pelas Escrituras, pois num capítulo posterior (Atos 6:2-6), o Espírito Santo reconhece Matias como um apóstolo mencionando-o como um dos doze. Dr. Scofield procura ajustar o incidente da seleção de Matias com sua teoria de que a igreja começara no dia de Pentecostes e seu esforço somente revela como os homens podem ir longe para sustentar uma teoria.

Novamente se mostra que a igreja existia antes de Pentecostes, pois sabemos nitidamente que Cristo cantou louvores no meio da igreja. Hebreus 2:12 diz:
“Dizendo: Anunciarei o teu nome a meus irmãos, Cantar-te-ei louvores no meio da congregação” (ACF). Essa passagem é citada pelo inspirado autor de Hebreus, a partir do Salmo 22. A que incidente da vida de Cristo ele se refere? Em que ocasião Ele cantou louvores no meio da igreja? Volte a Marcos 14:26 e você encontrará a ocasião mencionada. Ela estava seguindo a instituição da ordenança ou a Ceia do Senhor que Jesus, no meio de Sua pequena igreja compartilhou com eles cantando um hino. Cristo cantando um hino no meio da igreja antes de Pentecostes transmite, sem dizer, que a igreja existia antes daquele tempo.

A ingenuidade exegética foi extraída para dar à passagem acima citada outro significado, mas permanece o fato que a interpretação que indiquei é a mais simples e a mais natural.

Em terceiro lugar, a igreja existia antes de Pentecostes, claramente mostrado em Atos 2:41, onde lemos que, no dia de Pentecostes “De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas” (ACF).
Já que eram crentes acrescentados pelo batismo, é bastante evidente que aonde eles foram acrescentados foi à igreja. Se eu dissesse a um amigo que recentemente eu acrescentei duzentos reais à minha conta, ele entenderia a implicação de que eu tinha uma conta anterior no banco antes do momento de depositar os duzentos reais. Uma igreja já necessariamente existia no dia de Pentecostes, ou não haveria como “acrescentar”. É inútil argumentar que os três mil foram meramente acrescentados às fileiras de crentes e não à igreja, pois a mesma linguagem é utilizada no versículo 47, onde lemos: “louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar” (ACF). Ninguém negará que “eles, no versículo 47, se refere à igreja. De fato, a Versão Autorizada traduz “igreja” ao invés de “eles”. O versículo 47 indica a existência de uma igreja mais forte que o versículo 41? De fato não. Só aqueles em grave desespero para manter uma teoria negariam que os três mil batizados em Pentecostes foi acrescentados a uma igreja que já existia, pois é isto que a linguagem leva irresistivelmente alguém a concluir.

Novamente, leiamos as próprias palavras do Mestre, conforme registradas em Mateus 18:17: “E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano” (ACF). O contexto mostra que essas palavras foram dirigidas a Seus discípulos. Suas palavras levariam alguém a crer que eles constituíam Sua igreja em seu estágio incipiente. De fato, a crença que os próprios apóstolos tenham sido os primeiros membros da igreja está de exato acordo com I Coríntios 12:28, onde lemos: “E a uns pôs Deus na igreja, PRIMEIRAMENTE apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas” (ACF).

Pode-se especular e teorizar sobre Mateus 18:17 como quiserem, mas ainda permanece não racional acreditar que Jesus se referia a algo que os discípulos não entendiam ou que não existisse. Àqueles que aceitam essa passagem com seu valor nominal, parece conclusivo que a igreja já existia no tempo em que Jesus proferiu essas palavras.

Em quarto lugar, observemos que se a igreja não existisse antes de Pentecostes, então a Grande Comissão só teria sido dada aos discípulos como indivíduos, consequentemente não atingindo a igreja. Sem querer conceber uma igreja antes de Pentecostes, Dr. C. I. Scofield assume essa posição. Em sua obra “Síntese da Verdade Bíblica” (p. 431), ele diz: “a igreja visível não está encarregada de qualquer missão – a comissão para evangelizar – a palavra é pessoal e não corporativa”. Se essa teoria é verdadeira, então a Grande Comissão estava sob a responsabilidade só dos apóstolos e, quando morreram, a obrigação não foi passada a ninguém. Essa visão é tão absurda quanto não escritural.

Não. Jesus deu a Comissão a Seus discípulos como competência corporativa. Ele a entregou a eles como igreja. Ele encarregou Sua igreja da tarefa de evangelização. Ele encarregou Sua igreja do dever de batizar e ensinar. E sabendo todas as coisas, Ele sabia que Sua igreja teria a continuidade essencial para realizar Suas ordens.

Da mesma forma, observemos que, a menos que a igreja existisse antes de Pentecostes, a Ceia do Senhor não seria uma ordenança da igreja. Se Ele a deu só a indivíduos, quando eles morreram, a ordenança morreu com eles. Não podemos acreditar nisso, à luz do relato de Paulo da instituição da Ceia, como dada em I Coríntios 11:26. Aqui, conforme o relato dado, Jesus claramente implicou que essa ordenança memorial deverá ser observada
“...até que venha” (ACF).

E obviamente, se Jesus deu a Ceia Memorial à Sua igreja, essa igreja devia estar existindo no tempo em que Ele a deu. Aquele momento precedeu Pentecostes!

Fecho este capítulo citando Dr. Scarborough, no artigo antes mencionado. Ele resume admiravelmente os fatos sobre a fundação de Cristo de Sua igreja, nessas palavras: “quando Ele ascendeu aos céus, Ele deixou à igreja alguns dos seus oficiais, os apóstolos, não para serem permanentes, por certo. Deixou sua fundação da fé, suas leis de vida, suas ordenanças, sua Comissão, sua grande tarefa mundial, os termos e condições de admissão, o novo nascimento, baseado no arrependimento e na fé em Cristo. Ele deixou à igreja Seu grande tema dinâmico central e o poder de Jesus crucificado, enterrado, ressurreto e Sua volta. Ele lhe deu a promessa do Santo Espírito. Após Sua ascensão, essa unida e crescente organização corporativa chamou e indicou oficiais para tomarem o lugar de Judas – Atos 1:15-26. Este foi o ato da igreja. Então, no primeiro capítulo de Atos, encontramos Sua igreja bem organizada, já estabelecida sob o ministério pessoal de Cristo e por Ele já encarregada da tarefa do evangelismo. E, através do Espírito Santo, ocorreu sua primeira grande reunião. Então, em Atos, no sexto capítulo, encontramos a organização completa pelo acréscimo dos diáconos. Assim ela tem dois conjuntos de oficiais: pastores e diáconos, duas ordenanças: batismo e Ceia, uma forma democrática de organização, como foi mostrada na eleição de Matias para ocupar o lugar de Judas e a eleição de diáconos. A própria igreja era a autoridade sobre suas reuniões. Assim podemos ver que no passar do tempo o próprio Jesus organizou Sua igreja e, sob a direção do divino Espírito Santo, os diáconos foram acrescentados à organização após Pentecostes. Podemos nos mais altos sentidos afirmar que Cristo foi o organizador de Sua igreja e autoridade e poder centrais.

“Jesse B. Thomas, em seu grande livro ‘A Igreja e o Reino’ estabeleceu para sempre a questão que a igreja enfatizou no Novo Testamento não é a igreja invisível universal, mas um corpo local visível”. Haverá muitos dias antes que um homem inteligente possa até mesmo tentar responder a esse livro e ninguém realmente conseguirá fazê-lo.

T.T Martin, em “A Igreja do Novo Testamento”.

“Não fui capaz de conseguir, após cinquenta anos de estudo da Bíblia, uma concepção da igreja como um grande eclesiasticismo nacional ou internacional, abraçando todo o Cristianismo em todas as eras e países. Em minha mente não pode haver nada assim. A igreja invisível universal é para mim um absurdo. Nada, como eu entendo, se parece com uma igreja, exceto um corpo local, auto governado de pessoas professamente regeneradas, organizadas conforme o Novo Testamento e agindo de acordo com a autoridade de Jesus Cristo, conforme ensinado e praticado por Seus inspirados apóstolos e autores”.

J. Calla Midyett, em “Registros do Oeste”.


 

III. O Tipo de Igreja que Jesus Construiu

Vimos que Jesus estabeleceu uma igreja e determinou, a partir do registro do Novo Testamento que Ele o fez durante o período de Seu ministério pessoal na terra. Cabe a nós agora considerarmos a terceira questão: “Que tipo de igreja Jesus fundou? O que Ele quis dizer quando afirmou: “Eu ...edificarei [construirei] a minha Igreja?” (ACF). Se todas as pessoas aceitassem o Novo Testamento sem tendenciosidade, preconceito ou noções e teorias preconcebidas, não haveria a necessidade de quaisquer diferenças de opinião quanto a isso. Infelizmente nem todos querem que o Novo Testamento possa significar o que diz. O significado claro de “ekklesia” que Cristo usou para designar Sua nova instituição, não se ajusta à teoria da igreja de alguns, então essas pessoas cunharam um novo significado para a palavra. Dessa forma, usando a palavra ekklesia num sentido não garantido, elas inventaram outra “Igreja” diferente daquela que Jesus estabeleceu.

Roma, para justificar sua teoria, subestimou a diferença feita pelas Escrituras entre igreja e Reino e procura identificar a igreja que Jesus fundou, com a organização hierárquica que hoje conhecemos como Igreja Católica Romana. No pensamento católico, a “Igreja” é o Reino de Deus visível na terra e com ele não há igrejas, corpos separados, locais, independentes, mas um grande corpo, envolvendo todos, uma organização mundial, sob o domínio e controle papal. Da mesma forma, encontramos o Cardeal Gibbons dizendo (em Fé dos Nossos Pais, p. 6): “A Igreja é chamada de Reino”. Em seguida ele continua mostrando que os membros da Igreja Católica, embora muitos sejam, para usar suas próprias palavras, “todos unidos a um Chefe supremo visível, a quem devem obedecer”.

Não preciso aqui tomar tempo para discutir a diferença entre igreja e Reino. Essa diferença é claramente expressa no Novo Testamento, como mostrarei no próximo capítulo.

As teorias defendidas por várias denominações Protestantes (deve-se ter em mente que os Batistas não são Protestantes) são um pouco diferentes das dos Católicos. Algumas dessas denominações, com os Católicos, repetem o Credo dos Apóstolos e afirmam a crença na “Santa Igreja Católica”, mas ao mesmo tempo dão às palavras um diferente significado.

Os Protestantes concebem como desnecessário que Jesus tenha fundado e estabelecido uma igreja. E eles reconheceram o fato de que se essa igreja fosse um corpo local, visível, eles não poderiam ser membros da verdadeira igreja, a fundada por Jesus, já que as organizações a que pertencem, sem exceção, foram originadas há centenas de anos, desde que Cristo estabeleceu Sua igreja.

Nessa situação, só duas coisas restam a fazer: admitir francamente sua organização como não escritural e rival da igreja de Cristo ou ainda idealizar alguma teoria que justifique sua existência denominacional separada e que ainda lhes permita ocupar um lugar na ekklesia de Cristo. A última alternativa é a única normalmente escolhida, pois tem havido muitas teorias. Uma dessas é às vezes chamada de teoria do “ramo da igreja”. É a teoria que todas as várias igrejas Protestantes são somente “ramos” da verdadeira igreja. Ela envolve a ideia de que todos são chefiados pelo mesmo local, todas são parte e parcela da mesma coisa, a Igreja de Cristo. Porém, essa teoria de igreja “ramo” produz imediatamente a embaraçosa questão de identificar o tronco da árvore igreja à qual as denominações “ramos” pertencem. Eu uso a palavra “embaraçosa”, e realmente é embaraçosa, à luz do fato histórico de que todas as grandes denominações Protestantes (lembrem-se novamente que os Batistas não são Protestantes) “se desligaram” direta ou indiretamente da Igreja Católica.

Da teoria acima mencionada Dr. R. L. Baker diz habilmente: “A teoria da igreja ramo tem um grande lugar no pensamento popular. É indefensável, não escritural e até impensável. Plante uma melancia e deixe seus ramos se desenvolverem em várias direções; em um ramo cresce uma abóbora, em outro um melão, em outro um limão e assim por diante até termos os vários ramos todos cobertos por uma mistura de melões. Quem diria que isso não seria uma loucura da natureza, uma real monstruosidade? Porém esse é o raciocínio mediano de hoje, entre o povo da teoria dos ramos. Digam isso à igreja e ela dificilmente funcionaria nessa maravilhosa monstruosidade”.

Mas a teoria mais comumente confiável, por aqueles que pertencem a instituições apócrifas e não querem admitir a verdade das afirmações Batistas, é a teoria da Igreja Universal e Invisível. Essa teoria, que usa truques exegéticos e emprega argumentos capciosos e minimiza a importância das verdadeiras igrejas de Cristo, é uma teoria que foi e tem sido uma maldição à causa de Cristo. É uma das mais difundidas e nocivas heresias de nossos dias e ainda, estranho dizer, sem fundamento e contrária ao senso comum, ao ser submetida a rígido escrutínio. A teoria tem variações, mas na essência, seus defensores mantém que a igreja mencionada em Mateus 16:18, aquela que Jesus disse que iria construir, não era a assembléia local, mas consistia de todos os crentes de cada igreja (ou de nenhuma igreja, se for o caso) de todos os lugares. Segundo essa visão, alguém se torna um membro dessa igreja automaticamente quando se torna Cristão.

Para crer nisso, precisa-se acreditar que existe hoje duas igrejas lado a lado: uma local e visível, consistindo de homens e mulheres organizados para realizar as ordenanças de Cristo e a outra, invisível e não encarregada de qualquer trabalho ou missão. Além disso, isso envolve que essas igrejas tenham uma membrania diferente, já que alguns presumivelmente pertencem à Igreja universal, invisível que nunca se reuniu com o corpo local e visível. Não apenas isso, também torna Cristo o autor das duas igrejas, a menos que neguemos totalmente que Ele seja o Fundador e Chefe da igreja local visível.

Deveria estar claro a todos que há muita coisa envolvida no significado de Mateus 16:18 e na resposta correta à questão “Que Tipo de Igreja Jesus Construiu?”

Se a igreja que Jesus prometeu fosse “universal e invisível”, a afirmação Batista da perpetuidade seria absurda e o produto de uma duvidosa arrogância. Sendo isso verdade, a afirmação Batista à perpetuidade da igreja permanece ou cai segundo o significado de ekklesia em Mateus 16:18 e outras passagens do Novo Testamento.

Após cuidadoso estudo de todas as passagens em que a palavra ekklesia ocorre no Novo Testamento
e na Septuaginta e, após examinar para determinar o uso da palavra no grego clássico, eu submeti a proposta de que a igreja que Jesus fundou era a assembléia local e que usar a palavra ekklesia para designar uma Igreja “universal” ou “invisível” é perverter seu significado e cometer um erro sério.

Percebo totalmente que simplesmente fazer a afirmação rasa registrada acima não é o bastante. Claro, é necessário provar. Mas acredito que uma prova ampla possa ser produzida para satisfazer qualquer mente aberta à verdade.

Já que a validade da crença Batista na perpetuidade de suas igrejas se articula com o tipo de igreja que Jesus estabeleceu, parece aconselhável lidar com a questão, e até certo ponto com detalhes. Creio que o leitor me perdoará se pareço gastar um tempo indevido com este ponto. É porque a questão do tipo de igreja que Jesus fundou é absolutamente fundamental à discussão sobre a perpetuidade da igreja. Se a igreja que Jesus estabeleceu fosse uma assembléia local, as igrejas que tiveram uma continuidade de existência desde os dias de Jesus, seriam simplesmente inatacáveis. Tenho várias razões a oferecer sobre por que acredito que a igreja fundada por Jesus seja uma assembléia local e visível.

Minha primeira razão é que o significado da palavra “ekklesia” usada em Mateus 16:18 leva irresistivelmente a pessoa a crer no sentido de assembléia local. De fato, a localidade está inserida dentro da palavra, assim sendo realmente impróprio qualquer pessoa falar de assembléia “local” ou “visível”, já que o único tipo de assembléia que pode existir é local e visível. Neste livro eu só uso os termos “local” e “visível” por causa da falha da parte de muitos em reconhecer a verdade: que não pode haver ekklesia ou assembléia em qualquer lugar, sem um lugar para se reunir. Utilizando esses termos tão comumente usados, espero ser mais bem compreendido, embora perceba que fazê-lo significa usar mais tautologia.

O argumento mais forte contra a “teoria universal, invisível” é o correto entendimento do significado da palavra ekklesia ou igreja. De fato, fazer um estudo da palavra à luz do seu uso no tempo de Cristo e anterior é ver quão impossível e absurdo é a crença numa “Igreja Universal e Invisível”. Usar a palavra, conforme usada por Jesus em Mateus 16:18, se referindo a outra que não à assembléia local, é anexar um significado à palavra totalmente estranha à sua natureza e completamente fora de harmonia com seu uso comum.

Vamos considerar brevemente a palavra em relação a seu significado no uso clássico e no Novo Testamento: a palavra ekklesia, tornada “igreja” nas versões inglesas, não era uma palavra nova cunhada por Jesus, mas uma palavra já de uso corrente naquele tempo e, além disso, uma palavra cujo significado se tornou definitivamente fixo e estabelecido. Sendo esse o caso, pareceria altamente improvável que Jesus, falando aos discípulos, usaria a palavra em certo sentido geral estranho ao seu uso corrente e isso sem uma única palavra de explicação. Como colocou certo autor, “seria ingenuidade um professor, sem uma palavra de explicação, usar palavras a seus alunos com um sentido completamente diferente daquele que eles possam entender”. Dr. Jesse B. Thomas diz em seu livro “A Igreja e o Reino”: “nenhuma dificuldade como essa responde à construção da linguagem. Ela simplesmente supõe que nosso Senhor, consistente Consigo mesmo e com os usos comuns do discurso, supondo que Aquele a quem
‘o povo comum ouvia com alegria’ não usaria sempre palavras num sentido estranho que deixaria inevitavelmente perplexo e mal conduzido o homem comum“.

O que, então, perguntamos, a palavra significa, se entendida por uma pessoa daquele tempo? Diz o Dr. Geo. W. McDaniel (As Igrejas do Novo Testamento): “tanto para gregos quanto para judeus, a palavra denotava uma assembléia de pessoas. Entre os gregos, ekklesia era a assembléia de cidadãos de uma cidade-estado livre, ali levados por um arauto tocando um chifre pelas ruas de uma cidade”. Dr. Thomas diz em outro lugar: “era a assembléia organizada de votantes autorizados de uma comunidade local, reunidos para resolver questões de interesse comum. Correspondia à reunião da cidade da Nova Inglaterra dos últimos dias”. Liddell e Scott (Léxico Grego) definem assim a palavra ekklesia: “uma assembléia de cidadãos convocados pelo apregoador, ou a assembleia legislativa”. Novamente Dr. B. H. Carroll diz: “seu significado primário é: uma assembléia organizada, cujos membros foram adequadamente chamados em seus lares para o trabalho de atender a negócios públicos. Essa definição implica necessariamente em condições prescritas de membresia. Esse significado se aplica substancialmente da mesma forma que para ekklesia de um Estado grego autogovernado (Atos 19:39) a ekklesia no Velho Testamento ou à convocação da nação de Israel (Atos 7:38) e a ekklesia do Novo Testamento. Quando nosso Senhor diz:
sobre esta pedra [Rocha] edificarei [construirei] a minha ecclesia [igreja],’ enquanto o ‘Minha’ distinguiu de Sua ekklesia da ekklesia do Estado grego e da ekklesia do Velho Testamento, a própria palavra naturalmente retém seu significado comum”. (Ecclesia, a Igreja).

Portanto, já que ekklesia, em seu significado aceito traz consigo a ideia de localidade e organização, fazer referência à assim chamada igreja “universal, invisível”, não possuindo nem localidade nem organização, é violentar a palavra e usá-la com um sentido puramente arbitrário.

“Mas”, alguém contradiria, “o uso real de ekklesia em certas passagens do Novo Testamento não indicaria um uso mais amplo que designar uma assembleia local organizada?” Como resposta, pode-se dizer que no uso Cristão do termo havia três ideias: uma instituição, uma congregação específica e os redimidos de todos os tempos considerados à luz de uma igreja em projeto. Em cada caso onde a palavra for usada não há nada que argumente contra o uso geral. Para detalhar: a palavra é usada quatorze vezes denotando uma instituição. Quando usada dessa forma, ela é, segundo Dr. Carroll, usada em sentido abstrato ou genérico. “Seguem”, ele diz, “as leis da linguagem que governam o uso das palavras. Por exemplo: se um funcionário de Estado inglês, se referindo ao direito de cada indivíduo de ser examinado por seus pares, diria: ‘sobre esta rocha a Inglaterra construirá seu júri e todo o poder da tirania não prevalecerá contra ela’, ele usa o termo júri no sentido abstrato, isto é, no sentido de uma instituição. Mas quando essa instituição encontra expressão concreta ou se torna operacional, é sempre um júri de doze homens e nunca um ajuntamento de todos os júris em um grande júri”.

Então ele cita Mateus 16:18 como um exemplo do uso abstrato de ecclesia. Ele cita Mateus 16:17 como um exemplo do uso genérico da palavra. Então ele acrescenta essas palavras: “Quando o abstrato ou genérico encontra uma expressão concreta ou assume uma forma operacional é sempre uma assembleia particular”.

Para nós é permissível usar a palavra “igreja” de modo abstrato, como Jesus fez ao denotar a instituição que Ele fundou. Mas, como Dr. Carroll indica, quando começamos a particularizar, devemos, segundo as verdadeiras leis da linguagem, nos referir a uma assembleia particular de crentes batizados em Cristo. Assim podemos ver que o uso abstrato ou genérico da palavra não tem, no fundo, diferença de significado do seu uso para denotar uma assembleia particular. E é para denotar um corpo local particular de crentes que a palavra é mais usada. De fato, em conta real, noventa e três vezes em pouco mais de cem vezes que a palavra ocorre no uso Cristão.

E agora vamos à Terceira ideia contida no uso Cristão de ekklesia, isto é, seu uso para denotar os redimidos de todos os tempos, considerados à luz de uma igreja projetada. No mínimo duas passagens parecem usar ekklesia nesse sentido e essas duas de modo algum militam contra o uso geral, já que essa é uma assembleia que existe só na proposta. Dr. Carroll afirma todo o caso de forma bem clara nesse livreto, assim: essa ekklesia é projeto e não real. Para dizer, não há nada agora além do que será uma assembléia geral do povo de Deus. Essa assembleia geral será composta de todos os redimidos de todos os tempos. Aqui há três fatos indisputáveis e muito significativos sobre a assembléia geral de Cristo: “primeiro, muitos dos seus membros adequadamente chamados agora estão no Céu. Segundo, muitos outros entre eles, também chamados, estão aqui na terra. Terceiro: milhões indefinidos dentre eles, provavelmente a grande maioria, ainda a serem chamados, não estão nem na terra nem no céu, porque ainda não nasceram e, portanto não existem. Então, se uma parte da membresia está agora no Céu, outra parte ainda não nascida, aqui estão como não reunida em assembleia, exceto em projeto. Podemos, porém, falar corretamente agora sobre a assembleia, porque, embora parte dela ainda não exista e, embora não tenha havido uma reunião das outras duas partes, a mente ainda pode conceber esse ajuntamento como um fato realizado. Nos planos e propósitos de Deus, a assembleia geral existe agora e também em nossas concepções e antecipações, mas certamente não como um fato”.

 Citei Dr. Carroll até certo ponto na íntegra porque esse livreto é um dos exames mais saudáveis, mais cuidadosos e didáticos da igreja do Novo Testamento que já foi escrito. Muitos homens estudiosos concordam plenamente com sua posição aqui delineada. Por exemplo, Dr. J. G. Bow, em sua obra “Em Que os Batistas Acreditam” escreve: “A assembleia geral e a igreja dos primeiros nascidos – essa última será evidentemente local quando eles tiverem se reunido”.

Uma segunda razão segundo Mateus 16:18 se referindo à assembleia local e não à “Igreja Universal”, é que o uso do próprio Cristo da palavra nos proíbe de acreditar que Ele tenha significado algo mais. Suponha que alguém ouça um palestrante usar certo termo, cujo significado pareça duvidoso. Mais tarde, em sua fala, o palestrante usa a mesma palavra, no mínimo certo tempo depois e de modo perfeitamente claro em relação ao significado. Seria inteligente julgar que ele quis dizer algo totalmente diferente no seu primeiro uso da palavra das vinte vezes que ele usou depois? Ou seria parte do senso comum interpretar o significado ligado ao primeiro uso do termo, à luz do seu uso subsequente? Essa ilustração expõe a exata situação em relação à interpretação de Mateus 16:18.

Por razões de argumentação, vamos dizer que estejamos em dúvida sobre o que Cristo quis dizer por “igreja” na passagem acima mencionada, a primeira em que o termo ocorreu. Vejamos em outros lugares em que Ele usa a palavra e vejamos o que Ele queria dizer lá. Encontramos em seguida, após cuidadosa pesquisa, que Ele usou a palavra ekklesia ou igreja vinte e uma vezes. Seguindo o primeiro lugar em que Igreja é mencionada, encontramos que o próximo e último lugar em que igreja é mencionada nos Evangelhos, é Mateus 18:17, onde Jesus diz:
“Dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja...” (ACF). Afirmar que Jesus está falando aqui de uma “Igreja Universal Invisível” seria mergulhar no absurdo, já que seria impossível para um membro da igreja levar um assunto diante de uma “Igreja Universal Invisível”, desorganizada, não possuindo localidade. Jesus claramente mencionou uma assembleia local. Nada mais se ajustaria a esse caso.

Os outros exemplos em que Cristo usou a palavra ekklesia estão em Apocalipse. Exemplos estão a seguir:
“Escreve ao anjo da igreja de Éfeso.” “Ouça o que o Espírito diz às igrejas:” “As sete igrejas” (ACF), etc. Com referência ao último exemplo, Sir William Ramsey, um estudioso de renome mundial, afirma que as sete igrejas mencionadas eram igrejas reais, locais, que existiam naquele tempo. Em cada uma das vinte e uma vezes que Jesus usou ekklesia, subsequente à sua menção registrada em Mateus 16:18, Ele se referiu clara e indubitavelmente à assembleia local. Como observa Dr. T. T. Eaton, comentando essa questão: “A probabilidade é de vinte uma contra nenhuma que Ele tenha desejado mencionar a assembleia local em Mateus 16:18. A probabilidade de vinte e uma a nenhuma é uma certeza. Portanto é certo que Cristo tenha se referido à assembleia local quando disse: ‘Sobre esta pedra edificarei a minha igreja’” (ACF).

Novamente, uma terceira razão para acreditar que Mateus 16:18 se refira à assembleia local é que Cristo prometeu construir somente um tipo de igreja. Ele nunca expressou de qualquer forma que Ele fundaria a assembleia local e também uma “Igreja Universal e Invisível”, composta dos remidos de todas as assim chamadas igrejas. Consequentemente quando vamos ao livro de Atos e às Epístolas e encontramos assembleias locais de crentes se espargindo aqui e ali, imediatamente identificamos essas com a igreja da qual Cristo falou. Fazer de outro modo seria supor que algo mais veio a existir diferente da instituição que Jesus prometeu.

Uma quarta razão para acreditar que a igreja mencionada por Jesus seria a assembleia local é que a teoria da “Igreja Universal Invisível” não apenas não é escritural, mas segundo a história é pós apostólica em sua origem. Harnak, o historiador da igreja, em sua obra “História do Dogma”, esclarece isso. Ele diz: “a expressão Igreja Invisível é encontrada pela primeira vez em Hegessips, Eusébio, Tertuliano, Clemente de Alexandria, Hiero, Cornélio e Cipriano, todos usaram o termo santas igrejas e nunca Igreja Católica ou Universal”. Novamente, no Vol.2, p. 83, ele diz: “ninguém pensou na desesperada ideia de uma ‘Igreja Invisível’. Essa noção provavelmente surgiu após um lapso de tempo mais rapidamente que a ideia da Santa Igreja Católica”.

Uma quinta razão para acreditar que Jesus fundou a assembleia local é que a assembleia local não só é o único tipo de assembleia que pode existir. É o único tipo a que Jesus confiou a Comissão e as Ordenanças. O principal propósito de Cristo ao formar Sua igreja foi para que ela pudesse alcançar os perdidos com o evangelho e então pudesse reunir os salvos, ensinando-lhes e treinando-os em todas as coisas que Ele ordenou. As funções de uma igreja, conforme projetada por Jesus só pode ser realizada por uma assembleia local. Uma “Igreja Universal Invisível” composta por um ajuntamento desorganizado de “membros de todas as igrejas”, é, do ponto de vista funcional, simplesmente inconcebível.

Novamente, quando Cristo prometeu a igreja, Ele prometeu que
“As portas do inferno não prevalecerão contra ela” (ACF). Uma leve diferença de opinião para o significado exato de “portas do inferno” não obscurece o fato que Jesus quis dizer que Sua igreja teria inimigos e encontraria oposição. A história dos Batistas que foram aprisionados, martirizados, levados para covis e cavernas da terra, mostra que Sua igreja teve que lutar com as forças organizadas do mal. As igrejas Batistas podem ser e têm sido perseguidas, mas uma “Igreja Universal Invisível” não pode ser. Os homens não podem perseguir algo invisível. A promessa de Cristo seria sem sentido se aplicada dessa forma.

Uma sexta razão que a si mesma sugere é: a concepção de uma “Igreja Universal Invisível” usurpa o lugar reservado no Novo Testamento ao Reino de Deus. Os que defendem essa teoria praticamente identificam igreja e reino. Isto está totalmente fora de equivalência com as Escrituras, pois elas fazem uma distinção clara entre as duas, como se mostrará no próximo capítulo.

Quando penso ao longo dessas linhas que tentei conduzir o pensamento do leitor e sou levado a ver a falta de qualquer tipo de fundamento para a teoria de uma “Igreja Universal Invisível”, posso sinceramente me unir ao Dr. J. Lewis Smith ao dizer: “Eis aí, então a inevitável e irreversível conclusão: essa ideia de Igreja Católica ou Universal, assim como da Igreja Invisível são coisas criadas pelos homens e, quando digo: acredito na santa Igreja Católica, estou colocando um filamento de imaginação – uma quimera – um termo impróprio acima da ideia real de igreja local que o próprio Cristo usou e cujas igrejas Ele construiu e às quais Ele confiou Sua Grande Comissão e Suas Ordenanças, Batismo e Ceia do Senhor”.

“O ensino popular de que todos os salvos compõem a igreja de Cristo é uma teoria feita pelo homem, sem prova Bíblica”.

“Reconhecemos cada pessoa salva como irmão ou irmã, mas nem todos os salvos como membros de uma igreja evangélica”.


J. T. Moore, em “Por Que eu Sou um Batista”.


 

IV. A Família, o Reino e a Igreja de Deus. Diferenciados

Quando alguém estabelece a afirmação Batista da perpetuidade e tenta demonstrar que só as igrejas Batistas podem ter Jesus como Fundador e Chefe, há sempre aqueles que imediatamente saltam para uma conclusão de uma suposta afirmação Batista de que ninguém é salvo além dos Batistas. Eles usam a ideia de que os Batistas lhes negam um lugar no reino e na família de Deus. Isso essa errônea suposição é inevitavelmente verdadeira entre eles. Longe esteja de que algum verdadeiro Batista afirme que alguém deva ser um Batista para ser salvo. De fato, eles acreditam justamente o contrário, pois, segundo sua visão, a pessoa deve ser salva antes de se tornar Batista. E em relação ao reino e à família de Deus, os verdadeiros Batistas são membros de ambos antes mesmo de se tornarem membros de uma igreja Batista. Se não, não se ajustariam de modo a pertencerem à igreja local, pois ainda não são salvos. As coisas que eu disse em capítulos anteriores concernentes à igreja nada têm a ver com a membresia de alguém na família de Deus ou em Seu Reino, pois a igreja, a família e o reino são três coisas separadas e distintas. Por causa da confusão que reina em tantas mentes sobre esse ponto, pensei valer a pena dedicar um capítulo inteiro à discussão das diferenças entre os três.

Enquanto considerava em como apresentar melhor minhas ideias para este capítulo e lia o que outros escreveram sobre o assunto, tive contato com um antigo
tratando o assunto e publicado há alguns anos por H. Boyce Taylor, editor de Notícias e Verdades. O tratado é uma declaração muito clara e concisa sobre as diferenças entre o reino de Deus, a família de Deus e a igreja de Deus, tanto que não podia fazer melhor do que apresentá-lo. Fiz apenas algumas mudanças para adaptá-lo ao uso atual. Convido o leitor a ponderar muito cautelosamente sobre as distinções feitas e verificá-las a partir das Escrituras.

AS DIFERENÇAS ENTRE: A Família de DEUS, O Reino de DEUS e a Igreja de DEUS. – por H. Boyce Taylor.



1.
A FAMÍLIA DE DEUS.

“Do qual toda a Família nos céus e na terra toma o nome” (ACF). Em Efésios 3:15, Paulo fala de ‘toda a família nos céus e na terra.’ Essa família inclui todos os crentes. ‘Porque todos sois filhos de Deus fé em Cristo Jesus’. Gálatas 3:26 (ACF). Todos os crentes são filhos de Deus. Desde o Velho Testamento, os santos eram salvos pela fé em Cristo (Atos 10:43, Romanos 4:16, etc.) e são todos membros da família de Deus.

A família de Deus é maior que o reino de Deus ou a igreja de Deus, pois ela agora contém todos os salvos desde Abel até o último homem que acreditar, no céu ou na terra. Deus tem apenas uma família. “Todos os crentes são filhos e herdeiros de Deus”.



2.
 O REINO DE DEUS.

O Reino de Deus inclui todos os salvos na terra em qualquer tempo. Em Mateus 13, o reino é usado para incluir todos os professos. Mas o Reino, usado em João 3:3-5, Mateus 16:19, 11:11, Lucas 16:16, Romanos 14:17, Colossenses 1:13, João 18:36, etc. é composto de todos os nascidos novamente na terra. Este não é o reino de Daniel 2:44, Lucas 19:11-27, Atos 1:6, etc. Essas passagens se referem ao milênio. Esse reino ainda é futuro. O que às vezes é chamado de reino espiritual é composto apenas dos que voltaram a ser de novo, que foram transferidos das trevas para o reino de Seu Filho amado’. Em João 3:3-5, o Mestre disse:
“Aquele que não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus” (ACF). Em Mateus 18:16 e Marcos 10:13-15, o Mestre mostra muito claramente que o reino é composto somente dos que O receberam, crianças ou adultos”.

“A família de Deus inclui todos os salvos de todas as eras, seja no céu como na terra. O reino de Deus inclui a parte da família de Deus que está na terra AGORA”.



3.
A IGREJA DE DEUS.

“A Igreja de Deus nunca é usada como instituição, exceto como uma assembleia ou congregação de crentes batizados em alguma dada localidade”. Exemplo:
“À igreja de Deus que está em Corinto”. – I Cor. 1:2 (ACF).

A igreja individual e local é o único tipo de igreja que Deus tem nessa terra hoje. Só há uma família de Deus, composta de todos os remidos de todas as épocas no céu e na terra. Só há um reino de Deus, composto de todos os nascidos novamente na terra agora. Há milhares de igrejas de Deus na terra. Cada igreja Batista individual é uma igreja de Deus. Não existem outras. Quando um homem nasce de novo ele nasce na família de Deus. Ele passa a ser da família de Deus para sempre. O relacionamento não muda. Seja no céu ou na terra ele está na família de Deus. Quando ele nasce de novo ele também entra para o reino de Deus. Esse relacionamento é para toda a vida. Quando ele morre, passa do reino de Deus sobre a terra e entra em ‘Seu reino celestial’ (II Timóteo 4:18). Depois de nascer de novo ele ainda não está numa igreja de Deus, mas agora é um sujeito
em conformidade com as escrituras para admissão numa igreja de Deus. ‘E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de o salvar’ (Atos 2:47 - ACF). A membresia da igreja não era algo que um homem conseguisse com sua salvação, mas uma benção subsequente que ele consegue, após sua salvação, por ser acrescentado a uma igreja. O batismo não é essencial à admissão à família de Deus nem ao reino de Deus. Mas o batismo é essencial à admissão a uma igreja de Deus. Os homens são nascidos de novo dentro da família de Deus e dentro do reino de Deus, mas são batizados numa igreja de Deus (I Cor 12:13). O ‘um corpo’ mencionado por Paulo em I Cor 12:13 era a igreja de Deus em Corinto. Observe em I Cor 12:27 (ACF) onde ele diz: “Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular”. Essa igreja local em Corinto era o corpo de Cristo em Corinto. Os membros da igreja em Corinto pertenciam ao único ‘um corpo’ de Cristo. Aquele corpo de Cristo provavelmente não contivesse todos os salvos de Corinto (I Cor 1:2) e nenhum dos salvos de qualquer outro lugar, exceto de Corinto. Já que pertenciam somente a ‘um corpo’ e aquela era a igreja local de Corinto, Cristo não tinha outro tipo de igreja ou corpo exceto uma igreja local. Se eles pertenciam a uma igreja local em Corinto, que Paulo dizia ser o corpo de Cristo, e então ao tipo de igreja em que alguns acreditavam, composta por todos os salvos de qualquer lugar, eles pertenceriam a duas igrejas ou corpos de Cristo: um local e visível e o outro, universal e invisível. O Novo Testamento jamais mostrou algo tão confuso quanto isso. Deus não é o autor de tamanha confusão. Jesus Cristo somente tem um tipo de igreja ou corpo nesta terra e ela é a assembleia local, o corpo organizado de crentes batizados numa dada comunidade. A igreja que Paulo chamou de ‘casa de Deus’ era uma igreja local. A igreja que Paulo disse ser ‘a coluna e firmeza da verdade’ (I Timóteo 3:15 - ACF) era uma igreja local. A igreja a que Jesus prometeu perpetuidade (Mateus 16:18) era uma igreja local, pois Ele nunca falou de qualquer outro tipo. O significado da palavra ekklesia não permite outro tipo. Aqui deixamos outras pessoas mais competentes do que este autor falarem.

O Prof. Royal, do Colégio Wake Forest, da Carolina do Norte, que ensinou grego ao Prof. A. T. Robertson do Seminário de Louisville e ao Prof. C. B. Williams, quando indagado sobre o que sabia de um exemplo em grego clássico onde ekklesia nunca fora usado sobre uma classe de ‘pessoas não reunidas’, ele disse: “não conheço qualquer passagem assim em grego clássico”. Concordam com essa afirmação os Professores Burton, da Universidade de Chicago, Stifler, da Crozer, Strong de Rochester e muitos outros estudiosos. Joseph Cross (Episcopalista), num livro de sermões intitulado “Carvões do Altar”, diz: “ouvimos muito sobre a igreja invisível contradizendo a igreja visível. Sobre uma igreja invisível neste mundo não sei nada, a Palavra de Deus não diz nada nem pode haver nada desse tipo, exceto no cérebro de um herético. A igreja é um corpo; mas que tipo de corpo não pode ser visto nem identificado? Um corpo é um organismo que ocupa espaço com localidade definida. Um mero agrupamento não é um corpo. Deve haver uma organização. Um monte de cabeças, mãos, pés e outros membros não compõem um corpo. Eles devem estar unidos num sistema, cada um em seu local adequado e todos impregnados por uma vida comum. Assim uma coleção de pedras, tijolos e tábuas não seriam uma casa. O material deve ser construído junto numa ordem artística, adaptada à unidade. Assim uma massa de raízes, troncos e ramos não formariam uma vinha ou uma árvore. As várias partes devem se desenvolver conforme as leis da natureza a partir da mesma semente e nutridas pela mesma seiva”. Exatamente assim – AMÉM e AMÉM.

Os membros de um corpo despedaçado num campo de batalha não são um corpo. O material de uma casa, nos bosques ou em nas pedreiras, não é uma casa. Os membros, e esse material, devem ser colocados no lugar antes de se ter um corpo ou uma casa. Da mesma forma os salvos não são uma igreja, a menos que sejam reunidos e organizados ou construídos num corpo ou casa de Deus. Não há nem pode haver essa instituição de igreja universal, invisível nesta terra, composta por todos os salvos, porque o material nunca foi reunido e construído como uma casa ou corpo.

Quando o Senhor Jesus e Paulo falaram sobre os crentes batizados de um grande território, ao invés de uma igreja local, eles sempre mencionaram a palavra “igrejas” (
plural). Não havia confusão em sua fala, embora haja muita confusão no pensamento moderno sobre essa questão.

Mais uma vez tentamos esclarecer a distinção. A família de Deus é composta por todos os salvos no céu e na terra. Os santos do Velho Testamento e bebês que morreram na infância estão na família de Deus. Eles não estão agora nem estavam no Reino ou em qualquer igreja de Deus.

Todos os crentes na terra em qualquer momento desde os dias de João o Batista (Lucas 16:16) compõem o reino de Deus. Não há crianças ali. Todos os verdadeiros crentes, ...Batistas ou não, membros de igrejas na terra estão no reino. Pois, se forem verdadeiros crentes, eles nasceram novamente. Somente crentes batizados ou Batistas são membros das igrejas de Cristo.



“Não apenas Cristo prometeu estar com Sua ekklesia até o fim do mundo, quando Ele deu a Comissão, mas quando Ele estabeleceu a Ceia Memorial e a entregou à Sua igreja, Ele disse:
‘...fazei isto em memória de Mim’ [Lucas 22:19b – ACF]. Agora, se fazer alguma coisa é ser perpetuado, quem fez deve ser perpetuado. Essa é uma proposição auto evidente”.

W. D. Nowlin, em “Registros do Oeste”.


V. A Promessa do Mestre

Nos capítulos anteriores eu mostrei que Jesus, durante o período de Seu ministério pessoal, organizou e iniciou Sua igreja. Também mostrei que a igreja que Ele iniciou não era algo eterno, invisível, universal, desorganizada sem função ou missão, mas era uma assembleia local e a ela foi confiada a maior tarefa jamais concedida a qualquer instituição nesta terra.

Assim, a igreja tendo existência e tendo em mente uma ideia clara sobre o tipo de igreja que existia, estamos prontos para a próxima questão proposta no início, isto é: Jesus prometeu sua perpetuidade?

Inquestionavelmente Ele o fez.

Na mesma passagem, onde pela primeira vez o Senhor mencionou a igreja, encontramos a promessa que
“E as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (ACF).

Ninguém poderá negar que essas palavras constituem uma promessa da perpetuidade da igreja. Dr. J. W. Porter diz (O Débito do Mundo aos Batistas): “se essas palavras ensinam alguma coisa, ensinam que as igrejas, instituídas por Cristo e os apóstolos nunca morreriam, mas se reproduziriam e se multiplicariam e se perpetuariam até o fim dos tempos”. Sobre a passagem “E as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (ACF). “Dr. Nowlin diz (Fundamentos da Fé) que se referem sem dúvida à sua indestrutibilidade”.

Mas, se formos levados a depender muito do aqui referido, perguntemos: há algo nas Escrituras que nos garantiria crer o que Cristo quis dizer com perpetuar Sua igreja? A resposta é: encontramos abundantes evidências disso. Vejamos algumas das provas:

Primeira, o Reino de Deus, como todos concordaremos, deve ser perpetuado
“...Os reinos do mundo vierem a ser de nosso Senhor e do Seu Cristo... (Apocalipse 11:15 - ACF). Em Lucas temos essa afirmação: “...Seu reino não terá fim”. (Lucas 1:33 - ACF). Como, perguntemos, deve o reino de Deus ser estendido e avançado no mundo? A resposta é: pela igreja que Jesus fundou. Os homens chegam ao reino de Deus tendo nascido para ele. Esse nascimento espiritual ocorre pela fé pessoal no Filho de Deus como Salvador. É a igreja que prega as Boas Novas do Filho de Deus. Através da mensagem da igreja os homens ouvem, acreditam e renascem para o reino de Deus. Assim a igreja permanece na posição de uma agência de recrutamento para o reino de Deus, já que ninguém entra no reino, exceto se ouvirem e acreditarem no evangelho, que foi preservado e é proclamado pela igreja.

Assim, em resumo afirmamos isso dessa forma: a Bíblia ensina que o reino de Deus deve ser perpetuado. Mostra que a igreja é a instrumentalidade divinamente proposta por Cristo para o avanço e perpetuação do reino. Sendo isso verdade, o ensino da Bíblia da perpetuidade do reino envolve como assunto de fé, a perpetuidade da agência através da qual o reino deve ser perpetuado, isto é, a igreja.

Novamente, quando Cristo concedeu a Grande Comissão a Seus discípulos, como foi mostrado, Ele não se dirigiu a eles simplesmente como discípulos, mas como indivíduos que constituiriam Sua igreja.

À Comissão ele acrescentou a promessa:
“E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” [Mateus 28:20b – ACF]. Expressamente, se a igreja de qualquer tempo deixasse de existir, a promessa de Cristo se tornaria de efeito nulo. Estar sempre com a igreja, ou mais adequadamente, “...todos os dias”, necessariamente significa que deve haver sempre, a cada dia, até o fim dos tempos, a existência da igreja a quem a promessa foi outorgada!

Então, novamente, todas as grandes denominações, até onde conheço, concordam que a Ceia do Senhor é uma ordenança da igreja. Agora, quando Jesus instituiu e concedeu essa ordenança para Sua igreja observar, Ele disse:
“Fazei isto em memória de Mim, tão frequentemente quanto possível, comei desse pão e bebei desse cálice, que lembram a morte do Senhor ATÉ QUE ELE VOLTE” [Obs: I Coríntios 11: 26]. Certamente, se o cumprimento disso deve ser perpetuado, os executores devem também ser perpetuados. Se a observância da Ceia do Senhor deve ser perpetuada até a volta de Cristo, então obviamente a igreja a quem Ele deu a ordenança deve, na verdadeira natureza do caso, ser também perpetuada. Não há escapatória para essa conclusão!

“Qualquer igreja cuja origem ocorreu nos tempos medievais ou modernos não é a igreja que Cristo estabeleceu, pela simples razão de que não existia quando Cristo estabeleceu Sua igreja e não veio a existir por longo tempo depois”.

W. M. Nevins, em “Por Que um Batista e não um Católico Romano”.

“Em muitos exemplos, o destino parece ter fixado o nome de seus fundadores humanos sobre a igreja que instituíram“.

J. W. Porter, “Notas ao Acaso”.

“É fato que ninguém, além dos Batistas afirma que nosso Senhor, durante Seu ministério pessoal fundou Sua igreja ou denominação. Quem chegou mais perto de fazer tal afirmação foi a Igreja Católica. Porém, quando os Católicos afirmam sua investigação, se descobre que eles afirmam que Pedro foi o primeiro papa. Mas sabemos que sua afirmação é falsa, que a Igreja Católica não é de Cristo, mas uma combinação de fraternidade e Judaísmo, carregando o nome de Cristãos para encobrir suas doutrinas e práticas anticristãs”.

J. L . Smith, em “Por Que Sou um Batista”. 


VI. A Busca da Verdadeira Igreja

Vimos que Jesus fundou ou estabeleceu a igreja, que Ele a fundou durante os dias do Seu ministério pessoal na terra, que a igreja que Ele estabeleceu era a assembleia local e que Ele prometeu perpetuá-la até “que Ele volte”. Tendo esclarecido essas verdades, somos levados à conclusão que em algum lugar no mundo hoje se deve encontrar a verdadeira igreja de Cristo, a igreja que foi perpetuada desde os dias de Cristo e os apóstolos e que defende veementemente as doutrinas que prevalecem na igreja do Novo Testamento. Como foi dito, “devemos supor que deve ter” havido um povo Cristão existindo em cada época desde os apóstolos até o presente, caracterizada pelas mesmas doutrinas e práticas, ou que houve períodos na história interveniente quando a fé e a prática dos apóstolos não tinham absolutamente qualquer representante na face da terra. Estaríamos preparados para assumir a última alternativa? O que se torna, então, a promessa do Salvador?

Forçados, portanto, à conclusão que, de acordo com a promessa de Cristo, Sua igreja tem sido perpetuada e que deve ser encontrada no mundo de hoje, perguntemos: “Como continuaremos a encontrá-la?” Como encontraremos a verdade, a igreja do Novo Testamento, entre as multidões das assim chamadas igrejas e denominações?

Proponho conduzir nossa pesquisa da verdadeira igreja através de três linhas corroborativas, como segue:

1. A LINHA DA ELIMINAÇÃO HISTÓRICA.

2. A LINHA DA COMPARAÇÃO DE DOUTRINAS.

3. A LINHA DAS AFIRMAÇÕES HISTÓRICAS POR HISTORIADORES CONFIÁVEIS.

Comecemos nossa pesquisa pela primeira linha proposta, a da eliminação histórica. Uma ilustração possivelmente servirá para esclarecer o que quero dizer aqui. Suponhamos que você passe a possuir um valioso documento. Você coloca o documento sobre a mesa de sua biblioteca e logo você é chamado para atender a outro problema e, esquecendo o papel, sai deixando-o misturado a outros papeis e livros sobre a mesa. Ao voltar à biblioteca, você percebe, procurando o papel, que sua mesa foi arrumada durante sua ausência e o documento foi removido. Você chama e pergunta à sua governanta. Ela lhe diz que o colocou no meio das páginas de um dos livros sobre a mesa. Ela tem certeza disso, mas não se lembra em qual dos livros ela o guardou. Você começa a pesquisa examinando livro por livro sem resultado. Finalmente, você examinou cada livro menos um e está certo de que os livros examinados não contêm o documento. A que conclusão você chega? Só há uma conclusão possível: o papel estará, se ela lhe disse a verdade, no único livro restante não examinado.

Então, em nossa pesquisa devemos eliminar cada assim chamada igreja cuja origem possa ser datada após o tempo de Cristo. Se no processo eliminarmos cada igreja menos uma, seremos forçados à conclusão de que essa é a verdadeira igreja.

Voltando ao tão discutido Mateus 16:18, encontramos dois testes históricos definidos por Jesus, testes que ajudariam e nos conduziriam em nossa investigação.

O primeiro é que só a verdadeira igreja foi fundada pelo PRÓPRIO JESUS —
“Eu ..edificarei [construirei] a minha Igreja?” (ACF).

O segundo é que a instituição a que Jesus chamou de “Minha igreja” nunca deixará de existir através das eras – “E as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (ACF).

Se, ao aplicarmos esses dois testes históricos escriturais, descobrirmos que nenhuma das organizações autodenominadas igrejas, menos uma, podem ser aprovadas nesses testes, eu reitero que devemos concluir que aquela é a verdadeira igreja de Cristo. Perguntemos então sobre a origem das várias denominações hoje existentes. Nesse questionamento nos interessará só a origem das principais denominações. As que são bem conhecidas e típicas de todas as outras. As denominações que consideraremos das quais as muitas pequenas seitas brotaram em anos mais recentes. Como brotos das denominações mais antigas e tendo surgido em tempos mais recentes, claro que não obtendo sucesso no teste histórico de Cristo, seria inteiramente supérfluo lidar com elas.

Nessa investigação, é claro que a Igreja de Roma, a que hoje chamamos de Igreja Católica Romana, tem prioridade. Comecemos perguntando:

“QUANDO A IGREJA DE ROMA SE ORIGINOU?”

Tomamos essa pergunta do Dr. J. B. Moody (Minha Igreja, p. 95): “ela não nasceu num dia ou ano, mas gradualmente subverteu os ensinamentos dos apóstolos e ao longo dos séculos inaugurou um papado de pleno crescimento. Mas não há traço de um Papa ou Pai Universal nos três primeiros séculos da era Cristã”.

A Igreja Católica é o resultado de gradual perversão e corrupção. Desde os dias de Constantino, quando soldados sem regeneração foram batizados na igreja aos milhares e foram feitas concessões ao paganismo, as condições foram se tornando cada vez piores, finalmente levando a um estado que tornou possível a Igreja Católica. O estabelecimento real do papado romano foi, segundo Dr. S. E. Tull (Denominacionalismo em Teste), realizado por Gregório o Grande no ano A.D., 590. Dr. Tull corrobora sua afirmação pela seguinte citação de Ridpath (vol. 4, p. 41):

“Essa época da história não deve passar sem referenciar o rápido crescimento da igreja papal, no fechamento do século seis e começo do sétimo. Principalmente por Gregório o Grande, cujo pontificado se estendeu de 590 a 604 e representou a supremacia da Visão apostólica atestada e mantida. Sob o triplo título de Bispo de Roma, Prelado da Itália e Apóstolo do Ocidente, ele gradualmente, por insinuações ou fortes asserções como melhor se ajustasse às circunstâncias, elevou o Episcopado de Roma a um genuíno papado da igreja. Ele teve sucesso em levar os Arianos da Itália e Espanha às fileiras Católicas e assim garantir a solidariedade da Ecclesia Ocidental”.

Scaff (História da Igreja Cristã, vol. 1, p. 15) nos diz que Gregório o Grande (A.D., 590-604) foi o primeiro dos “papas adequados” e que com ele começa “o desenvolvimento do papado absoluto”. Diz Dr. Christian, comentando sobre esse ponto: “o crescimento do papado foi um processo histórico. Muito antes, esse Bispo de Roma fez declarações arrogantes sobre outras igrejas”. E acrescenta: “A linhagem dos papas medievais absolutos começou com Gregório”.

Vimos que a afirmação Católica de sua origem apostólica se quebra em vários pontos (Ver Capítulo Introdutório): primeiro, ao falhar em estabelecer a primazia de Pedro. Segundo, ao falhar em estabelecer que Pedro foi um papa ou de fato que algum papa tenha existido por vários séculos depois de Cristo. Terceiro, ao falhar em provar que Pedro sempre esteve em Roma. Quarto, pelo fato da fé e prática Católicas serem totalmente diferentes da igreja apostólica. Ligado a esses pontos mencionados, podemos estar sob risco de multiplicar citações, conforme as palavras do Dr. J. W. Porter (Débito do Mundo aos Batistas, págs. 165-166):

“Como é bem conhecido, os Católicos Romanos atribuem sua afirmação da sua origem escritural, à suposição de que Pedro fora o primeiro papa de Roma. A menos que provem que Pedro estava em Roma e que ele também era um Papa, sua declaração de origem apostólica é totalmente falsa. Porém não há controvérsia quanto a esse ponto, pois todas as declarações sobre a hierarquia romana estão condicionadas à primazia de Pedro. As duas são inseparáveis e podem subir ou cair juntas. Portanto, para o propósito dessa discussão, só será necessário provar que Pedro nunca foi um papa em Roma ou em qualquer outro lugar. A mais clara suposição é de que Pedro nunca esteve em Roma em qualquer tempo. Não há nada no Novo Testamento que sugira que Pedro tenha pensado ser um papa ou que ninguém mais tenha pensado tal coisa. Mas, mesmo que houvesse a certeza de que Pedro tenha estado em Roma e que tenha sido um papa, a hierarquia Católica Romana falhou, por sua fé e prática, no seu direito a ser chamada de igreja escritural”.

Se, como Dr. Tull afirma, com Ridpath, um historiador de renome mundial e outros que com ele corroboram, o papado Romano tivesse sido cumprido por Gregório o Grande, cujo pontificado se estendeu de 590 a 604 A.D., então Gregório o Grande pode portar o nome de fundador da Igreja Católica. Na verdade, se admite que a apostasia Romana começou muito antes disso, mas podemos com certeza atribuir a real formação do papado – a real cristalização numa hierarquia fixa – a Gregório o Grande, sob cujo pontificado a “Supremacia da Visão Apostólica foi confirmada e mantida”.

Para ilustrar: é fato bem conhecido que Davi, durante seu reinado sobre Israel, coletou vasta quantidade de materiais para a construção de um templo. Foi seu trabalho que, em certo sentido, tornou possível o templo. Mas não podemos atribuir o templo a Davi, mas a Salomão, seu sucessor, sob cujo reinado a estrutura do templo foi realmente erigida. Da mesma forma as heresias, tradições, práticas espúrias e, de fato, todos os elementos necessários, foram reunidos um por um e passaram a existir no tempo de Gregório o Grande. Só restou a ele elevar, como Ridpath o diz, “o episcopado de Roma a um genuíno papado”.

Vamos agora aplicar o teste histórico deixado por Jesus em Mateus 16:18. É bastante evidente que a Igreja Católica, construída por Gregório o Grande a partir do papado existente, com material apóstata, quinhentos e noventa anos depois de Cristo, não pode passar no teste histórico de Cristo, de origem e perpetuidade e, portanto, não é a igreja verdadeira, a igreja que Ele fundou e prometeu que nunca deixaria de existir.

ORIGEM DA IGREJA LUTERANA

A história do mundo não se refere à existência de uma Igreja Luterana antes dos dias de Lutero. Que ele foi o fundador da Igreja Luterana, ninguém pode negar com sucesso. Lutero, revoltado contra a degeneração da Igreja Católica, organizou um movimento para a Reforma. Não há evidência histórica de que ele até mesmo tenha pensado em romper com a Igreja Católica e formar uma nova igreja. Mas suas atividades trouxeram sobre ele o anátema da excomunhão e Lutero e seus seguidores foram quase forçados a formar uma nova organização. O ano de 1520 foi o mais cedo que se pode afirmar ter sido a formação da Igreja Luterana. Foi nesse ano, segundo McGlothin (Guia ao Estudo da História da Igreja) que Lutero queimou a bula da excomunhão papal e abertamente desafiou o papa. Não foi, porém, até 1530 que o sistema de doutrina e moralidade que ele e seus seguidores tinham adotado foi apresentado na Dieta de Augsburg.

Só pode ser evidente que a Igreja Luterana fundada por Martinho Lutero, 1533 anos ou em torno disso após Cristo, falha em atender ao teste histórico de Cristo quanto à origem e perpetuidade, assim não pode ser a igreja que Ele fundou.

A IGREJA DA INGLATERRA OU IGREJA EPISCOPAL

A origem dessa igreja está muito clara e sucintamente resumida por Dr. S. E. Tull, em seu livro antes mencionado, nas seguintes palavras: “em 1509, Henrique Oitavo foi coroado Rei da Inglaterra. Henrique só tinha doze anos de idade naquele tempo. Ele se casou nesse mesmo ano com Catarina de Aragão, filha de Ferdinando e viúva de seu irmão, Artur. Vinte anos mais tarde, quando Henrique passou a exercer sua própria prerrogativa em assuntos pessoais, ele decidiu se divorciar de Catarina e casar-se com Ana Bolena, uma garota inglesa que serviu na corte de Charles Quinto, Rei de França.

Essa questão do divórcio de Henrique levantou uma grande discussão que finalmente foi levada ao Papa de Roma para ser resolvida. O Papa decidiu contra Henrique. Percebendo a impotência política do Papa para interferir nas questões políticas da Inglaterra, Henrique tomou providências com suas próprias mãos e expulsou Catarina e casou-se com Ana, apesar da interdição pronunciada pelo Papa. Esse desafio ao Papa causou a excomunhão de Henrique da igreja pelo Papa Clemente Sétimo, em 1534. Aceitando a situação como uma oportunidade de se livrar completamente de todas as alianças políticas com o Papa, Henrique imediatamente fez ligações com seu Parlamento e, em 13 de novembro de 1534, fez seu Parlamento aprovar um ato conhecido como “O Ato de Supremacia”, que declarava Henrique Oitavo como “O Protetor e Chefe Supremo da Igreja e Clero da Inglaterra”. Assim foi que nesse dia 23 de novembro de 1534, a “Igreja da Inglaterra” foi instalada, com o prófugo, adúltero e assassino Henrique como seu fundador e chefe. Levada à existência pelo poder de um fiasco político, a Igreja Episcopal iniciou sua carreira como uma denominação “Cristã”.

Sobre a igreja acima mencionada, Macauley escreve (História da Inglaterra, vol. I p. 32): “Henrique Oitavo tentou constituir uma Igreja Anglicana diferindo da Igreja Católica Romana sobre a questão da supremacia e só nesse ponto. Seu sucesso nessa tentativa foi extraordinário”. Pode ser mais claro que a Igreja da Inglaterra ou Igreja Episcopal, não ter sido fundada por Cristo, falhando no teste de origem e perpetuidade, não podendo assim ser a verdadeira igreja?

A ORIGEM DA IGREJA PRESBITERIANA

O sucesso do Protestantismo de Lutero no Continente deu liberdade a outros movimentos semelhantes. João Calvino, nascido em 1509, no mesmo ano que Henrique Oitavo foi coroado Rei da Inglaterra, que foi educado como monge Católico, uniu suas mãos às de Lutero e ajudou na Reforma. Em alguns pontos, as ideias de Calvino sobre doutrina e política eram diferentes das de Lutero. Por essa razão, a Reforma de Calvino caiu em distintos canais e cristalizou como uma organização independente e por sua forma de governar, os Calvinistas se tornaram conhecidos como Presbiterianos.

Podemos datar o início da Igreja Presbiteriana, como denominação separada, no ano de 1536, pois foi nesse ano que as “Institutas de Calvino” foram dadas ao mundo.

Segue-se muito naturalmente que a Igreja Presbiteriana, fundada por João Calvino, 1536 anos depois de Cristo, não pode passar no teste histórico de Cristo e não pode ser a verdadeira igreja, aquela que Jesus fundou e prometeu perpetuar.





O CONGREGACIONALISMO

Os Luteranos, Episcopalianos e Presbiterianos constituem as três grandes denominações Católicas-Protestante. Existem duas grandes denominações que protestaram contra os Episcopalianos e, consequentemente são frutos da Igreja Episcopal. Vamos considerar brevemente os fatos relativos à sua origem. Cito, do excelente traço de Tull: “vivia na Inglaterra, em 1580 um pastor Episcopal por nome de Robert Brown”. Ele começou um movimento de oposição à Igreja do Governo, em que ele defendia uma forma congregacional de governo da igreja e um sacerdotalismo em forte oposição. Ele conseguiu seguidores que se autodenominavam “Independentes”. Robert Brown organizou a primeira igreja Independente em 1580. Depois Brown se arrependeu, confessou seu erro, voltou para a Igreja da Inglaterra e morreu em sua fé. Seus seguidores, porém, continuaram o movimento e se tornaram conhecidos como “Congregacionalistas”.

Tendo sido fundada por Robert Brown 1580 anos depois de Cristo, a Igreja Congregacionalista não passou no teste histórico imposto por Cristo e não pode, com sucesso, reivindicar ser a verdadeira igreja de Cristo.

A ORIGEM DO METODISMO

Em seguida, consideremos o outro movimento Protestante que surgiu na Igreja Episcopal, aquele que, no curso do tempo se tornou conhecido como a “Igreja Episcopal Metodista”. Esse movimento foi liderado por John Wesley e seu irmão Charles. Enquanto estavam na Universidade de Oxford, eles, por seus hábitos regulares de estudo e trabalho religioso, obtiveram para si a designação de “metodistas”, título que mais tarde anexaram ao movimento originado por eles. Wesley nunca tencionou organizar uma igreja e, de fato, nunca nem mesmo dignificou sua organização com o nome de igreja, mas a chamava de “Sociedade”. Nenhum dos Wesleys nunca clamou pelo direito de começar uma igreja e, de fato, ambos morreram como membros da Igreja Episcopal.

Com referência à origem do Metodismo, encontramos a seguinte afirmação na obra “Disciplina da Igreja Episcopal Metodista” (edição de 1912): “em 1729, dois jovens na Inglaterra, lendo a Bíblia, viram que não poderiam ser salvos sem santidade. Seguindo o que leram e incitando outros a fazê-lo, Deus então os chamou para levantar um povo santo. Esse foi o surgimento do Metodismo, conforme dado pelas palavras dos seus FUNDADORES, John e Charles Wesley. Em toda a Inglaterra, na Escócia e Irlanda, surgiram SOCIEDADES unidas de homens tendo a forma e buscando o poder da devoção a Deus. Elas se tornaram subsequentemente as igrejas de Wesley da Grã-Bretanha”. Novamente, referindo-nos ao Metodismo nos primeiros dias da história dos Estados Unidos, encontramos essas palavras na pág. 16 da mesma obra “Disciplina...”: O clero da paróquia tinha retornado à Inglaterra e as SOCIEDADES Metodistas não tinham pastores ordenados reunidos, num raio de centenas de milhas”.

Pode-se ver, por essas citações, que o Metodismo primeiro não assumiu sua própria expressão na forma de uma igreja, mas era uma sociedade dentro da Igreja Episcopal. Não começou numa existência denominacional separada até o ano de 1739, segundo Dr. McGlothin em seu “Guia”. Foi nesse ano que a primeira reunião da classe ocorreu. Porém, a primeira conferência só ocorreu cinco anos mais tarde.

Surge aqui uma questão: se a Sociedade Metodista teria o direito de evoluir para uma Igreja, por que qualquer sociedade de igreja dos dias atuais não poderia fazer o mesmo? Elas certamente têm os mesmos direitos. Novamente vem a questão: Se Lutero, Calvino, os Wesleys e outros tiveram o direito de fundar uma igreja, não o teriam você e eu o mesmo direito de fazer o mesmo? Novamente, essa questão: quão antiga uma sociedade ou movimento deve se tornar antes de evoluir adequadamente para uma “Igreja”?

Mas, para voltar à origem do Metodismo, não deve ser difícil ver que a Igreja Metodista ou “Sociedade” como era chamada anteriormente, fundada por John Wesley quase 1740 anos depois de Cristo, de forma alguma passa no teste de Cristo sobre origem e perpetuidade e não pode ser a verdadeira igreja de Cristo.

A ORIGEM DA DENOMINAÇÃO CAMPBELITA

Dificilmente parece ser necessário tomar espaço para detalhar a origem dessa seita, já que é de origem tão recente que seria absurdo para qualquer um reivindicar sua origem apostólica. De fato, conheço indivíduos que conheceram Alexander Campbell e se lembram de muitos incidentes ligados aos primeiros dias dessa igreja, que é mais comumente conhecida hoje pelo nome de “Igreja Cristã”. A data do início dos Campbelitas ou “Cristãos” como denominação separada não pode ser fixada antes de 1827, embora, ignorando os fatos históricos, eles datem sua origem em alguns anos antes da data que acabo de dar. No entanto, alguns anos não fazem diferença em relação ao que discutimos aqui. Lembro-me bem que há alguns anos, essa denominação celebrou com grande entusiasmo em todo o país o centenário da denominação! Para aceitar sua própria data, eles têm pouco mais de cem anos de existência. E ainda me lembro de ter sido esculpida no canto de um de seus maiores prédios de um dos seus templos uma afirmação de que eles traçam sua origem até o tempo de Jesus e dos apóstolos. Afirmação estranha de fato, à luz de sua própria admissão!

Já que eles tinham um fundador humano e são de origem moderna, é evidente que não podem passar no teste histórico e não são a verdadeira igreja.

Eu poderia continuar e fazer menção aos Mórmons, Cientistas Cristãos, Adventistas do Sétimo Dia, Russelitas, Nazarenos, “Santos Skatistas” e outros e detalhar suas origens, mas seria inteiramente supérfluo. Basta dizer que cada uma dessas já mencionadas, junto com todas as outras numerosas seitas, tiveram fundadores humanos e nunca foram ouvidas por mais de mil anos depois de Cristo.

E SOBRE OS BATISTAS?

Nós mostramos que cada seita, denominação e assim chamadas igrejas, com exceção dos Batistas, podem ser traçadas por um fundador humano e originadas muito tempo depois de Cristo ter começado Sua Igreja. Claramente, sendo todas elas de origem pósapostólicas, são eliminadas. Da mesma forma quando você procurou em todos os livros, menos em um, e não conseguiu achar o documento, soube que ele estaria no único que faltava, então, quando todas as igrejas, menos uma, não consegue se qualificar historicamente como a verdadeira igreja de Cristo, é correto e lógico concluir que a igreja remanescente é a instituição que Cristo fundou. As Igrejas Batistas são as únicas e claramente distintas de todas as outras, por ser a única que não aponta qualquer fundador humano. Nem a data de fundação pode ser fixada depois de Cristo. Alguns tentaram e seus desacordos e contradições constituem evidência lógica de sua imprecisão histórica. Os que negariam que os Batistas possam ser datados no tempo de Cristo e lhes designaria uma origem moderna, deveriam se reunir e fixar alguma data! Pois de outra forma, suas afirmações contraditórias prejudicariam as pessoas em favor da própria coisa que eles negam!

Nos capítulos seguintes, eu ofereço prova histórica para substanciar minha afirmação de que só os Batistas existem desde os tempos de Cristo. Como Dr. Tull afirma: “a primeira Igreja Batista foi organizada por Jesus Cristo, o Filho de Deus, durante Seu ministério pessoal na terra. A Igreja Batista tem Jesus como seu Fundador, o Espírito Santo como Administrador de suas atividades, o Novo Testamento como seus artigos de fé e leis de existência. Em todas as eras Cristãs, o puro ensinamento Batista sobreviveu. Os ‘portões do inferno não prevaleceram nem prevalecerão contra ela”.

“Tu, porém, fala o que convém à sã doutrina” (ACF).

Tito 2:1

“Não vos deixeis levar em redor por doutrinas várias e estranhas...” (ACF).

Hebreus 13:9

 


VII. O Teste Doutrinário

No capítulo anterior procurei mostrar por um processo de eliminação que só as igrejas Batistas foram aprovadas no teste histórico de Cristo sobre origem e perpetuidade. Deixando de lado por certo tempo meus achados, continuemos a pesquisa da verdadeira ecclesia ou igreja, junto com a segunda linha proposta, ou seja, a da DOUTRINA. Esse teste doutrinário é tão importante quanto o teste histórico. Se eu puder demonstrar que as igrejas Batistas são apostólicas em relação às doutrinas que defendem e que elas são as únicas igrejas numa forma pura, veremos ser duplamente aparente que as igrejas Batistas são as verdadeiras igrejas de Cristo.

É, sem dúvida, uma tarefa difícil definir as doutrinas e práticas fundamentais das igrejas que existiram nos dias dos apóstolos, porque a igreja que Jesus fundou tem certas características doutrinárias bem definidas expressas no Novo Testamento pelas quais podem ser para sempre reconhecidas e distinguidas de todas as instituições apócrifas que, através dos tempos têm se chamado de igrejas Cristãs.

Ao procurar identificar a igreja que Jesus construiu por meio de comparação doutrinária, pode ser importante indicar o método que usarei. Vamos primeiro ao Novo Testamento e observar as características das igrejas dos tempos apostólicos. Em seguida examinaremos as características Batistas para ver se coincidem com as do período do Novo Testamento. Então, finalmente daremos uma rápida olhadela nos ensinamentos e práticas de outras denominações para ver como eles se posicionam em relação às doutrinas e práticas das igrejas do Novo Testamento. Seguindo esse procedimento teremos necessariamente que ser breves.

Uma das coisas que bem forçosamente nos confronta quando lemos sobre as igrejas do Novo Testamento é que elas eram compostas por AQUELES QUE FORAM REGENERADOS E NASCERAM NOVAMENTE. A doutrina da membrania da igreja regenerada está nas páginas do Novo Testamento tão claramente, que ninguém pode se enganar a respeito. De fato, a própria palavra ecclesia, usada no sentido Cristão, deve significar para nós uma assembleia de pessoas “chamadas” do mundo, para formar uma companhia separada, uma companhia de pessoas regeneradas. Como Dr. Bow coloca: “a palavra igreja traduzida significava originalmente chamadas, então, no sentido mais alto e mais santo, todos os redimidos foram chamados e ela se aplica justamente a elas”. Em Atos 2:47 encontramos as seguintes palavras:
“...E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar” (ACF). (Sco. Bíblia, Margem). Em todo o Novo Testamento não encontramos a mais leve discordância de que ninguém, fora os que afirmavam sua regeneração fossem admitidos às igrejas. De fato, sem regeneração a membrania à igreja perde todo o significado. Os deveres e obrigações que o Novo Testamento ensina como pertencentes aos membros da igreja pressupõem uma mudança interna radical da parte de cada pessoa unida a uma igreja de forma a designá-la para sua tarefa. As Escrituras certamente não toleram a ideia de que uma igreja existe como um tipo de reformatório a que os não regenerados devam ser levados, tratados e tornados filhos de Deus. Ao contrário, cada igreja, segundo a ideia do Novo Testamento deve ser uma assembleia do povo de Deus, regenerado, chamado e separado do mundo, “um povo peculiar, zeloso e de boas obras”.

E, inseparável da doutrina de membrania da igreja de regenerados, podemos mencionar incidentalmente que as igrejas do Novo Testamento praticavam somente o BATISMO DOS CRENTES. Uma profissão de fé em Cristo era necessária antes de o batismo ser ministrado. Em Atos 2:41 lemos:
“De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra” (ACF). Observe que “receberam a Sua palavra” precedia o batismo. “Sua palavra” se refere ao evangelho pregado por Pedro. Ninguém é elegível para o batismo, segundo as Escrituras, até terem ouvido o evangelho, acreditado e recebê-lo. Como um autor escreveu: “A única diferença entre uma pessoa que não ‘recebeu a Palavra’, antes e depois da imersão é que antes da imersão elas vestiam roupas secas e após sua imersão suas roupas ficaram molhadas”. Muitos casos podem ser citados para provar que só os crentes foram batizados e foram acrescentados à igreja do tempo do Novo Testamento, se o espaço permitisse. Prontamente chamo à mente o caso de Lydia, do soldado de Felipe, Cornélio e Felipe e o eunuco etíope. Em nenhum versículo do Novo Testamento se pode encontrar algo que indique que as pessoas foram batizadas antes de chegar a uma idade que lhes permitisse ter fé em Cristo. A ordem dada na Grande Comissão é primeiro fazer discípulos e depois batizá-los.

Agora perguntemos: as igrejas Batistas de hoje coincidem com as igrejas apostólicas nas duas questões acima mencionadas? Como outras denominações se posicionam a respeito dessas questões? Note bem essa afirmação tão verdadeira do Dr. T. T. Martin (A Igreja do Novo Testamento): ”AS IGREJAS BATISTAS SÃO AS ÚNICAS IGREJAS NA TERRA QUE REQUEREM QUE UMA PESSOA PROFESSE SER SALVA ANTES DA PESSOA SE UNIR À IGREJA OU SER BATIZADA”. Essa afirmação foi espantosa para mim quando a li pela primeira vez há vários anos. Mas a investigação não confirmou a crença de que ela é verdadeira. Outras grandes denominações ou misturam batismo infantil com batismo dos crentes ou ainda defendem a teoria da regeneração batismal. Por exemplo, os Metodistas e Presbiterianos defendem as reuniões evangelísticas e em seguida a essas reuniões muitas vezes batizam (?) os que professam fé em Cristo durante a reunião. No mesmo culto talvez batizem (?) crianças que não estão em idade para crer em qualquer coisa. Claro que se o batismo infantil fosse praticado universalmente, o batismo dos crentes acabaria na terra. Por outro lado, os Campbelitas batizam somente quem tem idade para ser batizado, mas defendem a teoria da regeneração batismal e batizam para ajudar a salvar. Só os Batistas requerem uma profissão de fé salvadora em Cristo antes de batizar ou aceitar a pessoa na membrania.

Outra coisa que se destaca no Novo Testamento em relação às igrejas daquele tempo é o MODO DE SALVAÇÃO, conforme ensinado por elas. As igrejas apostólicas defendem a salvação pela Graça, somente através da fé em Cristo. Como prova disso apresento as bem conhecidas palavras de Paulo em Efésios 2:8-9:
“Porque pela Graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem de obras, para que ninguém se glorie” (ACF). A morte vicária de Jesus foi estabelecida como o único meio de redenção para qualquer ser humano e o ensinamento foi que só pela fé Nele como Divino Redentor e Salvador que alguém pode ser salvo e se tornar um filho de Deus. Gal 3:26 fala sobre isso: “Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus” (ACF). Atos 16:31: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa” (ACF).

Os Batistas estão de acordo com a doutrina da salvação pela Graça através da fé em Cristo? De fato estão. “Esta é uma doutrina fundamental no pensamento Batista. Permeia todo o sistema das ideias Batistas e ajuda a determinar tudo o mais no pensamento Batista”. Nenhum outro modo de salvação é defendido ou ensinado nas verdadeiras igrejas Batistas.

Outras denominações pensam como as igrejas do Novo Testamento e as Batistas sobre isso? Nesse ponto dou outra citação do Dr. S. E. Tull: os Católicos acreditam que a salvação não vem puramente da Graça, que a morte de Jesus Cristo não é o único meio de salvação, mas que a ordenança do batismo é eficaz, contém a graça sacramental e é essencial à salvação”. O Concílio de Trento declarou que “no batismo não é dado somente a remissão do pecado original, mas também tudo que tiver a natureza do pecado é curado”. Ele torna alguém Cristão, um filho de Deus e herdeiro do céu.

Na doutrina da salvação puramente pela Graça através da fé, os Batistas estão sozinhos e todas as outras denominações defendem a posição dos Católicos. Luteranos, Episcopalianos, Presbiterianos, Congregacionalistas e Metodistas se encaixam na posição Católica que o batismo infantil contém a graça sacramental, enquanto os Campbelitas defendem que o batismo por imersão é essencial à salvação.

Por medo que alguns possam encontrar erros em mim por classificá-los com os Católicos sobre essa doutrina da regeneração batismal, citarei pela lei de algumas outras igrejas sobre o assunto. A menos que os legisladores da igreja tenham mudado a lei muito recentemente, o que segue permeia as igrejas citadas e é uma amostra justa da posição de todas as igrejas conveniadas nessa doutrina.

O Catecismo Episcopal diz: “batismo é o ato onde eu me tornei um membro de Cristo, um filho de Deus e um herdeiro do Reino dos céus”.

Se a citação acima não ensina a regeneração batismal, por favor, diga quais palavras seriam usadas para ensiná-lo?

A Confissão Presbiteriana diz: “o batismo é um sacramento do Novo Testamento ordenado por Jesus Cristo, não apenas para a solene admissão dos batizados à igreja visível, mas também para ser para o batizado um sinal e selo da aliança da graça, de seu pertencimento a Cristo, da regeneração, da remissão dos pecados e da entrega a Deus através de Jesus Cristo para andar em novidade de vida”.

O ritual Metodista diz: “santifico esta água para este santo sacramento e garanto que esta criança, agora a ser batizada, possa receber a plenitude da Tua Graça e sempre permanecer no número de Teus filhos fieis e eleitos”.

Veja bem o que você acaba de ler: “garanto que esta criança possa sempre permanecer no número de teus filhos fieis e eleitos”. Esse ritual coloca a criança no reino e na família de Deus e isso sem fé pessoal. Pode crescer até a maturidade com a ideia que é um filho batizado de Deus e isso sem nunca ter sido regenerado, ou talvez até sem perceber a necessidade disso. Isso certamente não está de acordo com as palavras de Jesus:
“...Aquele que não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus” (João 3:3 - ACF).

Os artigos Metodistas se basearam nos da Igreja Inglesa e a referência aos escritos do fundador do Metodismo mostra que ele acreditava na regeneração batismal em relação às crianças. Sobre os artigos da Igreja Inglesa, a que ele pertencia, encontramos John Wesley escrevendo o seguinte: (Sermões, Londres, 1872, vol.2, sermão 45, p. 74): “é certo que nossa igreja supõe que todos os que são batizados em sua infância são ao mesmo tempo nascidos novamente e se permite que toda a ministração do batismo infantil prossiga nessa suposição”.

Conheci Metodistas que negam veementemente que o fundador do Metodismo defendia a regeneração batismal de crianças, mas na citação acima, a partir de seus próprios sermões impressos, temos isso em preto e branco.

Novamente, vamos examinar a visão Luterana, expressa pelo fundador da Confissão de Augsburg, como segue: ”sobre o batismo, eles ensinam o que é necessário à salvação. E condenam os Anabatistas que defendem que as crianças podem ser salvas sem ele”. (Neander, História dos Dogmas Cristãos Vol.2, p. 693).

“Numa cidade onde o autor estava trabalhando no evangelho, os pastores de todas as igrejas na cidade se reuniram uma manhã para considerar a adequação de convidar Dr. R. A. Torrey para conduzir uma reunião evangelística para toda a cidade. Para a conferência desses pastores veio o reitor Episcopaliano da cidade. O reitor pediu para fazer uma declaração. Ele procedeu assim: ‘quero me colocar diante de todos vós pastores da cidade, em minha relação com a reunião evangelística proposta. Quero que vocês entendam minhas convicções sobre o assunto. Não acredito no que é conhecido entre vocês como evangelismo. Não acredito no que vocês chamam de conversão debaixo da espontânea operação do Espírito Santo no coração humano. Acredito na Graça convencional e que as pessoas se tornam Cristãs pelo batismo e pela confirmação na Igreja. Acreditando como creio, não posso consistentemente me engajar com vocês na sua campanha evangelística proposta’. Tudo isso o reitor disse franca e enfaticamente. Então, parecendo justificativa para sua posição, após a hesitação de um momento, ele continuou: ‘quaro dizer a vocês, pastores Presbiterianos aqui, que se vocês vivem para o ensino conveniente de sua igreja, vocês não podem empreender campanhas evangelísticas. Vocês deveriam inclusive abandonar seus ensinos convencionais ou deixar de empreender campanhas evangelísticas. Engajando-se em ambos, vocês fazem dois planos pelos quais os homens se tornam Cristãos. Como eu vejo, esses pregadores Batistas são os únicos pregadores em nossa cidade que podem consistentemente levar adiante uma campanha evangelística. Eles não acreditam em graça convencional, mas consistentemente defendem cada homem com sua experiência pessoal em religião, que eles chamam de conversão e regeneração’”. (Denominacionismo Em Teste).

Outro estudo sobre as igrejas apostólicas descritas no Novo Testamento revela vários fatos ligados às ORDENANÇAS QUE ERAM MINISTRADAS POR ELES. Esses fatos podem ser descritos assim:

1. As ordenanças eram duas e somente duas em número: batismo e Ceia do Senhor – Mateus 18:19 e I Coríntios 11:23-30.

Todas as tentativas de deduzir o lava pés como uma ordenança, a partir das Escrituras falharam. Claramente, os apóstolos não tinham tal ordenança. Nem as duas ordenanças mencionadas acima estavam à luz dos sacramentos. Falar da Ceia do Senhor como “Sacramento” não somente não é escritural. É antiescritural.

2. As ordenanças eram ordenanças da igreja. Isso é admitido com a unanimidade prática por todas as grandes denominações. À luz dessa admissão, a “comunhão aberta” se torna não somente uma prática não escritural, mas da mesma forma uma flagrante inconsistência. E se as ordenanças foram dadas aos Batistas, como eu procurei mostrar, então receber uma “imersão estranha” é, de todas as coisas, a mais inconsistente para as igrejas Batistas.

3. Elas eram ordenanças simbólicas, designadas a caracterizar grandes verdades e sem possuir qualquer poder de salvação. Não tenho necessidade de discutir isso, já que os ensinos do Novo Testamento da salvação pela Graça lidavam com o dito acima, proibindo-nos de atribuir eficácia salvadora às ordenanças. Pois, claro, se a salvação é pela Graça através da fé em Cristo, não pode ser pelo batismo, pela Ceia do Senhor ou por nossas obras.

4. O batismo era ministrado imergindo o candidato em água. Nem a mais leve menção de aspersão pode ser encontrada no Novo Testamento. Muitos casos claros de imersão são registrados. Essa era evidentemente a única forma de batismo, pois Paulo em Efésios 4:5 escreve:
“Um só Senhor, uma só fé, um só batismo” (ACF). E, de fato o sentido do termo “batismo”, se estudado no original, é bastante para esclarecer perfeitamente a mente não tendenciosa que a imersão foi o modo primitivo. Ao lado disso, todos os estudiosos confiáveis de diferentes denominações admitem francamente que a imersão era o “modo” de batismo praticado nos tempos apostólicos.

5. A Ceia do Senhor, sendo uma ordenança da igreja, era restrita a membros da igreja. Sendo esse o caso, era, claro, precedida por imersão.

Como as crenças das igrejas Batistas de hoje se enquadram com o ensino do Novo Testamento a respeito das ordenanças? A resposta é: estão em perfeito acordo. Outras denominações estão tristemente em discordância. Os Católicos admitem que mudaram a ordenança do batismo no século doze pois a aspersão é mais conveniente. Citei aqui sobre o Cardeal Gibbons (A Fé dos Nossos Pais, págs. 316-317): “por vários séculos após o estabelecimento do Cristianismo, o batismo era normalmente ministrado por imersão. O batismo é o meio essencial estabelecido para lavar o estanho do pecado original e a porta pela qual encontramos a admissão à Igreja. Então o batismo é tão essencial para a criança como para o adulto. Crianças não batizadas são excluídas do Reino dos Céus. O batismo nos torna herdeiros do céu e co-herdeiros de Jesus Cristo”.

As igrejas Protestantes (lembremos novamente que Batistas não são Protestantes), descendentes diretos da igreja Católica, tiraram seu batismo infantil e seus modos pervertidos de batismo de sua parenta, a Igreja Católica. Os Campbelitas e outros que defendem o batismo como essenciais à salvação tiraram sua regeneração batismal da mesma fonte.

Em relação à Ceia do Senhor, descobrimos que o mundo Católico e Protestante abandonou a simplicidade da ideia do Novo Testamento, de que o pão e o vinho são meramente símbolos ou momento que devem ser tomados como memória do Salvador. Os Católicos defendem a transubstanciação, a doutrina de que o pão e o vinho se tornam o corpo real de Cristo. Os Luteranos defendiam a consubstanciação, que é uma modificação da visão Católica. Outros, como os Presbiterianos e Metodistas defendem a ideia de benção sacramental ou espiritual que faz da ordenança algo mais do que um mero memorial. Além disso, muitas denominações na prática real não fazem da imersão um prérequisito para o compartilhamento da Ceia do Senhor, como fazem as igrejas do Novo Testamento, pois praticam a “comunhão aberta” que admite a todos que queiram participar, sejam imersos, aspergidos, não aspergidos.

Mais, encontramos que as igrejas apostólicas eram DEMOCRÁTICAS EM SUA FORMA DE GOVERNO ECLESIÁSTICO. Isto significa, claro, que eles reconheciam, o absoluto senhorio de Cristo e não tinham nenhum, chefe ou mestre humano.
“...Porque um só é vosso Mestre, a saber, o Cristo, e todos vós sois irmãos”. (Mateus 23:8 - ACF), é o ensino do Novo Testamento. Não havia ordem mais alta ou mais baixa de clero. Nem papas nem bispos no sentido moderno, para chefiar sobre todos. Pedro não pensava em ser papa, pois ele se chamava um companheiro mais velho de outros pregadores (I Pedro 5:1). Quando um sucessor foi necessário para preencher o lugar de Judas Escariotes, Pedro não se auto indicou, mas aos cento e vinte membros da igreja de Jerusalém (Atos 1:15-26). Quando os primeiros diáconos foram indicados, foram indicados por Pedro, não pelos apóstolos como anciãos governantes, ou como um colégio de bispos constituintes. Eles eram escolhidos pela multidão de discípulos ou a igreja. Descobrimos que as igrejas resolviam seus assuntos sem interferência ou imposição externa. Eles elegiam seus próprios oficiantes e por votação da congregação recebiam e excluíam membros. Por exemplo, Paulo escreve à igreja de Roma (Romanos 14:1 - ACF): “Ora, quanto ao que está enfermo na fé”. Isto indicava que eles tinham o hábito de receber membros. Em I Coríntios 5, Paulo diz à igreja de Corinto para excluir um membro não válido. Em II Tessalonicenses 3, Paulo dá um conselho semelhante à igreja de Tessalônica. Novamente, em Atos 9 temos a informação que o próprio Paulo foi recusado na igreja de Jerusalém, porque naquele tempo a igreja tinha dúvidas quanto à sua conversão e tinha medo dele.

Tendo uma forma democrática de governo da igreja, sendo composta por indivíduos que estavam em igualdade e não tendo chefia visível, terrena, as igrejas eram separadas e distintas e eram ligadas entre si de forma não orgânica. Isto é confirmado por todos os mais antigos e mais confiáveis historiadores como tendo sido a ordem geral por vários séculos: “todas as congregações eram independentes umas das outras” (vol. 1, cap. 3). Mosheim, o historiador Luterano, diz (vol. 1, p. 142): “durante grande parte desse (segundo) século todas as igrejas continuaram a ser, como de início, independentes; cada igreja era um tipo de república independente”.

As igrejas Batistas concordavam com o modo apostólico em relação ao governo e política de sua igreja? Qualquer pessoa conhecedora das igrejas Batistas sabe que a democracia em sua forma mais pura era encontrada neles. Cada igreja é separada e distinta como nos tempos apostólicos e quando as igrejas se reúnem em associações e convenções eles se juntam em uma única forma cooperativa, voluntária. Não há união orgânica em uma grande “Igreja”. E ainda mais, nenhuma associação ou convenção tem o direito de ditar regras à igreja local. As igrejas Batistas de hoje, como nos tempos apostólicos, não tem dignitários ou eclesiásticos para impor sua vontade sobre elas. É verdade que hoje em dia às vezes temos um indivíduo ocasional que deseja para si mesmo poderes eclesiásticos com os quais poderia forçar cooperação entre os Batistas. Esse indivíduo está, em cada caso, predestinado à queda prematura[1].

Mas daremos uma olhadela, por comparação, no governo das outras igrejas.

Os Católicos não dão aos membros da igreja privilégios, mas eles obedecem à “Igreja” e a nenhuma outra voz no governo da igreja.

A igreja Luterana é uma episcopacia com poderes legislativos governando a doutrina e a política de congregações e indivíduos particulares.

A igreja Episcopal têm cortes legislativas e faz o mesmo.

A igreja Presbiteriana é o que se pode chamar de uma “aristocracia centralizada”, composta de cortes legislativas com uma graduação de autoridade, desde sessões numa igreja particular até a Assembléia Geral de toda a denominação. A partir das decisões da Assembleia Geral não há apelação, para as igrejas ou indivíduos.

A igreja Congregacional chega mais perto da posição Batista nessa questão do que as demais, mas permanece longe em alguns outros pontos.

A igreja Metodista é uma episcopacia com um sistema de maquinário eclesiástico que deixa pouco espaço para a autonomia da igreja local ou à expressão da individualidade da parte dos seus membros.

Essa forma de governo da igreja não é só antibíblica, mas também prova não ser sábia em muitos exemplos, desde o ponto de vista sobre o que seria útil. A questão de onde os sacerdotes vão trabalhar, a escolha dos seus respectivos campos é tomada de suas próprias mãos e precisam ir onde são enviados. Nesse sistema, um pregador pode ser enviado onde não queira ir onde sente que nem o Senhor nem o povo o quer. Num caso que observei, um homem foi enviado a um pequeno pastorado ao qual foi anexado um salário menor do que ele se acostumara a receber. A mudança foi tão arbitrária e insatisfatória que o pregador se rebelou e só ficou ali tempo suficiente para vender suas coisas de casa. Se fui informado corretamente, ele abandonou a igreja com a firme intenção de se unir a outra denominação. Esses acontecimentos são muito embaraçosos para a igreja e para o pastor. São o fruto natural de um sistema eclesiástico não escritural.

 Os Campbelitas ou Igreja “Cristã” recebeu sua forma de governo do seu fundador, Alexander Campbell que, por sua breve associação com os Batistas, se imbuiu de algumas ideias. Os Campbelitas professam uma forma congregacional de governo, mas na realidade, o pastor é investido de poderes Episcopais para receber membros sem o voto da congregação.

Outra coisa que deve ser claramente coletada a partir do Novo Testamento a respeito das igrejas daqueles dias é que eles ERAM TOTALMENTE LIVRES DE QUALQUER COERÇÃO. Em outras palavras eles acreditavam na liberdade religiosa. Religião era um assunto puramente voluntário. Eles eram profundamente impactados com seu dever de pregar, ensinar e persuadir, mas sua palavra terminava ali. Se o indivíduo aceitava ou não o evangelho e se afiliava à igreja ou não era um assunto a ser decidido pelo próprio indivíduo fora de qualquer tipo de medida coercitiva. Havia total separação entre igreja e Estado. “Daí a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus” era a admoestação de Jesus. Com tal concepção como as igrejas do Novo Testamento tenham de liberdade de consciência, a precaução religiosa era impossível para eles.

Novamente perguntamos: como as igrejas Batistas de hoje concordam com os princípios de liberdade defendidos pelas igrejas apostólicas? A resposta é que ainda mantém esses princípios, tais como os tinham no primeiro século. Eles sustentam ser seu dever e obrigação pregar o evangelho a todo o mundo, mas procuram não forçar ninguém a aceitá-lo. Eles acreditam que todo homem tem o direito individual de fazer a si mesmo uma pergunta sobre seu relacionamento com Deus. Consequentemente, acreditam que o batismo infantil é um pecado contra Deus e contra as criancinhas, pois força um rito religioso sobre uma criança indefesa e a partir disso, o privilégio de obedecer a Cristo por si mesmas. Os Batistas não colocam sacerdote, ordenança nem qualquer coisa entre o indivíduo e Deus. Eles defendem que cada pessoa pode, através de Jesus Cristo, contatar Deus e estar com Ele por si mesma. Nas relações o mesmo princípio voluntário se mantém. Nenhum alto poder eclesiástico força as igrejas a tomar medidas. Nenhum conjunto de eclesiásticos dirige os negócios das igrejas por si mesmos e para aceitação dos líderes eles escolhem pelo povo. O povo Batista governa a si mesmo e cada igreja determina a medida e o tipo de cooperação que se engajará com outros corpos e organizações.

Para os Batistas, a união entre igreja e Estado é um mal indescritível a que nunca deram apoio. Eles sofreram através do tempo cruéis prisões, punições e até mesmo o martírio nas mãos de outras pessoas porque, na verdade, as pessoas de outra fé, através dos poderes civis, possuíam a espada da coerção e perseguição.

Vamos agora examinar outras denominações e observar suas atitudes sobre esse ponto. Os católicos não dão aos indivíduos qualquer prerrogativa pessoal. A Igreja possui a alma do indivíduo e pode, pela excomunhão, destruir toda a esperança de eternidade. A história da Igreja Católica tem cheiro de sangue. Por longos períodos, o Catolicismo era a religião-Estado e perseguiu tão cruelmente os dissidentes que foram forçados a se esconder nos “covis e cavernas da terra”. Posso somente mencionar o massacre do Huguenotes em que centenas de pessoas foram desmembradas, dos horrores da Inquisição, em que invenções diabólicas criaram cada tortura com que afligiram os Batistas e outros que mantinham visões religiosas dissidentes. Escrevo essas linhas no Brasil, onde em cada local se pode ver a evidência da intolerância Católica. Na semana passada vieram notícias de como os Católicos interromperam cultos conduzidos por Batistas na cidade de Bom Jardim, a algumas milhas daqui.

Episcopalianos, Luteranos, Prebiterianos, Metodistas e Congregacionalistas se juntam aos Católicos em diminuir a liberdade da consciência individual por causa de sua prática do batismo infantil. “Os Campbelitas estabelecem uma ordenança entre o pecador e o Salvador e, portanto, proíbem sua ilimitada proximidade de Deus”. Os Episcopalianos da Inglaterra derivam seu sustento do governo e os Batistas são forçados a pagar para dar suporte a uma igreja em quem não acreditam. Dr. John Clifford, um notável pregador Batista, foi para a cadeia vezes seguidas por sua recusa em pagar para ajudar a sustentar a Igreja Episcopal. Os Luteranos se uniram ao Estado e usaram seu poder para perseguir. Por exemplo, Henry Crant, Justice Muller e John Peisker, Batistas, foram decapitados em Jena, em 1536 pelos Luteranos. Entre suas visões anunciadas estava a doutrina de que todas as crianças são salvas sem batismo. (Ver a obra de McArthur, Por Que Sou um Batista?). Os Presbiterianos consentiram com a união não santa da igreja com o Estado e também perseguiram. O partido assumido por João Calvino, o fundador do Presbiterianismo ao queimar Seventus, o Anabatista na estaca é muito conhecida para mencionar em detalhes. Os Congregacionalistas perseguiram, pelo poder civil nos primeiros tempos coloniais da América. Clark, Holmes e Candrall, líderes Batistas, foram multados, presos e publicamente surrados em Boston. Ao perguntar qual lei de Deus ou dos homens ele (Clark) tinha quebrado, Endicott lhe respondeu: “você negou o batismo infantil e merece morrer”.

E posso acrescentar que nem toda a perseguição aos Batistas pertence ao passado. Em quase todo lugar hoje, onde os Batistas defendem toda a Bíblia e pregam suas doutrinas, encontram perseguição. Eles são chamados de “estreitos”, “fanáticos” e são apontados com desprezo. Muitas vezes, por causa de suas crenças não lhes é permitido engajarem-se em todos os tipos de movimentos e programas sindicalistas e são amargamente criticados. Em meu próprio ministério, minha própria igreja foi boicotada por membros de outras denominações porque preguei os ensinamentos do Novo Testamento a respeito das ordenanças. As formas de perseguição não são as mesmas dos dias idos, mas a perseguição, que não é menos real, muitas vezes ressurge por aqueles que não desposam o princípio puramente voluntário do Novo Testamento e dos Batistas.

Outra característica das igrejas de Cristo nos tempos apostólicos foi sua REVERÊNCIA PELAS ESCRITURAS E OS COMANDOS DO SENHOR DADOS A ELES ATRAVÉS DE HOMENS INSPIRADOS. A eles, a Palavra de Deus, contida no Velho Testamento ou saída dos lábios ou caneta de homens inspirados, era suficiente.

Os Cristãos daqueles dias não destruíram o Velho Testamento como os Modernistas de nossos dias, que o partem em pequenos pedaços e chamam um pedaço de documento “J” e outra parte de documento “E” e assim por diante. Para eles o Velho Testamento não continha meramente uma revelação de Deus. Era A revelação. Eles receberam os ensinos dos apóstolos como autoridade.

Aqui, novamente, distinguimos a semelhança entre as igrejas Batistas de hoje e as igrejas dos tempos antigos. Para os Batistas, as Escrituras do Velho e Novo Testamento constituem a autoridade final em todos os assuntos de crença e prática. A grande doutrina que constituia o alicerce onde todas as suas doutrinas é: “a Bíblia, só a Bíblia é nossa única e suficiente regra de fé e prática”. Como alguém colocou habilmente: “se você não pode encontrar na Bíblia, não é uma doutrina Batista. Se for uma doutrina Batista você pode encontrá-la na Bíblia”. Os Batistas acreditam que cada indivíduo tem o direito de ler e interpretar as Escrituras por si mesmo. Eles não acreditam em estudar e interpretar à luz dos comentários de alguém, como fazem os Cientistas Cristãos, que a estudam à luz da obra “Ciência e Saúde” do Sr. Eddy, ou os Russolitas que a interpretam com a ajuda dos Estudos Bíblicos do Pastor Russell ou os Católicos que, quando lêem a Bíblia, lêem a tradução imperfeita da versão Douay, à luz das interpretações Cristãs, anexadas a cada página, na forma de “notas”. Os Batistas acreditam que a Bíblia diz o que quer dizer e significa o que diz e está escrita de modo a ser entendida pelas pessoas comuns. Eles não acreditam ser correto procurar justificar uma prática por um conjunto de regulamentos delineados por homens falíveis. Consequentemente, uma coisa ser encontrada numa “Disciplina” ou “Catecismo” lhe acrescenta muito pouco peso. Mas, enquanto essas coisas são verdadeiras, também é verdade que os Batistas sempre quiseram estabelecer suas crenças. Eles o fizeram repetidamente na forma de “Confissões de Fé”. Essas confissões simplesmente colocam diante do mundo sua interpretação do que a Bíblia ensina sobre assuntos fundamentais. Eles não amarram credos forçados sobre corpos Batistas, pois cada igreja tem o privilégio de produzir sua própria declaração de fé.

Quais são as atitudes de outras denominações a respeito da Bíblia? Não é a atitude Batista, se não, não haveria a divisão que existe hoje. Muito é dito hoje sobre a união da igreja e os Batistas são muitas vezes acusados pela condição cismática do Cristianismo. Mas pode-se dizer verdadeiramente que os Batistas estão prontos a se unirem sob o princípio da absoluta adesão ao Novo Testamento.

A visão Católica, por exemplo, é o oposto exato aos Batistas. Os Católicos acreditam no Papa como a fonte da doutrina e defendem sua infalibilidade em suas decisões. Sobre esse ponto, temos a seguinte afirmação do Cardeal Gibbons: “quando surge uma disputa na igreja sobre o sentido das Escrituras, o assunto é mencionado ao Papa para julgamento final. Ele pronuncia seu julgamento e sua sentença é final, irrevogável e infalível”. Novamente, no mesmo livro (A Fé de Nossos Pais), ele diz: “as Escrituras nunca podem servir como uma completa regra de fé ou um guia completo ao céu, independente de um intérprete vivo autorizado”.

Outras denominações ocupam posições entre os Batistas e os Católicos. As igrejas Luteranas, Episcopais e Metodistas são investidas com poderes legislativos amplos para lhes permitir fixar doutrina e conduta legislativa para congregações particulares e para indivíduos. Como já vimos, a Assembleia Geral da Igreja Presbiteriana é investida com poder supremo em assuntos que afetam a doutrina e a política.

Há outra coisa considerada fundamental entre as igrejas do Novo Testamento e que foi o que deu o nome: “A COMPETÊNCIA DA ALMA DEBAIXO DE DEUS, NA RELIGIÃO”. “Todos nós prestamos contas de nós mesmos a Deus”. Esse é o ensino de Paulo. Cada alma é considerada competente para lidar com Deus sem a interferência de sacerdotes humanos ou mediadores. A liberdade absoluta de consciência foi permitida e a coerção nunca deu bom resultado em assuntos pertinentes à religião, como já foi indicado.

Nisso percebemos os Batistas como estritamente apostólicos. Os Batistas acreditam que o homem, como homem, tem a capacidade de conhecer Deus e, sob o poder do Espírito Santo, fazer a vontade de Deus. “Essa competência da alma debaixo de Deus”, como um autor colocou é, “ao mesmo tempo exclusiva e inclusiva. Exclui toda a interferência humana, toda a representatividade em religião, todas as ideias de intervenção sacerdotal ou episcopal. Religião é um assunto entre a alma individual e Deus. Inclui todos os direitos de uma democracia absoluta e constitui, em cada crente, seu próprio sacerdote e rei”. Pode não estar fora de lugar aqui citar o Dr. E. Y. Mullins sobre este ponto. Ele diz: “o significado Bíblico dos Batistas é o direito à interpretação privada e obediência às Escrituras. O significado dos Batistas em relação ao indivíduo é a liberdade da alma. O significado eclesiástico dos Batistas é a membrania regenerada à igreja e a igualdade entre o sacerdócio e os crentes. O significado político dos Batistas é a separação da igreja e Estado. Todos eles crescem naturalmente e da necessidade a partir da doutrina da competência da alma na religião”.

E agora, vamos examinar brevemente outras denominações e não sua atitude nesse assunto. Todos os que conhecem a posição Católica admitirão prontamente que ela está em direta antítese com a doutrina Batista da competência da alma. Enfatizando todo o esquema do Catolicismo Romano está a ideia de incompetência da alma. Isto é visto na confissão auricular, a negação do direito à interpretação privada da Bíblia, o batismo infantil, o monopólio sacerdotal aos elementos necessários à ”comunhão” e várias outras coisas.

O Protestantismo é uma mistura das posições Batistas e Católicas. Uma citação do Dr. M. P. Hunt (A Fé Batista) tornará isto claro. Ele escreve: “em muitas coisas o mundo Protestante está agora com os Batistas, mas em algumas coisas ainda se apega aos andrajos do Catolicismo. Como, por exemplo, o episcopado, o batismo infantil e a regeneração batismal. Essas coisas são todas não escriturais e primeiro viram a luz na Igreja Católica e foram nutridas por sua concepção não escritural da incompetência da alma na religião. Defendendo a doutrina da justificação pela fé, o mundo Protestante está junto com o Batista, enquanto, ao batizar suas crianças na igreja, durante a inconsciente infância, eles estão junto com os Católicos. Na questão da liberdade civil e religiosa, o mundo Protestante na América agora está em total simpatia com a posição Batista, enquanto as igrejas que mantém forma de governo Episcopal tem a mesma posição dos Católicos. Tome-se as ‘Disciplinas’, que tem menos de cem anos e elas estão junto com os Batistas na questão do batismo dos crentes, mas ao mesmo tempo, estão junto com os Católicos na defesa do batismo como essencial à salvação”.

Outras características das igrejas apostólicas poderiam ser citadas e sua identidade com as características Batistas serem estabelecidas. Mas já se disse o suficiente, com bastante certeza, para demonstrar que os Batistas são apostólicos em relação à sua fé e prática. Quem lê o Novo Testamento só poderá ver a identidade doutrinária dos Batistas de hoje com as igrejas do Novo Testamento. Dr. A. T. Robertson dissera: “dê a um homem um Novo Testamento e uma boa consciência operante e um Batista será o resultado certo”. Exemplos são registrados em que várias denominações têm buscado atrair à sua igreja um novo convertido e, como regra, quando se anuncia que o indivíduo está fazendo um estudo do Novo Testamento e deixará que este o guie, normalmente se percebe que os Batistas venceram.

Se eu quisesse usar bastante espaço, poderia citar na íntegra um relato de I. N. Yohannan, um persa convertido pela pregação de um missionário Presbiteriano, mas que, ao ler o Novo Testamento, veio da Pérsia a New York para ter um batismo Batista. Eu poderia contar a história de John G. Oncken e sua família em Hamberg, Alemanha. Eles, tornando-se crentes e por não terem guias eclesiásticos, se puseram a estudar o Novo Testamento com esse resultado: UMA IGREJA BATISTA! Eu poderia falar de Judson e Rice, que foram enviados a um campo estrangeiro por outra denominação e durante sua viagem estudaram o Novo Testamento e chegaram ao seu campo com convicções que os levaram a se unir a uma igreja Batista, mesmo que isso tenha significado para eles renunciar ao sustento daqueles que os enviaram. Eu poderia contar como no Estado da Paraíba, Brasil, homens foram convertidos sob a pregação de um missionário Presbiteriano e se tornaram Batistas na crença pela leitura do Novo Testamento. Eles foram para a cidade onde agora eu resido (Estado de Pernambuco) a um pregador Batista para vir batizá-los.

É certamente verdade que, julgados pelo teste doutrinário, os Batistas validaram sua reivindicação da perpetuidade da igreja!

 “Alguns dizem que os Batistas não podem rastrear sua história através dos séculos por causa das irregularidades das crenças entre as seitas dissidentes. Bem, quando lembramos que as verdadeiras igrejas de Cristo têm sido perseguidas em todas as épocas e levados às escuras cavernas e à solidez das montanhas, com o que seus inimigos afirmam sobre eles, podemos esperar que algumas diferenças apareçam entre eles. Mas estarão os Batistas de hoje livres dessas pequenas diferenças? O fato é que temos muitos Batistas Unitários entre nós no momento presente que estão tentando sair de nossa comunhão”.

J. L. Smith, em “A Lei Batista da Continuidade”.


VIII. Pontos a Serem Lembrados

Vimos, no capítulo anterior que todas as igrejas e denominações, com a única exceção das igrejas Batistas, se originaram em tempos pós apostólicos e, além disso, que sua origem pode ser rastreada a um chefe e fundador humano. Aplicando o teste histórico de Jesus, que requer que a verdadeira igreja deve ter tido a Ele, como Fundador, e deve ter sido perpetuada através de todos os tempos, eliminamos todas as igrejas, salvo as Batistas. No capítulo anterior aplicamos o teste doutrinário, com os resultados de que somente as igrejas Batistas sejam apostólicas em doutrina, forma e prática. Outras denominações, já vimos, falharam neste teste. Cada uma delas mostrando amplo afastamento da doutrina e prática apostólicas. Já se tornou aparente que as igrejas Batistas são idênticas às igrejas da época do Novo Testamento e, consequentemente podem corretamente requerer serem as verdadeiras igrejas de Cristo. Porém, não nos deteremos aqui. Propusemos no início dedicar algum tempo a provar a perpetuidade da igreja Batista por afirmações de confiáveis historiadores.

Antes de lermos o testemunho dessas testemunhas históricas, pode ser importante, por clareza, falar brevemente de vários assuntos mais ou menos a respeito dessa questão. Esses pontos, indicados numericamente são:

1. Que se possa ter em mente, conforme indicado no início, que os Batistas não tentam estabelecer sua posse do nome Batista. Alguns dizem que as igrejas Batistas não são as verdadeiras igrejas porque não são chamadas pelo nome Batista no Novo Testamento. O fato claro é que eles não eram chamados por qualquer nome que os distinguisse naquele tempo, mas simplesmente conhecidos como “igrejas”. E por quê? Claramente porque todas as igrejas eram então de uma só fé e consequentemente não precisavam de nome, exceto pelo local da igreja, por exemplo, a “igreja de Antioquia”, “de Corinto”, etc. Mas logo se pode ver que à medida do passar do tempo, organizações espúrias chamando a si mesmas de igrejas brotaram e nomes distintos vieram a ser usados por necessidade. Como para os Batistas, eles foram chamados por diferentes nomes ao longo dos séculos. Esses nomes eram jogados sobre eles por seus inimigos e perseguidores, como antes tentei mostrar. Às vezes, em um país certo nome lhes era aplicado, enquanto, ao mesmo tempo recebiam outro nome em outra terra. Os mesmos tipos de igrejas existiram, caracterizadas pela mesma doutrina e vida evangélica, mas os nomes que portavam eram diferentes. É muito fácil entender porque isso teria acontecido quando as igrejas eram amplamente separadas e quando havia pouca intercomunicação. Nos dias coloniais da América, os batistas eram muitas vezes chamados de “Anabatistas” e “Catabatistas”. De fato, ao ler alguns documentos históricos relativos à história do Kentucky, descobri que os Batistas eram chamados de Anabatistas. Bem certo que a queda do “Ana” de forma alguma mudou as características das igrejas. Nem os Waldenses mudaram quando, ao longo do tempo vieram a ser chamados de Anabatistas. Então o importante não era a identidade do nome, mas a continuidade da doutrina e da vida, mantidas por pessoas que se reuniam como corpo de crentes batizados em Cristo.

2. Lembremo-nos que os que negam a perpetuidade Batista diferem muito de quanto os Batistas tiveram sua origem. Sua grande incerteza e sua completa divergência de opinião sobre a questão é em si um bom argumento para a coisa a que se opõem. Dr. W. A. Jarrell, ao preparar seu manuscrito para seu livro Perpetuidade há alguns anos, escreveu algumas cartas a alguns oficiais e estudiosos de igrejas Católicas e Protestantes, perguntando: “quando, onde e por quem a primeira igreja Batista se originou?” As respostas recebidas mostraram desesperança, confusão e incerteza. Esses homens, sem querer aceitar que a primeira igreja que sempre existiu foi uma igreja Batista, foram muito pressionados a encontrar uma resposta e suas respostas falharam na concordância umas com as outras.

Permita-me ilustrar mais este ponto: tenho aqui em minha mesa dois livros escritos por homens que violentamente se opuseram à ideia da perpetuidade Batista. Datando a origem dos Batistas, um diz que os Batistas começaram na Alemanha em 1521 por Nicholas Stork. O outro diz que a primeira igreja Batista foi fundada em Amsterdã por John Smith, um inglês, em 1607. O fato é que os que negam que Jesus iniciou a primeira igreja Batista em Jerusalém simplesmente não conseguem apontar a data do início da primeira igreja Batista e o homem que a iniciou. Não conseguem nomear corretamente da data porque ela não existe! Não conseguem nomear o homem desse lado de Cristo, porque ele nunca viveu!

3. Note a confusão que prevalece entre os que afirmam que Jesus não encontrou a assembleia local, mas uma “Igreja invisível universal”. Por exemplo, Dr. C. I. Scofield em sua “Síntese da Verdade Bíblica”, diz que ecclesia é usada no Novo Testamento em quatro sentidos diferentes: “Para designar todo o corpo de redimidos durante a atual dispensação, designar uma igreja local, designar grupos de igrejas locais e designar a igreja visível ou corpo de crentes professos sem referência a localidade ou números”. A confusão aqui fica pior! Quem pode ler o Novo Testamento com mente não tendenciosa e ter a impressão que Jesus fundou vários tipos diferentes de igrejas? Esse ensinamento só surgiu como uma necessidade teórica. Mais, descobrimos que a Confissão de Westminster contém ainda outra concepção de igreja em que os que nunca se tornaram crentes são membros. Essa confissão diz que a igreja consiste “de todos aqueles em todo o mundo que professam a verdadeira religião, juntos com seus filhos”.

4. Há aqueles que prontamente admitem uma perpetuidade dos princípios Batistas, mas não querem admitir a perpetuidade das igrejas Batistas. Por exemplo, H. C. Vedder, em sua Breve História dos Batistas, dedica a maior parte da sua introdução em um argumento contra a perpetuidade dos Batistas, então, estranho dizer, começa sua história dos Batistas nos tempos do Novo Testamento. Ele não admite a continuidade das igrejas Batistas, mas dedica mais de duzentas páginas ao que chama de “História dos princípios Batistas”. Surge imediatamente essa questão: se os princípios Batistas tiveram existência contínua desde os tempos apostólicos, então certamente devem ter existido pessoas que defenderam tais princípios. Pois a perpetuidade dos princípios Batistas necessariamente envolve o fato que viviam indivíduos que os defendiam. Os indivíduos que defendiam princípios Batistas não eram Batistas? E as igrejas compostas de tais indivíduos não eram Igrejas Batistas individuais? Se não, estou bastante interessado em saber que tipo de igrejas elas eram. A posição de ter havido uma perpetuidade dos princípios Batistas, mas não de Batistas é ilógica e uma pessoa de mente reflexiva ficaria doente mantendo tal posição.

5. Ninguém pode negar que deve ter havido desde os dias dos apóstolos, empresas, congregações e seitas de Cristãos dissidentes das formas estabelecidas e comumente aceitas. Quando as igrejas que prevaleceram caíram em erros e abandonaram o ensino evangélico, os que continuaram piedosos se separaram da multidão e adoravam e serviam a Deus conforme seu entendimento das Escrituras. Essas pessoas, verdadeiras no ensino apostólico, constituindo no mais estrito sentido o que restava da verdadeira igreja de Cristo, foram amargamente perseguidas, chamadas de “heréticas”, e recebendo toda sorte de nomes odiosos. E porque usavam normalmente os nomes que lhes eram aplicados pelo ódio dos seus inimigos, os nomes variavam. Consequentemente seria tolo, pelo fato do nome Batista não poder ser rastreado sucessivamente até os tempos apostólicos, negar que as pessoas que defendem os princípios Batistas e, no sentido real, que os Batistas tenham existido.

6. “Muitas vezes são feitas objeções a rastrear os descendentes Batistas através das assim chamadas seitas” dissidentes que existiram desde os tempos do Novo Testamento, com base de que havia irregularidades entre eles quanto à doutrina e prática. Algumas das igrejas incluíam sob o mesmo nome as pessoas através das quais os Batistas acompanham sua perpetuidade, praticavam coisas fora de harmonia com as coisas que os Batistas praticam hoje. Portanto, é questionável que os Batistas errem ao afirmar parentesco com eles. Vamos pensar sobre essa objeção por alguns momentos. Deveria ser evidente para quem pensar sobre essas igrejas, absolutamente independente, reunidos de nenhuma forma orgânica fechada, conduzidas ao isolamento, divididas e separadas por perseguição, em qualquer probabilidade virem a diferir de certa forma em assuntos menores de doutrina e política. Mais, alguns poderiam até se afastar tanto do ensino das Escrituras que seriam indignas do nome nascido delas. Não há dúvida que isso aconteceu em muitos exemplos entre as pessoas por quem os Batistas delineiam descendência. Historiadores tendenciosos usam exemplos mais ou menos isolados e os magnificaram numa tentativa de mostrar que toda a “seita” não era Batista em suas doutrinas e práticas. Sob o mesmo princípio se questionaria que certas igrejas da era apostólica não seriam verdadeiras igrejas. Por exemplo, a igreja em Corinto era muito imperfeita. Existiam irregularidades e ninguém afirma que ela não era uma verdadeira igreja de Cristo. Poder-se-ia magnificar as irregularidades e variações que existem entre as igrejas Batistas do Norte e do Sul ou entre os Batistas do Sul e os do Canadá ou da Inglaterra e erroneamente concluir que eles não devam ser classificados como o mesmo povo. E de fato, há igrejas que se autodenominam Batistas que sem dúvida se afastaram das Escrituras e não são mais verdadeiras igrejas Batistas. É muito injusto, porém, julgar um povo como um todo pelas ações de algumas igrejas que passam longe da verdade. Avaliando-as adequadamente, devemos descobrir o que eles pensam na essência. Devemos nos certificar, quais eram os princípios que em geral os caracterizava.

Devemos nos lembrar que muito do que está registrado sobre aqueles que defenderam a visão Batista em épocas passadas veio das canetas de seus adversários. Os que escreveram sobre eles em geral odiavam esses “dissidentes” com ódio mortal e maligno e não tinham escrúpulo em persegui-los até a morte. O testemunho de tais testemunhas pode ser considerado como confiável? Muitas vezes encontramos historiadores, até alguns que se dizem Batistas querendo caracterizar os Batistas dos tempos passados conforme os registros de seus perseguidores, que se deliciavam com nada menos do que exagerar suas faltas. Estranho dizer, alguns historiadores parecem dar mais credenciais às afirmações de seus inimigos do que as contidas nos escritos existentes desses próprios Cristãos. Parece-me que as histórias de Newman e Veddre chegam a esse extremo mencionado. Comparei seus escritos sobre os vários corpos de Cristãos que estiveram em Roma nos primeiros tempos, com os escritos de outros historiadores Batistas. Não fui capaz de me manter neutro em sentimentos e senti que eles fizeram a esse povo uma profunda injustiça. Aqueles nobres homens e mulheres que mantiveram vivas as grandes doutrinas da fé do Novo Testamento através dos tempos sangrentos de perseguições, que mantiveram a religião evangélica em face à apostasia Romana, muitas vezes ao custo da própria vida, certamente aguentaram bastante durante suas vidas sem ter perpetuado contra sua memória, por historiadores tendenciosos, as calunias de seus inimigos.

7. Deve-se bem perguntar neste momento: quanto uma igreja pode se afastar da verdade e ainda ser uma igreja do Novo Testamento? Os que afirmam que Montanistas, Novatistas, Paulicianos, Waldenses, etc. eram muito heréticos para se parecerem com os Batistas, deveriam ponderar essa questão. Mesmo o Dr. A. H. Newman reconhece que as igrejas podem ter irregularidades e ainda serem igrejas do Novo Testamento, pois em sua história do “Antipedobatismo”, pág. 28, ele diz: “pode-se admitir que uma igreja possa cometer graves afastamentos em doutrina e prática do padrão apostólico, sem deixar de ser uma igreja de Cristo”. Se podemos determinar até onde uma igreja pode se afastar da verdade e ainda permanecer uma igreja do Novo Testamento, deveremos então estar preparados para examinar as crenças dos vários partidos e “seitas” dos tempos antigos para determinar se podemos rastrear com justiça os Batistas através deles.

Na questão sobre o que se constituia uma igreja do Novo Testamento, quero citar com aprovação as palavras do Dr. T. T. Martin, encontradas em seu esplêndido livro sobre a igreja do Novo Testamento. Ele diz: “Somente duas doutrinas são essenciais para uma igreja do Novo Testamento. Outras doutrinas são importantes, preciosas, mas só duas são essenciais a uma igreja do Novo Testamento. Elas são: o MODO DE SALVAÇÃO e o MODO DE BATISMO. A Comissão deixa isso claro. Mateus 28: 19-20: ‘Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os...’ (ACF). Um corpo de pessoas defendendo essas duas doutrinas e nessa ordem do Novo Testamento podem estar em erro em outras doutrinas e ainda ser uma igreja do Novo Testamento. Por exemplo: se houver no Ocidente uma igreja chamada de ‘Batista’ que defende a imersão para o batismo, mas não aceita o modo de salvação do Novo Testamento, então não é uma Igreja do Novo Testamento. Se houver uma igreja em New York ou na Inglaterra chamada de ‘Batista’ que defende o modo de salvação do Novo Testamento, mas não defende a imersão no batismo, então não é uma igreja do Novo Testamento. Se há uma igreja chamada ‘Batista’ que defende o modo de batismo do Novo Testamento, mas a pessoa pode ser batizada antes de ser salva, então não é igreja do Novo Testamento”.

Tem havido igrejas Batistas em tempos recentes que praticavam o lava pés. Outras tiveram visões erradas em relação ao Sabat. Em nossos dias conheci igrejas Batistas no Norte com uma mulher como pastora e conheci igrejas que adotam vários planos não escriturais para realizar seu trabalho. Mas nenhuma dessas coisas lhes permitiu deixar de ser igreja do Novo Testamento. Assim como um Cristão pode ser desobediente e ainda permanecer Cristão, assim uma igreja pode ser desobediente e ainda permanecer igreja do Novo Testamento, embora conscientemente e indignamente. Pois, repitamos, segundo os termos da Comissão, duas doutrinas e somente duas são essenciais a uma igreja do Novo Testamento: O MODO DE SALVAÇÃO E O MODO DE BATISMO.

“Esta igreja não foi engolida pela Igreja Católica e não deixou de existir nas Eras Negras como professos Protestantes, mas de fato têm uma linha contínua de igrejas em todos esses séculos, sob vários nomes, mas mantendo os mesmos princípios que a igreja fundada por Cristo e que as verdadeiras igrejas Batistas mantém hoje. Não houve igrejas Protestantes reais até o século dezesseis. Quem forneceu os milhões de mártires, quem foi cruelmente posto à morte pela Igreja Católica? Só há uma resposta: eles eram Batistas”.


J. T. Moore, em “Por Que Sou um Batista”.

 


IX. Os Batistas Sob Outros Nomes

Tocamos no fato que desde o tempo em que a corrupção começou a ganhar ascendência e a ordem de Deus começou a ser pervertida e mudada, tem havido dissidentes, os que protestaram contra o mal e a corrupção e se uniram para viver e agir conforme os ensinamentos das Escrituras. Os que mantiveram a forma, doutrina e ensinamentos do Novo Testamento eram tidos pelas igrejas corruptas como “seitas” e eram denunciados como “heréticos”. Todos os historiadores admitem que essas “seitas” ou “heréticos” existiram em todas as épocas.

Nessas igrejas, que se mantiveram no ensino do Novo Testamento contra a corrupção, houve líderes e homens ilustres que se tornaram extremamente bem conhecidos e bem odiados porque ousaram enfrentar a causa da verdade contra a apostasia. Em muitos exemplos, um grande número daqueles que mantiveram a verdadeira fé se aplicou a eles o nome do seu líder. Quando um novo nome passava a ser aplicado aos que defendiam as crenças Batistas, os historiadores escrevem como se uma nova seita fosse inaugurada. Na verdade era apenas um nome que inaugurava um grito dos inimigos. Um novo nome se aplicava ao mesmo povo, mantendo as mesmas crenças peculiares e de forma alguma mudando-as.

Agora, antes de eu começar a sugerir alguns dos povos dos tempos antigos através de quem os Batistas podem adequadamente afirmar sua continuidade histórica, permita-me enfatizar dois pontos que peço ao leitor manter em mente em toda a leitura de todo o capítulo. Primeiro, o que estou procurando estabelecer é que sempre houve, desde os tempos de Cristo, grupos de indivíduos que mantiveram os pontos essenciais da fé do Novo Testamento e que se mantinham reunidos em igrejas essencialmente Batistas em fé e prática. Segundo, só duas doutrinas são essenciais a uma igreja do Novo Testamento: o modo de salvação e o modo do batismo. Se um grupo de igrejas são impactantes nesses dois pontos cardeais elas podem ser corretamente chamadas de igrejas Batistas. Não há dúvida que, devido às circunstâncias que prevaleciam e onde poderíamos lucrativamente nos demorar se o espaço permitisse, algumas das “seitas” tinham irregularidades entre eles. Algumas das pessoas que mencionarei tinham ideias erradas e faziam concessões em algumas extravagâncias. Porém, se eu puder mostrar que eles mantinham puras as duas doutrinas cardinais mencionadas como essenciais a uma igreja Batista, eu terei provado minha afirmação que eles eram Batistas. É defendido contras alguns dos “dissidentes”, por exemplo, que eles tinham ideias extravagantes sobre a Segunda Vinda de Cristo. Isso não os desqualifica de serem Batistas. Assim foram os Tessalonicenses que tinham essas visões erradas e Paulo teve que escrever II Tessalonicenses, para corrigi-los.

Assim alguns Batistas de hoje que vão ao extremo de realizar programas e eventos ligados ao retorno de Cristo.

Mas prossigamos com notas bem breves sobre algumas “seitas” que mantinham separação do movimento que veio a ser conhecido como Catolicismo. Podemos começar bem com os Montanistas.

1. MONTANISTAS. Sei bem que alguns historiadores Batistas levantam suas mãos com horror ao pensamento de que os Batistas afirmam semelhança com os Montanistas (cf. Newman e Vedder). Com antipatia preconcebida sobre a ideia da continuidade Batista, eles procuram desenhar um quadro obscuro das antigas “seitas”, como as chamam, quando possível. De muitos historiadores recebi informações sobre os Montanistas. Minha conclusão é que suas irregularidades foram muito exageradas. Em algumas das igrejas houve irregularidades, sem dúvida, mas estou convencido que no todo, eles foram um povo grande e bom, defendendo as doutrinas essenciais a uma igreja Batista. Vamos rever as afirmações dos historiadores sobre eles:

Vedder diz (Breve História dos Batistas, págs. 58, 62): “eles claramente apreenderam a verdade que uma igreja de Cristo deve consistir só de regenerados, claro, os Montanistas imersos, e nenhum outro batismo até onde sabemos, era praticado por ninguém no século dois. Não há evidência que batizavam crianças e seu princípio de uma membrania de igreja regenerada naturalmente requeria somente o batismo de crentes”.

Deveríamos nos envergonhar por afirmar semelhanças com essas igrejas, compostas de pessoa regeneradas, devidamente imersas sob profissão de fé em Cristo?

Mas leiamos mais sobre os testemunhos de historiadores.

O “Montanismo” era um protesto contra a corrupção, um viver de pecado e uma disciplina frouxa. A substância da luta dessas igrejas era por uma vida no espírito. Não era uma nova forma de Cristianismo. Era uma recuperação da antiga e primitiva igreja estabelecida contra a corrupção óbvia do Cristianismo de então. A antiga igreja demandava pureza. A nova igreja tinha lutado por uma barganha com o mundo e se acomodou confortavelmente com ele e eles, portanto os quebraram”. (Moeler, Montanismo, na Enciclopédia Schaff-Herzog).

“Como não havia naquele tempo qualquer afastamento da fé em ação, o sujeito do batismo, governo da igreja ou doutrina, os Montanistas, nesses pontos, eram batistas” (Jarrel, Perpetuidade, p. 69).

O “Montanismo” continuou por séculos e finalmente se tornou conhecido por outros nomes (Eusebius, História da Igreja, p. 229, nota de Dr. McGiffert).

“A seriedade de sua doutrina ganhou neles a estima e confiança de muitos que estavam longe de aceitar uma ordem inferior”. (Mosheim, História Eclesiástica, vol. 1-p. 233).

“O Montanismo é mais bem conhecido como uma reação contra uma condição da igreja e da vida Cristã, que parecia aos Montanistas ter sido jogada muito baixo e também ter decaído com a autoridade do Estado”. (História, de Armitage, p. 175).

“Os Montanistas afirmavam que nas igrejas deveriam estar confinadas pessoas puramente regeneradas e que a vida espiritual e a disciplina deveriam ser mantidas sem qualquer afiliação com a autoridade do Estado”. (História, de Armitage, p. 175).

“Montanus foi acusado de supor ser o próprio Espírito Santo, o que seria simplesmente uma calunia” (História, de Armitage, p. 175).

“A história ainda não livrou os Montanistas da distorção e tendenciosidade que por muito tempo os considerou inimigos de Cristo, enquanto, de fato, eles honestamente, mas em alguns casos erroneamente, trabalharam para restaurar a semelhança com Cristo das igrejas que tanto se afastaram Dele”. (História, de Armitage, p. 176).

2. OS NOVATIANOS. Eles foram chamados assim por causa do líder do movimento puritano, que se chamava Novatio. Ele era um membro da igreja de Roma plantada por Paulo, mas que se tornou tão corrupta que a separação foi necessária para preservar a fé. Dos Novatianos, Dr. J. B. Moody diz: “eles nem começaram nem propagaram uma seita. Outros seguiram seu exemplo ao se separarem das igrejas corruptas e assim seguiram o comando divino e assim seu caminhar foi ordenado. Os desordeiros constituíam a apostasia”.

Robinson diz (Pesquisas Eclesiásticas, p. 126): “uma maré de imoralidade permeou a igreja, os Novatianos desistiram e muitos com eles. Grande número seguiu seu exemplo e em todo o Império igrejas puritanas foram constituídas e floresceram nos duzentos anos seguintes. Após, quando as leis penais os obrigaram a se esconder pelas esquinas e adorar a Deus em segredo, eles passaram a ser chamados por vários nomes, e uma sucessão deles continuaram até a reforma”. Vedder diz: (Breve História, p. 64): “os Novatianos foram os primeiros Anabatistas. Recusando-se a reconhecer como válido o ministério e o sacramento dos seus oponentes e afirmando serem a verdadeira igreja, eles foram logicamente compelidos a rebatizar todos que vieram a eles. O grupo ganhou grande força na Ásia Menor, onde muitos Montanistas se juntaram a eles”.

O Dr. J. T. Christian, em sua recente História Batista, mostra que os Novatianos mantiveram a independência das igrejas e reconheceram a igualdade de todos os pastores em relação à dignidade e autoridade.

O Dr. J. B. Moody, após estudar os Novatianos à luz de uma dúzia ou mais de historiadores, diz sobre Novatio: “Ele lutou para que a salvação fosse do Senhor, pela Graça através da fé”.

Sem multiplicar as citações, descobrimos que os Novatianos eram Anabatistas, defendendo a visão escritural do modo da salvação, pureza na vida e pureza escritural em relação à sua concepção do ministério e governo da igreja. Não vejo razão por que os Batistas não devem rastrear a continuidade de sua existência através deles.

3. OS DONATISTAS.  O Dr. J. B. Moody, que leu amplamente sobre os assuntos pertinentes à história da igreja, diz, em relação aos Donatistas: “aqueles que lutaram bravamente pelo padrão original eram chamados em alguns países Novatianos e em outros, Donatistas. Esses homens não originaram seitas, mas se separaram da crescente apostasia e perpetuaram as verdadeiras igrejas”.

No caso dos Donatistas, a separação da corrupção ocorreu no ano 311 A.D.

O historiador francês Crespin nos dá sua visão: “Primeiro pela pureza dos membros da igreja, afirmando que ninguém deveria ser admitido na igreja se não como verdadeiros crentes e verdadeiros santos. Segundo, pela pureza da disciplina da igreja. Terceiro, pela independência de cada igreja. Quarto, eles batizaram novamente aqueles cujo primeiro batismo tinha razão para duvidar. Eles foram consequentemente rebatizadores ou Anabatistas”.

Dai parecer que eles mantinham as doutrinas essenciais a uma igreja Batista. Curtis diz (Progresso dos Princípios Batistas, p. 21): “os Donatistas parecem ter formado o germe dos Waldenses”.

Benedict diz (História da Igreja, p. 4): “Após os Donatistas surgirem, eles (os Montanistas) eram com frequência chamados por esse nome”.

Jones diz (História da Igreja Cristã): Dificilmente havia uma cidade ou povoado na África onde não houvesse uma igreja Donatista.

4. OS PAULICIANOS. O Dr. J. T. Christian diz, em sua História Batista, págs. 76 e 77: “as igrejas Paulicianas eram de origem apostólica e foram plantadas na Armênia no século um”.

Um livro antigo sobre os Paulicianos chamado A Chave da Verdade foi descoberto há alguns anos pelo Dr. Coneybeare de Oxford. Nesse livro, os Paulicianos afirmam sua própria origem apostólica. O Dr. Coneybeare, que traduziu A Chave da Verdade e que provavelmente é a maior autoridade sobre os Paulicianos, nos diz que os Paulicianos e Bogomilos foram perseguidos, mas persistiram aqui e ali em muitos lugares escondidos até a Reforma, quando reapareceram sob a forma de Anabatismo”.

Mosheim diz: “eles batizaram e rebatizaram por imersão. Eles foram tomados como Anabatistas inferiores”.

Dr. Christian diz: “as visões Batistas prevaleceram entre os Paulicianos. Eles afirmavam que os homens devem se arrepender e acreditar e então na idade madura solicitar o batismo, que somente ele os admitiria na igreja”.

Abney diz (Igrejas Gregas e Orientais, p. 217): “é bastante argumentável que eles (Paulicianos) deveriam ser vistos como representantes da sobrevivência de um tipo mais primitivo do Cristianismo”.

Das referências acima se pode ver que os Paulicianos reivindicaram a origem apostólica, mantiveram as doutrinas batistas e persistiram até ser absorvidos pelo movimento Anabatista.

5. OS ALBIGENSES. Muitos historiadores como Mosheim, Gibbon, Muratori, Coneybeare e outros vêem os Paulicianos como os antecessores dos Albigenses e de fato as mesmas pessoas se salvam só pelo nome. Dr. Christian afirma em sua história, antes mencionada, que autores recentes afirmam que os Albigenses estiveram nos vales da França desde os primeiros tempos do Cristianismo. Por causa da perseguição raramente deixaram traços de seus escritos, de modo que nosso conhecimento sobre eles não é completo como desejaríamos. Jones, na História já mencionada diz que eles mantinham as duas doutrinas necessárias às igrejas do Novo Testamento. Também nos diz que eles rejeitavam o batismo infantil.

Outras “seitas” que mantinham em comum as doutrinas do Novo Testamento, mas eram chamados por nomes como Petrobrussianos, Henricanos, Arnoldistas existiram, mas o espaço não me permite um relato detalhado sobre eles. Deles, o Dr. A. H. Newman diz (Pesquisas Recentes Sobre Seitas Medievais, p. 187): “há muita evidência sobre a persistência no norte da Itália e sul da França, desde tempos antigos, de tipos evangélicos de Cristianismo”.

6. OS WALDENSES. A ligação próxima dos Waldenses com os povos aqui mencionados reconhecida pelos historiadores. Jones diz (História, vol. 2, p. 4): “quando os papas emitiam suas fulminações contra eles (os Albigenses) expressamente condenaram-nos como Waldenses”.

Alguns tentaram atribuir o início dos Waldenses a Pedro Waldo e fazê-lo fundador, mas sem sucesso. Pedro Waldo não começou os Waldenses, nem foram chamados depois dele, pois ele e os Waldenses têm seus nomes na mesma origem. Sobre esse ponto Jones diz (História, vol. 2): “as palavras simplesmente significam vales’, habitantes e não mais”. Pedro Waldo era assim chamado porque era um ‘homem do vale’. E era apenas um líder de um povo que existia há muito tempo. Os Waldenses defendiam a opinião que eram de origem antiga e verdadeiramente apostólica. Em relação a algum modo histórico de lidar com eles, Jones observa: “o caráter muito genérico dos Waldenses é negligenciado por muitos escritores respeitando a comunidade tão espalhada a que se aplicava. Eles se espalharam por toda a Europa por vários séculos. Qualquer que fosse o nome local que portassem, os Católicos os chamavam todos eles de Vudois ou Waldenses”.

Sobre sua origem, Vedder diz (História Breve, p. 122): “os Waldenses, em sua história antiga, parecem ter sido pouco mais que Petrobrussianos sob um nome diferente. As doutrinas dos Waldenses antigos são substancialmente idênticas às dos Petrobrussianos, com os perseguidores de ambos como testemunhas”.

Alguns tentaram fazer parecer que os Waldenses praticavam o batismo infantil. Claro, como indiquei de modo precioso, um povo tão espalhado, com igrejas em tantos locais, pode ser que em algumas delas houvesse práticas heréticas. Mas meu estudo sobre os Waldenses, a partir de muitas fontes levaram-me a concluir que acusar os Waldenses genericamente como tendo praticado batismo infantil, é um erro básico. Concordo com Dr. Christian quando diz: “não há relato de que os próprios Waldenses nunca teriam praticado batismo infantil”.

Das doutrinas defendidas pelos Waldenses, Vedder tem isso a dizer (História Breve, págs. 123, 124): “os escritores romanos antes de 1350 atribuiram os seguintes erros aos Waldenses: 1) eles afirmaram que as doutrinas de Cristo e dos apóstolos, sem os decretos da igreja, eram suficientes para a salvação. 2) eles diziam que o batismo não salvava criancinhas porque elas nunca estarão aptas realmente a crer. 3) eles afirmam que somente eles são a igreja de Cristo e os discípulos de Cristo. Eles são os sucessores dos apóstolos”.

Vedder também continua dando uma lista de outras crenças mantidas por eles e parecidas com as defendidas pelos Batistas de hoje. Então acrescenta: “também encontramos atribuídos a eles certos dogmas que depois foram característicos dos Anabatistas. Mantendo essa visão, eles eram os ancestrais espirituais das igrejas Anabatistas”.

O historiador Keller tem isso a dizer: “muitos Waldenses consideravam, como sabemos com precisão, por batismo na fé (profissão de fé) ser em conformidade com as palavras e exemplo de Cristo”.

Ninguém pode fazer um estudo dos Waldenses e deixar de ver rapidamente que eles mantêm as duas doutrinas essenciais a uma igreja Batista. Eram um grande e nobre povo que mantinha a verdadeira fé em face de uma perseguição amarga e quase contínua. Os Batistas não precisam sentir vergonha de parecer com eles.

7. OS ANABATISTAS. Há muita evidência que os Walsenses vieram a ser conhecidos mais tarde como Anabatistas. A Reforma deu oportunidade para as várias “seitas” de esconder o que hoje em dia identificamos como Batistas para vir e se declararem. Essas odiadas assim chamadas “seitas” vieram a ser conhecidas pelo nome geral de “Anabatistas”. Dr. Vedder diz: “é curioso e instrutivo o fato que as igrejas Anabatistas do período da Reforma eram muito numerosas precisamente onde os Waldenses de um século ou dois antes floresceram. Houve uma íntima relação entre os dois movimentos, de pouca dúvida para quem estudou esse período e sua literatura. A tocha da verdade foi carregada de geração a geração”.

Da mesma forma, Dr. Christian diz: “nesses locais onde os Waldenses floresceram, ali os Batistas plantaram profundas raízes. Muitos pregadores capazes dos Waldenses se tornaram amplamente conhecidos como ministros Batistas. Muitos detalhes marcaram os Waldenses e os Batistas como da mesma origem”. Novamente, ele diz, com referência aos Waldenses e Paulicianos: “em meu julgamento ambos os grupos eram Batistas”.

Se perguntarmos a opinião dos hostis, encontramos Baronius, o ilustre historiador Católico, dizendo (Batismo de Danver, p. 253): “os Waldenses eram Anabatistas”.

Novamente, Vedder, que, lembremos, é hostil à ideia da perpetuidade Batista, tem isso a dizer (Breve História, p. 130): “essas igrejas Anabatistas não foram gradualmente desenvolvidas, mas parecem totalmente formadas a partir da primeira. Completa em política, impactante em doutrina, estrita em disciplina. Será impossível relatar esses fenômenos sem supor uma causa de longa existência. Embora os Anabatistas apareçam de repente nos registros de tempo como contemporâneos à Reforma Zwingliana, suas raízes devem ser buscadas em história bem anterior”. Depois, ele diz nas págs. 136 e 143: “os Anabatistas, como os Batistas de hoje, questionavam que não há comando ou exemplo de batismo infantil no Novo Testamento e que a instrução e crença são reunidas antes do batismo. Os ensinos dos Anabatistas suíços são perfeitamente conhecidos para nós a partir de três fontes independentes e mutuamente confirmatórias: o testemunho de seus oponentes, os fragmentos de seus escritos que permanecem e sua Confissão de Fé. Essa última é o primeiro documento desse tipo conhecido como existindo. Foi emitido em 1527. Ensina o batismo somente de crentes, o partir do pão só pelos que foram batizados e inculca uma disciplina pura. A Confissão corresponde às crenças  defendidas pelas igrejas batistas de hoje. É significativo que o que é apropriadamente chamado de ‘comunhão fechada’ é encontrado como os ensinamentos dos documentos Batistas existentes mais antigos”.

Fecho minha discussão sobre os Anabatistas com uma citação do Dr. W. D. Nowlin (Fundamentos da Fé):

Sobre a origem dos Anabatistas, os historiadores da igreja diferem, mas é provável que em muitos exemplos, eles foram o reavivamento dos remanescentes de seitas antigas ou no mínimo de seus sentimentos, que ainda permeavam muitas localidades. Sem dúvida foi a vida acelerada e o pensamento da Reforma que os levou de volta aos noticiários e resultou em vasto aumento de seu número. Os Anabatistas defendiam a completa separação da igreja e o Estado, a liberdade da consciência individual e a Bíblia como a única regra de fé e prática. Eles se opunham ao batismo infantil. Só admitiam pessoas regeneradas ao batismo e à membrania da igreja. E praticavam a imersão só para o batismo. Como resultado, foram amargamente perseguidos e considerados fora da lei. No entanto eles aumentaram grandemente em número e se estenderam por grande parte da Europa. Os Batistas dos últimos três séculos são os descendentes diretos dos verdadeiros Anabatistas do período da Reforma. Talvez possamos dizer mais corretamente que os Batistas de então eram chamados de Anabatistas. Assim encontramos Mosheim, cuja autoridade é grande como historiador da igreja, dizendo: “a verdadeira origem dessa seita que adquiriu o nome de Anabatista está escondida nas profundidades remotas da antiguidade e é consequentemente muito difícil se ter certeza”.

Tenho lidado com as assim chamadas “seitas mais comumente estudadas por historiadores da igreja e mostrei que eles defendiam visões de modo essencialmente Batista”. Também indiquei por citação histórica a ligação que as pessoas tinham umas com as outras. Porém, há vários corpos do Cristianismo através de quem poderíamos traçar a continuidade da vida Batista organizada se o espaço fosse disponível. Tomarei tempo para indicar rapidamente esses corpos Cristãos através de quem os Batistas se ligam aos tempos apostólicos.

Há, por exemplo, os BATISTAS WELCH (gaulês), que fazem afirmações bem autênticas de origem apostólica. Não posso fazer melhor do que estabelecer os fatos a respeito deles, nas palavras de um artigo no “Religious Herald” de alguns anos atrás: “Os Batistas Welch afirmam sua origem diretamente dos apóstolos e sua afirmação nunca foi controvertida com sucesso. Eles mantêm que a luz do puro Cristianismo tem sido preservada entre seu povo durante as ‘Eras Obscuras’. Eles eram um povo pastoral, habitando em seus lares nas montanhas. Estavam sujeitos a quase constantes perseguições e, portanto procuravam se esconder em seus recessos montanhosos que foram tão adequadamente chamados de ‘Piemonte da Bretanha’. E o fato de sua antiga existência é colocado além de imaginação ou dúvida. Eles atraíram a atenção da Igreja Romana e logo no ano 597, um monge os visitou, chamado Austin e procurou conduzi-los à sua visão”.

O Dr. J. T. Christian, em sua recente História Batista, apresenta uma abundância de evidência histórica que prova que os Batistas Welch têm origem apostólica. Vale a pena ler sobre isso.

Benedict, em sua História dos Batistas (p. 343 e seg.) mostra mais convincentemente que os Batistas Welch são de origem antiga. Segundo ele, eram anciãos em Gales em 597. Ele mostra que naquela data eles tinham um colégio e no mínimo uma associação de igrejas.

Além disso, a história dos BATISTAS DA IRLANDA é uma leitura muito interessante em relação com o pensamento da perpetuidade Batista. Os Batistas tinham igrejas na Irlanda num tempo não muito remoto desde os dias de Paulo. Patrick, o grande pregador irlandês nasceu por volta de 360, mas segundo historiadores, o Cristianismo na Irlanda era anterior à chegada de Patrick por longo período.

Sobre Patrick, Dr. Vedder escreve assim: “o roubo mais audacioso de Roma foi quando ela prendeu corporalmente Pedro e o tornou o chefe e fundador substituto do seu sistema. Mas em seguida a esse ato impactante está sua afronta quando ela ‘anexou’ o grande missionário pregador da Irlanda e o listou entre seus ‘santos’. A partir dos escritos de Patrick aprendemos que seus ensinamentos e práticas eram, em muitos detalhes, no mínimo evangélicos. O testemunho é amplo que ele batizava crentes. Não há menção de crianças. O batismo de Patrick era o dos tempos apostólicos: imersão”.

Das igrejas da Irlanda, Vedder também diz: “a teologia dessas igrejas até o século nove continuou a ser notavelmente impactante e escritural”.

Eu poderia continuar a citar referências históricas para mostrar que esses Batistas da Irlanda enviaram missionários ao norte da França e ao sul da Alemanha e dessa forma estão relacionados com os “Batistas sob outros nomes” que já mencionei.

Certamente apresentei ampla evidência para provar minha afirmação que desde os dias de Cristo sempre tem havido igrejas existentes mantendo as duas doutrinas essenciais a uma igreja do Novo Testamento. Fui capaz de dar somente um retalho da evidência histórica sob meu comando. Quanto mais se estuda sobre essa questão, mas dogmáticos somos forçados a nos voltar à crença que a história justifica na afirmação Batista da continuidade da vida da igreja Batista em todas as épocas. A história de fato justifica a promessa do Mestre de que os portões do inferno não prevalecerão contra Sua igreja!

“Nenhuma igreja ou denominação que começou desse lado do ministério pessoal de Cristo tem qualquer direito Bíblico para afirmar ser uma igreja de Cristo. Portanto, a promessa de Cristo para a igreja que Ele construiu não foi se voltar ao Catolicismo, nem às várias seitas do Protestantismo que se originou dali e desde os dias da Reforma de Lutero, mas foi para aquela igreja que nenhum historiador, amigo ou inimigo, nunca foi capaz de encontrar sua origem desse lado do ministério pessoal de Cristo, isto é, a igreja Batista. Agora não há teoria, mas o fato que é crido e ensinado por todos os leais e informados Batistas de todo o mundo”.

J. T. Moore, em “Por Que Sou um Batista”.


X. Afirmações dos Historiadores

Vimos, no ultimo capítulo que desde os dias de Cristo e dos apóstolos existiram igrejas que defenderam o modo de salvação e do batismo do Novo Testamento. Essas igrejas eu mostrei serem, nos pontos essenciais, igrejas Batistas. Eu desejo para nós, agora, passar alguns momentos considerando as afirmações de historiadores de diferentes denominações sobre a origem e perpetuidade dos Batistas. Algumas dessas afirmações foram muito usadas e muitas vezes citadas. Isso, no entanto, de forma alguma afetou sua verdade. De fato, elas portariam peso ainda maior se passarem no teste do tempo e da crítica.

Às vezes é feita uma acusação de que até historiadores Batistas não acreditam na continuidade Batista. Como resposta, pode-se dizer que alguns historiadores Batistas não acreditam. Algumas afirmações são muito “amplas” para arriscarem a acusação de estreiteza que poderia se voltar contra eles se eles afirmarem perpetuidade. Alguns têm tendências Pedobatistas e até modernistas e defendem a teoria da Igreja “invisível”. Mas pode-se dizer verdadeiramente que a maioria dos historiadores Batistas são crentes firmes na continuidade Batista. E é interessante notar que os que procuram desacreditar têm o cuidado de não afirmar que a continuidade Batista não pode ser rastreada. Por exemplo: o Dr. Vedder diz: “não se pode afirmar que não houve uma continuidade na vida visível e externa da igreja fundada pelos apóstolos antes da Reforma. Afirmar essa negativa seria tolo e isso não poderia ser provado” (Breve História, p. 9). No entanto, Vedder assume a posição de que foi para a Igreja “invisível” que Cristo prometeu perpetuidade. Ele evidentemente espera que o leitor aceite isso meramente pela autoridade de sua palavra, sem prova bíblica ou outra qualquer. Ele não oferece prova porque nenhuma prova pode ser oferecida. Como já mostrei, não há essa Igreja “invisível”. Tem havido uma continuidade de igrejas visíveis ou então a promessa de Cristo teria falhado.

O historiador Batista A. H. Newman não afirma a crença na continuidade Batista, mas também é bastante cuidadoso para não afirmar que tal continuidade não possa ser rastreada. De fato, ele vai além admitindo que nem tudo cai na apostasia, pois diz (História do Antipedobatismo, p. 28): “houve multidões de verdadeiros crentes que de forma alguma podem ser duvidados”. Eu mostrei que essas “multidões” eram Batistas, reunidos nas igrejas do Novo Testamento!

O historiador Batista McGlothin, como Vedder e Newman, não se aventuram em afirmar que não tenha havido uma continuidade de igrejas Batistas. Sua afirmação (Guia, p. 20) diz: “os Anabatistas podem ter tido alguma ligação com seitas mais antigas”.

Entre os historiadores Batistas mais conhecidos do passado que acreditavam na perpetuidade Batista podem ser mencionados Robinson, Crospor, Irving, Orchard, Jones, Backus, Benedict e Cramp. Desses historiadores, Dr. Armitage diz: “na essência, seus fatos e achados principais não provados como inválidos e ninguém tentou mostrar que suas conclusões não seriam sustentáveis. Suas posições históricas são bastante iguais às dos historiadores das outras igrejas (História, de Armitage, p.11)”.

Quero que consideremos algumas afirmações dos próprios Batistas notáveis a respeito de sua origem e continuidade, após o que consideraremos o que os historiadores de outra fé têm a dizer sobre eles.

O historiador Batista, visto por muitos líderes Batistas como um de seus maiores historiadores, é John T. Christian. A Nova História Batista de Dr. Christian (Diretoria do Seminário Batista do Sul, 1922) apresenta prova inquestionável da continuidade dos batistas. Eu cito, do prefácio da sua grande obra essa afirmação de impacto: “não posso questionar, de minha mente que tem havido uma histórica sucessão de Batistas desde os dias de Cristo até o momento presente”.

Dr. Geo. Lorimer (Os Batistas na História, p. 49): “Normalmente se concebe que os Batistas sejam provavelmente os mais antigos e isso fica cada vez mais certo com o progresso da investigação dos estudiosos”.

Dr. J. B. Moody (Minha Igreja): “a perpetuidade da igreja é escritural, racional, crível, histórica e conclusiva”.

Dr. J. L. Smith (Lei Batista da Continuidade): “apresentamos o testemunho de mais de quarenta dos melhores historiadores do mundo, nenhum deles Batista, que expressam e claramente indicam o movimento desses povos Batistas ao longo dos séculos até os dias apostólicos”.

Dr. J. W. Porter, notável autor e editor diz: “se os Batistas não têm perpetuidade, então a profecia e a promessa de Cristo falharam. Isso é impensável”.

H. B. Taylor (Resumos Bíblicos): “as igrejas Batistas são as únicas instituições divinas nessa terra. Sem elas, Mateus 16:18 teria falhado em seu cumprimento”.

Dr. T. T. Eaton: “os que se opõem à sucessão Batista não têm base lógica para se manter organizando uma igreja fora do material fornecido por outras igrejas e com os batizados por ministros regularmente ordenados”.

Dr. R. B. Cook (História dos Batistas): “os Batistas são capazes de traçar seus princípios distintivos até a era apostólica. Quando, a partir da união da igreja e do Estado o Cristianismo se tornou em geral corrupto, eles ainda permaneceram em locais obscuros, igrejas e seitas que mantiveram as puras doutrinas e ordenanças de Cristo e então é certo que essas igrejas e seitas defenderam substancialmente os mesmos princípios que agora são mantidos como visões distintivas dos Batistas”.

Dr. D. B. Ray (Sucessão Batista, p. 10): “os Batistas negaram em uma só voz qualquer ligação com a apostasia romana e afirmaram sua origem como uma igreja de Jesus Cristo e os apóstolos”.

Dr. D. C. Haynes (A Denominação Batista, p. 21): “a igreja Batista é a igreja primitiva. Nunca houve um tempo em que não existiu”.

Dr. Geo. W. McDaniel (Igrejas do Novo Testamento): “não há personalidade deste lado de Jesus Cristo que seja uma explicação satisfatória de sua origem”.

Eu poderia continuar quase indefinidamente com citações de Batistas notáveis, mostrando grandes representantes dessa fé que, após investigação e pensamento, se mantiveram crentes firmes na perpetuidade das igrejas Batistas. Alguns deles escreveram livros que oferecem prova conclusiva desse ponto. Menciono a Sucessão Batista do Dr. D. B. Ray. A Perpetuidade da Igreja Batista, do Dr. W. A. Jarrell. O Débito do Mundo aos Batistas, pelo Dr. J. B. Porter. Os Fundamentos da Fé, pelo Dr. W. D. Nowlin. A Igreja do Novo Testamento, por T. T. Martin. Minha Igreja, de J. B. Moody, como exemplos. Aos livros citados devem ser acrescentadas muitas obras históricas de homens cujos nomes eu ainda não mencionei.

Muito se deve às crenças dos Batistas em relação à continuidade de suas próprias igrejas. Vejamos agora o que os historiadores e grandes homens de outra fé têm a dizer sobre a origem e perpetuidade Batista. Começo com aqueles que foram os inimigos e perseguidores mais amargos, como o Cardeal Hosius, presidente do Concílio de Trento. Ele diz: “se a verdade da religião deve ser julgada pela prontidão e firmeza mostrada por um homem de qualquer seita no sofrimento, então a opinião e persuasão de nenhuma seita pode ser mais verdadeira e certeira do que a dos Anabatistas, já que não houve ninguém, nesses doze séculos passados que foram mais punidos ou que tenham sido mais cuidadosos e firmemente empreendedores e até tenham oferecido a si mesmos à mais cruel punição do que esse povo”. (Citado em História dos Cristãos).

O Cardeal Hosius escreveu, em 1554 A.D.. Ele data a história dos Batistas até doze séculos antes. Essa é uma importante concessão. Datando-os até 354 A.D., no passado temos pouco problema seguindo-os no resto do caminho.

Zwingli, o reformador suíço, cooperador com Lutero e Calvino na Reforma de 1525 e feroz inimigo dos batistas diz: “a instituição dos Anabatistas não oferece novidade, mas por treze séculos causou grande problema à Igreja”.

Isso admite a existência dos Batistas desde o ano 225 A.D.

Mosheim, historiador Luterano de grande notabilidade, diz: “antes do aparecimento de Lutero e Calvino, havia em segredo, em quase todos os países da Europa, pessoas que aderiram tenazmente aos princípios da moderna igreja Batista Holandesa”. (Instituto de História Eclesiástica).

Robert Barclay, Quaker diz: “há também razões para crer que no continente Europeu pequenas sociedades secretas Cristãs, que mantiveram muitas das opiniões dos Anabatistas, existiram desde os tempos dos apóstolos”. (Vida interior das Sociedades da Commonwealth, págs. 11-12).

John Clark Ridpath, Metodista, autor da obra monumental História do Mundo de Ridpath, numa carta ao Dr. W. A. Jarrell (Perpetuidade da Igreja Batista, p. 59) diz: “Eu não poderia prontamente admitir que houve uma igreja Batista já no ano 100 A.D., embora sem dúvida houve então Batistas, como todos os Cristãos eram, então Batistas”.

Alexander Campbell, fundador dos Campbelitas ou igreja “Cristã” diz: “desde a era apostólica até o tempo presente, os sentimentos dos Batistas tiveram uma contínua rede de advogados e monumentos públicos de sua existência em cada século podem ser produzidos”. (McCalla-Campbell, Debate sobre o Batismo, págs. 378, 379).

Sir Isaac Newton, ilustre filósofo inglês, estudante das Escrituras e da história, diz: “os modernos batistas, antes chamados de Anabatistas, são o único povo que nunca cedeu ao papado”. (Citado em Lei Batista da Continuidade, p. 39).

Enciclopédia de Edinburg: “já deve ter ocorrido aos nossos leitores que os Batistas são a mesma seita de Cristãos que foram formalmente descrita sob a denominação de Anabatistas. De fato, isso parece ter sido seu principal princípio desde o tempo de Tertuliano até o momento atual”. (Da obra Igreja do Novo Testamento, p. 22).

Tertuliano foi um Montanista. Ele nasceu cinquenta anos após a morte de João, o apóstolo.

Cito, em seguida, da obra “Atravessando os Séculos, de W. C. King, tendo como associados doadores, alguns dos grandes homens da América, como o antigo Presidente Roosevelt, Presidente Wilson, David Starr Jordan, Lyman Abbott e vários presidentes e professores de universidades líderes. Sobre os Batistas ele tem isso a dizer: “Sobre os Batistas pode ser dito que eles não são reformadores. Esse povo, compreendendo corpos de crentes Cristãos, conhecidos sob vários nomes em diferentes países, são inteiramente diferentes e independentes das igrejas romana e grega, tendo uma continuidade jamais quebrada desde os dias apostólicos ao longo dos séculos. Em todo esse longo período eles foram amargamente perseguidos por heresia, levados de um país a outro, desmembrados, privados de suas propriedades, aprisionados, torturados e escravizados aos milhares e assim mesmo não se desligaram de sua fé, doutrina e adesão ao Novo Testamento”. (Da obra Igreja do Novo Testamento, p. 25).

Todos os historiadores Batistas Holandeses afirmam origem apostólica para os Batistas, segundo o Dr. J. T. Christian, que dedicou muito estudo e pensamento a essa questão. Essa é a afirmação de Herman Schynn (História dos Cristãos), enquanto Blaupont Ten Cate diz (História Cristã, p. 95): “estou totalmente satisfeito que os princípios Batistas estejam em todas as eras, desde o tempo dos apóstolos até hoje e tenham prevalecido sobre uma porção maior ou menor do Cristianismo”.

A afirmação dos Batistas Holandeses sobre a origem apostólica foi profundamente investigada no ano de 1819. O Rei da Holanda indicou J. J. Dermont, seu capelão, um homem estudioso e o Dr. Ypeij, professor de teologia em Groningen, ambos membros da Igreja Reformada Holandesa, para escreverem uma história da Igreja Reformada Holandesa e também investigar  as afirmações dos Batistas Holandeses. Eles prepararam a história e nela dedicaram um capítulo aos Batistas. Segue uma parte do que eles têm a dizer sobre os Batistas: “os Menonitas são descendentes dos Waldenses, toleravelmente puros evangélicos, que foram conduzidos por perseguição a vários países e quem, durante a última parte do século doze chegaram a Flandres e à província da Holanda e Zelândia, onde viveram de modo simples e levando vidas exemplares, nas vilas como fazendeiros (em cidades comerciais), livres das acusações e de qualquer imoralidade grave e professando os mais puros e simples princípios, que eles exemplificaram numa santa conversação. Eles existiram, portanto muito antes da Igreja Reformada de Netherland”.

Vimos agora que os Batistas, antes chamados de Anabatistas e em tempos posteriores, Menonitas, eram os Waldenses originais e que, há longo tempo na história receberam a honra dessa origem. Nesse relato, os Batistas podem ser considerados a única comunidade Cristã que se manteve desde os dias dos apóstolos e, como sociedade Cristã, que tem preservado puras as doutrinas do evangelho ao longo de todas as eras. A economia interna e externa perfeitamente correta da denominação Batista tende a confirmar a verdade, disputada pela Igreja Romana, de que a Reforma produzida no século dezesseis fora o grau mais alto necessário e, ao mesmo tempo, refuta a noção errada dos Católicos, de que sua denominação tenha sido a mais antiga”. (História das Igrejas Reformadas Holandesas, por A Ypeij e J. J. Dermont, Vol. 1, p 148).

Outras autoridades poderiam ser citadas e as citações se multiplicariam, mas é desnecessário continuar indefinidamente com elas. Oferecerei somente mais duas e fecharei este capítulo. Já se escreveu o bastante e provas suficientes já foram produzidas para convencer a mente aberta, não tendenciosa e ensinável que Jesus fundou a Igreja, que a igreja era a assembleia local. Que Ele prometeu sua perpetuidade e que Sua promessa é vista como cumprida nas igrejas hoje conhecidas como igrejas batistas.

Apresento o seguinte livro do Dr. J. W. Porter, “Notas ao Acaso”, a respeito do Dr. John Clark, que foi o pastor da primeira igreja Batista da América, situada em Newport, R. I. Dr. Porter diz: “o Dr. John Clark recebeu seu batismo da igreja do Rev. Stillwell em Londres e sua igreja recebeu os deles na Holanda e os Batistas da Holanda, dos Waldenses e os Waldenses, dos Novatianos e os Novatianos, dos Donatistas e os Donatistas receberam seu batismo da igreja apostólica e a igreja apostólica, de João o Batista e João o Batista o recebeu do céu”.

Em 1921 ou 1922, eu resumi um artigo que apareceu em “O Mensageiro Batista de Oklahoma” e simultaneamente em vários jornais denominacionais do sul. Esse artigo fala da ancestralidade da igreja Batista em Dyer, Tennessee. Mostra uma continuidade da vida da igreja Batista desde hoje até os dias de Jesus. Não estou informado se quem fez a pesquisa, nem eu tivemos à disposição, todos os livros necessários a me capacitar a verificar cada referência histórica dada. Eu apresento abaixo o artigo na íntegra para a consideração do leitor:

A SUCESSÃO BATISTA DE VOLTA A CRISTO

Conexão Um: a igreja Batista em Dyer, Tennessee, foi organizada por J. W. Jetter, que veio da Associação da Filadélfia.

Conexão Dois: a igreja de Hillcliff, Gales, Inglaterra. H. Roller veio para a Associação da Filadélfia da igreja de Hillcliff. Veja relatórtios da Associação da Filadélfia, livro 3, item 1.

Conexão Três: a igreja de Hillcliff foi organizada por Aaron Arlington, em 987 A.D.. Ver Israel dos Alpes, por Alex Munston, p. 39.

Conexão Quatro: a igreja de Lima Piedmont ordenou Aaron Arlington em 940 A.D.. Ver História da Igreja de Jones, p. 324.

Conexão Cinco: a igreja de Lima Piedmont foi organizada por Balcolo em 812 A.D.. Ver História da Igreja de Neander, vol. 2 p. 320.

Conexão Seis: Balcolo veio da igreja em Timto, Asia Menor.

Conexão Sete: a igreja de Timto foi organizada por Archer Flavin, em 738 A.D.. Ver História, de Mosheim, vol. 1, p. 394.

Conexão Oito: Archer Flavin veio da igreja de Darethea, organizada por Adromicus, em 671 A.D., na Asia Menor. Ver de Lambert, História da Igreja, p. 47.

Conexão Nove: Andromicus veio de Pontifossi. Aos pés dos Alpes franceses. Ver de Lambert, História da Igreja, p. 47.

Conexão Dez: a igreja de Pontifossi foi organizada por Tellestman, de Turan, Itália, em 398 A.D.. Ver História da Igreja, de Nowlin, vol. 2, p. 182.

Conexão Onze: a igreja de Turan foi organizada por Tertulio, de Bing Joy, África, em 237 A.D.. Ver História da Igreja, de Armitage, p. 182.

Conexão Doze: Tertulio era membro da igreja de Partus, aos pés de Tibério, que foi organizada por Policarpo, em 150 A.D.. Ver Comentário sobre Antiguidade, de Ciro, p. 924.

Conexão Treze: Policarpo foi batizado por João, o Amado ou Revelador em 25 de dezembro de 95 A.D.. Ver História da Igreja, de Neander, p. 285.

Conexão Quatorze:
João estava com Jesus no Monte: Marcos 3:13-14; Lucas 6:12-13.

“A igreja está aqui para salvar os homens do mundo. Ela existe, então, para salvá-los do sistema que é chamado o mundo”.

“A igreja tem a mesma relação com o mundo que um bote salva-vidas e sua guarnição, quando se leva o navio a se estourar nas rochas”.

“A igreja está aqui para imprimir sobre os homens dois fatos imensos: o fato da ALMA e o fato da ETERNIDADE”.

I. M. Halderman em “A Missão da Igreja”.

“Suas ordens de marcha são Seu programa para aquela igreja (A Igreja em Jerusalém) e para cada outra igreja Batista até que Ele volte”.

H. B. Taylor, em “Por Que Sou um Batista”.

 


XI

XI. Qual é a Missão da Igreja que Jesus Construiu?

Nos capítulos anteriores procurei mostrar ao leitor o ensinamento Bíblico sobre o que é uma genuína igreja do Novo Testamento. Com isso apresentei evidência histórica para provar para uma demonstração que as igrejas batistas têm existência contínua desde o tempo de Cristo até agora. Confio que as visões de você que nos leu se estreitaram e se tornaram mais distintas, na questão da concepção da igreja.

Agora que esclarecemos que
as igrejas Batistas são as verdadeiras igrejas do Novo Testamento, divinamente perpetuadas em todas as eras, vamos à frente e questionar sobre a missão da igreja no mundo. O mundo tem muitas visões erradas a respeito de para que serve uma igreja.

Os que pertencem a diferentes assim chamadas igrejas compartilham muitas dessas noções errôneas e, em alguns casos, os Batistas vieram a ter uma ideia pervertida da função própria da igreja. Não é uma coisa incomum alguém dizer nas revistas e jornais de hoje a enfática acusação de que as igrejas “falharam”, Isso significa que algumas igrejas falharam, conforme a avaliação feita pelo padrão estabelecido por algum indivíduo ou grupo. Vamos considerar por alguns momentos algumas das visões erradas comumente defendidas a respeito de para que serve uma igreja.

Como alguns concebem, UMA IGREJA DEVE ESTAR PRINCIPALMENTE ENGAJADA NA OBRA DA CIVILIZAÇÃO.  Na proporção em que as igrejas ajudam uma nação a desenvolver as artes e ciências da civilização, elas são consideradas como tendo tido sucesso. Essa ideia é obtida especialmente em relação aos esforços Cristãos nos campos missionários estrangeiros. Se apenas os povos primitivos podem ser levados a se vestir adequadamente, observar as regras de higiene e sanitarização e adotar os modos e maneiras de uma nação civilizada, considera-se que o missionário teve pleno sucesso.

Mas, como procurarei agora provar, o objetivo primário da igreja não é civilizar. Quando, no campo missionário, o motivo dominante vem a ser civilizar, então o trabalho dos obreiros no campo é um fracasso do ponto de vista da verdadeira missão da igreja.

Então há também a IDEIA DE CLUBE DA IGREJA mantida por alguns. Deve-se temer que alguém veja a membresia na igreja como a associação em algum clube ou organização fraternal. O trabalho da igreja passa a ser um tipo de diversão prazerosa e fica parecendo uma coisa agradável e respeitosa ser um membro da igreja, especialmente se a igreja é da moda, incluindo, na sua membrania, algumas pessoas da comunidade socialmente proeminentes.

Mas, dessa ideia pode ser dito que se uma igreja se parece com clubes, salões, sociedades e outras organizações do tipo, ela tem pouco para justificar sua existência.

Novamente, há aqueles que defendem o IDEAL SOCIAL E HUMANITÁRIO DA IGREJA. Para eles, a principal preocupação da igreja não deveria ser a preparação das almas para a vida numa eternidade além, mas a transformação da sociedade como um todo até que esse mundo se torne um lugar melhor para os homens habitarem durante a vida atual. Sua ênfase principal não está no depois, mas apenas no agora. Com o fim de alcançarem o ideal que têm em vista, eles insistem que a igreja se engaje em todo tipo de projetos humanitários: lidar com política e legislação e desenvolver um ambicioso programa de serviço e reforma social. Aos que concebem uma igreja desse tipo, à medida que suas ideias vão se realizando, as igrejas vão lidando cada vez menos com o espiritual e cada vez mais com o físico. Eles são os advogados da igreja “institucional” onde, como disse um autor, podemos obter qualquer coisa, de um sermão a um sanduíche. Nessa igreja, construções de características recreacionais são proeminentes. Elas têm piscinas, salas de leitura, banheiros com chuveiros, equipamentos de ginástica, salões sociais, etc. Muitas vezes são servidas refeições na cozinha da igreja, algumas vezes por semana por certo valor. Todos os tipos de atividades sociais são constantemente planejados. Todo o prédio da igreja é usado como maneira das pessoas a verem como um local para passar um tempo agradável.

Se Cristo entrar num desses prédios de igreja hoje, estou certo de que Ele jogaria fora várias coisas encontradas ali. Ele viraria e jogaria fora equipamentos de ginástica, máquinas de cinema e outras parafernálias de diversão, assim como chutou e derrubou as bancadas de comerciantes há tanto tempo e expulsou aqueles que dessacralizavam e secularizavam o templo. Suas palavras para que dessacralizam e secularizam os lugares de adoração hoje seriam as mesmas para os mesmos tipos de roubadores daquele tempo, quando Ele disse:
“...A minha casa será chamada casa de oração...” (Mateus 21:13b – ACF). Há alguma razão no mundo para acreditar que Jesus olha de modo mais condescendente hoje para a secularização da casa de adoração do que fez há dois mil anos atrás? Aqueles que levam todos os tipos de coisas seculares para dentro do teto da igreja seguem exatamente os passos dos judeus que Jesus expulsou do templo.

Sobre a visão que torna uma igreja uma organização cuja preocupação primária seja a melhoria das condições sociais e a melhoria física da humanidade, pode-se dizer que está completamente diferente da verdade a respeito da missão real de uma igreja. Na verdade, as condições sociais melhoram quando o evangelho é pregado e as igrejas frequentadas, Muitas grandes reformas morais têm tido sua gênese entre o povo Cristão, mas essas coisas devem ser consideradas meramente como subprodutos da atividade e influência da igreja e não como coisas de preocupação prioritária.

Em relação à questão da missão da igreja, quando há tantas opiniões divergentes, onde iremos buscar a verdade sobre a questão? Só há um lugar para ir: o NOVO TESTAMENTO. Não é uma questão da pessoa ou do seu pensamento sobre o que a igreja deve ser ou onde se engajar. É uma questão de para que Jesus Cristo fundou Sua igreja e quais ordens Ele deixou para serem seguidas. É estranho, de fato que os homens devam se afastar tanto em relação à missão da igreja, quando ela foi deixada tão claramente em Suas próprias palavras.

Os Batistas errarem em sua missão é indesculpável. Outras denominações, seitas e assim chamadas igrejas podem se engajar nas coisas mencionadas e podem fazer projetos humanitários, se forem seu interesse principal, se lhes agrada, sem estarem devedores dessa estrita censura, por não terem Comissão ou ordens de Cristo. Ele não é responsável por sua existência e eles não são responsáveis por realizar a Comissão que Ele deu séculos antes deles existirem. Mas os Batistas são responsáveis, porque foi a uma igreja Batista que o Senhor Jesus Cristo deu Sua Comissão. Essa Comissão estabelece para sempre a questão de para que uma igreja existe, definindo claramente sua missão e propósito. Alguns sem dúvida me considerarão muito “estreito” por dizer que a Grande Comissão seja uma Comissão Batista, mas “estreito” ou não, essa é a verdade. Todo o meu livro é prova deste fato. Um editor bem conhecido recentemente expressou a verdade que estou tentando transmitir, nessas palavras: “a Comissão não foi dada a ninguém além dos Batistas. Todos os presentes eram Batistas, porque foram batizados por João ou pelos doze e todos esses foram batizados por João o Batista. Isso lhes foi dado, não como pregadores ou indivíduos, mas como igreja, pois isso era para ser obedecido até o fim das eras e nenhum deles iria viver tanto tempo. Mas o Mestre tinha prometido que a igreja que Ele fundou não seria destruída pelos portões do inferno (Mateus 16:18). E àquela igreja e às outras igrejas fundadas por seus trabalhos missionários, o Mestre deu essa Comissão para todo o mundo e em todas as eras. Nenhuma criança, buscadores, pessoas em provação, nenhum pecador, nenhum prosélito, ninguém além dos discípulos ou Cristãos estão incluidos pelo Mestre em Suas ordens para serem batizados. Essa Comissão foi dada aos Batistas, pois todos os presentes eram Batistas. É um comando bem definido por fazer-me Cristão por pregar o evangelho a eles e então torná-los Batistas dando-lhes o batismo Batista, pois aquele é o único tipo que havia no tempo que a Comissão foi dada. Somente os batistas podem obedecer a essa Comissão, pois ninguém mais tem o tipo de batismo que Jesus comandou os Cristãos a se submeterem. E ninguém mais pode fazer o que essa Comissão envolve, isto é, tornar os discípulos Batistas dando-lhes o batismo Batista”.

E agora, vamos examinar a Comissão que Jesus deu à Sua igreja e vamos analisá-la por alguns momentos. Essas são as palavras:
“Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado...” (Mateus 28:19-20a - ACF). Eis aí a missão da igreja. Nada menos que isso, nada mais deve ser incluído nesse programa. Como alguém escreveu, “esse deve ser o horizonte de nossas visões e os limites de nossas tarefas”. Note bem o que a Comissão inclui:



TORNAR OS HOMENS CRISTÃOS

Essa é a primeira coisa, a principal, a mais importante: fazer discípulos de Cristãos. Um estudo da Comissão no Original mostrará que a ênfase ou tônica é sobre fazer discípulos. Quando na igreja em nas atividades denominacionais, priorizamos a educação, hospitais, orfanatos e alguma outra coisa, independente de sua dignidade, estamos indo contrários à Grande Comissão. A Comissão coloca em primeiro lugar fazer discípulos. Discípulos ou Cristãos devem ser feitos pregando o evangelho aos perdidos. É o evangelho que torna Cristo conhecido aos homens. Quando eles ouvem o evangelho e O recebem como seu Salvador pessoal eles se tornam filhos de Deus. João 1:12 (ACF):
“Mas, a todos quantos O receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no Seu nome.” A principal preocupação de toda verdadeira igreja deveria ser a salvação das almas. Seguir a Comissão demanda que cada igreja deverá ser intensamente missionária, em relação aos perdidos da comunidade imediata em que a igreja existe e aos perdidos nas partes mais longínquas da terra. Muitas vezes a construção do “prédio” do templo vem a ser entendida como a coisa principal, a garantia de reconhecimento social ou algo diferente do que o Mestre enfatizou. Repito: a primeira tarefa dada pelo Senhor ressurreto é fazer Cristãos. Isso deve preceder sempre o batismo e da doutrinação. Em João 4:1 recebemos o exemplo de Jesus nesse ponto, onde somos ensinados distintamente que Jesus fez discípulos antes de batizá-los. Os que batizam crianças e os que batizam para ajudar a fazer discípulos estão claramente fora do preceito e exemplo do Mestre, como os que recebem “noviços” e procuram doutriná-los antes de discipliná-los. Como indicado antes no capítulo, a Comissão é uma Comissão Batista. Coloca salvação antes do batismo e antes da membrania da igreja. Não é dada somente a Batistas. Só é obedecida por eles. Para lembrar a afirmação feita antes no livro, “as igrejas Batistas são as únicas na terra que requerem que a pessoa professe a fé para ser salvo antes da pessoa se unir à igreja ou de ser batizada”.

Mas examinemos a Comissão um pouco mais e veremos que a segunda parte dessa Comissão tripla é o comando para:

TORNAR OS CRISTÃOS BATISTAS

Devemos fazer Cristãos pregando a salvação pela fé em Cristo a eles, então devemos tornar esses Cristãos Batistas, batizando-os conforme Suas ordens.

“...Batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo...” (ACF). Enquanto o comando para fazer discípulos assume o lugar de precedência na Comissão, o comando para fazer Batistas é tão obrigatório quanto e cai sobre nós. Alguns censuram os Batistas, afirmando que eles colocam ênfase demais sobre o batismo. Essa crítica é totalmente injusta, pois os Batistas colocam o batismo exatamente onde o Mestre o colocou na Comissão. Eles defendem que ele nunca deve preceder a salvação, mas em todos os casos devem segui-lo. Eles não acreditam que estão garantidos se pararem no ponto de fazerem discípulos, pois suas ordens leem: “batizai-os”, e como eles vêem, eles não têm direito de mudar suas ordens. A terceira parte da Comissão está tão explícita quanto o resto. Ele comanda o:

DISCIPULADO DOS BATISTAS

Nela se lê: “
ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado...” (ACF). “Todas as coisas” significam tudo que Jesus inclui no Novo Testamento, como, por exemplo, os ensinos a respeito da ordenança da Ceia do Senhor, a garantia dos crentes e a intendência. Separar alguns dos Seus ensinamentos num grupo e chamá-los de “não essenciais” e deixar de ensiná-los é violar Seu comando. É um fato triste que a maioria das denominações omite dois terços da Comissão e só observam a parte que se refere a fazer discípulos. Eles assumem, embora incorretamente que a Comissão lhes foi dada assim como para os Batistas, então eles mostram sua inadequação como guardiães da sagrada verdade de Cristo cortando esses dois terços da Comissão, a parte que comanda imergir e ensinar todas as coisas que Ele comandou. Os Batistas são absolutamente o único povo que está disposto a realizar as três partes da Comissão.

Hoje em dia muitas vezes acontece que o que normalmente é chamado de “Educação Cristã” é justificado e ensinado como a última cláusula da Comissão. Esse é o resultado de uma defeituosa exegese ou ainda é uma má interpretação das Escrituras. Essa passagem não pode ser corretamente interpretada para se referir ao ensino da história, matemática, biologia, psicologia e outras que são ensinadas em escolas denominacionais e colégios. Jesus disse:
“todas as coisas que eu vos tenho mandado...” (ACF). A educação Cristã no sentido mais verdadeiro é a educação das coisas da Palavra de Deus. Essa é a única educação autorizada pela Comissão. Muitos bons argumentos podem ser descritos a favor das escolas Cristãs, mas o ponto a que me refiro é que eles não são autorizados pela Grande Comissão.

A última cláusula da Comissão coloca sobre as igrejas batistas a responsabilidade de ensinar uma discipulação para todos os que foram salvos e acrescentados à igreja. Nenhum ensinamento de Cristo deve ser ignorado ou omitido, mas toda doutrina deve ser ensinada, independente de quantas acusações de “estreitos” forem chamados ou se serão desagradáveis possam ser entendidos aos que minimizam certos ensinamentos de Cristo à base de ser “não essencial”.

Levo esse capítulo a seu fechamento recapitulando as coisas ditas antes.

QUAL É A MISSÃO DA IGREJA QUE JESUS CONSTRUIU?

Não é a missão designada pelo mundo, estabelecida por pressão e concebida por algumas igrejas. Não é a civilização da humanidade, não é reforma social ou moral, não é a evolução física, intelectual e social da raça, salvo as coisas que ocorrem incidentalmente como subprodutos do Cristianismo. Mas a missão da igreja é a que foi dada por Seu Fundador, Jesus Cristo, na Grande Comissão, isto é, fazer Cristãos, imergir, doutriná-los. Ou, para dizer de modo mais completo, o programa divino para a igreja é esse: pregar o evangelho a todo ser humano que vive nesse mundo, batizar aqueles que aceitam uma salvação livre através de Cristo. Então ensinar aos salvos e batizá-los até que eles conheçam os comandos de Cristo e até que Sua vontade seja expressa através das vidas redimidas no mundo.

“Os Batistas deram missões modernas ao mundo e cada missionário de cada denominação está seguindo a liderança dos Batista”.

“O fato das outras denominações terem permissão para acreditar e adorar como lhes agrada é devido ao sangue e lágrimas Batistas”.

“Ninguém por citar um exemplo na história quando os Batistas nunca tenham perseguido alguém por questões de consciência”.

J. W. Porter, em “Registros ao Acaso”.

 

 

 

XII. A Igreja que Jesus Construiu Justifica Sua Existência

Nos capítulos anteriores encontramos, por estudos doutrinários e históricos e comparação que as igrejas Batistas são as únicas igrejas que podem por direito afirmar Jesus Cristo como Seu Fundador, ou que coincide com os ensinos doutrinários do Novo Testamento. No capítulo anterior, procurei mostrar qual foi o propósito do Mestre ao fundar Sua igreja, indicado nas palavras da Grande Comissão. Provou-se que essa Comissão foi dada a uma igreja Batista e consequentemente é corretamente chamada de Comissão batista. Vamos examinar para ver como os batistas responderam às ordens dadas pelo Mestre. Os Batistas tentaram fazer as coisas que o Mestre deixou para serem feitas por eles? Suas obras através das eras foram indicativas de sua origem divina? Qual foi seu trabalho e influência? Um volume deveria ser dedicado a responder a essas perguntas, mas serei capaz de mencionar apenas algumas conquistas Batistas e essas somente de modo breve.

Estou persuadido que muitos não têm conhecimento do tremendo débito do mundo aos batistas. Muitas das coisas mais preciosas que a humanidade hoje possui têm sido legadas pelas igrejas batistas. Ainda, pela profundidade de sua convicção e a tenacidade com que eles se afirmam em sua fé, muitos vêem com forte desaprovação os Batistas de hoje. Eles estão bem menos expostos na imprensa que muitas denominações bem menores. A quantidade de notícias dadas a eles por jornais e revistas nunca levaria alguém a acreditar que eles são o maior corpo evangélico individual de Cristãos no mundo, hoje, apesar de sua verdade.

Vamos considerar o que os Batistas fizeram em relação às coisas que Jesus colocou “ênfase” em Sua Comissão, isto é TORNANDO-OS CRISTÃOS. Eles foram um povo missionário? Sim, eles foram. Na era apostólica os Batistas “foram a todo lugar pregando a Palavra”. Com o apóstolo Paulo, os Batistas tiveram o maior missionário de todos os tempos. Em sua curta vida, Paulo espalhou o evangelho por todo o mundo conhecido. Os Batistas eram tão zelosos naqueles tempos antigos que, dentro de algumas décadas, já havia literalmente milhões de Batistas em todo o Império Romano. Eles começaram o desenvolvimento gradual da apostasia romana e com isso a redução do empreendimento missionário. Veio o tempo quando o Catolicismo dominou os governos e com a espada e tortura conseguiram exterminar todos os que se recusaram a dobrar os joelhos à autoridade do Papa. Não mais era possível aos Batistas realizar seus trabalhos missionários da mesma forma.  Eles persistiram em número tão grande por aqueles tempos de perseguição e muitos foram martirizados por causa da pregação do evangelho e isso prova, porém, que eles nunca deixaram de ser um povo missionário. Quando a Reforma trouxe algum alívio na opressão romana, descobrimos que os Anabatistas literalmente enxameavam. Eles aumentaram tanto que os Reformadores ficavam constantemente irritados pelas evidências de seu crescimento. Se não fosse pela opressão e feroz perseguição, creio estar a salvo ao dizer que os Batistas teriam tomado este mundo para Cristo.

Hoje há tremendos esforços missionários sendo distribuidas por todas as maiores denominações. O movimento missionário moderno é um dos maiores movimentos de nossos tempos. Quem começou o movimento missionário moderno? FOI WILLIAM CAREY, UM BATISTA. As igrejas Batistas foram as primeiras nos tempos modernos a sustentar obreiros num país estrangeiro. Antes de outras denominações na América fazer alguma coisa na linha de missões estrangeiras, as igrejas Batistas estavam enviando fundos para o sustento de Carey e sua obra. Late Judson, inspirado pelo exemplo de Carey, foi para o grupo dos Congregacionistas, mas durante sua longa viagem de navio, ele se tornou Batista com a leitura do Novo Testamento. Ele foi batizado logo após sua chegada, garantindo uma ligação com o povo que o enviou e foi adotado pelos Batistas americanos como seu missionário.

Não apenas os Batistas foram pioneiros no início do moderno movimento missionário, mas também pregaram o evangelho pela primeira vez em muitas terras. Por exemplo, nas Bermudas, Cuba e Índia eles foram os primeiros das assim chamadas igrejas evangélicas a pregar o evangelho. Na América, os Batistas foram os primeiros a pregarem o evangelho no vasto território a Oeste do Rio Mississipi. Hoje as estações missionárias Batistas ocupam o globo. Em todo clima se encontram Batistas na busca o último comando do Mestre de “ir a todo mundo e pregar o evangelho a toda criatura”.

Em relação à segunda parte da Comissão, que comanda o batismo de Cristãos, só os Batistas obedeceram. Outros ignoraram e minimizaram e perverteram essa parte da Comissão.

Agora, como a Terceira parte da Comissão, o ensinamento de “observar todas as coisas que Jesus comandou”, como ficam os Batistas? Para responder pode-se dizer verdadeiramente que os Batistas são o único povo que quis ensinar absolutamente “todas” as coisas comandadas. Eles sempre acreditaram na Educação e na doutrinação. Então não surpreende que os Batistas tenham começado o moderno movimento da Escola Dominical. A visão mais comumente defendida é que Robert Rakes iniciou esse movimento, mas não é verdade. A honra pertence a William Fox, um diácono Batista, como Dr. J. W. Porter prova abundantemente em seu livro O Débito do Mundo aos Batistas. O Diácono Fox começou sua Escola Bíblica em 1783 e dois anos mais tarde ajudou a organizar a “Sociedade para o Sustento e Encorajamento das Escolas Dominicais”. Essa sociedade organizada por Batistas foi a primeira organização para a promoção das escolas dominicais no mundo, pelo que temos registro. Porém, em relação às escolas dominicais individuais, a primazia pertence à Welch Batista. Em Gales, algumas igrejas Batistas mantinham escolas dominicais pelo menos 132 anos antes do movimento Raikes. E nessa ligação é bom indicar que a escola de Raikes não é uma escola dominical no sentido moderno. Na verdade se encontravam nos domingos, mas não para o estudo bíblico. A Bíblia não tinha lugar no curso do estudo.

Não apenas é verdade que os Batistas começaram o moderno movimento da Escola Dominical, mas lideraram o trabalho das escolhas dominicais. Uma pequena investigação nos provará isso. Por exemplo, foi um Batista, B. F. Jacobs que deu ao mundo o sistema internacional uniforme de lições. Foi um Batista, Dr. Warren Randolph que foi o primeiro secretário do Comitê Internacional de Lições. Foi um Batista Dr. J. R. Sampey que desenvolveu o primeiro curso de lições avançadas para a Associação Internacional de Escolas Dominicais da América. Foi um Batista Dr. B. H. DeMent que ocupou a primeira cadeira de Pedagogia de Escolas Dominicais estabelecida numa escola teológica no mundo, o Seminário Teológico Batista do Sul. A Primeira Clínica de Escola Dominical foi sustentada sob os auspícios da Diretoria do Seminário Batista do Sul da Convenção Batista Sulista.

Os Batistas não apenas ocuparam o lugar de primazia ao ensinar “todas as coisas comandadas por palavra oral. Eles também foram os primeiros a ensinar por páginas impressas. Sendo proeminentemente um “povo da Bíblia”, eles procuraram disseminar toda a palavra com Bíblias. A sociedade Bíblica mais antiga existente, a Sociedade Bíblica Britânica, que distribuiu milhões de cópias das Escrituras, foi fundada por um pregador Batista, Rev. William Hughes. A missão de William Carey antes de sua morte tinha publicado Bíblias em quarenta idiomas, envolvendo um terço da população mundial. Grande parte das traduções foi feita pelo próprio Carey.

Foi o trabalho de Judson que produziu a primeira Bíblia em Burmês. Essa é a única tradução usada em Burma hoje. Joshua Marshman, um Batista, deu aos chineses sua Bíblia. Farances Mason, um Batista deu a Bíblia aos Dareanos. Lyman Jewett, um Batista, deu a Bíblia aos Telugos. Nathan Brown deu a Bíblia aos Assameses e aos Japoneses em seus próprios idiomas. Outros Batistas tiveram grande papel na tradução da Bíblia. Por exemplo, o mundo de fala inglesa deve aos Batistas pela versão mais precisa da Bíblia impressa em sua língua. Refiro-me à Versão da União Bíblica Americana, totalmente traduzida por Batistas.

Além do trabalho de tradução e circulação das Escrituras, é relevante mencionar que a primeira referência marginal em nossa Bíblia inglesa foi preparada por John Cranne, um Batista, em 1637.

Mas, seguindo ao trabalho específico de realizar a Grande Comissão, estou certo de não estar equivocado em fazer breve menção das conquistas Batistas junto com outras linhas mais ou menos relacionadas.

Alguns acusam os batistas de ser um povo ignorante. É bem verdade que grande parte do seu trabalho está entre os mais pobres e que eles enumeram entre seus membros milhões de pessoas comuns, mas a acusação de disseminar a ignorância não pode ser sustentada. Como prova disso preciso mencionar alguns fatos: os Batistas têm mais dinheiro investido em instituições educacionais na América que qualquer das denominações evangélicas hoje. E os Batistas têm mais alunos em instituição educacional na América que qualquer outra denominação de Cristãos evangélicos. O maior doador à causa da educação na América é um Batista professo. A maior Universidade do ponto de vista do tamanho e envolvimento na América é administrada sob os auspícios Batistas e professada como instituição Batista. O maior seminário teológico no mundo é uma escola Batista. Nos campos missionários estrangeiros, os Batistas estão na linha de frente junto com o front educacional. De fato, às vezes se diz que eles estão colocando muita ênfase sobre a educação em terras estrangeiras. E não se pode dizer que os Batistas só enumeraram homens da educação entre suas fileiras durante os últimos anos, pois se formos retornando até o começo do trabalho educacional na América encontramos a mesma verdade. Por exemplo, o primeiro presidente da Universidade de Harvard foi um Batista, como o segundo, enquanto uma das maiores somas de dinheiro doado para o sustento de Harvard durante seus primeiros dias foi uma doação de um Batista.

Os Batistas tiveram muito grandes estudiosos e escritores. Foi John Bunyan, um Batista que escreveu “O Progresso do Peregrino”, um livro que teve a maior venda que qualquer livro já teve, com uma única exceção: a Bíblia. Foi John Milton, o Batista que deu ao mundo uma das suas maiores produções literárias: O Paraíso Perdido. É um Batista, Dr. A. T. Robertson, o autor do padrão mundial de Gramática Grega do Novo Testamento e reconhecido como o maior estudioso de grego. Esses nomes são só alguns dos muitos que eu poderia mencionar.

Os Batistas tiveram um enorme papel no desenvolvimento da América e na formação dos seus ideais e instituições. O povo americano deve, em parte, sua forma de governo democrático, assim como seus ideais de liberdade religiosa e política aos Batistas. A própria constituição dos Estados Unidos veio a existir como resultado dos ensinamentos Batistas, pois Thomas Jefferson, o estruturador da Constituição, obteve suas ideias de democracia dos Batistas. O Dr. J. W. Porter mostra isso além de qualquer disputa em seu livro: O Débito do Mundo aos Batistas. Na pág. 76 ele escreve: “a concepção, a fé que faz as coisas existirem, a confiança da praticabilidade de um governo livre, cujo poder terreno último é investido nas massas da comunidade. Essa ideia foi claramente obtida pelo próprio Jefferson, em uma reunião em uma pequena igreja Batista, mês a mês governando-se a si mesma pelas leis do Novo Testamento, em sua própria vizinhança. Foi certamente as igrejas batistas desse país que foram as primeiras a sugerir e manter essas ideias de liberdade religiosa.

Além da influência Batista em relação à Constituição, a primeira emenda à Constituição, garantindo completa liberdade religiosa e proteção aos direitos religiosos foi obtida pelos esforços dos Batistas.

Dr. Porter diz verdadeiramente: ”o governo de Rhode Island foi o primeiro no mundo a completa e claramente absorver os princípios da liberdade religiosa. Isso foi devido a Roger Williams, um pregador Batista”. E a isso, Bancroft, o historiador acrescenta: “a liberdade de consciência, a liberdade ilimitada de mente, foi, desde o início, um troféu Batista”.

Foram as igrejas Batistas que trouxeram diante do mundo as preciosas verdades de igualdade, liberdade e liberdade religiosa e só pode ser justo ter sido uma mulher Batista, Betsy Ross, que desenhou e confeccionou a bandeira americana, as estrelas e listras, que simbolizam ao mundo a liberdade religiosa e política.

Junto com outras linhas ainda não mencionadas, os Batistas foram e são uma benção para o mundo. Como subprodutos de sua vida religiosa e cooperação, muitas empresas beneficentes têm sido desenvolvidas.

Só nos Estados do sul, eles mantêm vinte e seis hospitais e muitos orfanatos, onde milhares de pessoas são ministradas todos os anos.

Tendo observado que a Grande Comissão foi dada aos Batistas e sabendo, pela história, que eles sempre foram dedicados a realizar as ordens de Cristo, não deveríamos nos surpreender de perceber que em nossa própria América eles estão crescendo mais rapidamente em proporção do que qualquer outra denominação não Católica. Eu digo não Católica, porque os Católicos estão em constante crescimento devido à imigração. O crescimento Batista por batismo em 1925 estava perto de 350.000! Desde o início da República, os Batistas cresceram de 10.000 em 1776 a mais de oito milhões nos dias de hoje. De um Batista a cada 264 da população total no tempo do início de nossa nação, agora temos um Batista a cada 13 pessoas da população total.

Em terras estrangeiras, seu crescimento é maravilhoso. Estima-se que só na Rússia, desde a Guerra Mundial, os Batistas tiveram um aumento de mais de dois milhões!

Que os batistas possam se manter firmes na tarefa designada na Comissão e que as bênçãos de Deus continuem sobre eles. Pois nos últimos dois mil anos, “tortura, fogo e espada”, seguiram os ensinos do Fundador e seus registros provam que eles abundantemente justificaram sua existência!

“Pois, se a igreja que Jesus construiu foi uma igreja Batista, então nenhuma igreja além das igrejas Batistas são igrejas de Cristo e todo homem terá que enfrentar o Senhor Jesus no julgamento e dizer a Ele por que se uniu a alguma igreja fundada por um homem não inspirado, ao invés daquela fundada pelo Próprio Senhor Jesus”.

H. B. Taylor, em “Por Que Sou um Batista”.

Quando os Batistas adentram um esquema de união por um processo de concessão e cancelamento, eles estão negociando por um jazigo e um lote no cemitério.

J. W. Porter, em “Registros ao Acaso”.


XIII. Conclusão

Com os fatos apresentados nos capítulos anteriores todos diante de nós, somos levados a uma inevitável conclusão de que as igrejas Batistas são as únicas igrejas de Cristo, as únicas igrejas autorizadas por Ele a realizar a Comissão e a ministrar Suas ordenanças. Muitos em nossos dias farão quase qualquer concessão para ser ensinado de modo “amplo”. Quantas e quantas vezes ouvi alguns indivíduos que aspiravam à posição de uma das grandes “amplitudes” observarem: “oh, não importa a que igreja ele pertença. Uma igreja é tão boa quanto outra”. Isso parece muito simpático, mas pode ser verdade, à luz dos fatos que estudamos? Que direito um homem tem de estabelecer uma organização rival àquela fundada pelo Filho de Deus e chamá-la de “tão boa quanto?” A igreja que Jesus fundou é muito querida ao Seu coração. Sua importância é indicada pelo fato só a ela Ele deu a tarefa de realizar Seu trabalho no mundo. Pois Sua igreja é o objeto de Sua terna solicitude e cuidado. Isso é indicado pelo fato de que, apesar da perseguição, guerras, tumultos, surgimento e queda de nações, a queda e morte de idiomas humanos, Ele preservou e perpetuou Sua igreja. Muito certo, deve-se dar importância a um Cristão sincero que deseja ser obediente a Seu Senhor, como à igreja a que ele pertence. Ele deveria querer pertencer a uma igreja que pode afirmar que Jesus foi Seu Fundador e Chefe, ao invés de uma instituição fundada por homens. Ele deveria querer ser identificado com a igreja a quem Jesus entregou Suas ordenanças, a igreja que Ele perpetuou através dos séculos e que tem a garantia do Novo Testamento para suas doutrinas e práticas.

Nas reuniões de reavivamento, particularmente as de tipo “união” tenho muitas vezes ouvido evangelistas dizer às pessoas para “se juntarem à igreja de sua escolha”, independente de qual possa ser. Alguns podem me chamar de estreito por dizer isso. Mas eu não poderia conscientemente dizer a ninguém para fazê-lo. Como eu vejo, uma mera “escolha” talvez ditada por moda, capricho ou mero sentimento, não é suficiente quando se trata de estabelecer a questão da igreja. A pergunta que cada Cristão deveria fazer é: Qual é a verdadeira igreja, a que Jesus fundou? Qual delas é inteiramente escritural em suas doutrinas e práticas? É uma grande coisa levar uma pessoa perdida para Cristo. É também uma grande coisa levar uma pessoa salva ao caminho da total obediência. Para uma alma nascida de novo, fazer uma escolha errada em relação à igreja e uni-la a uma igreja cujas doutrinas e práticas não são escriturais significa iniciar uma carreira de desobediência a Cristo por toda a vida. “União, reuniões, nas quais os sentimentos são mais exaltados do que a verdade, e nas quais, os comandos de Cristo são levemente intercambiados por questão de popularidade e a causa de muitas pessoas normalmente formarem suas afiliações a igrejas à base de qual igreja seus parentes e amigos frequentam, a qual igreja o evangelista pertence ou alguma coisa igualmente trivial. De fato, quase tudo ajuda a decidir, exceto a única coisa importante: o ensino da Palavra de Deus.

OS BATISTAS NÃO PODEM SER CONSISTENTES E MISTURADOS EM FESTIVAIS PARA REAVIVAMENTOS DE UNIÃO. Para uma reunião de união agradar a todos os envolvidos, o pregador deve manter sua boca fechada em certas verdades. Pois um pregador pregar o que diz a Palavra de Deus a respeito da segurança dos crentes, batismo, Ceia do Senhor, verdade da igreja, etc. seria naufragar a reunião de união. Nessa reunião um Batista não pode aconselhar adequadamente novos convertidos a respeito “de todas as coisas”. Jesus comandou sem suscitar indignação e crítica. É correto engajar-se em reuniões onde uma parte do ensino claro da Palavra de Deus não é bem vinda? A verdade, toda a verdade, conforme ensinada em toda a Palavra de Deus, sem acréscimo ou subtração, é o que os Batistas sempre defenderam. Quando se engajam em esforços de união eles se afastam de seus princípios honrados ao longo todo tempo.

Não desejo passar a impressão de que os Batistas são egoístas, enfiados na igreja, insociáveis, não corteses ou algo do tipo. Eles deveriam se rejubilar quando Cristo é pregado por qualquer seita ou denominação. Eles deveriam se rejubilar por cada alma salva. Seu espírito nunca deveria ser de hostilidade ou controvérsia descortês. Mas certamente sua primeira lealdade e fidelidade deveria ser a Cristo e Sua Palavra. Sob Seu comando nunca deve haver transigência e concessão. “Eles devem lutar arduamente (não raivosamente) pela fé uma vez por todas entregue aos santos”.

Leitor, você que me seguiu através das páginas deste livro, se for um Cristão, você é também um membro de uma genuína igreja do Novo Testamento? Peço desculpas por ser estrito sobre a questão de sua afiliação a alguma igreja. Essa não é uma questão que afete sua salvação, mas afeta sua recompensa com Deus. Jesus ensinou que “aquele que quebrar qualquer desses mandamentos e assim ensina será chamado de o menor no Reino dos Céus”.

A pessoa que pertence a uma igreja que minimize e quebre alguns dos mandamentos de Cristo, necessariamente influencia outros para “ensinarem da mesma forma”. Por fazerem isso, se colocam na classe daqueles de quem Cristo disse que serão “chamados os últimos” no Reino. A questão de sua afiliação a uma igreja é algo de que você prestará contas diante do Trono de Julgamento de Cristo. Você receberá o que fizer corretamente sobre o assunto, independente do que qualquer pessoa do mundo pensar de você.

Tentei estabelecer a verdade da questão da igreja neste livro, clara e simplesmente. Meu objetivo foi capacitá-lo a ler o que você precisa saber quanto à sua tarefa em relação a que igreja você deve pertencer. Se você fará ou não o que sabe ser correto, isso é o que fará você responder, não a mim, mas ao Senhor.

“Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecando” (Tiago 4:17 – ACF).



LIVROS LIDOS OU CITADOS


Abaixo é dada uma relação parcial de livros lidos na íntegra ou em parte, para a preparação deste livro.

Uma História dos Batistas por John T. Christian.

Uma Breve História dos Batistas, por H. V. Bedder.

História dos Batistas, por Benedict.

História dos Batistas, por Thos Armitage.

Manual de História da Igreja, por A. H. Newman.

História do Anti Pedobatismo, por A. H. Newman.

Um Século de Conquistas Batistas, por A. H. Newman.

A Denominação Batista, por Haynes.

História da Igreja Cristã, por Jones.

A História dos Batistas, por Cook.

Progresso dos Princípios Batistas, por Curtis.

Os Batistas na História, por Geo. C. Lorimer.

A História Batista Justificada, por John T. Christian.

A História da Igreja Cristã, por Schaff.

A História da Igreja Cristã, por Fisher.

História dos Papas, por Ranke.

A Igreja Antiga, por Kellen.

A Antiga Igreja Britânica e Irlandesa, por Cathcart.

História da Igreja, por Kurtz.

Livro Fonte da História da Igreja Antiga, por Ayer.

Leitura sobre História Batista, por W. R. Williams.

Princípios Batistas Distintos, por Pendleton.

Doutrinas de Nossa Fé, por Wallace.

Sucessão Batista, por Ray.

Perpetuidade da Igreja, por Jarrell.

A Igreja, por Harvey.

Diretório das Igrejas Batistas, por Hiscox.

A Antiga Igreja Católica, por Rainey.

História da Inglaterra, por Macaulay.

Dez Épocas da História da Igreja, por Walker.

História Batista, por Isaac Backus.

Guia para o Estudo da História da Igreja, por McGlothlin.

História Eclesiástica, por Mosheim.
As Igrejas do Novo Testamento, por McDaniel.

Fundamentos da Fé, por Nowlin.

Débitos do Mundo aos Batistas, por Porter

Minha Igreja, por J. B. Moody.

A Igreja do Novo Testamento, por T. T. Martin.

A Igreja e o Reino, por Thomas.

Axiomas da Religião, por Mullins.

Síntese da Verdade Bíblica, por Schofield.

A Fusão da Doutrina, por Thomas.

Disciplina da Igreja Episcopal Metodista.

Crenças Batistas, por Mullins.

Crenças Bíblicas, por H. B. Taylor.

Ecclesia—a Igreja, por B. H. Carroll.

Denominacionalismo em Teste, por Tull.

Igrejas Batistas Apostólicas, por Newman.       

Sete Fundamentos Batistas, por Connor.

A Fé Batista, por M. P. Hunt.

A Posição Batista, por J. F. Love.

A Lei Batista da Continuidade, por Smith.

A Igreja, uma Vida Composta, por Prestridge. 

Compêndio de História Batista, por Shackelford.

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Tradução e Revisão: Jeanne Borgerth Duarte Rangel

 

Congregação Batista da Graça

Rua Porto Colômbia Nº 23
Vila Permanente – Tucuruí – Pará
Reuniões: Sábados e Domingos às 19: 30 hs

Fones:
(94) 3778-3031 e (94) 91462114

“A Salvação vem do SENHOR...”
Salmo 3: 8



[1] Aqui Roy Mason faz referencia a associações e convenções, pois o mesmo ainda fazia parte da Convenção Batista do Sul EUA no inicio. Não estamos de acordo com o Dr. Mason neste ponto, pois sabemos o que sempre ocorre com igrejas que fazem parte de convenções e associações, elas perdem sua autoridade e autonomia como igrejas de Cristo. Muitas igrejas perderam sua identidade pratica por causa deste tipo de envolvimento. Jesus fundou igrejas e não convenções e associações. Portanto elas que tem a autoridade dada por Seu Cabeça, Cristo Jesus.



Só use as duas Bíblias traduzidas rigorosamente por equivalência formal a partir do Textus Receptus (que é a exata impressão das palavras perfeitamente inspiradas e preservadas por Deus), dignas herdeiras das KJB-1611, Almeida-1681, etc.: a ACF-2011 (Almeida Corrigida Fiel) e a LTT (Literal do Texto Tradicional), que v. pode ler e obter em http://BibliaLTT.org, com ou sem notas.



(Copie e distribua ampla mas gratuitamente, mantendo o nome do autor e pondo link para esta página de http://solascriptura-tt.org)




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