Psicologia - Ciência ou Religião?

(revisado)

Martin & Dreide Bobgan

 

 

         O que William Law escreveu, há dois séculos, está mais do que evidente nos dias de hoje: “O Homem precisa ser salvo tanto de sua própria sabedoria como de sua auto-justiça, pois ambas produzem uma e a mesma corrupção”.
         É paradoxal que, num tempo em que os pesquisadores psicológicos estão demonstrando menos confiança no aconselhamento psicológico, mais e mais cristãos professos estejam em busca do mesmo. Os centros de aconselhamento “cristão” estão brotando em toda a nação (USA), oferecendo o que muitos acreditam ser uma perfeita combinação: Cristianismo + Psicologia. Além disso, os cristãos, que nem sequer estão no ministério de aconselhamento, buscam os psicólogos para que estes os aconselhem como devem viver e se relacionar com os outros e como enfrentar os desafios da vida.
         Em suas tentativas de se tornarem importantes, muitos pregadores, mestres, conselheiros e escritores cristãos promovem uma psicologia de vida, em vez de uma perspectiva bíblica. O símbolo da psicologia obscurece a cruz de Cristo e o jargão psicológico contamina a Palavra de Deus.

         A psicologia é um levedo sutil espalhado na igreja, o qual tem permeado toda a massa e está imperceptivelmente debilitando as ovelhas. Ela promete muito mais do que pode dar e o que entrega não é um alimento substancioso. Mesmo assim, multidões de cristãos professos vêem a psicologia com respeito e admiração.

         Quando falamos de psicologia como levedo, não estamos nos referindo a todo o campo do estudo psicológico, como a pesquisa válida. Nossa preocupação é principalmente com aquelas áreas, que tratam da natureza do homem, como ele deve viver e como pode mudar.
        
Estas [áreas] envolvem alguns valores, atitudes e comportamentos diametralmente opostos à Palavra de Deus. Veremos, portanto, que a psicanálise e a psicoterapia não têm compatibilidade alguma com a fé cristã.



Quatro Mitos Sobre a Psicologia


        
Entre os cristãos professos existem quatro mitos principais sobre a psicologia, os quais se entrincheiraram na igreja:

O primeiro mito importante é comum aos cristãos e não cristãos, do mesmo modo - que psicoterapia (aconselhamento psicológico, junto com as suas teorias e técnicas) é uma ciência, um meio de entender e ajudar a humanidade, embasado na evidência empírica coletada de dados mensuráveis e consistentes.

         O segundo mito importante é que o melhor tipo de aconselhamento utiliza tanto a psicologia como a Bíblia. Os psicólogos, que também se dizem cristãos, geralmente afirmam ser mais qualificados para ajudar as pessoas a se entenderem e a mudar o seu comportamento do que os outros cristãos (inclusive pastores e anciãos) não formados em psicologia.

         O terceiro mito importante é que as pessoas que estão experimentando problemas de comportamento mental-emocional-comportamental estão real e psicologicamente enfermas e, portanto, precisam de terapia. O argumento comum é que “o médico trata o corpo, o ministro trata o espírito e o psicólogo trata a mente e as emoções”.

         A não ser que sejam formados em psicanálise e psicoterapia, os ministros, são, supostamente, desqualificados para ajudar os que estão sofrendo sérios problemas da vida.

         O quarto mito importante é que a psicoterapia tem um elevado registro de sucesso - que o aconselhamento psicológico produz maiores resultados do que outras formas de ajuda, tais como a auto-ajuda e a ajuda provida pela família, amigos ou pastores.  Assim, o aconselhamento psicológico é visto como mais efetivo do que o aconselhamento bíblico na ajuda a alguns cristãos. Esta é uma das principais razões por que tantos cristãos professos estão treinando para se tornarem psicoterapeutas.



A Psicologia é uma Ciência?


        Homens e mulheres de Deus buscam sabedoria e conhecimento tanto da revelação da Escritura como do mundo físico. Paulo contende: “Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis” (Romanos 1:20).

         O estudo científico é um meio válido de se chegar a compreender a obra de Deus  e pode ser útil em muitas áreas da vida. A verdadeira ciência desenvolve teorias embasadas no que é observado. Ela examina cada teoria com rigorosos testes, para ver se esta corresponde à realidade. O método científico labora bem ao observar e registrar dados físicos, para chegar a conclusões que confirmem ou anulem a teoria.

        Nos meados do século 19, eruditos (de fato, filósofos) quiseram estudar, registrar e tratar o comportamento humano. Eles acreditavam que, se as pessoas pudessem ser estudadas de maneira científica, haveria maior exatidão na compreensão do comportamento atual, no sentido de predizer o comportamento futuro e alterar o comportamento através da intervenção científica.

         A psicologia, e o seu braço direito - a psicoterapia - têm, realmente, adotado uma postura científica. Contudo, a partir do estrito ponto de vista científico, elas não têm conseguido atender as exigências da verdadeira ciência.

         Ao tentar avaliar o status da psicologia, a American Psychological Association nomeou Sigmund Koch para planejar e dirigir o estudo que foi subsidiado pela National Science Foundation. Este estudo envolveu oitenta eminentes eruditos, no sentido de se conseguirem fatos, teorias e métodos de psicologia.

         Em 1983, os resultados foram publicados numa série de sete volumes intitulada “Psychology: A Study of Cience”. Koch descreve a ilusão de se pensar que a psicologia seja uma ciência:

         “A esperança de uma ciência psicológica se torna indiscernível, a partir do fato da ciência psicológica. A completa história subseqüente da psicologia pode ser vista como um esforço ritualístico de se igualar às formas de ciência, tentando manter a ilusão de ser uma ciência”.

         Koch disse ainda: “Através da história da psicologia como ‘ciência’, o áspero conhecimento que ela tem depositado tem sido uniformemente negativo”.

         O fato é que as declarações da psicologia que descrevem o comportamento humano,  ou que registram resultados de pesquisas, podem ser científicos.  Contudo, quando nos movemos a partir da descrição do comportamento humano para explicá-lo e, particularmente,  para mudá-lo, movemo-nos da ciência para a opinião. Sair da descrição para a prescrição é se mover da objetividade para a opinião. E a opinião sobre o comportamento humano, quando apresentada como verdade ou fato científico, é mera pseudociência. Ela repousa sobre falsas premissas (opiniões, suposições, explanações subjetivas), conduzindo a falsas conclusões.

         O dicionário define “pseudociência” como “um sistema de teorias, suposições e métodos erroneamente observados como científicos”. A pseudociência ou pseudocientismo inclui rótulo científico, a fim de proteger e promover opiniões, as quais não são prováveis nem refutáveis.

         Um dos aspectos da psicologia acoplado à pseudociência é a psicoterapia. Se ela tivesse algum sucesso como ciência, teríamos algum consenso no campo dos problemas mentais-emocionais-comportamentais e em como tratá-los.   Em vez disso, o campo está repleto de teorias e técnicas contraditórias, todas elas em íntima confusão, não se aproximando da ordem científica.
         A psicoterapia prolifera com muitas explanações conflitantes sobre o homem e o seu comportamento. O psicólogo Roger Mills, num artigo “Psychology Goes Insane”,  de 1980, escreve: “O campo da psicologia é, hoje em dia, uma baderna. Existem tantas técnicas, métodos e teorias envolvendo-a como existem pesquisadores e terapeutas. Pessoalmente, eu tenho visto terapeutas convencerem os clientes de que todos os seus problemas provêm de suas mães, das estrelas, do seu biotipo, de sua dieta, do seu estilo de vida e até mesmo, do ‘carma’ de vidas passadas”. [N.T.: Isto não é ciência, é pura superstição!].
        Com 250 ou mais sistemas diferentes de psicoterapia, cada um afirmando superioridade sobre os demais, é difícil ver essas opiniões diversificadas como científicas ou até mesmo factuais.
         A verdade é que fundamentos da psicoterapia não são científicos, mas, em vez disso, provêm de visões filosóficas do mundo, especialmente do determinismo, do humanismo secular, do behaviorismo, do existencialismo e, até mesmo, do evolucionismo. O psicanalista E. Fuller Torrey, mundialmente conhecido, é bastante ostensivo ao declarar: “As técnicas usadas pelos psiquiatras ocidentais estão, com raras exceções, exatamente no mesmo patamar científico das técnicas usadas pelos curandeiros”.



A Psicologia Como Religião


         As explanações dos motivos pelos quais as pessoas se comportam da maneira como o fazem e de como mudam, têm preocupado os filósofos, teólogos e ocultistas, através dos séculos.   Elas formam a base da psicologia. Contudo, a psicologia lida exatamente com as áreas de preocupação já tratadas na Escritura. Visto como a Palavra de Deus nos ensina como devemos viver, todas as ideias sobre os porquês do comportamento e dos “comos” da mudança devem ser vistos como religiosos por natureza. [N.T.: Quase todos os problemas humanos de comportamento são uma consequência dos pecados dos nossos antepassados ou dos nossos próprios pecados]. Enquanto a Bíblia afirma sua revelação divina, a psicoterapia afirma uma sustentação científica. Mesmo assim, quando se chega ao comportamento e às atitudes, à moral e aos valores, estamos lidando com a religião - quer seja da fé cristã ou de qualquer outra fonte, inclusive o humanismo secular.

         O nobelista Richard Feyman, ao considerar a afirmação de status científico da psicoterapia,  afirma que “a psicanálise não é uma ciência” e ela “talvez esteja mais para curandeirismo”.

       O próprio Carl Jung escreveu: “As religiões são sistemas de curas para doenças psíquicas... Por isso, os pacientes forçam os psicoterapeutas a desempenharem o papel de sacerdotes, esperando e exigindo que eles os livrem de suas tristezas. Esta é a razão por que nós, os psicoterapeutas, devemos nos ocupar dos problemas que, estritamente falando, pertencem ao teólogo”.

        Observem que Jung usou a palavra “religiões”, em vez de Cristianismo, pois ele o havia repudiado e buscado outras formas de experiência religiosa, inclusive o ocultismo. Sem descartar a natureza religiosa do homem,  Jung descartou o Deus da Bíblia, tendo assumido, ele mesmo, o papel de sacerdote.

        Jung via todas as religiões, inclusive o Cristianismo, como mitologias coletivas. Ele não acreditava que elas fossem reais na essência, mas que podiam afetar  a personalidade humana e servir para solucionar os problemas do homem.

        Ao contrário de Jung, Sigmund Freud reduzia todas as crenças religiosas ao status de ilusão e classificava a religião como “a neurose obsessiva da humanidade”. Ele via a religião como ilusória e, portanto, maligna e fonte de problemas mentais.
Contudo, as posições de Jung e Freud são legítimas no que se refere às religiões do mundo, a todas as que são anticristãs. Um nega o Cristianismo e o outro nega a mitologia.

        Ao repudiar o Deus da Bíblia, tanto Freud como Jung levavam os seus seguidores à busca de uma compreensão e de uma solução alternativa [N.T.: inútil] da humanidade para os problemas da vida.  Eles se voltavam às suas imaginações limitadas e enxergavam os seguidores, a partir de sua própria subjetividade anticristã.

        A fé uma vez entregue aos santos tem sido substituída por uma fé disfarçada como medicina ou ciência, embasadas em fundamentos totalmente contrários à Bíblia.

        O psiquiatra Thomas Szasz, em seu livro de 1978, “The Myth of Psychoterapy” afirma: “Os ingredientes básicos da psicoterapia nem sempre envolvem repressão”. Ele expressa que, conquanto a psicoterapia, nem sempre envolva repressão, ela sempre envolve religião e retórica (conversa). Szasz afirma, categoricamente, que “as relações humanas, que agora chamamos psicoterapia, são, de fato, assunto da religião - e as rotulamos de ‘terapêuticas’, correndo um sério risco para o nosso bem-estar espiritual”. Em outro lugar, referindo-se à psicoterapia como religião, Szasz afirma: “Ela não é somente uma religião que pretende ser ciência, como é, de fato, uma falsa religião, buscando destruir a verdadeira religião”.
        Szasz prossegue dizendo que “Psicoterapia é um nome moderno, soando científico, para o que antes era conhecido como ‘cura das almas’.  Um dos seus principais objetivos para escrever “The Myth ofPsychoterapy”  foi: “... Mostrar como, com o declínio da religião e o crescimento da ciência, no século 19, a cura das almas (“pecadoras”), a qual havia sido parte integral da religião cristã, foi relançada como a cura das mentes (“enfermas”) e se tornou uma parte integral da Medicina”.

        
A cura das almas, que antes havia sido um ministério vital da igreja, foi substituída, a partir daquele século, pela cura das mentes, sob o nome de psicoterapia. O verdadeiro aconselhamento bíblico, que havia existido até então, tornou-se quase inexistente.


Psicoterapia Transpessoal


        Embora todas as formas de psicoterapia sejam religiosas, o quarto ramo da psicologia - o transpessoal - é mais ostensivamente religioso do que os outros. As psicologias transpessoais envolvem uma fé no sobrenatural - algo que transcende o universo físico. A espiritualidade que elas oferecem inclui experiências místicas, tanto do ocultismo como das religiões orientais.

         Através das psicoterapias transpessoais várias formas de religiões orientais têm entrado na vida ocidental. O psicólogo Daniel Goleman cita Chogyam Trungpa dizendo: “O Budismo entrará no ocidente como psicologia”. Goleman cita como as religiões orientais “parecem estar fazendo um gradual avanço mental como psicologias e não como religiões”. Também Jacob Needleman diz: “Um grande e crescente número de psicoterapeutas está convencido, agora, de que as religiões orientais oferecem uma compreensão da mente muito mais completa do que qualquer outra coisa antes vista pela ciência ocidental. Ao mesmo tempo, os próprios líderes das novas religiões - os inúmeros gurus e mestres espirituais, agora no ocidente - estão reformulando e adaptando os sistemas tradicionais, conforme a linguagem e atmosfera da psicologia moderna”.


A Psicologia mais a Bíblia


        A igreja não tem escapado da influência totalmente pervagante da psicoterapia. Ela tem, inadvertida e ansiosamente, abraçado a pseudociência  da psicoterapia e tem incorporado este engodo aos vários ligamentos da vida eclesiástica.  A igreja não somente inclui os  conceitos e ensinos  dos psicoterapeutas aos sermões e seminários, como se alinha e se curva, mental e emocionalmente, hesitante a claudicantemente, diante do elevado “altar” da psicologia.

         Muitos líderes eclesiásticos contendem que a igreja não tem a capacidade de resolver as necessidades dos que estão sofrendo de depressão, ansiedade, medos e outros problemas da vida. Por isso, eles confiam nos praticantes remunerados da pseudociência  da psicoterapia, mais do que confiam na infalível e eterna Palavra de Deus e  na obra do Espírito Santo.

         Por causa da confusão existente entre a ciência e a pseudociência, os líderes eclesiásticos têm exaltado a psicoterapia à posição de autoridade da igreja moderna [N.T.: em detrimento da Autoridade Final, da Palavra de Deus].

        Embora a igreja tenha aceitado e endossado,  quase universalmente, o sistema psicológico, ainda existem cristãos que não o fizeram. O Dr. Jay E. Adam diz:

         “Em minha opinião, defender, permitir e praticar os dogmas psiquiátricos, e psicanalíticos dentro da igreja é tão pagão e herético (e, portanto, perigoso) como pregar os ensinos das seitas mais bizarras. A única diferença vital é que as seitas são menos perigosas, visto como os seus erros são identificáveis”.
        
A psicologia é o espectro mais sutil e perigoso penetrando na igreja, por ser percebido e recebido como um auxílio científico para a alma enferma, exceto pelo que ela é, realmente: um sistema pseudocientífico substituto de uma crença religiosa.
         A igreja primitiva encarou e ministrou problemas mentais-emocionais-comportamentais tão complexos como os de hoje. Isto sem mencionar que as condições da igreja primitiva eram mais difíceis do que as condições da igreja moderna. Os crentes primitivos sofriam perseguições, pobreza e várias aflições, que são desconhecidas à maior parte da cristandade do século 20 (especialmente no ocidente). As catacumbas de Roma são um testemunho da amplitude dos problemas enfrentados pela igreja primitiva.
         Se e quando sofremos alguma coisa é pelo excesso de facilidades, o qual nos tem atirado a uma fixação maior do nosso EGO, o que acontecia em muito menor escala nos tempos de menos abundância. Contudo, a cura dos pecados da auto-preocupação já existia na igreja primitiva, exatamente como existe hoje. De fato, as curas bíblicas ali exercidas seriam bem mais efetivas do que as que são usadas hoje. A Palavra de Deus e a obra do Espírito Santo são aplicáveis a todos os problemas da vida e não precisam ser substituídas pelas terapias e conversas com os psicoterapeutas. 

         Será que a igreja moderna desistiu de sua vocação  e obrigação de ministrar às pessoas que sofrem? Se este é o caso, por que os cristãos acreditam no mito de que o aconselhamento psicológico é uma ciência, quando, de fato, ele é apenas outra religião, outro evangelho?

        O conflito entre o sistema de aconselhamento psicológico e o sistema bíblico não repousa entre a ciência e a religião. Trata-se de um conflito estritamente religioso, um conflito entre as muitas religiões agrupadas sob a psicoterapia (aconselhamento psicológico) e a verdadeira religião da Bíblia. 

        A pior entre as primorosas promessas da psicologia “cristã” é que a Bíblia mais a psicoterapia podem prover uma ajuda mais eficiente do que a Bíblia sozinha. Conquanto esta ideia tenha sido promulgada e promovida por muitos psicoterapeutas “cristãos”, não existe evidência alguma que possa apoiá-la. Ninguém conseguiu mostrar que a Bíblia careça de alguma argumentação psicológica para se tornar mais efetiva no tratamento dos problemas humanos.

         Ninguém  pôde comprovar ainda que a cura “cristianizada” das mentes (psicoterapia) seja mais benéfica do que a original e não adulterada cura das almas (pelo aconselhamento bíblico).



Existe uma Psicologia Cristã?


        A “Christian Association for Psychological Studies ” (CAPS) é formada por um grupo de psicólogos e conselheiros psicológicos, os quais professam ser cristãos. Em uma de suas reuniões, foi declarado:

         “Sempre nos perguntam se somos ‘psicólogos cristãos’, o que achamos difícil responder, visto como não conhecemos a implicação desta pergunta. Somos cristãos que são psicólogos, mas, até agora, não existe uma psicologia cristã aceitável, que seja acentuadamente diferente da psicologia não cristã. É difícil implicar que funcionamos de maneira fundamentalmente distinta dos nossos confrades não cristãos... Uma vez que, ainda, não existe uma teoria aceitável, um modo de pesquisa ou metodologia de tratamento que seja definitivamente cristã”.   (6/76 - CAPS - Western Association Meeting). 

Apesar da confusão entre as opiniões não científicas e das contradições, os “psicólogos cristãos” proclamam: “Toda verdade é verdade de Deus”. Eles usam esta declaração para apoiar o seu uso da psicologia, embora não sejam claros sobre  o que seja a “verdade de Deus”. Será que a verdade de Deus envolve os pronunciamentos freudianos de neurose obsessiva?  Ou a estrutura dos arquétipos de Jung? Ou será que a verdade de Deus é o behaviorismo de B. F. Skinner? Ou então a verdade de Deus significa: “Estou bem. Você está bem?”

        
A psicologia, como todas as religiões, inclui elementos de verdade. Até mesmo a tentação de Satanás contra Eva incluiu tanto a verdade como a mentira. A indução à falácia de que “toda verdade é a verdade de Deus” é porque existe alguma semelhança entre os ensinos bíblicos e as ideias psicológicas. Contudo, estas semelhanças não tornam a psicologia compatível com o Cristianismo mais do que as semelhanças entre o Cristianismo e os outros sistemas religiosos de crença. Até mesmo os escritos das religiões hinduístas, budistas e muçulmanas contêm declarações sobre atitudes e comportamentos, que parecem semelhantes aos de alguns versos bíblicos.

         As semelhanças entre a psicologia e o Cristianismo indicam apenas que os sistemas de aconselhamento psicológico são, de fato, religiosos. Os cristãos não deveriam se voltar para os psicólogos  mais do que para os líderes das religiões não cristãs, a fim de conseguir sabedoria e ajuda para os problemas da vida.

         Visto não existir uma psicologia catalogada como “cristã”,   cada chamado psicólogo “cristão” decide sozinho quais as muitas opiniões e métodos constituem suas ideais sobre a “verdade de Deus”.

         A Bíblia contém a única e pura verdade de Deus. Todas as demais são distorcidas pelas limitações da percepção humana. Tudo o mais que o homem descobrir sobre a criação de Deus, além da Bíblia, é apenas um conhecimento parcial e uma compreensão parcial. Estes jamais poderão se equiparar à verdade de Deus.

         Ter um insight de que essas teorias conflitantes de homens não redimidos, como Freud, Jung, Rogers e outros, são a verdade de Deus é minar a exata Palavra de Deus. A Palavra de Deus revelada não necessita de apoio ou ajuda dos pronunciamentos psicológicos.  A Palavra sozinha permanece como a verdade de Deus.  Que os psicólogos que se autodenominam cristãos possam simplesmente usar a frase “toda verdade é a verdade de Deus”, a fim de justificar o uso da psicologia,  já indica a direção de sua fé.

         A declaração de que “toda verdade é a verdade de Deus” é discutida na publicação “cristã”  popular, a “Baker Encyclopedia of Psychology”. O livro afirma que os seus contribuintes estão “entre os melhores eruditos evangélicos no campo”. Em sua revisão deste livro, o Dr. Ed Payne, Professor Associado de Medicina no Medical College da Geórgia, diz: “Quase certamente, a mensagem do livro e de seus autores é que a Bíblia e a literatura psicológica permanecem no mesmo nível de autoridade”.  Payne declara ainda:

“Muitos pastores e leigos podem ser enganados pelo rótulo deste livro. Essa psicologia apresentada pelos cristãos é uma praga na igreja moderna, distorcendo o relacionamento entre os cristãos e Deus, retardando sua santificação e enfraquecendo severamente a igreja. Nenhuma outra área do conhecimento parece exercer tal domínio sobre a igreja. Este livro fortalece  esta posição, tanto individual como corporativamente”.

A Baker Encyclopedia of Psychology reflete meramente o que a igreja tem aceitado: opiniões psicológicas, não substanciadas nem comprovadas, de homens que têm levedado a igreja através da feitiçaria, afirmando que “toda a verdade é a verdade de Deus”. Igualar a psicologia à Teologia revela que o fermento já levedou toda a massa.


O Evangelho do EGO


Um dos temas mais populares da psicologia é o da auto-realização. Embora se trate de um tema extremamente popular, ele tem uma origem recente, tendo surgido somente nos últimos 70 anos (1940), fora da igreja e nos últimos 30 anos, dentro da igreja.

         À medida que a humanidade passou da autonegação para a auto-realização, um novo vocabulário surgiu, revelando uma nova atitude e uma nova visão da vida. O novo vocabulário se tornou a  exata fabricação da nova psicologia conhecida como psicologia humanista. Seu foco principal é a auto-atualização e o seu chamado sonoro, a auto-realização. E a auto-realização acompanhada das suas auto-variações auto-hifenadas e auto-fixadas, tais como: auto-amor, auto-aceitação, auto-estima e autodignidade, tornaram-se a nova terra da promissão. Em seguida, quando a igreja se tornou psicologizada, a ênfase passou de Deus para o EGO.

Livros “cristãos” começaram a refletir o que era aceito pela sociedade. Alguns exemplos destes são: Love Yourself, The Art of Celebrating Yourself, You`re Someone Special, Self-Esteem, You Are Better Than You Think, e, provavelmente,  o mais conhecido de todos, de Robert Schuller, Self-Esteem,  The New Reformation. Livros e exemplos de uma elevação psicológica da mentalidade são numerosos.

Conforme os psicologizadores do Cristianismo, o maior empecilho para uma vida plena é a baixa auto-estima. No objetivo de levar os seus seguidores a testar o seu potencial (auto-atualização),  eles substituem uma forma de autocentralidade (elevada auto-estima) por outra forma de autocentralidade (a baixa auto-estima). Em qualquer caso, o EGO é o foco principal da cura, bem como do problema.

A baixa auto-estima é popular, porque a pessoa é mais inclinada a aceitar a ideia de ter uma baixa auto-estima do que confessar os pensamentos malignos, ímpios e autocentrados e, em seguida, arrepender-se através da crença do que Deus disse em Sua Palavra.
Enquanto a baixa auto-estima exige um tratamento psicológico, para elevar a auto-estima, o pensamento pecaminoso exige confissão, arrependimento, restauração e andar pela fé, em amoroso relacionamento com Deus, provido pela cruz de Cristo. Sugerimos que a pessoa procure na Escritura e descubra as maiores dificuldades para encontrar um antídoto para os problemas da humanidade, em vez de tentar espiritualizar qualquer loucura psicológica.
A maior necessidade da humanidade é Jesus Cristo e não uma elevada auto-estima.

A não ser que a Escritura seja moldada, conforme os ensinos que promovem o EGO, a Bíblia ensina claramente que o cristão deve ser centrado em Cristo e em favor do próximo. Amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a nós mesmos são os mandamentos principais da Bíblia. Nela, não se encontra o conselho de amar a nós mesmos ou que a auto-estima esteja em falta.

Em vez do auto-amor ser ensinado como uma virtude na Escritura, ele é colocado entre as pecaminosas obras da carne. Por exemplo, Paulo coloca o auto-amor a partir de uma perspectiva oposta à dos promotores de hoje, tanto dentro como fora da igreja: “ SABE, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, Sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te”.
Os ensinos do auto-amor, da auto-estima e de autodignidade foram copiados  do mundo e não da Escritura. Eles são um produto dos psicólogos humanistas e não da Palavra de Deus.
Numerosos são os exemplos de psicólogos “cristãos” que são ordenados ministros. Eles começam desejando cristianizar a psicologia, mas acabam psicologizando o Cristianismo. O Dr. Richard Dobbins, fundador e diretor do Emerge Ministries  é um exemplo dos muitos ministros que se voltaram para a psicologia.

Em seu filme instrutivo - The Believer and His Self Concept, Dobbins conduz os telespctadores a uma série de passos, os quais terminam cantando: ”Sou uma pessoa amorável. Sou uma pessoa valiosa. Sou uma pessoa perdoável”.  Neste exercício de Dobbins, encontra-se a confusão entre o fato bíblico de que Deus ama, valoriza e perdoa os Seus filhos e a mentira humana da psicologia de que somos intrinsecamente amorável, valiosos e perdoáveis. Contudo, se tivéssemos um átomo de valor e um átomo de perdão, então não faria sentido Cristo ter vindo ao mundo para dar a Sua vida por nós.

Deus escolheu manifestar o Seu amor por nós porque “Deus é amor”, não por causa da nossa amorabilidade, nem mesmo depois que nos tornamos crentes. Seu amor e Sua escolha em nos perdoar são apenas pela Sua graça, a qual não merecemos. Ele nos ama, não porque o mereçamos, nem pela nossa retidão, mas pela Sua maravilhosa graça. A verdade paradoxal, profunda e poderosa da Escritura é que, embora não sejamos intrinsecamente amoráveis, valiosos e perdoáveis, Deus nos valoriza e perdoa. Esta é a pura Teologia bíblica, com a todo poderosa  mensagem da morte e ressurreição de Cristo. A verdade bíblica deve ser apresentada como: “Não sou uma pessoa amorável. Não sou uma pessoa valiosa. Não sou uma pessoa perdoável, mas mesmo assim, Cristo me ama e morreu por mim!”

A alternativa do auto-amor não é o auto-ódio, mas um relacionamento com Deus e com o próximo. A alternativa da auto-estima não é a de se auto-denegrir, mas de compreender a grandeza de Deus habitando num fraco vaso de carne (os salvos), através do Seu Santo Espírito. A alternativa da auto-plenitude  não é o auto-esvaziamento em auto-insignificância. É o convite divino para ficarmos totalmente envolvidos na Sua vontade e nos Seus propósitos, a fim de que a plenitude venha através do nosso relacionamento com Ele e não com a valorização do nosso EGO.

A conscientização de que o Deus Criador do universo escolheu colocar o Seu amor sobre nós deveria gerar uma estima por Ele e não pelo nosso EGO. A maravilhosa verdade de que Ele nos tem chamado a um relacionamento com Ele, para realizar a Sua vontade, ultrapassa de longe os ínfimos sonhos de nossa auto-plenitude.

Os psicologizadores da igreja não estão ministrando sustento espiritual aos que tentam se sentir bem com a sua auto-centralidade. Estão defraudando-os das riquezas de Cristo, as quais têm sido oferecidas a todos os que se humilham diante dEle. A palavra “humildade” não consta do vocabulário psicológico. Dobbins chega ao ponto de encorajar as pessoas a expressarem ira contra Deus (Ver os registros de James Dobson com este mesmo ensino). Ele diz: ”Quando você estiver irado contra Deus, diga-lhe que está irado. Vá em frente e diga isto. Ele é bastante grande para aceitá-lo”. Onde, na Escritura, temos o ensino de que devemos ficar irados contra Deus? Jonas ficou irado, para o seu próprio prejuízo, mas nenhum exemplo é encontrado no sentido de que Deus tenha concordado ou encorajado tal sentimento. Eclesiastes 5:2 diz: “Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus, e tu estás sobre a terra; assim sejam poucas as tuas palavras”.

Sempre que a psicologia é interligada à Escritura, ela dilui a Palavra de Deus e ilude a igreja. A ira é mais complexa do que a simplicidade com a qual Dobbins a descreve. Sua base bíblica para expressar a ira é, no mínimo, fraca e mal direcionada. E os seus filmes “instrutivos” estão embasados em suas próprias opiniões e conclusões, não em comprovações psicológicas.  Infelizmente, suas opiniões e conclusões não refletem a realidade. Aparentemente, Dobbins gostaria que acreditássemos no que ele diz. Mas, subscrever esta teoria letalmente hidráulica  e verticalmente tendenciosa, é ensinar picantes tolices, pois acreditar que alguém possa ficar irado contra Deus é uma ideia totalmente antibíblica e, portanto, não confiável...



A Estrada Menos Percorrida


        O psiquiatra M. Scott Peck se tornou um escritor e preletor popular entre os cristãos professos.  Seus livros “Peoples of the Lie ” e “The Road Less Traveled”  apareceram na lista de livros do ano, numa importante revista evangélica. Essa lista é o resultado dos votos dados por um grupo de escritores, líderes e teólogos evangélicos, selecionados pela revista. Um revisor de livros do New York Times revela: “a maior audiência do livro se encontra no vasto Cinturão Bíblico”. Ele descreve o livro como uma “ambiciosa tentativa de casar a teologia cristã com as descobertas do século 20, de Freud e Jung”. 

        
Numa entrevista que apareceu na Christianity Today, a Peck foi indagado: “O que você quer dizer ao chamar Cristo de Salvador?”  O revisor escreve: “Peck gosta de Jesus, o Salvador, como sendo uma boa madrinha (um termo que, certamente, ele não usou frivolamente) e um exemplar, ou alguém que nos mostra como viver e morrer. Por ele não passa a menor ideia de Jesus como Redentor” (Christianity Today, 03/01/85 -  p. 22).

        A compreensão de Peck sobre a natureza de Deus e a natureza humana provém de uma mistura de Jung com o misticismo oriental, não da Bíblia. Vejamos o que ele diz a respeito de Deus e do homem:

        “Deus quer que nos tornemos Ele mesmo (ou Ela mesma). Estamos evoluindo em direção à divindade. Deus é o objeto desta evolução. Ele é a fonte, é o destino da força evolucionária. É isto que queremos dizer, quando falamos que Ele é o alfa e o ômega, o princípio e o fim” (conforme Isaías 44:6).

         Peck prossegue: “Uma coisa é acreditar num velho e bom Deus, o qual vai cuidar de nós, numa confortável posição de poder, à qual jamais poderíamos chegar. Bem outra coisa é crer em um Deus, que tem em mente, exatamente para nós, que devemos atingir a Sua posição, o Seu poder, a Sua sabedoria e a Sua identidade”.

        As únicas palavras que se aproximam desta descrição são as de Lúcifer, conforme Isaías 14:13-14: “... Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte. Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo”.
           
A verdade é que Peck afirma a divindade de todos os que se esforçarem no sentido de consegui-la. Vejamos:

        “Além disso, digo que acreditamos ser possível o homem se tornar Deus; contudo, não podemos descansar, nem jamais dizer: ‘Bem, minha obra está concluída, meu trabalho completado’. Devemos continuar nos esforçando para conseguir mais sabedoria e sempre maior efetividade. Nesta crença, precisamos nos engajar, pelo menos até a morte, num incansável esforço de auto-melhoramento e crescimento espiritual. A personalidade de Deus deve ser a nossa própria”. [N.T. - Que gente complicada! Não é bem mais confortável crer no sacrifício de Cristo e descansar na certeza da salvação que Ele nos dá?]

         Peck vai mais longe, na confusão do misticismo oriental e no ocultismo de Jung, quando diz: “Colocando isto claramente, nosso inconsciente é Deus. Deus está dentro de nós, somos parte de Deus, o tempo inteiro. Deus tem estado conosco, desde sempre, Ele está agora e sempre estará.”

        Ao contrário de Peck, a Bíblia ensina que a única maneira de alguém entrar numa relação com Deus é através da fé em Jesus Cristo, o único Caminho que nos leva a Deus (João 14:6). Enquanto uma pessoa não nascer da água (Palavra de Deus) e do Espírito Santo, ela estará vivendo no reino das trevas, sob o domínio de Satanás.
         Efésios 2:15 nos ensina: “E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência. Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também. Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos...”

        
Não importa quão pessoalmente bem treinados sejam os psicoterapeutas (ou os terapeutas que afirmam ser cristãos); a verdade é que todos eles são influenciados pela ímpia perspectiva psicológica. A psicologia se torna, assim,  um meio de interpretar a Escritura, bem como de aplicação da mesma à vida diária. Quando uma pessoa lê a Bíblia, a partir da perspectiva de Freud, Jung, Adler , Maslow, Rogers e outros, ela tende a conformar a sua compreensão da Bíblia pelas lentes desses psicólogos.

         Os amalgamadores acrescentam a sabedoria dos homens, a fim de preencher o que imaginam estar faltando na Bíblia. Eles tomam o velho problema do pecado enraizado na auto-centralidade, dão-lhe um novo nome, tal como “crise da idade”, ou alguma outra nomeação, e oferecem soluções aos problemas que eles, erroneamente, imaginam estar além do alcance da Escritura.



Pastores Minados


         Os conselheiros psicológicos minam os pastores, desenvolvendo uma forma de referência:
1. - Qualquer pessoa que não tenha um diploma de psicólogo não está qualificada para aconselhar as pessoas com problemas da vida realmente sérios.

2. - Encaminhem-nas aos terapeutas profissionais formados.
         Este é o modelo aconselhado e patético da sedução psicológica do Cristianismo.

         Os pastores têm sido intimidados pelas admoestações dos psicólogos. Eles ficam temerosos de fazer exatamente o que Deus os tem convocado a ser feito: ministrar as necessidades espirituais das pessoas, através de piedosos conselhos, nos púlpitos e nos seus gabinetes.
         Um porta-voz da American Association of Pastoral Counselors disse a um grupo de pastores, psicologicamente treinados:

         “Nossa preocupação é que existe uma porção e ministros não treinados para manejar a psicoterapia aos seus paroquianos”. E é claro que os pastores não treinados na psicologia, não são considerados qualificados para o ministério. Desse modo, as pessoas com problemas devem ser encaminhadas a um profissional [N.T.- Visto como a Bíblia é considerada insuficiente para resolver os seus problemas!!!]

        
Dentro dos limites do consultório terapêutico, a mensagem pastoral confrontando o pecado na vida da pessoa é subvertida. Tem havido mudanças sutis na significação de palavras e frases. A palavra “pecado” foi substituída por palavras mais amenas, como: lapso de memória, erro, reação a um sofrimento passado, etc. Enquanto isso, palavras como “santificado” e “santo” foram substituídas por “curado”. De fato, a palavra “santo” foi redefinida para significar algum tipo de plenitude psicológica.  Para os psicologizadores, o que é literal na Escritura muitas vezes se torna metafórico e o que é metafórico se torna literal... Contanto que sirva para apoiar as suas teorias.

         As definições supracitadas não são redefinidas somente por aqueles que pagam uma consulta, a fim de recebê-las; elas estão se tornando um modelo dentro das comunidades dos cristãos professos, através da influência da psicoterapia, em livros, revistas e na chamada mídia cristã.

         Não é de admirar que sejam  poucos os pastores  piedosos, que ainda existem hoje em dia, dando os últimos testemunhos pela Escritura aos que estão sob os seus cuidados.

         Finalmente, os que confiam na psicoterapia, em vez de confiar na Escritura, sofrerão castigo, por não terem encarado a sua natureza pecaminosa. Qual o sistema psicológico que pode justificar uma pessoa diante de Deus e lhe dar a paz com Deus? Qual o sistema psicológico que pode cumprir suas promessas, do mesmo jeito como Deus o faz? Qual o sistema psicológico que produz a esperança da qual nos fala o apóstolo Paulo? Qual o sistema psicológico que pode aumentar a perseverança, edificar o caráter provado, e produzir o amor de Deus - um amor que se estende aos próprios inimigos?

         Através dos séculos, tem havido pessoas que têm suportado os problemas extremamente sérios em suas vidas e que têm buscado e encontrado Deus, por ser Ele Verdadeiro e Fiel. Elas buscam na Palavra de Deus a sabedoria daqueles  santos que brilharam, há muito tempo, sobre as vidas das almas merecedoras de compaixão, como as das pessoas que têm seguido o canto de sereia da psicoterapia.


O Mito da Doença Mental


Os termos “doença mental”, “enfermidade mental” e “desordem mental” são empregados para todos os tipos de problemas da vida, a maior parte deles nada tendo a ver com doença. Logo que o problema de uma pessoa é rotulado como “doença”, o tratamento e a terapia se tornam a solução. Se, por outro lado, consideramos que a pessoa é responsável pelo seu comportamento, deveríamos tratar com ela nas áreas da educação, da fé e da escolha.  Se a rotulamos de “mentalmente enferma”, estamos lhe privando da dignidade humana da responsabilidade pessoal, na qual pode residir o problema.

         Porque o termo ”doença mental”  inclui tratamento médico, é importante examinar a sua exatidão. Sobre a discussão do conceito de “doença mental” ou “enfermidade mental”, vejamos a pesquisa de E. Fuller Torrey, que revela:

         “O próprio termo não tem sentido, sendo um erro semântico. Estas duas palavras não podem andar juntas. Ninguém pode ter uma doença mental, do mesmo modo como não pode  ter uma ideia púrpura ou um espaço sábio.”

         A palavra ”mental” se refere à mente, não ao cérebro. A mente é, realmente, mais do que uma função da atividade cerebral. A pesquisadora do cérebro, Dra. Bárbara Brown, insiste em que a mente está além do cérebro, quando diz:

         “O consenso científico de que a mente é apenas o cérebro mecânico está letalmente errado... Os dados da pesquisa das próprias ciências apontam muito mais fortemente em direção à existência de uma mente-mais-do-que-cérebro, em vez de ser uma simples ação mecânica do cérebro”.

         Deus criou a mente humana para conhecê-Lo e escolher amá-Lo, confiar Nele e Lhe obedecer. Neste ato muito criativo, Deus planejou que o homem governasse e fosse o seu representante na Terra. Tendo em vista que a mente  vai além do reino físico, ela está além do alcance da ciência e, portanto,  não pode ficar fisicamente enferma. Não sendo um órgão físico, ela não pode adoecer. Conquanto alguém possa ter um cérebro enfermo, ele não pode ter uma mente enferma, embora possa ter uma mente pecaminosa ou não redimida. Torrey diz:

         “De fato, a mente não pode enfermar, mais do que o intelecto possa se tornar obcecado”. Além disso, a ideia de que as “doenças mentais” são de fato doenças do cérebro cria uma estranha categoria de ‘enfermidades em seus últimos testemunhos’, as quais, por definição, são de causa desconhecida. Corpo e comportamento se tornam interligados nesta confusão, até que não sejam mais distinguíveis. É preciso voltar aos princípios iniciais: “uma doença é algo que se tem e comportamento é algo que se faz”.

        É possível entender o que seja um corpo enfermo; mas, o que é uma mente enferma? É óbvio que ninguém pode ter uma emoção enferma, nem um comportamento doente. Então, como pode ter a mente enferma? Mesmo assim, os terapeutas vivem se referindo aos problemas mentais-emocionais-comportamentais como se estes fossem enfermidades.

        Thomas Szasz critica o que ele chama “impostor psiquiátrico”, o qual apóia um desejo comum, culturalmente compartilhado, de equiparar e confundir cérebro e mente, nervos e nervosismo.”

         Alguém pode estar esperando, nervosamente, a chegada de um amigo que está atrasado para um encontro, enquanto os seus nervos estão ocupados com outras tarefas.

         Szasz diz ainda: “É costume definir a psiquiatria como uma especialidade médica, preocupada com o estudo, diagnóstico e tratamento da ‘doença mental’.... Doença mental é um mito... A noção de alguém ter uma doença mental é cientificamente incerta. Ela provê um assentimento profissional à racionalização popular - ou seja, que experimentados na vida e expressados em termos dos chamados sintomas psiquiátricos são basicamente semelhantes às doenças do corpo”.

        Embora o problema médico ou um cérebro enfermo possam produzir sintomas mentais-emocionais-comportamentais, a pessoa não age nem pode ser racionalmente classificada como “mentalmente enferma”. Ela está enferma do ponto de vista medicinal, mas não do ponto de vista mental. As palavras “biológico” e “psicológico” não são sinônimas. Do mesmo modo, “medicinal” e “mental” não são sinônimos. Uma se refere ao corpo, a outra,  à mente.

         O aconselhamento psicológico não trata do cérebro físico.  Ele trata dos aspectos do pensamento, sentimento e comportamento. Portanto, o psicoterapeuta não cabe curar doenças, mas ensinar novas maneiras de pensar, de sentir e de se comportar. Ele é um mestre, não um médico.

         Muitos têm usado desonestamente o termo “doença mental” para descrever uma série de problemas de pensamento e comportamento, os quais deveriam ser rotulados de “problemas da vida”. Embora o termo “doença metal” seja um nome errado com uma junção errônea de palavras, ele se tornou firmemente entranhado ao vocabulário público, sendo pronunciado futilmente em todas as ocasiões, tanto por leigos como por profissionais. Jonas Rubitscher diz:

         “Nossa cultura está permeada com  o pensamento psiquiátrico. A psiquiatria, que teve início na cura de enfermos, expandiu-se em rede sobre toda a população, através de métodos que vão, desde a terapia forçada e rígido controle, até o avanço de ideias e a promulgação de valores”.
        O exato termo “doença mental” tornou-se uma praga na sociedade. Se realmente acreditamos que uma pessoa com problema mental-emocional-comportamental está doente, então devemos admitir que ela já não é responsável  pelo seu comportamento. Desse modo, aos criminosos é permitido fazer barganha na base da “insanidade temporal”, da “capacidade reduzida” e do “incompetente para ser julgado”.
         O total impacto do mal deslanchado sobre a sociedade pelos profissionais psicanalíticos ainda está para ser observado. Entrementes, a mística envolvendo o termo “doença mental” tem afastado muitas pessoas que poderiam ser de grande ajuda aos que sofrem com os problemas da vida. Muitas pessoas que desejam ajudar os que sofrem com esses problemas se sentem “desqualificadas”  para ajudar uma pessoa rotulada como “mentalmente enferma” . A confusão inerente a esta justaposição de palavras tem conduzido a erros que, muitas vezes, são mais prejudiciais do que a ajuda aos que são assim rotulados.

         Os exemplos de casos da intrusão governamental nas vidas das pessoas são abundantes, resultando em encarceramentos forçados em instituições mentais, privação de direitos pessoais e perda de vivência, por causa do estigma ligado ao termo “doença mental”.  Mesmo assim, a profissão continua a promover o falso conceito, tentando alinhá-lo com a Medicina e consigná-lo à ciência, enquanto o público vai aderindo. (Até mesmo algumas crianças já estão sendo diagnosticadas como mentalmente enfermas). E o pior é que a igreja está acompanhando esta aberração.



A Psicoterapia é Bem Sucedida?


         Por causa dos que crêem se tratar de uma ciência e do sempre crescente número de pessoas rotuladas como “mentalmente enfermas”, a psicoterapia continua a florescer, com promessas de mudança, de cura e de felicidade.  Este tipo de garantia tem sido reforçado pelos testemunhos de confiança  nos modelos e métodos psicológicos. Contudo, a pesquisa revela algo diferente sobre a eficácia e as limitações da psicoterapia. A pesquisa mais conhecida sobre as taxas de sucesso e fracasso da psicoterapia foi registrada me 1952 por Hans J. Eysenck , um eminente erudito britânico. Eysenck comparou grupos de pacientes tratados pela psicoterapia  com pessoas que receberam pouco ou nenhum tratamento, tendo observado uma porcentagem maior de melhora nos que não passaram pela psicoterapia. Após ter examinado 8.000 casos, Eysenck concluiu que: “... Mais ou menos,  2/3 do grupo de pacientes neuróticos irão se restabelecer ou melhorar até certo ponto, num prazo de dois anos, quer seja ou não, através da psicoterapia”.

A American Psychiatric Association indica que a reposta definitiva à questão: “A psicoterapia funciona?” talvez nunca seja conseguida. Seu livro de 1982 “Psychoterapy Research: Methodological and Efficiency Issues” revelou: “Conclusões inequívocas sobre as casuais conexões entre o tratamento e os resultados talvez jamais sejam possíveis na pesquisa da psicoterapia” Na sua revisão do livro, o Brain/Mind Bulletin diz: “A pesquisa muitas vezes falha em demonstrar uma inequívoca vantagem da psicoterapia”. A seguir temos um exemplo interessante, constante deste livro.

“... Uma experiência no “All India Institute of Mental Health”, em Bangalore, descobriu que os psiquiatras treinados no ocidente e os curandeiros nativos apresentam uma comparável taxa em conseguir  restabelecimento. A diferença mais notável é que os chamados curandeiros bruxos liberaram os pacientes mais cedo”.
Se a “American Psychological Association” e a “American Psychiatry Association”  (bem como grupos independentes de estudos) dão registros parecidos sobre a ineficácia da psicoterapia, por que tantos líderes cristãos continuam promovendo as promessas inacessíveis da psicologia? Se existe tão pouca pesquisa confiável e virtualmente nenhuma evidência empírica, a qual possa apoiar a psicoterapia, por que os cristãos estão tão ansiosos para substituir a Escritura e a obra do Espírito Santo pelas teorias e terapias dos terapeutas? Estas são perguntas legítimas, especialmente tendo em vista a óbvia natureza religiosa da psicoterapia.



Conclusão


       
A igreja existe num mundo hostil. Se os seus membros não rejeitam as filosofias do mundo (religiões, filosofias, sistemas e práticas psicológicas), precisamos nos indagar, seriamente, por que não damos atenção às palavras de Jesus Cristo, escritas em João 15:18-19: “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia”. 

Obviamente, se não damos ouvidos às Suas palavras é porque não acreditamos nelas. A igreja foi convocada para refletir Cristo, não o mundo. Mesmo estando no mundo, os cristãos não são do mundo (João 17:11,16). Assim cada ministro do Corpo de Cristo deve ser bíblico e não se incorporar às filosofias, teorias e técnicas mundanas.

Cristo é o caminho, a verdade e a vida (João 14:6), não Freud, Jung, Adler, Rogers e outros. Uma igreja que não busca o Senhor como única fonte, preferindo confiar nas filosofias psicológicas dos homens, torna-se tão secularizada como o mundo. Esta igreja “até pode ter aparência de piedade, mas nega a sua eficácia” (2 Timóteo 3:5). Ela entronizou o homem, como o seu deus.

Como Corpo de Cristo que somos, precisamos orar pela purificação da igreja. Que ela seja podada pelo Espírito Santo. Busquemos a face do Senhor e nos desvencilhemos do mundanismo carnal e demoníaco, a fim de podermos nos vestir com as vestes brancas de tudo que está em Jesus Cristo. Bebamos das fontes da água viva, desprezando as cisternas rotas dos sistemas psicológicos.

 


Martin & Dreide Bobgan – Excerto do PsychoHeresy: The Psychological Seduction of Christianity - Traduzido por Mary Schultze, 08-08-2010.

 

 


 

Todas as citações bíblicas são da ACF (Almeida Corrigida Fiel, da SBTB). As ACF e ARC (ARC idealmente até 1894, no máximo até a edição IBB-1948, não a SBB-1995) são as únicas Bíblias impressas que o crente deve usar, pois são boas herdeiras da Bíblia da Reforma (Almeida 1681/1753), fielmente traduzida somente da Palavra de Deus infalivelmente preservada (e finalmente impressa, na Reforma, como o Textus Receptus).



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