Batalhando no Tempo do Fim.

Judas 3-4

 

 

Introdução:

A- Origem dos Batistas Regulares.

Ao iniciar a XXIV assembleia quero recordar aos irmãos um pouco da nossa história.

1-     O surgimento do movimento Batista Regular no nosso país. Qualquer um que olhar as atas das primeiras associações, pode chegar à seguinte conclusão: A Associação das  Igrejas Batistas Regulares do Brasil, nasceu num contexto de batalha pela preservação da sã doutrina.

2-     Em 1955, no primeiro congresso oficial da Associação das Igrejas Batistas Regulares do Brasil, o Pr. Carlos Matheus expôs sobre o seguinte tema: “Qual a tarefa de nossa associação Nacional na base de cooperação?”. Os assuntos abordados foram:

a)     Separação
b)    União na verdade
c)     Doutrina dos apóstolos
d)    Inspiração da Bíblia
e)     Divindade de Cristo
f)      Sangue de Cristo
g)     Não cooperação com o pentecostalismo
h)     Bom testemunho (primeiro livro de atas da AIBREB, Ag. 12).

3-  Olhando as demais assembleias, entendemos que a preocupação do passado foi em manter a pureza doutrinária e ética em nosso movimento.


·       Eu afirmo aos irmãos: no dia que em que essa associação deixar de combater o erro que afronta a sã doutrina, abandonará a razão da sua existência.

B-      O contexto do livro de Judas:

1-     Este livro é a última das “epístolas gerais”; foi escrito por Judas irmão do Senhor Jesus Cristo;

2-     Ela nos avisa principalmente contra os erros da heresia do assim chamado, “gnosticismo”, que floresceu no segundo século da nossa era.

·        Podemos definir o gnosticismo como um sistema  de filosofia religiosa cujos adeptos advogavam conhecimento perfeito dos atributos de Deus (independentes das Escrituras Sagradas).
·        Rejeitavam a doutrina da criação e negavam a realidade do corpo humano de nosso Senhor Jesus Cristo, bem como a expiação pelo seu sangue.
·        Negavam a Deus Pai, pois tinham um conceito “deísta” do soberano criador. Em outras palavras, Deus teria criado a tudo, mas não seria tão transcendental, que nada mais teria a ver com a sua criação. Como se Deus tivesse deixado sua criação entregue às leis naturais, não interferindo e nem recompensando e punindo.
·         O cristianismo autêntico, porém, toma a posição bíblica “teísta”, isto é, Deus não somente criou tudo, mas também intervém na história humana, recompensando e punindo.

3-       Como resultado do gnosticismo, a Igreja ficou ameaçada por uma teologia espúria, distorcida, com uma prática irreverente e libertinosa. Os gnósticos faziam da licenciosidade uma parte oficial da sua ética. Hoje vemos o reflexo do gnosticismo enfraquecendo muitas Igrejas.


Propósito desta mensagem

Mostrar a necessidade de continuarmos no combate ao erro.


I-      A INTENÇÃO DE JUDAS ERA ESCREVER UM TRATADO SOTERIOLÓGICO.

A-   A carta que Judas não escreveu

1-     Ele nunca teve o propósito de escrever essa carta. Ele desejava uma obra acerca das glórias da fé cristã, um tratado tencionando edificar e encorajar os crentes com alguns aspectos da soteriologia. Podemos até imaginar os seguintes pontos que ele abordaria:

·        Perdão dos pecados, arrependimento, imputação, justificação, reconciliação, propiciação,  fé, santificação, glorificação etc.

2-     O apóstolo se sente forçado a pegar sua pena às pressas por causa da notícia dessa heresia perigosa;

3-     Ao invés de escrever uma carta pastoral ele escreveu uma volante, em face da apostasia que sobreviera à Igreja com poder repentino e eficaz;

4-     Judas emprega a palavra epagonizesthai enfatizando que a defesa da fé teria um  preço alto e agonizante. “A fraseologia do texto sugere que não era uma tarefa muito grata, mas sentia-se obrigado”.

B-   A carta que ele escreveu:

Apesar de ser tão pequena, ela é grandiosa apresentando várias doutrinas.

1-     Deus Pai v.1;
2-     A divindade do Senhor Jesus Cristo vs. 4 e 25;
3-     O Espírito Santo vs. 19-20;
4-     A graça de Deus como fonte da salvação v. 4;
5-     A perdição eterna vs. 5-7 e 13;
6-     A existência de anjos; v. 6;
7-     A historicidade do V.T. v. 5,7;
8-     A volta do Senhor Jesus v. 14;
9-     A inspiração verbal e plenária das sagradas Escrituras v. 17 etc.

Essas doutrinas fazem parte da fé que uma vez foi entregue aos santos, e que devemos batalhar pela sua preservação, em nosso meio.


II-              OS AXIOMAS[1] DOUTRINÁRIOS SÃO INEGOCIÁVEIS

A-   Doutrina é fundamental.

A falta de uma defesa contundente da doutrina bíblica tem causado sérios prejuízos à igreja do Senhor Jesus ao longo da história. Por que não dizer em nosso meio, em face daqueles que deixaram de preservar na sã doutrina Ef 4:14; Hb 13:9.

B-    Só cinco pontos? Separatismo?

Muitos dizem que são fundamentalistas por aceitarem os cinco pontos que foram postulados com o advento do fundamentalismo, achando  que isso é tudo. Mas eu afirmo: ser fundamentalista é muito mais do que crer somente nesses cinco pontos, pois é andar conforme os ditames da Palavra de Deus.

·        Os cinco pontos são:

a)     A inspiração das Sagradas Escrituras de forma verbal e plenária;
b)    A divindade do Senhor Jesus;
c)    Na concepção sobrenatural e no nascimento virginal do Senhor Jesus;
d)    Sua morte expiatória e vicária, sua ressurreição no mesmo corpo em que foi crucificado;
e)     Na sua iminente vinda para arrebatar a Igreja.

·        Tudo isso foi gerado por uma doutrina que não ficou sistematizada nos cinco pontos, mas ficou implícita: A SEPARAÇÃO.

·        Aqui reside o ponto nevrálgico de muitos que se dizem fundamentalistas, mas não são separatistas. Esse distintivo tão querido pelos Batistas Regulares históricos, tem sido abominado por muitos, por julgarem ser uma doutrina impopular, pois demanda separação do erro, e da apostasia.

·        Ser  Batista Regular implica em ser separatista, pois o movimento nasceu na luta pela preservação da doutrina bíblica. Não somos conformistas e nem tolerantes ao erro.

·        A Palavra de Deus não pede, ela ordena a separação Rm 16:17-18; I Tm 6:3-5; Tt 3:10.

·        O neo-evangelicalismo e parte da Igreja  pós-moderna apóiam os cinco pontos. Não duvidem que muitos romanistas e sabatistas perdidos apoiam esses fundamentos. Temos que ter consciência que essa tomada de posição do levante fundamentalista partiu de uma necessidade emergente. As batalhas foram evidenciadas no seio das grandes denominações históricas, pois a influência da  teologia liberal, abraçando as teorias destrutivas da ALTA CRÍTICA produzida pelo racionalismo humanista alemão, levou muitos pastores ao descrédito nos fundamentos doutrinários da Palavra de Deus. Daí surgiram os Batistas Regulares que formaram a Associação Geral em defesa da fé que uma vez foi entre aos santos.

·        Não podemos desprezar nenhum dos fundamentos da Palavra de Deus, Quando se despreza a doutrina bíblica, a Igreja fica enfraquecida, e a prática corrompida que não consulta o caráter e a dignidade do Senhor Jesus Cristo, adentra a Igreja.

* Podemos comparar o desprezo pela doutrina, como o HIV da apostasia, que desmonta o sistema imuno-teológico do corpo humano.

· Perguntas:

a)     Por que o mundanismo solapa muitas Igrejas como um rolo compressor? Rm 12:2; I Jo 2:15-17;
b)    Por que o avanço do ecumenismo hoje é uma realidade patente aos nossos olhos?
c)     Por que o  misticismo está infiltrando em nome da espiritualidade? Cl 2:18;
d)    Por que o pragmatismo tornou-se simpático à  Igreja, advogando que se determinada prática é vantajosa deve ser usada sem necessariamente questionar se é bíblica?
e)     Por que o ministério feminino tem ultrapassado as fronteiras da Palavra de Deus com diaconisa e pastora?
f)      Por que a música do mundo e seus trejeitos tornou-se indispensável em muitas Igrejas?
g)     Por que o neo-pentecostalismo carismático vem sendo tolerado por alguns que se dizem fundamentalistas? Na década de 80, por falta de conhecimento, fui à um congresso promovido pela Visão Mundial.(Instituição ecumênica que tem disseminado o evangelho social e o ecumenismo em nosso país). Escutei uma declaração por parte de um dos líderes que disse: “nós queremos no meio Batista (convenção) um estilo pentecostal moderado, isto é,   sem o exagero nos gritos e nas línguas estranhas. Nosso povo precisa dar liberdade ao Espírito Santo”;
h)       Por que a substituição da exposição da Palavra por entretenimento? Já é realidade em nosso país o uso da pantomima como mensagem, bem como o culto dirigido pela “liberdade cristã”, onde o pastor somente faz a oração inicial e o restante fica por conta da vontade dos membros. Um vai à frente e pede um hino, outro chega e lê um texto bíblico, outro dá testemunho, outro apresenta especial etc. Podendo ter ou não mensagem, isso dependendo do tempo. Creio que o declínio na prática da pregação surgiu como fruto de vários fatores:
·        descrença na autoridade das Escrituras;
·        valorização exagerada da arte de falar (retórica);
·        confusão entre pregação e exposição filosófica de uma verdade.
·        massificação do evangelho (cultura "pop" e entretenimento);
·        trabalho de marketing visando o crescimento da Igreja, o qual tem  gerado uma teologia superficial. “Pressupõe que se você empacotar adequadamente o evangelho, as pessoas serão salvas”. Igrejas fazendo propaganda dizendo: “oferecemos o melhor culto da cidade. Temos uma membresia de ponta” etc.

·     Para todos esses questionamentos, é claro e evidente que são decorrentes do descaso pela fé que uma vez foi entregue aos santos. Apesar muitos desses dizerem “somos fundamentalistas”. Esse é o fundamentalismo descartável, que destrona o Senhor Jesus Cristo e coloca o homem no centro. Esse é o “fundamentalismo” que não expõe a Bíblia, mas usa a Palavra de Deus para apoiar seus pressupostos humanistas  I Tm 4:16;
·     Em nosso meio se questiona acerca das doutrinas essenciais. Quero dizer aos irmãos que para Deus toda doutrina é importante;

·     Certa feita escutei um líder influente em nosso país dizer: “Devemos ceder em uma verdade menor em detrimento a uma verdade maior”. Isso é pisar na Palavra de Deus.

·     Nós fundamentalistas somos taxados de sermos sem amor. Isso por que nos separamos do erro, do ecumenismo e da apostasia. É claro que nos separamos do erro por que amamos a Deus e à sua Palavra. III Jo 4 fica clara que o amor esta ligado a verdade;
·     A exortação do apóstolo Judas é para que lutemos pelas doutrinas que recebemos.
·     Reconheço que batalha não é algo agradável, porque um pastor que se propõe a batalhar declarou guerra contra o inferno. Isso demanda sofrimento.


III-           A RAZÃO DA BATALHA É O INIMIGO

A-  A apostasia não é nova

B-  A descrição dos falsos mestres 4,8-16

1-Se introduziram nas Igrejas sorrateiramente 4
2-Homens depravados, que aprovavam as práticas pecaminosas de Sodoma e Gomorra, bem como experiências místicas v.7-8;
3-Eram insolentes em suas afirmações, falando mal do autêntico cristianismo, contudo obedecem a seus instintos pecaminosos vs. 10 e 16;
4-São auto-indulgentes, amantes do caminho de Caim, inspirados na ganância de Balaão, e revoltosos contra o cristianismo autêntico como Coré. Ai deles! v. 11;
5-Manchas em vossas festas. São aqueles que estão ao nosso lado, mas não são dos nossos;
6-Não possuem um sistema definido de doutrina13;
7-O aparecimento desses homens foi profetizado 4,14 ;

C- O Propósito dos falsos mestres

      Os falsos mestres apresentavam-se como se fossem autênticos, com o propósito de ensinar doutrinas estranhas à Igreja.

1-    Esses falsos mestres, os quais secretamente obtinham admissão à Igreja por métodos desonestos e distorcidos ensinavam doutrinas insidiosas;
2-     Chegaram a dizer que Cristo era apenas um “aeon” (uma emanação angelical), e não o verbo;
3-    Judas diz que são homens ímpios tanto na doutrina como na prática, pois transformavam a graça de Deus em lascívia .

D-     Resistindo aos falsos mestres:

  Judas enfatiza que o autêntico servo de Deus tem na Palavra toda advertência para não ceder aos apelos apócrifos daqueles que se dizem cristãos, mas negam os ensinamentos apostólicos v. 17-19.
1-      “...Vós...” O pronome enfático, no grego mostrando que seus leitores precisavam resistir firmes, defendendo a doutrina e censurando os falsos mestres;
2-     O versículo chama atenção também, para as advertências verbais e pessoais dos apóstolos, acerca dos falsos mestres e sua ímpia maneira de viver At 20:28-30;
3-     Através desses falsos mestres aconteceram diversas divisões 19;


Conclusão

A-   Nossa luta hoje é contra a ameaça do neo-evangelicalismo e da Igreja da pós-modernidade. Eles são mortais por várias razões:

1-     Porque não se originaram fora dos círculos evangélicos, como um ataque de fora para dentro;
2-     Porque em muitas instâncias eles são liderados por homens que por muitos anos foram conhecidos no meio evangélico pela sua firmeza;
3-     Porque seus sistemas não são claros e definidos. É preciso muito discernimento para detectar sua natureza pérfida;
4-     Porque enfatizam o amor às custas da sã doutrina e focaliza o aspecto social como evidência da fé;
5-     A pré-evangelização na forma de obras de misericórdia é tão importante quanto a própria pregação, na tarefa de conduzir as pessoas ao reino de Deus. Como se a opção de Deus fosse pelos pobres, a Bíblia mostra que é pelo pecador  Mt 11:28-29;
6-     São pragmáticos, imitam o mundo nas suas práticas etc.
7-     Usam uma música abominável diante da santidade do Senhor Jesus como: rock, samba, baião, rap etc.

B-   Vamos aprovar os nossos distintivos, pois eles representam o que somos historicamente, e um ataque frontal contra a infidelidade ao nosso soberano Senhor e Salvador Jesus Cristo.




Pr. Emídio de Souza Viana.
XXIV Assembleia Geral da Associação das Igrejas Batistas Regulares do Brasil.
Sesi- Simões Filho- Salvador Bahia. 17 a 21 de 2001
E-mail- emidio.viana@digi.com.br
Fone- **(84) 218-3030 Igreja; 218-4875 Residência



[1] Axioma. Verdade auto evidente que não necessita de explicação




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