O FUNDAMENTALISMO:
UM BREVE HISTÓRICO

Marcelo de Oliveira Lima





 

O CRISTIANISMO E SEUS FUNDAMENTOS.

  O Cristianismo é uma religião que se alicerça nos pressupostos da Revelação Bíblica, cujos fundamentos não são apenas coerentes com a verdade e a realidade da vida, mas são a própria verdade, desde que são á própria, autoritativa e indestrutível Palavra de Deus. O Cristianismo como um corpo de verdades fundamentais, tem resistido ao teste da COERÊNCIA COM A REALIDADE, ou seja, quando testado na vida prática se mostra coerente e funcional, e esta prova e aprovação tem sido feita através dos séculos com sucesso. Enquanto que todos os outros sistemas filosóficos e religiosos, conquanto mostrem sofisticados e fantásticos sistemas de idéias e princípios, nenhum deles resistem ao impacto com a simples realidade da vida. Não são coerentes, não funcionam, e nem podem funcionar, por que são feitos a partir da própria elucidação humana, que não é onisciente e muito menos infalível, como o é a Bíblia Sagrada.

 
 O Cristianismo Bíblico difere de tudo o mais, porque é mais que um conceito ou filosofia, de fato, como já disse Francis Schaeffer, é a "relação pessoal com o Deus pessoal que existe ... relação esta baseada na comunicação escrita e proposicional de Deus para os homens e no trabalho completo de Jesus Cristo na história espaço-temporal". A genuína experiência de conversão a Cristo difere de todas as outras conversões religiosas, porque é infinitamente mais que a compreensão e adoção de um sistema religioso ou ideologia filosófica, e muito mais que uma experiência mística inexplicável, ainda citando Schaeffer, é "uma experiência final, porém pode ser verbalizada e é de tal natureza que pode ser discutida racionalmente" (Francis A. Schaeffer "O Deus que Intervém" pg.27).

 
 O Cristianismo, como um sistema de crenças, é baseado nos pressupostos do teísmo cristão, ou seja, baseado em conceitos que têm de ser admitidos antes de se começar qualquer discussão. Eis estes pressupostos, são os verdadeiros fundamentos da verdadeira religião, e que distingue o Cristianismo de tudo o mais. A metodologia do Cristianismo é presuposional. Começa com o Deus da Bíblia.

 - Deus existe
, e Ele é como Ele próprio se auto-revelou na natureza, na consciência humana, na história [revelação natural], e na Bíblia [revelação especial escrita e encarnada]; A partir da crença que o Deus da Bíblia existe, segue-se todas as implicações de se crer num Deus Trino [Pai, Filho e Espírito Santo], que tem Absoluto domínio de todo poder, ciência e presença no Universo, é Pessoal – Infinito - Eterno, Criador – Sustentador - Governador do Universo, Imanente e Transcendente a criação, esta depende dele e Ele não depende de nada e nem de ninguém, é auto-existente - Soberano - Absoluto com Liberdade Perfeita, Legislador – Juiz - Redentor, Verdade – Justiça – Santidade - Retidão, Amor – Bondade – Graça - Misericórdia. Possui todas as perfeições em grau infinito. Criou o homem a sua imagem e semelhança para com Ele se comunicar, e para tornar possível sua auto-revelação.

 - A Verdade existe
, porque o Deus que existe é a Verdade e garante que a verdade será sempre verdade, independente de épocas – culturas, costumes e aspirações corrente, por isto toda verdade que existe é a verdade de Deus e ela se expressa em categorias absolutas de causa e efeito, de certo e errado, de tese e antítese, encontrando sua expressão mais perfeita, aqui na terra, tão somente na Bíblia à Palavra de DEUS. De modo que, se algo é verdadeiro, o seu oposto é falso; se algo é bom o seu oposto é ruim; se algo é construtivo seu oposto é destrutivo, no dizer do apóstolo João: "... porque nenhuma mentira vem da verdade." (I João.2:21b); Portanto, o teísmo cristão trata com verdades absolutas do ponto de vista Divino, e não com um conceito de verdade relativista (como muitos pensam hoje em dia), que uma coisa pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo dependendo das circunstâncias e dos motivos (ou dos costumes).

 - A Bíblia é a Palavra e a Verdade de Deus.
Revelada e Inspirada verbal e plenariamente por Deus, por isso é infalível, inerrante, única regra de fé e prática. Quando ela fala, Deus é que fala.

 - A possibilidade de se ter uma TEOLOGIA BÍBLICA FUNDAMENTAL, ou UM CREDO DOGMÁTICO, ou uma TEOLOGIA SISTEMÁTICA BEM DEFINIDA que expresse o que a Bíblia chama de a SÃ DOUTRINA ou OS FUNDAMENTOS CRISTÃOS; Uma teologia fundamental e não existencial mudada conforme o contexto.


 - A Queda do Homem é uma fato
, derivando este conceito da realidade humana e da revelação bíblica, junto com todas as implicação.

 - A Salvação exclusivamente pela GRAÇA e FÉ em Cristo.


 - A Igreja, como Corpo de Cristo, formada somente de Crentes Regenerados, santificada e separada de todas as emanações e manifestações do mal. Local, visível,  Militante, Evangelista, Discipuladora, Missionária e Triunfante.


 - A concretização DO FUTURO ESCATOLÓGICO das profecias Bíblicas
, com todos os eventos que envolvem a Igreja, Israel e o mundo [apostasia, arrebatamento pré-tribulacional, Grande Tribulação, Parousia, Reino Milenar, Juízo do Grande Trono Branco, Lago de fogo para os perdidos e Novos céus e nova terra para os salvos eternamente].



 

O FUNDAMENTALISMO:

 "Movimento surgido nos Estados Unidos durante e imediatamente após a 1ª Guerra Mundial, a fim de reafirmar o Cristianismo ortodoxo e de defendê-lo contra os desafios da TEOLOGIA LIBERAL, DA ALTA-CRÍTICA ALEMÃ, DO DARWINISMO, e de outros pensamentos considerados danosos para o Cristianismo norte-americano. A partir de então, o enfoque do movimento, o significado do termo e as fileiras dos que se dispõem a usar o termo como identificação mudaram várias vezes. O fundamentalismo, até ao tempo presente, já passou por quatro fases de expressão, embora mantenha uma continuidade de essência e de espírito, crença e método." [Enciclopédia histórico Teológica, Vol.II, Pg. 187, C . T. McINTIRE]. Veremos brevemente as 4 fases históricas:



1ª Fase do Fundamentalismo
. Durante a Década de 1920

 
“O termo "FUNDAMENTALISTA", talvez tenha sido usado pela primeira vez em 1920, por Curtis Lee Laws, no jornal batista Watchman-Examiner, mas parecia surgir em todos os lugares no começo da década de 1920, como identificação de alguém que acreditasse nos fundamentos da fé e os defendesse ativamente".

 "A fase inicial envolveu a articulação daquilo que era fundamental ao cristianismo e o início de uma batalha urgente para expulsar das fileiras das igrejas os inimigos do protestantismo ortodoxo. A série de doze volumes chamada THE FUNDAMENTALS (“Os Fundamentos"- 1910-1915 ) forneceu uma lista ampla dos inimigos - o romanismo, o socialismo, a filosofia moderna, o ateísmo, o eddyismo, o mormonismo, o espiritismo e outros semelhantes, mas acima de tudo, a teologia liberal, que se baseava numa interpretação naturalista das doutrinas da fé, a alta crítica alemã e o darwinismo.


Os escritores dos artigos provinham de um grupo amplo ... As doutrinas que definiam abrangiam toda a gama dos ensinos cristãos tradicionais. Apresentavam suas críticas com equidade, argumento cuidadosos e devido apreço por muitas coisas que seus oponentes diziam" (idem, pg. 187)


Várias tentativas foram feitas para determinar quais eram os FUNDAMENTOS INEGOCIÁVEIS DO CRISTIANISMO. "Quase que imediatamente, no entanto a lista de inimigos tornou-se mais estreita, e os fundamentos, menos abrangentes. Os defensores do fundamentos da fé começavam a organizar-se fora das igrejas e dentro das denominações."

Os 5 fundamentos [ou doutrinas essenciais] para os PRESBITERIANOS do Norte dos Estados Unidos:

A Inerrancia das Escrituras [1]; O nascimento Virginal de Cristo [2]; Sua Expiação Vicária [3]; Sua Ressurreição Corpórea [4]; e [5] A Historicidade dos Milagres.

- OS BATISTAS e INDEPENDENTES PRÉ-MILENISTAS, colocavam como quinto fundamento: [5] A Ressurreição e a 2ª Vinda de Cristo; Outros simplesmente colocavam assim o 5º fundamento: [5] PREMILENISMO. Outra versão colocou em lugar do Nascimento Virginal: [5] Divindade de Cristo.


- As grandes batalhas eram travadas dentro das grandes denominações históricas, pois muitos pastores que tinham saído dos Estados Unidos para fazerem curso de pós-graduação nas grandes universidades teológicas da Europa, especificamente na Alemanha, em que A Teologia Liberal, abraçando as teorias destrutivas da ALTA CRÍTICA produzida pelo racionalismo humanista, voltavam para os Estados Unidos completamente descrentes nos fundamentos do Cristianismo Histórico. Os liberais devido a tolerância inicial dos fieis a sã doutrina, tiveram tempo de fermentar as grandes denominações, e conseguiram tomar para si os grandes seminário, rádios, igrejas, de modo, que não deixou alternativa para uma grande parte dos fundamentalistas, senão sair destas denominações e se organizarem em novas denominações. Daí surgiram os Batistas Regulares que formaram a Associação Geral das Igrejas Batistas Regulares (1932), Batistas independentes, Igrejas Bíblicas, Igreja Cristãs Evangélicas, a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos (1936), que mudou seu nome para Igreja Presbiteriana Ortodoxa, a Igreja Presbiteriana Bíblica (1938), a Associação Batista Conservadora dos Estados Unidos (1947), as igrejas Fundamentalistas Independentes dos Estados Unidos (1930) e muitas das denominações fundamentalistas que ainda existem atualmente. "Em todas as partes dos Estados Unidos, os fundamentalistas fundavam novos ministérios de reavivamento, agências missionárias, seminários bíblicos, conferências bíblicas e jornais.


 Daí tiramos uma grande lição: A tolerância com os apostatas, equivale a dar tempo ao inimigo para fermentar toda massa, tornando-a imprestável. Ainda, nos adverte, quanto a esses cursos de pós-graduação em universidades apóstatas. Poucos têm a estrutura para não se deixar contaminar pelo ambiente infectado dos modernistas. O mesmo podemos dizer destes congressos para pastores e líderes promovidos pelos liberais, igualmente estão infectados pela metodologia relativista da verdade. (Mateus 16:6,12; I Coríntios 5:6-9; Gálatas 5:7-9).


Machen
em 1923, chamou a nova religião que tentava destruir os fundamentos da fé, de "liberalismo", mas posteriormente seguiu a moda mais popular, chamando-a "modernismo".



 - 2ª Fase do Fundamentalismo. Fim da Década de 1920 até o início dos anos 40.

 "Durante este período, a lição teológica distintiva que os fundamentalistas ensinavam era que representavam o cristianismo verdadeiro, baseado numa interpretação literal da Bíblia, e que essa verdade devia ser expressa concretamente de modo organizacional, separada de qualquer associação com liberais e modernistas.



3ª Fase do Fundamentalismo. Início da Década de 1940 até a Década de 1970.

"A partir do início da década de 1940, os fundamentalistas ... dividiram-se, paulatinamente em dois arraiais."


1º Grupo de Fundamentalistas
: Os genuínos fundamentalistas.

Continuavam a se chamar "fundamentalistas", equiparando-o com o verdadeiro cristianismo fiel a Bíblia. Em 1941, este grupo fundou o Conselho Americano de Igrejas Cristãs. Este Conselho de Igrejas, junto com outras igrejas fundamentalistas não incluídas em nenhum dos dois grupos foi que deram continuidade ao genuíno movimento fundamentalista. O termo "fundamentalista" era usado com orgulho por várias escolas, tais como a Universidade Bob Jones, O instituto Bíblico Moody e o Seminário Teológico de Dallas, e por centenas de evangelistas e pregadores de rádios. Além de aderir a doutrinas tradicionais da Escritura e de Cristo. Promoviam a evangelização, reavivamentos, missões e uma moralidade pessoal contra o fumo, a bebida, o teatro, o cinema e o jogo de baralho. Eram militantes contra a apostasia na igreja, contra o comunismo, contra os vícios pessoais. Tendiam a opor-se ao ecumenismo do evangelista Billy Graham, a não lerem o jornal Christianity Today ("O Cristianismo Hoje"). Não apoiavam a Faculdade Wheaton nem o Seminário Teológico Fuller (Que atualmente é um dos maiores promotores do Movimento de Crescimento da Igreja, baseado em sinais, milagres e prodígios carismático-pentecostais, movimento encabeçado pelo Dr. Donald A. McGravran, pelo professor C. Peter Wagner e da Coréia do Sul pelo Pr. Paul-Davi Yang Cho).


O CONSELHO INTERNACIONAL DE IGREJA CRISTÃS - CIIC (1948) procurou dar ao termo aceitação mundial, em oposição CONSELHO MUNDIAL DE IGREJAS - CMI [O CMI é órgão internacional promotor do ecumenismo mundial, de fato, o CMI pode ser considerado um antro de apóstatas, e se parece demais, com a grande prostituta do apocalipse, a grande igreja apostata do fim". Ap 18.


2º Grupo de
Fundamentalistas
: Os aparentemente fundamentalistas.

Deixaram o nome "fundamentalista", por achar que a palavra dava idéia de "divisor", "intolerante", "anti-intelectual", "despreocupado com os problemas sociais" e até mesmo "tolo" e passaram a ser chamados de "evangélico" ou "neo-evangélico". Isto aconteceu por que este segundo grupo começou paulatinamente a afrouxar e finalmente a abandonar a doutrina bíblica da separação eclesiástica. Quem abandona a doutrina da separação eclesiástica tende a se tornar progressivamente ecumênico e liberal em doutrina, e foi isto que aconteceu como os "neo-evangélicos" . Em 1942, este 2º grupo funda Associação Nacional de Evangelicais. Esta divisão no fundamentalismo persiste até hoje, pois ainda há muitos que dizem estar sobre os fundamentos da fé cristã, num entanto, na pratica, a sua incoerência fica estabelecida.




4ª Fase do Fundamentalismo. Fins da Década de 1970 até a Década de 1980.

-
Nesta fase os fundamentalistas "Destacaram-se nacionalmente (nos E.U.A), por oferecerem uma resposta àquilo que muitos consideravam uma suprema crise social, econômica, moral e religiosa nos Estados Unidos. Identificavam um novo inimigo, mais difuso: O HUMANISMO SECULAR que ... era o responsável por subverter escolas, universidades, o governo e, acima de tudo, as famílias. Lutaram contra todos os inimigos que considerassem rebentos do humanismo secular - o evolucionismo, o liberalismo político e teológico, a moralidade pessoal frouxa, a perversão sexual, o socialismo, o comunismo e qualquer diminuição da autoridade absoluta e inerrante da Bíblia. Conclamaram os norte-americanos a voltarem aos fundamentos da fé e aos valores morais fundamentais dos Estados Unidos. Na liderança desta fase, encontrava-se uma nova geração de fundamentalistas que usavam a televisão e a palavra impressa, principalmente Jerry Falwell, Tim La Haye , Hal Lindsey ... A base deles era Batista e sulina, mas alcançaram todas as denominações".

- Em 1976 num Congresso Mundial de Fundamentalistas, o termo "fundamentalista "foi assim definido como” "alguém que adere ao seguinte:

1. Manter uma fidelidade incondicional à bíblia inerrante, infalível e verbalmente inspirada;


2. Acreditar que o que a Bíblia diz é verdade [e verdade absoluta, que é verdade sempre, em todo lugar];


3. Julgar todas as coisas pela Bíblia e ser julgado unicamente pela Bíblia;

4. Afirmar as verdades fundamentais da Fé Cristã histórica: a doutrina da trindade; a encarnação, o nascimento virginal, o sacrifício expiatório, a ressurreição física, a ascensão ao céu, e a Segunda Vinda do Senhor Jesus Cristo; o Novo nascimento mediante a regeneração do Espírito Santo; a ressurreição dos santos para a vida eterna; a ressurreição dos ímpios para o juízo final e morte eterna; a comunhão dos santos, que são o corpo de Cristo.

5. Praticar a Fidelidade à Fé e procurar anunciá-la a toda criatura;

6. Denunciar e se separar de toda negativa eclesiástica dessa Fé, compromisso com o erro, e apostasia da Fé; e

7. Lutar firmemente pela Fé que foi uma vez dada aos santos.

Portanto, Fundamentalismo é ortodoxia militante que se enche de zelo pela conquista de almas."




John E. Ashbrook - "
Fundamentalismo é a crença militante e a proclamação das doutrinas básicas do cristianismo, que levam à separação bíblica daqueles que as rejeitam. Há três chaves para definição: [1] "CRENÇA MILITANTE - As doutrinas básicas são sustentadas com convicção de fé; [2] "PROCLAMAÇÃO Não somente crê-se nestas doutrinas, mas são ensinadas e pregadas aos perdidos; [3] "SEPARAÇÃO - Não se pode denominar alguém um fundamentalista até que este pratique a separação onde necessário" ("Axiomas da Separação" Pg. 14).







Por Marcelo de Oliveira Lima (não me lembro de onde copiei estes estudos pela primeira vez para formar está pequena missiva) mas toda a gloria seja dada a Deus.

  Fonte: http://geocities.yahoo.com.br/igbatistapp 



Todas as citações bíblicas são da ACF (Almeida Corrigida Fiel, da SBTB). As ACF e ARC (ARC idealmente até 1894, no máximo até a edição IBB-1948, não a SBB-1995) são as únicas Bíblias impressas que o crente deve usar, pois são boas herdeiras da Bíblia da Reforma (Almeida 1681/1753), fielmente traduzida somente da Palavra de Deus infalivelmente preservada (e finalmente impressa, na Reforma, como o Textus Receptus).



(Copie e distribua ampla mas gratuitamente, mantendo o nome do autor e pondo link para esta página de http://solascriptura-tt.org)




(retorne a http://solascriptura-tt.org/ SeparacaoEclesiastFundament/
retorne a http:// solascriptura-tt.org/ )