[Pedro em Roma: Disfarçado? Em Missão Secreta? Incógnito? Invisível?]



1. Se Pedro esteve em Roma, então por que a Bíblia não diz nada sobre isto, já que menciona muitas cidades por onde ele passou, tais como Jerusalém, Samaria, Lida, Jope, Cesaréia, Coríntios, Antioquia... mas sobre Roma no entanto, não diz nada?!

2. Por que Lucas “o historiador” não se preocupou em registrar nada sobre o “príncipe dos apóstolos” e seu episcopado em Roma, pelo contrário voltando-se quase exclusivamente ao ministério de Paulo?!

3. Paulo escreveu sua epístola aos Romanos (56-58) enviando saudações a 26 pessoas mas o nome do “Papa São Pedro” sequer é mencionado. Porventura deixaria Paulo de mencionar Pedro, caso estivesse este em Roma e ai fosse bispo? Outrossim, Paulo ao enviar as “cartas do cativeiro”, escritas em Roma envia saudações citando nominalmente 11 irmãos. Se Pedro estivesse em Roma teria Paulo omitido seu nome em todas as quatro cartas ? Creio que não!

4. Demais disso, não teria Paulo invadido o território jurisdicional de Pedro ao enviar uma carta de instruções corretivas àquela Igreja ? Onde estava Pedro que não instruía os romanos sobre a justificação pela fé ?

5. Entre os anos 60-61 Paulo chega preso em Roma (At. 28:11,31), Lucas registra que os irmãos foram vê-lo (At. 28:15). Mas onde estava Pedro que não foi receber seu colega de ministério?

6. Suetonius Tranquillus, pagão, na Biografia do Imperador Cláudio, diz: “Judacos, impulsore Cresto, assidue tumultuantes Roma expulit”. Quer dizer: - O Imperador Cláudio expulsou de Roma os Judeus que viviam em contínuas desavenças por causa de um certo Cresto (Cristo). Ora, Cláudio foi Imperador desde o ano de 41 até 54 {*}. Logo, durante esses treze {*} anos não era possível que S. Pedro residisse em Roma. No Capítulo 18 dos Atos dos Apóstolos, lemos que Paulo, depois do célebre discurso no Areópago, seguiu para Corinto, onde se encontrou com Áquila e sua esposa Priscila, recentemente chegados de Itália, pelo motivo de Cláudio Imperador ter mandado sair de Roma a todos os judeus. Ora, este encontro do Apóstolo deu-se no correr da sua segunda viagem apostólica, isto é, entre os anos de 52 a 54. Logo, ainda nesses anos Cláudio não permitia a permanência de judeus em Roma. Como ficaria lá São Pedro, que, como Apóstolo, devia necessariamente chamar a atenção geral sobre sua pessoa? {* Prof. Josias Baraúna escreveu observando o ano em que Claudius oficialmente, por decreto, expulsou os judeus de Roma foi o ano de 49}

7. Se Pedro estivesse em Roma no ano 60 como se afirma a tradição, como então deve se entender as palavras de Jesus a Paulo em Atos 23:11 que diz: “Importa que dês testemunho de Mim também em Roma.” Ora, onde estava Pedro “o Papa” da cristandade que não tornava conhecido o nome de Jesus nesta cidade ?

8. Paulo foi a Roma, a sua primeira vez, como um prisioneiro, em virtude de haver apelado para o Tribunal de César, em torno dos anos de 60 ou 61, lá não encontrando cristãos entre os judeus. Ora, se S. Pedro estivesse em Roma pregando exclusivamente aos judeus como nos garante Eusébio, como se pode explicar a ignorância dos principias judeus de Roma, que disseram a Paulo: “Quereríamos ouvir da tua boca o que pensas, porque o que nós sabemos desta Seita (dos Cristãos) é que em toda parte a combatem”. Então Pedro, durante dezoito anos, poderia permanecer desconhecido dos principais judeus de Roma? Ele, a quem fora confiado o Ministério aos circuncidados no dizer de Paulo (Gal. 3:7-10) e de Eusébio Pámphili?

9. Ora [pergunta-se], mas se Pedro estivesse preso, não seria esta a razão de sua omissão? Neste caso Paulo seria relapso em não registrar este fato como fez com seus demais companheiros de prisão (cf. Colossenses 4:10 – Filemon 23).

10. Dizem os estudiosos católicos que Pedro morreu no reinado de Nero em 69 d.c, outros colocam isto no ano de 67, e ainda outros no ano de 64. A tradição diz que ele exerceu o episcopado durante 25 anos. Subtraindo 25 de 69 chegamos ao ano de 44 onde afirma a tradição que Pedro chegou a Roma (Hist. Ecl. II – XIV) Esta tese encontra duas grandes dificuldades: A primeira é que o edito de Nero {*} expulsando os judeus durou de 42 até 54, motivo também da expulsão de Áquila e Priscila. Pedro não seria exceção tampouco! A segunda é que, no ano 45, Pedro escreve sua primeira epístola, e que por sinal não era de Roma mas de “Babilônia”, cidade existente naqueles dias (I Pedro 5:13). {* Nota de Hélio: provavelmente a autora, Taciana M. Magalhães Figeiroa, quis se referir ao edito de Claudius, usualmente datado como tendo saído no ano de 49, e durando até a sua morte em 54. Nero, que começou a reinar em 54, cometeu sua matança dos cristãos em 64, quando incendiou Roma e lançou a culpa neles.}

11. Se Roma tem a primazia por ser supostamente considerada a cidade em que Pedro alegadamente exerceu seu ministério, então razão maior deveria ser dada a Antioquia pois diz a mesma tradição que antes de Pedro ir para Roma exerceu primeiro seu episcopado em Antioquia deixando lá seus sucessores: Evódio e Inácio.

12. Porque estudiosos católicos como Rivaux, Fank, Hughes e Daniel Rops se contradizeram ao fazer as listas dos bispos de Roma já que usaram a mesma tradição como fonte?

{13. ADENDO POR HÉLIO: O mais decisivo, para mim, não vem da História, mas da declaração de Paulo que somente lançaria a semente do evangelho em regiões gentílicas não alcançadas, NUNCA edificaria sobre fundamento nenhum que tivesse sido lançado por outro pregador/ evangelizador/ doutrinador/ plantador de igrejas: 20  E desta maneira me esforcei por anunciar o evangelho, não onde Cristo foi nomeado, para não edificar sobre fundamento alheio; 21  Antes, como está escrito: Aqueles a quem não foi anunciado, o verão, E os que não ouviram o entenderão.” (Rm 15:20-21 ACF) .) Para mim, este é o ponto final: Paulo sempre pregou somente onde outro apóstolo ou discípulo não tivesse plantado uma igreja, mesmo em forma incipiente. Isto prova definitivamente que, mesmo se Pedro tenha visitado algum parente ou grande amigo em Roma por alguns dias ou meses, decididamente ele NÃO foi o plantador da igreja de Roma, caso contrário Paulo não teria sequer desejado ir até Roma  “22 ¶  Por isso também muitas vezes tenho sido impedido de ir ter convosco. 23  Mas agora, que não tenho mais demora nestes sítios, e tendo já há muitos anos grande desejo de ir ter convosco, 24  Quando partir para Espanha irei ter convosco; pois espero que de passagem vos verei, e que para lá seja encaminhado por vós, depois de ter gozado um pouco da vossa companhia. 25  Mas agora vou a Jerusalém para ministrar aos santos. 26  Porque pareceu bem à Macedônia e à Acaia fazerem uma coleta para os pobres dentre os santos que estão em Jerusalém. 27  Isto lhes pareceu bem, como devedores que são para com eles. Porque, se os gentios foram participantes dos seus bens espirituais, devem também ministrar-lhes os temporais. 28  Assim que, concluído isto, e havendo-lhes consignado este fruto, de lá, passando por vós, irei à Espanha. 29  E bem sei que, indo ter convosco, chegarei com a plenitude da bênção do evangelho de Cristo.” (Rm 15:22-29 ACF) (Depois disso, em duas ocasiões Paulo realmente foi a Roma e pregou à igreja de lá durante poucos anos)}.




Taciana Marroquim Magalhães Figueiroa
 



 




Todas as citações bíblicas são da ACF (Almeida Corrigida Fiel, da SBTB). As ACF e ARC (ARC idealmente até 1894, no máximo até a edição IBB-1948, não a SBB-1995) são as únicas Bíblias impressas que o crente deve usar, pois são boas herdeiras da Bíblia da Reforma (Almeida 1681/1753), fielmente traduzida somente da Palavra de Deus infalivelmente preservada (e finalmente impressa, na Reforma, como o Textus Receptus).



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