As 70 Semanas De Daniel


Por David Cloud

Maio 26, 2015






            A profecia das “70 semanas” de Daniel é uma das profecias mais importantes e surpreendentes das Escrituras. Um livro que prediz o futuro com detalhes perfeitos é, obviamente, um livro divino!

 

“24 Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniquidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo. 25 Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos angustiosos. 26 E depois das sessenta e duas semanas será cortado o Messias, mas não para si mesmo; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações. 27 E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador (Daniel 9:24-27).

 

            As 70 semanas são semanas de anos, ou 490 anos [70 x 7 dias da semana]. Esta conclusão se dá pelo cumprimento da profecia.

            Durante o período de 70 semanas, o julgamento de Deus sobre Israel será completado e [logo depois] Cristo retornará para estabelecer Seu Reino.

            O anjo fala a Daniel que a profecia diz respeito ao seu próprio povo, os judeus, e à cidade santa, Jerusalém (Dn. 9:24).

            As primeiras 69 semanas (69x7 = 483 anos) duraram desde o tempo que a ordem fora dada para “restaurar e reconstruir Jerusalém”, após o cativeiro babilônico até o tempo de Cristo “ser cortado” [v.26].

            Houve duas ordenanças pelos reis persas que disseram respeito à reconstrução de Jerusalém. Primeiramente, houve o mandamento por Ciro para Zorobabel, em 536 A.C.; em segundo lugar, em 444 A.C., o mandamento por Artaxerxes para Neemias, que disse respeito à reconstrução dos muros e da cidade (Nem. 2:1-8). Desde o que fora anunciado em Daniel 9:25, particularmente sobre a reconstrução do muro e ruas da cidade, parece-nos que a ordem de Artaxerxes deu início às 69 semanas.

            Existem muitas dificuldades em determinar exatamente as datas envolvidas. Seguem duas dessas difuuldade: Primeiramente, tanto judeus quanto os babilônios e persas usavam diferentes calendários com meses diferentes. O calendário Juliano, ou romano, de que fazemos uso atualmente, possui também suas diferenças. Este é o motivo da dificuldade em saber exatamente qual foi o ano de nascimento e morte de Cristo em nosso calendário. Em segundo lugar, os calendários judeu e persa têm 360 dias, ao invés de 365 dias do nosso calendário romano. Isto significa que os 483 anos (69 x 7) de Daniel 9 representam 483 x 360 = 173.880 dias, ou ainda 476,067663 de nossos anos de 365,242199 dias [476 anos, 24 dias e 17 horas].

Por uma recontagem de dias, a ordem de Artaxerxes para Neemias ocorreu em 445 A.C., e, por outra [recontagem], em 444 A.C. Sir Isaac Newton definiu a data correta como 457 A.C., sendo tal data colocada na margem da Bíblia King James no início de 1701.

Sir Robert Anderson, advogado e investigador da Scotland Yard, além de brilhante estudante da Bíblia, concluiu que o mandamento foi dado em 14 de Março de 445 A.C., e Cristo entrou em Jerusalém montado em um jumento na data de 6 de Abril de 32. Ele documentou sua posição em seu livro A Vinda do Príncipe, em 1895. http://www.whatsaiththescripture.com/Text.Only/pdfs/The_Coming_Prince_Text.pdf

Em nossa perspectiva, após 2.500 anos, torna-se difícil saber as datas exatas da profecia, mas o importante é que os judeus dos dias de Cristo conheciam as datas, e eles não tinham desculpas por não saberem exatamente quando viria o Messias, o Príncipe, ou o que aconteceria no advento da Sua vinda.

Concordamos com o seguinte ponto de vista: “Se o próprio Gabriel disse que Jesus seria ungido exatamente 483 anos mais tarde, quem sou eu para discutir se de fato ocorreu em 456, 457, ou 458, só porque não tenho habilidade matemática suficiente para calcular a data corretamente? Acredito que haja evidência suficiente para provar, para quem quiser acreditar, que esta profecia de 490 anos abrange o tempo desde quando Artaxerxes deu a ordem para restaurar Jerusalém, até que Jesus viesse para cumprir seu ministério na terra" ("O início dos 490 anos" http://dedication.www3.50megs.com/457.html). "The Beginning of the 490 years: 457 BC" [Nota de Hélio: o site é Adventista do Sétimo Dia, eventualmente transparece heresias próprias desta seita, mas está basicamente correta na linha principal deste artigo]

A profecia de Daniel descreve quatro grandes eventos ocorridos após a ordem dada para reconstruir Jerusalém.

Em primeiro lugar, foram reconstruídas as ruas e os muros. Esta primeira fase foi completada em 7 semanas, ou 49 anos (Dn. 9:25). A ordem para reconstruir Jerusalém foi dada em 444 A.C. Os muros foram finalizados no ano seguinte, sendo que o trabalho de reconstrução da cidade continuou aparentemente por mais 48 anos. Todo o trabalho foi realizado em “tempos de tribulação”, como podemos confirmar no livro de Neemias. É provável que os 49 anos coincidam com a mensagem profética final entregue por Malaquias no Antigo Testamento, dando início então aos “400 Anos de Silêncio” até a vinda de Cristo.

Em segundo lugar, 69 semanas após a ordem de reconstrução, o Messias, o Príncipe, veio e foi “cortado, mas não para Si mesmo”, significando que Ele morreu na cruz pelos pecados dos homens (Dn. 9:25-26). Sua morte foi substitutiva [Ele foi morto em nosso lugar]. As 69 semanas (483 anos do calendário judaico e 476 anos do calendário romano) tiveram fim quando o Messias veio como príncipe. Isto aconteceu quando Cristo entrou em Jerusalém montado em um jumento, poucos dias antes da crucificação, quando foi aclamado “o Rei que vem em nome do Senhor” (Zc. 9:9; Lc. 19:37-38).

Em terceiro lugar, a cidade e o templo foram destruídos (Dn. 9:26). Este evento ocorreu nos anos 70 D.C. pelas mãos do exército romano, sob o comando do general Tito.

Em quarto lugar, haverá guerras e desolações até o tempo do fim. Esta é uma perfeita descrição dos últimos 2.000 anos da história de Israel, o que também descreve o que acontecerá com Israel antes do retorno de Cristo. Ainda hoje, apesar do retorno à terra, Israel não está em paz, e não terá paz até que se arrependa e receba o seu Messias, Jesus.

A semana final, ou os últimos sete anos, da profecia de Daniel ainda não se cumpriu (Dn. 9:27), e é este o período descrito por Jesus em Mateus 24. O período compreendido entre as semanas 69 e 70 (entre Dn. 9:26 e 9:27) é a era da igreja, chamada de “mistério” por não ter sido revelada aos profetas no Antigo Testamento (Ef. 3:3-6). A era da igreja é como um vale que os profetas do Antigo Testamento não enxergaram entre os picos da primeira e segunda vinda de Cristo. Paulo descreve a era da igreja como o tempo da cegueira de Israel em Rm. 11:25-27.
25 Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado.26 E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, E desviará de Jacó as impiedades.27 E esta será a minha aliança com eles, Quando eu tirar os seus pecados.

A última semana (sétima semana) da profecia de Daniel é dividida em duas partes (Dn. 9:27). 27 E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador. Na parte inicial da sétima semana, o anticristo fará uma falsa aliança de paz com Israel, e será provavelmente nesta época que o templo judaico será reconstruído em Jerusalém. Em meados dos sete anos, o anticristo irá quebrar a aliança a se autoproclamar Deus. Compare 2 Ts. 2:3-4. 3 Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição,4 O qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus. Este evento marca o começo dos três anos e meio da grande tribulação. Jesus chama este evento de “a abominação da desolação” (Mt. 24:15).

Apocalipse 6-19 descreve o mesmo período de tempo (o final da “semana” da visão de Daniel), e também divide o tempo em dois períodos de três anos e meio.

Durante a primeira metade do período da tribulação, as duas testemunhas de apocalipse 11 pregarão por 1.260 dias, ou três anos e meio (Ap. 11:3).

Durante a segunda metade do período da tribulação, o anticristo governará por 42 meses, ou três anos e meio (Ap. 13:5), e o Israel convertido deverá fugir para o deserto e ali permanecerá por 1.260 dias, ou três anos e meio (Ap. 12:6).




David Cloud


traduzido por Guilherme Cardoso, maio.2015.








Só use as duas Bíblias traduzidas rigorosamente por equivalência formal a partir do Textus Receptus (que é a exata impressão das palavras perfeitamente inspiradas e preservadas por Deus), dignas herdeiras das KJB-1611, Almeida-1681, etc.: a ACF-2011 (Almeida Corrigida Fiel) e a LTT (Literal do Texto Tradicional), que v. pode ler e obter em http://BibliaLTT.org, com ou sem notas.



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