A HIPNOSE E O CUIDADO COM A SAÚDE






Esta [a hipnose] é “uma alteração induzida do estado de consciência onde o sujeito se torna passivo e, assim, suscetível a sugestões” (Harper’s Encyclopedia of Mystical and Paranormal Experience - Enciclopédia Harper de Experiência Mística e Paranormal). O termo hipnose deriva de hypnos, o deus grego do sono, tendo tal termo foi cunhado por James Braid, uma hipnotizador britânico do século XIX.

A hipnose é vastamente utilizada na medicina a na psicologia. Donald Connery afirma, em Exploring Hypnosis (Explorando a Hipnose), que “há um interesse maior na hipnose e no emprego de hipnose medicinal como nunca antes na história”. A associação de medicina americana aprovou o uso da hipnose em 1958. Cursos sobre o assunto são ensinados em muitas faculdades de medicina e estima-se que 20 mil médicos e psicólogos utilizem a técnica. (“Hypnosis”, Encyclopedia of New Age Beliefs – “Hipnose”, Enciclopédia de Crenças da Nova Era)

É utilizado para o alívio da dor, na anestesiologia, no tratamento de abuso de drogas e do alcoolismo, no controle do peso e da natalidade, na terapia do sono, na cura física e psicológica, no auto-aprimoramento, visando o [desenvolvimento do] potencial humano, na terapia de regressão (cura do presente por meio da recuperação do passado), entre tantas outras aplicações. 

Quando utilizado no campo da saúde moderna, julga-se que a prática do hipnotismo em si é inocente e útil e pode ser desvinculada de suas associações ocultistas, mas isto é impossível. O hipnotismo surgiu do ocultismo e permanece intimamente associado a ele. A Enciclopédia do Ocultismo e da Parapsicologia diz que o “hipnotismo não é mais classificado como uma ciência oculta... todavia, sua história é inextricavelmente entrelaçada com o ocultismo e, até mesmo hoje, muitos fenômenos hipnóticos são classificados com ‘espiritualistas’ ”.   


A história do hipnotismo remonta às antigas religiões pagãs. A Enciclopédia de Crenças da Nova Era observa que “de várias formas, o hipnotismo pode ser encontrado em todas as culturas de todas as idades. Na história, é tipicamente associado com o ocultismo ou com o paranormal, com aquele que exerce poder sobre coisas ou pessoas, tais como um curandeiro, mágico, feiticeiro, médium, bruxo, guru ou yogi”.


No século XVIII, Emanuel Swedenborg (1688-1772) comunicou-se com espíritos através de um estado de transe induzido pelo controle da respiração, o que foi chamado de sonambulância. Em 1788, uma sociedade swedenborgiana em Estocolmo relatou a outra sociedade na França um número de casos onde sonâmbulos tinham transmitido mensagens do mundo dos espíritos (Slater Brown, The Heyday of Spiritualism).


Anton Mesmer (1734-1815), astrólogo e ocultista, propôs uma técnica de cura através da hipnose e do fluxo de “magnetismo animal” do médico para o paciente. Ele sustentou a visão ocultista de que há milhares de canais em nossos corpos por onde uma força viva invisível flui, e [sustentou a visão] que a doença é causada por bloqueios. O médico praticante do magnetismo animal poderia supostamente curar doenças pela superação dos obstáculos e restauração do fluxo. O termo “mesmerizar” é baseado nas práticas hipnóticas de Mesmer e o campo do hipnotismo moderno deriva-se de suas técnicas.


Mesmerização, ou hipnose, produziu dois movimentos ocultistas no século XIX.


Um deles foi o movimento do Novo Pensamento ou da Ciência da Mente (New Thought or Mind Science). Phineas Quimby (1802-66), aluno de Mesmer, chamou suas teorias da “cura da mente” de a Ciência da Saúde, o que teve uma profunda influência em Mary Baker Eddy, fundadora da Ciência Cristã (Christian Science).


O outro movimento ocultista produzido pelo hipnotismo foi o espiritismo. Andrew Jackson Davis, aluno de Mesmer, publicou um livro em 1847 que, segundo ele, foi ditado para ele pelos espíritos enquanto ele se encontrava em um transe mesmérico. A Enciclopédia de Ciência Paranormal (Encyclopedia of Psychic Science) diz que “a conquista do espiritualismo logo começou e a liderança mesmerista entrou para o rank dos espiritualistas”.


O reavivamento espírita no Brasil começou também por meio da hipnose. O educador francês Leon-Denizarth-Hippolyte Rivail foi conduzido pela hipnose à comunicação com espíritos. Seu espírito guia lhe instruiu a adotar o nome Allan Kardec pelo qual escreveu o muito influente Livro dos Espíritos (1857).


John Ankerberg observa que o “Mesmerismo pavimentou o caminho para o reavivamento do ocultismo. E hoje há um execrável paralelo no aumento do interesse pelo hipnotismo tanto como métodos de ocultismo quanto como ferramenta para diagnóstico médico. Sejam quais forem as diferenças, um fato é admitido por todos. O fenômeno do mesmerismo é hoje conhecido como hipnotismo”. (“Hipnotismo”, Enciclopédia de Crenças da Nova Era - “Hypnotism,” Encyclopedia of New Age Beliefs).  


O perigo do hipnotismo é evidente pelo fato de que pode produzir uma ampla variedade de fenômenos ocultos, tais como experiência de vidas passadas, personalidade múltipla, falar em línguas desconhecidas, psicografia, clarividência, telepatia, convulsões, possessão espiritual, projeção astral, e diagnósticos paranormais (“Hipnotismo”, Enciclopédia de Crenças da Nova Era). 


Um famoso exemplo de personalidade múltipla desenvolvido pela hipnose foi o de Susan Houdelette. Ela era uma mulher normal que procurou a ajuda de um terapeuta para parar de fumar. Porém, na hipnose, desenvolveu 239 personalidades diferentes!


Há um campo inteiro da síndrome da memória reprimida onde supostas memórias ocultas são recuperadas através da hipnose e outras técnicas. Contudo, o que freqüentemente é recuperado são fantasias, vistas pelos pacientes como realidade. “...existem milhares de vitimas hoje que, devido a regressão hipnótica, pensam apenas que foram sujeitas a abusos sexuais ou satânicos quando crianças. Isto tem resultado em grandes tragédias, incluindo famílias arruinadas (onde os pais eram alegados abusivos ou satanistas) e pacientes que cometeram suicídio. Porque milhares de famílias foram desfeitas devido a coisas como essas, uma organização nacional foi criada especificamente para chamar atenção para o problema e ajudar as vitimas da “síndrome da falsa memória”. (Enciclopédia de Crenças da Nova Era).


Muitos apóiam a terapia hipnótica porque “funciona”, mas funcionar não significa ser correto. Existem poderes inatos no homem que podem ser manipulados, e há poderes satânicos. Os mágicos no Egito eram capazes de executar maravilhosos feitos e conseguiram até mesmo duplicar [pelo menos aparentemente] alguns dos milagres feitos pelo Senhor Deus. (Êxodo 7:10-12, 19-22; 8:5-7).


Além disso, precisamos entender que a cura hipnótica com freqüência resulta na “substituição do sintoma”, onde a vitória em uma área resulta em fracasso na outra. Uma mulher que perdeu o medo de aranhas desenvolveu um forte dependência do álcool. Outra que encontrou alívio para dores de cálculos na vesícula começou a sofrer de terríveis ataques de fúria. O dr. Kurt Koch, um especialista cristão em fenômenos ocultistas, advertiu: “eu poderia citar vários exemplos como estes que envolvem os ‘chamados’ hipnotizadores inofensivos...lamentável que a hipnose oculta seja normalmente utilizada como uma forma de obter-se cura. Entretanto, o sucesso aparente da hipnose é acompanhado, sem exceção, de todos os tipos de distúrbios mentais e emocionais”. (Demonologia Passado e Presente -
Demonology Past and Present, 1973, p. 128).


Mesmo com o hipnotismo tendo sido “secularizado” e introduzido nas áreas da saúde e educação, ainda é intimamente associado ao ocultismo.


É uma das mais proeminentes técnicas na caixa de ferramentas da Nova Era. É utilizada como a porta para planos astrais, como a chave da revelação de abduções ufológicas e como um instrumento de adivinhação para ajudar pessoas a desenvolverem poderes paranormais. Simeon Edmunds, autor de O Livro da Hipnose, relata que o primeiro passo para o desenvolvimento de poderes paranormais é entrar nos níveis de hipnose mais profundos possíveis. No hipnotismo e no Supernormal, Edmunds diz que “muitos dos médiuns espiritualistas mais famosos começaram sua carreira paranormal como objetos de experiência hipnótica, e a hipnose tem sido utilizada com sucesso notável no desenvolvimento de muitos outros”.


A hipnose é usada por canalizadores para se prepararem para a comunicação com os espíritos. Por exemplo, Esther Hicks, a canalizadora de Abraão, faz contato com seus espíritos através de transe hipnótico auto-induzido. Além disso, vários espíritos canalizados têm recomendado, na verdade, a prática da hipnose.


A hipnose é utilizada para recuperar eventos de supostas vidas passadas. Como membro da Self-Realization Fellowship Society (Sociedade de Comunhão de Auto-Realização) antes de me converter a Jesus Cristo, aprendi um método de hipnose, ou imagística guiada, que me permitia investigar minhas vidas passadas. Alguns daqueles que empregaram essa técnica viram lugares em sua “imaginação” que nunca haviam visitado antes, apenas para descobri-los mais tarde em uma viagem.


Isto é um terrível engano do inimigo porque a Bíblia diz que o homem vive uma [só] vez, vindo depois disso o juízo (Hb 9:27). Se a reencarnação é verdadeira, a Bíblia é uma mentira.


Ainda assim, a hipnose resulta constantemente na recuperação de vidas passadas. Um estudo de seis mil pessoas hipnotizadas estabeleceu que 20% relataram “vidas anteriores” (Deidre and Martin Bobgan, Hypnosis and the Christian – A Hipnose e o Cristão, p. 23). Isto é verdade mesmo quando utilizado por terapeutas que não acreditam em reencarnação. Por exemplo, a psicóloga Diana Denholm empregou a hipnose, em primeiro lugar, para combater o fumo, para o controle do peso e coisas do gênero. Porém, quando alguns dos seus pacientes tiveram a experiência de “vidas passadas”, ela se convenceu de sua realidade. Agora, ela utiliza a terapia de regressão regularmente (Raymond Moody, Coming Back: A Psychiatrist Explores Past- Life Journeys – O Retorno: Um Psiquiatra Explora as Jornadas de Vida Passadas, pp. 12-13). O psiquiatra Brian Weiss, autor de Muitas Vidas, Muitos Mestres (Many Lives, Many Masters), é outro exemplo. Ele começou a crer em reencarnação quando uma de suas pacientes hipnotizada descreveu vidas passadas.


O fato de a hipnose ser tão intimamente associada com o ocultismo e com a comunicação com o mundo espiritual proibido nas Escrituras, é um estrondoso aviso para aqueles que têm ouvidos, ouvirem (Levítico 19:31; Deuteronômio 18:10-12). O cristão sábio ficará bem longe de qualquer coisa que se assemelhe ao ocultismo! Mexer com essas coisas é como uma criança brincando com fogo.


A Bíblia exorta que o crente seja sóbrio (1 Pedro 5:8). Ser sóbrio significa estar no controle de seus pensamentos, estar alerta espiritual e mentalmente. Quer dizer se prevenir contra o perigo. É o oposto de permitir que alguém fique em transe ou esvazie seus pensamentos em “devoção contemplativa”. A Bíblia adverte que demônios se transformam em anjos de luz (2 Cor 11:13-15). A menos que o crente permaneça sóbrio e vigilante, ele corre o risco de ser enganado. Por isso, até um nível “brando” de hipnotismo pode ser espiritualmente perigoso.


O fato de que a hipnose é utilizada hoje por psicólogos e médicos cristãos, não justifica sua prática. Vivemos na era apóstata de ecumenismo ilícito, de sincretismo e diálogos inter-religiosos. Uma era onde multidões de cristãos professos recusam-se a dar ouvidos a verdade, voltando às fábulas (2 Timóteo 4:3-4). Ao invés de contar somente com a Bíblia como única autoridade de fé e prática, cristãos professos estão esmiuçando coisas proibidas e misturando a verdade com mentiras. A luz da verdade e a escuridão do engano vêm se entremeando para acinzentar os nossos padrões [cristãos].



David Cloud
1 de outubro de 2008


Esta citação foi tirada da THE NEW AGE TOWER OF BABEL “A TORRE DE BABEL DA NOVA ERA” (edição: agosto/08) de David Cloud. Este livro está disponível na

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Traduzido por
Sabrina Norbert-Del Gardo



Todas as citações bíblicas são da ACF (Almeida Corrigida Fiel, da SBTB). As ACF e ARC (ARC idealmente até 1894, no máximo até a edição IBB-1948, não a SBB-1995) são as únicas Bíblias impressas que o crente deve usar, pois são boas herdeiras da Bíblia da Reforma (Almeida 1681/1753), fielmente traduzida somente da Palavra de Deus infalivelmente preservada (e finalmente impressa, na Reforma, como o Textus Receptus).



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