A CIENTOLOGIA NO BRASIL

Dr. Paulo Romeiro

As revistas Época [1] e Veja [2] publicaram, neste ano de 2005, artigos sobre a Igreja da Cientologia, um grupo religioso de auto-ajuda que tem atraído vários famosos de Hollywood, entre eles Tom Cruise, John Travolta e Juliette Lewis, o cantor de soul Isaac Hayes e Lisa Marie Presley, filha de Elvis Presley.  As reportagens de Época e Veja são oportunas, pois se trata de um grupo que já exportou suas doutrinas para 150 países do mundo.

As informações apresentadas aqui são, em sua maioria, retiradas das revistas Época e Veja. Além de informar os leitores da AGIR (Agência de Informações Religiosas) sobre o grupo, este artigo pretende demonstrar em que a Cientologia difere das doutrinas básicas do cristianismo e oferecer uma alternativa, com base na fé cristã, aos que estão em busca de salvação, esperança e paz.

A cientologia foi fundada por Lafayette Ron Hubbard, nascido em 1911 e falecido em 1986. Hubbard foi escritor de livros baratos de ficção científica e de aconselhamentos que promovem os poderes da mente humana. Em 1950, publicou seu livro mais conhecido intitulado A Dianética: ciência moderna da saúde mental, o qual se tornou o texto principal do seu movimento religioso, iniciado em 1955. Hubbard pregava que o ser humano é imortal, mas precisa “limpar sua mente” dos traumas que viveu nesta e em outras encarnações se quiser se desenvolver mentalmente.

De acordo com Época, a Igreja da Cientologia é “alvo de centenas de denúncias e condenações judiciais por delitos que vão de fraude fiscal a chantagem. Por essa razão, a estratégia de expansão do culto mira agora os países em desenvolvimento, onde há menos informação sobre as denúncias contra a seita e muita gente não fala inglês, portanto não entende os sites com acusações contra os cientologistas. Na Indonésia e na Gâmbia, por exemplo, os princípios da religião já são aplicados nos sistemas carcerário e educacional. Da Venezuela, saem missionários para os países vizinhos da América do Sul. O mercado mais cobiçado pela cientologia, no entanto, é o Brasil”. O movimento já possui duas missões na capital paulista e uma em Jundiaí, no interior do Estado. De gente famosa no Brasil, apenas Mônica Buonfiglio, escritora esotérica,  aderiu ao culto. No Brasil, o número de féis não passa de 200.

Época informou também que a cientologia chegou ao Brasil em 1994, através de Lucia Winther, sua principal líder e porta-voz no país. A editora Ponte publica os livros do movimento no Brasil. Segundo a revista, Lucia coordena as atividades do grupo e organiza as palestras, como as do venezuelano Augustín Pinto, que esteve em dezembro de 2004 em São Paulo. Nesses encontros, o grupo se apresenta sob o nome de dianética, uma terapia que levaria os participantes à “iluminação espiritual”. Nesse encontro, realizado na cidade de São Paulo, e que durou duas horas, Pinto só mencionou a palavra cientologia nos últimos minutos da palestra.  Muitos dos participantes não sabiam que se tratava de uma religião.

Veja resumiu assim o mito da criação, segundo o fundador da Igreja da Cientologia: “Há 75 milhões de anos, dezenas de planetas se reuniam numa espécie de ‘confederação das galáxias’, governada por um líder maligno, Xenu. Para sanar o problema do superpovoamento nesses planetas, Xenu teria segregado bilhões de seus habitantes na terra. Eles foram mortos com bombas de hidrogênio e seus espíritos – os ‘thetans’ – passaram a vagar pelo planeta. Depois disso, os thetans foram submetidos a um processo que os tornou inaptos a tomar decisões. Cada habitante da Terra atual seria uma reencarnação desses espíritos. Com seus infindáveis – e caríssimos – cursos de aperfeiçoamento, a cientologia promete aos adeptos a possibilidade de despertar seus poderes espirituais adormecidos, por meio da desintoxicação física e de exercícios mentais”. [3]     

De acordo com o artigo, Hubbard afirmava que todo o mal que acontece na vida do ser humano fica arquivado na mente reativa e se torna uma fonte de stress, ansiedade, depressão, agressividade e pessimismo.  Para resolver tais problemas, a cientologia sugere o uso do eletropsicômetro ou e-meter, um aparelho que mede o nível de stress, usando uma tecnologia parecida com aquela dos detectores de mentiras. As pessoas são abordadas em lugares públicos e uma vez verificado o stress, encorajadas a passar por uma desintoxicação química do corpo. Para evoluir, o crédulo tem de fazer muitos cursos que chegam a custar milhares de dólares. A igreja ameaça com processo quem divulgar o conteúdo dos cursos, pois conhecer tais “revelações” de forma errada pode levar à morte por pneumonia. [4] Os incautos que se cuidem!

A cientologia já produziu vários dissidentes. Um deles, Arnaldo Lerma, mantém um site chamado Exposing the Con (Expondo a trapaça) no endereço www.lermanet.com. Lerma foi processado por divulgar na rede escritos “sagrados” pelos quais a seita costuma cobrar uma fortuna. Lerma descreve o que classifica como manipulações e tentativas de extorsão dos seguidores do culto durante os processos de “audição”. Segundo seus próprios relatos e de outros ex-cientologistas, os “auditores” buscariam arrancar segredos dos fiéis durante o processo para chantageá-los. Segundo Época, a cientologia está envolvida em disputas judiciais em quase todos os 40 países em que está presente.

Ankerberg e Weldon informam que através de um conselheiro (chamado auditor), a cientologia oferece um método para resolver os problemas da humanidade. Os auditores “localizam” e “resolvem” os “engramas”, que são experiências traumáticas passadas que dificultam a verdadeira iluminação espiritual. A cientologia afirma que pode, eventualmente, libertar o espírito humano de sua escravidão ao mundo material. [5]

Jean-François Mayer comenta:

O objetivo da Cientologia não é obter o “perdão dos pecados”, mas chegar a apagar os “engramas”; ela não insiste tanto em cerimônias (embora tenha serviços religiosos para os casamentos, funerais etc), mas, preferentemente, no que se poderia chamar de “ritos tecnológicos”; a meta definitiva para a humanidade não é a “salvação”, mas a “sobrevida” (não somente num sentido biológico) etc. [6] \

RESPOSTA BÍBLICA

A Bíblia Sagrada proclama, enfaticamente, a singularidade de Jesus Cristo como Senhor e salvador. Sua vida, morte de cruz e ressurreição física dentre os mortos são o fundamento da fé cristã e garantia da vida eterna após a morte física de toda a pessoa que nele crê. Embora as palestras da cientologia tentem levar os seus participantes à “iluminação espiritual”, o evangelho de João apresenta Jesus Cristo como “a verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem” (João 1.9). O próprio Jesus declarou: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida” (João 8.12).

Quando a cientologia propõe libertar o espírito humano da escravidão ao mundo material, ela entra em contradição com a Palavra de Deus. A verdadeira liberdade só pode ser encontrada em Jesus, como atestam suas palavras: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará... Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8.32, 36). O único caminho para a iluminação espiritual e para a salvação da alma é Jesus. São suas estas palavras: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14.6). Observe que Jesus não disse ser um caminho (artigo indefinido), mas o caminho (artigo definido); portanto, o único.

Quanto à reencarnação ou vidas passadas, não pretendo tratar do assunto neste artigo. Esse tema será objeto de análise num futuro próximo. Entretanto, posso adiantar que a teoria da reencarnação contradiz a doutrina da salvação em Cristo apresentada na Bíblia Sagrada. É impossível conciliar a reencarnação com a expiação de Cristo na cruz em favor do pecador. A Palavra de Deus mostra que a purificação de pecados só é possível através do sangue de Jesus e não através da reencarnação: “Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1João 1.7). Veja ainda: “E da parte de Jesus Cristo, a Fiel Testemunha, O Primogênito dos mortos, e o Soberano dos reis da terra. Aquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados” (Apocalipse 1.4, 5). Na sua visão apocalíptica, João viu uma grande multidão diante do trono de Deus, de todas as tribos, e línguas, e povos, e nações que havia sido purificada no sangue do Cordeiro (Jesus). Isso está em Apocalipse 7.9–14.

De acordo com o comentário no livro de Jean–François Mayer, a cientologia não tem por objetivo obter o perdão dos pecados, mas apagar as “engramas” e nem tem por meta a salvação, mas a sobrevida. Ora, tudo isso contradiz também a Bíblia Sagrada. Ao anunciar o nascimento de Jesus, o anjo declarou: “E lhe porás o nome Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mateus 1.21). Paulo escreveu aos romanos sobre o objetivo do evangelho: “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê...” (Romanos 1.16). Portanto, o perdão dos pecados e a salvação eterna são temas centrais dos ensinos de Jesus. Aliás, esse é o desejo de Deus: que todas as pessoas sejam salvas e cheguem ao pleno conhecimento da verdade (1Timóteo 2.4).

O apóstolo Paulo escreveu que a graça de Deus (Jesus) se manifestou trazendo salvação a todas as pessoas (Tito 2.11). Paulo acrescenta ainda que Jesus “a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras” (Tito 2.14). É o que Pedro também testemunha: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (Atos 3.12).

À luz da Bíblia Sagrada, tudo o que procura substituir a Cristo não tem valor para salvação da alma  e deve ser rejeitado. Paulo disse que preferiu abandonar tudo o que fosse necessário para ganhar a Cristo (Filipenses 3.8). Isso, porém, deve ser feito sem imposição. A fé cristã não pode ser forçada sobre uma pessoa ou um povo. Creio na liberdade de crença e a promovo também. Defendo que cada ser humano deve ter ou pode ter a liberdade de escolher a religião que quiser ou não escolher qualquer religião. Jesus nunca forçou as pessoas a seguí-lo ou amá-lo. A Bíblia diz que ele amou o jovem rico, mas, não o impediu de ir embora (Marcos 10.21, 22). Ao chorar sobre a cidade de Jerusalém, Jesus declarou-lhe: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes”! (Mateus 23.37).

Se você está lendo este artigo e ainda não tem um relacionamento com Deus através de Jesus Cristo, se ainda não teve um encontro de salvação com Jesus, busque-o o mais breve possível. Comece pela leitura da Bíblia, principalmente, pelos evangelhos, a fim de conhecer a Cristo, amá-lo e ter nele a vida eterna. Reconheça que é um pecador e que precisa do Salvador. Uma paz muito profunda e duradoura vai tomar conta de você. É o que acontece quando uma pessoa é salva por Jesus. O apóstolo Paulo explicou com as seguintes palavras: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Romanos 5.1). É pela fé. Não é pelo que vemos, sentimos ou apalpamos. Basta crer. Depois, procure uma igreja Evangélica onde Cristo é anunciado e a Bíblia Sagrada é obedecida. Assim, você crescerá no conhecimento de Deus e da sua Palavra e será feliz para sempre. Que Deus o (a) abençoe!



[1] RUSSO, Guilherme. De Hollywood para os trópicos. Revista Época, Edição 354, 28/02/2005.

[2] MENAI, Tânia. Crença de outra galáxia. Revista Veja, ano 38, nº. 30, 27 de julho, 2005, p. 114–116.

[3] Ibid.

[4] Ibid.

[5] ANKERBERG, John & WELDON, John. Cults and New Religions. Eugene, Oregon. Harvest House Publishers. 1999. P. 423. Traduzido por mim.

[6] MAYER, Jean-François. Novas seitas. São Paulo. Edições Loyola. 1989, p. 56.



Todas as citações bíblicas são da ACF (Almeida Corrigida Fiel, da SBTB). As ACF e ARC (ARC idealmente até 1894, no máximo até a edição IBB-1948, não a SBB-1995) são as únicas Bíblias impressas que o crente deve usar, pois são boas herdeiras da Bíblia da Reforma (Almeida 1681/1753), fielmente traduzida somente da Palavra de Deus infalivelmente preservada (e finalmente impressa, na Reforma, como o Textus Receptus).



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