Testemunhas de Jeová: Transfusão de Sangue é Caso de Polícia

 
Pr Airton Evangelista da Costa

 


 

Uma das muitas proibições impostas pela Sociedade Torre de Vigia (STV) ao seu cativo rebanho consiste em não permitir transfusão de sangue, quer como receptor, quer como doador. Sob a falsa alegação de que é para fazer a vontade de Jeová, um filho não pode doar sangue à sua própria mãe, ainda que este sangue seja necessário a que ela continue viva. Uma má interpretação bíblica gerou essa aberração dogmática. Às vezes, faz-se necessária a intervenção da Polícia para garantir a transfusão de sangue em pacientes em situação crítica.

O jornal New York Daily News, edição de 27 de abril de 1952, relata que “o pai e dois irmãos de uma mulher gravemente ferida foram presos por impedirem ao médico de proceder à transfusão de sangue na paciente, sendo que esta, não sendo testemunha de Jeová desejava a medida heróica. Outro fato, dentre muitos, foi o relatado pelo mesmo jornal. Um jovem casal impediu a transfusão de sangue no filho de nove anos. O médico protestou e chamou a autoridade para intervir, mas... tarde demais. O menino morreu. O pai, Thomas Grzyb, declarou: “Foi a vontade divina. Cumpri a lei de Deus. Se chamam assassino, esta é vontade de Deus”. (01)

“No site consultor jurídico deparei com a seguinte matéria: “Pai e filha são presos ao impedir transfusão de sangue”. A ordem partiu da juíza Jaqueline Teixeira, do Rio de Janeiro, após Manoel Barbosa (70) e sua filha Marlene Barbosa (50) terem impedido a transfusão de sangue para salvar dona Irani Barbosa (78), esposa de Manoel e mãe de Marlene. Pai e filha são adeptos da seita Testemunhas de Jeová. Com certeza a juíza, depois desse fato, passou a ser vista pelos seguidores da seita como possuída pelo diabo. Muitas vidas já foram sacrificadas em nome de uma fé cega que abomina a razão e conduz ao fanatismo. Qual a diferença entre matar e simplesmente deixar morrer?” (02)



 

Júbilo  na morte de jovens

O Corpo Governante, através da revista Despertai, de 22 de maio de 1994, manifestou sua satisfação e aprovação diante da morte de jovens que se recusaram a receber o tratamento médico. Leiam: “No passado, milhares de jovens morreram porque colocaram Deus em primeiro lugar. Ainda há jovens assim, só que hoje o drama acontece em hospitais e tribunais, tendo como questão as transfusões de sangue”. Em seguida, conta os casos de três crianças que morreram depois de recusarem tratamento com sangue. “A aderência leal à doutrina do sangue custou a vida a milhares de Testemunhas. Apesar deste fato, muitos anciãos, membros das Comissões de Ligação com Hospitais e pessoas que já há muito tempo observam a Watchtower (Torre de Vigia) acreditam que é só uma questão de tempo até a organização revogar (abandonar) a sua política a respeito do sangue, e o uso de todos os produtos do sangue se tornar um assunto de consciência”. (03)

Notem como eles, o pequeno grupo de líderes, incentivam a morte de jovens como se nessa proibição estivesse a essência da doutrina da salvação. Há um desprezo pela vida humana. Seria possível concordar nessas mortes se houvesse respaldo bíblico para não se submeter à transfusão de sangue. Mas não há.  Com certeza, o Espírito Santo não está guiando esses líderes na formulação de doutrinas. Pois é Ele quem “convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8). Ao contrário do que ensina o Corpo que governa com mão forte o rebanho de testemunhas, o Cristianismo ensina que “devemos dar a vida pelos irmãos”, pois Ele, Jesus Cristo, “deu a vida por nós” (1 Jo 3.16). E que “ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém sua vida pelos seus amigos” (Jo 15.13). E mais: “Aquele que pode fazer o bem e não o faz, comete pecado” (Tg 4.17). Os líderes da STV ensinam que se a sua mãe estiver entre a morte e a vida, e se o sangue do filho for a única garantia de que continuará viva, mesmo assim, ele, como testemunha fiel, deverá deixar sua mãe morrer.

Muitos dos que obedecem às ordens do Corpo Governante já não suportam mais ver seus irmãos de fé morrer por falta de transfusão de sangue. A doutrina do “deixa morrer” em nome de Jeová é incompatível com o Cristianismo. O pior é que eles afirmam que “os verdadeiros cristãos” não aceitam a transfusão, como se a Sociedade Torre de Vigia fosse uma religião cristã. The Associated Jehovah´s Witnesses for Reform on Blood (As Testemunhas de Jeová Associadas Para a Reforma na Questão do Sangue) “é um grupo heterogêneo de Testemunhas de muitos países, incluindo anciãos e outros representantes da organização, membros das Comissões de Ligação com Hospitais, Médicos, Advogados, defensores dos direitos das crianças e membros do público em geral que ofereceram voluntariamente o seu tempo e energias num esforço para acabar com a política trágica e enganadora que já custou milhares de vidas, sendo muitas das vítimas crianças” (03)

Esses associados estão se rebelando contra decisões do Corpo Governante. A ordem é para que obedeçam cegamente; do contrário, os rebelados serão severamente punidos com “desassociação”, nome esquisito que significa a expulsão da organização. Só isso? Não. O desassociado é considerado “apóstata” e “instrumento de Satanás”; as Testemunhas estão proibidas de falar com uma ex-testemunha, ainda que seja um simples cumprimento, salvo sobre assuntos estritamente profissionais; a proibição alcança o âmbito familiar. Tratei desse assunto em “A Inquisição das Testemunhas de Jeová”, onde está registrado um relato de uma Testemunha que está freqüentando o “salão do reino” (como são chamados seus templos) apenas para não perder o convívio de seus familiares; e diz ainda que “MORRO DE MEDO se eles descobrirem que leio artigos na internet, contra a sociedade”.

O curioso é que até 1944 as Testemunhas podiam ser transfundidas sem que desobedecessem a Jeová. Ou seja, até aquele ano não era pecado. E quem fez transfusão nesse tempo? Não ressuscitará? Morreu em pecado? A partir de 1945, os dirigentes da STV receberam uma “nova luz” e passaram a proibir as transfusões. Como é que o “único e verdadeiro canal de Deus” somente descobriu a verdade muito tempo depois? As rebeldes Testemunhas que fundaram uma associação para protestar, como vimos acima, acreditam que dentro de pouco tempo a Sociedade vai liberar as transfusões de sangue. Aliás, já fizeram assim com as vacinas e os transplantes de órgãos, mas somente depois de muitas mortes. Nota-se que a STV manipula seu cativo rebanho como propriedade particular, tanto na vida como na morte.



 

Vacinas e transplante de órgãos

 Um número incalculável de óbitos já foi registrado em razão de proibições dessa natureza, ditadas por uma meia dúzia de homens – o temível Corpo Governante – que realmente governa a mente, a consciência e a vida de milhões de seguidores com a doutrina do “não pode”. O transplante de órgãos foi proibido até 1989; depois dessa data, foi liberado. Antes, era pecado e classificado como canibalismo. Agora, o “canal de Deus” está convicto de que não é da vontade de Deus que pessoas morram por falta de um coração ou um rim (4). De igual modo, até 1952 as Testemunhas que recebessem qualquer tipo de vacina (contra febre amarela, por exemplo) se colocava contra a vontade de Jeová e estava sujeita à desassociação (A Sentinela, de 12.10.1921, p.122). Em 1952, a vacinação foi liberada. Agora, as Testemunhas podem ser vacinadas e isto não é mais contra a vontade de Jeová (A Sentinela, de 15.12.1952). Na verdade, esses líderes brincam com vidas humanas. Caberia um exame rigoroso por um tribunal internacional para julgar se as mortes decorrentes de proibições religiosas se enquadram como crime contra a humanidade. Ora, são em torno de seis milhões de almas sob o controle da elite governante da STV. Até que ponto uma Testemunha pode, por motivos religiosos, deixar de prestar assistência a uma pessoa que depende de uma transfusão de sangue para sobreviver?

            Em razão da intransigente decisão antibíblica da STV, o Conselho Federal de Medicina, em sua Resolução CEM 1.021/1980, adotou a seguinte posição com relação às crianças: “Se houver iminente perigo de vida, o Médico, obedecendo ao seu Código de Ética Médica, praticará a transfusão de sangue, independentemente de consentimento do paciente ou de seus responsáveis”. Portanto, com relação a crianças, há jurisprudência no sentido de realizar a transfusão, mesmo contrariamente à vontade familiar: magistrados têm emitido mandados em situações de iminente risco de vida para acriança, propiciando até intervenção policial para que a transfusão se realize. Considerando-se que a vida é o bem maior, e que o Código de Ética Médica, no seu Artigo 46 diz que “É vedado ao médico efetuar qualquer procedimento médico sem o esclarecimento e o consentimento prévios do paciente ou de seu responsável legal, salvo em iminente risco de vida”, os profissionais podem agir de forma independente, em se tratando de adultos que desejem morrer em nome da “obediência” a Jeová. A Medicina foi criada em favor da vida; o Corpo Governante cria doutrinas em favor da morte.



 

O que diz a Bíblia?


Em nenhum lugar, de Gênesis a Apocalipse, há qualquer proibição relativa a transfusão de sangue, vacinas ou transplante de órgãos. A Bíblia não condena procedimentos médicos. O apóstolo Paulo chama Lucas de o “médico amado” (Cl 4.14). Jesus, referindo-se à Medicina, disse: “Não necessitam de médico os sãos, mas, sim, os doentes” (Mt 9.12). Logo, os doentes precisam recorrer à Medicina.

Vejamos a palavra oficial da STV:

           “Cada vez que se menciona a proibição do sangue nas Escrituras, é em relação com tomá-lo como alimento, é como nutrição que nos interessa sua proibição”. (05)

          Séria advertência: “... Se no futuro, ele persiste em aceitar transfusão de sangue ou em doar sangue para uso nesta espécie de tratamento em outros, ele mostra que realmente não se arrependeu, mas que se opõe deliberadamente aos requisitos de Deus. Visto que é um oponente rebelde e um exemplo infiel para os outros membros da congregação cristã, ele precisa ser cortado dela por ser desassociado. E defende a norma cristã correta perante todos os membros da congregação cristã, mantendo-se livre do sangue de todos os homens, assim como fez o apóstolo Paulo, que promulgou nas várias congregações gentias o decreto apostólico emitido em Jerusalém – Atos 20.26”. Vejam que a ameaça de excomunhão é uma constante na STV.

          “É errado suster a vida mediante infusões de sangue, plasma, glóbulos vermelhos, ou várias frações de sangue. A lei que Deus deu a Noé e que se aplica a todos os seus descendentes torna pecado qualquer pessoa comer sangue, isto é, usar o sangue de outra criatura para alimentar ou suster a vida”. (06)

          Proibido em 1962, como acima, o uso de “frações de sangue” foi liberado em 1974: “Alguns cristãos, porém, foram ocasionalmente exortados a aceitar a injeção dum soro preparado à base duma pequena quantidade duma fração de sangue. Cremos que isto deve ser decidido pela consciência de cada cristão [entenda-se como “cristão” nesse caso, os que recebem orientação da STV]” (07). Notem que ao liberar o uso de “uma pequena quantidade de sangue” liberaram qualquer porção de sangue. Se é pecado, tanto faz um mililitro como um litro. Houve uma monumental incoerência nessa liberação.


 A STV apresenta os seguintes versículos para justificar a esdrúxula proibição de transfusão de sangue:

         Gênesis 9.4: “A carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis”.
 Logo após o dilúvio, não havendo vegetação, Noé recebeu orientação de Deus a respeito do uso da carne como alimento. Esse versículo dar continuidade ao enunciado do anterior, onde “tudo o que se move e vive será vosso mantimento”, porém, Noé teria o cuidado de não comer a carne de animais ainda com vida, ou seja, com sangue. Nada aqui se refere a comer sangue humano. O monumental erro dos que servem à STV é deixarem que seus líderes pensem por eles. Simplesmente não meditam na Palavra para tirar suas próprias conclusões. E mesmo que o façam, são proibidos de manifestar qualquer desacordo com o que é ditado pelo “canal de Deus”. Qualquer posição contrária à posição da sociedade é rigorosamente avaliada e o “infrator” será punido com o castigo máximo: desassociação.



            Levítico 3.17: “Estatuto perpétuo será nas vossas gerações, em todas as vossas habitações: nenhuma gordura nem sangue algum comereis”.
O texto se refere, como os demais, a SANGUE DE ANIMAIS. Todo capítulo três trata de recomendações específicas sobre ofertas queimadas, mediante o sacrifício de ANIMAIS: “Porá a mão sobre a cabeça da sua oferta, e a degolará...” (vv.2,13); “Se a sua oferta... for de gado miúdo, seja macho ou fêmea...” (v.6); “Se trouxer cordeiro...” (v.7). Ninguém, na plenitude de suas faculdades mentais, deduzirá que se trata de sangue humano. Convém lembrar que a STV não proibiu, ainda, o consumo de GORDURA, como está no texto sob exame.  Seria o caso de proibir comer gorduras do corpo humano?


          Levítico 7.27: “Toda pessoa que comer algum sangue, será extirpada do seu povo” (v. Levítico 17.10, 11,14).
A recomendação bíblica se refere a SANGUE E GORDURA DE ANIMAIS, como está dito: “Nenhum sangue comereis... quer de aves, quer de gado” (vv. 23-26). Se a STV proibiu COMER sangue humano, por que não proibiu COMER também gordura? Foi a STV, e não a Bíblia, a tese de que transfusão de sangue é o mesmo que COMER sangue. A transfusão de sangue serve para substituir algo que o corpo perdeu; trata-se de uma reposição de algo perdido. Na verdade, equivale a um transplante de tecido líquido. (03)

           Atos 15.20, (v.29, 21.25):
“Que se abstenham das contaminações dos ídolos, da prostituição, do que é sufocado e do sangue”. Aqui também a referência é à carne animal. Não se trata de proibir COMER sangue humano. Não há o menor indício de que a igreja primitiva praticava o canibalismo e, por causa disso, houve a necessidade de impor restrições.

Em uma de suas citações, a STV menciona o apóstolo Paulo, e cita Atos 20.26, como que estivesse seguindo o exemplo dele.  Examinemos as palavras de Paulo, a partir do verso 22: “E agora, compelido pelo Espírito...”. Os líderes da STV não podem se equiparar a Paulo, que relatou ser conduzido pelo Espírito. O Corpo Governante não acredita na existência do Espírito Santo. “Somente sei o que o Espírito Santo de cidade em cidade me revela, dizendo que me esperam prisões e tribulações” (v.23). A STV diz que o Espírito que falava a Paulo é uma energia de Deus. Energia fala, orienta, se entristece, convence do pecado? “Portanto, hoje vos declaro que estou inocente do sangue de todos” (v.26). A STV não pode dizer a mesma coisa. Muito sangue já foi derramado por falta de vacinas e de transplante de órgãos – antes proibidos – e de transfusão de sangue. Realmente falta ao Corpo Governante a orientação do Espírito Santo. Faz-se necessário que se arrependam de seus pecados e retornem rapidamente às doutrinas básicas do Cristianismo. Enquanto há tempo. 






Referências

01)www.profecias.com.br/explicação/transfusão.htm

02www.elo.com.br/pagina.php?dst=colunas&id=1492

03)www.ajwrb.org/foreign/abstain-port.shtml


04)A Sentinela,
de 01.06.1967 e 1.9.1989.

05)A Sentinela
, de 01 02.1959, p. 95/6.

06)A Sentinela
, de 15.03.1962, p. 174.

07)A Sentinela
, de 15.10.1974, p. 640.





www.palavradaverdade.com

06.12.2004



Todas as citações bíblicas são da ACF (Almeida Corrigida Fiel, da SBTB). As ACF e ARC (ARC idealmente até 1894, no máximo até a edição IBB-1948, não a SBB-1995) são as únicas Bíblias impressas que o crente deve usar, pois são boas herdeiras da Bíblia da Reforma (Almeida 1681/1753), fielmente traduzida somente da Palavra de Deus infalivelmente preservada (e finalmente impressa, na Reforma, como o Textus Receptus).




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