"Não julgueis, para que não sejais julgados.
Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a
medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. E por que
reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês
a trave que está no teu olho? Ou como dirás a teu irmão:
Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu?
Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás
em tirar o argueiro do olho do teu irmão".
Primeiro, Jesus não está condenando todo tipo de
julgamento; Ele está condenando o julgamento hipócrita (Mt.
7:5).
Que Cristo não está condenando todo tipo de
julgamento é evidente pelo contexto. No mesmo sermão Ele avisou
sobre os falsos mestres (Mt.
7:15-17) e falsos irmãos (Mt.
7:21-23). É impossível ter cuidado com falsos profetas e
falsos mestres sem julgar doutrina e prática comparando-as com a
Palavra de Deus.
Que Cristo não está condenando todo tipo de
julgamento é também evidente pela comparação de Escritura com
Escritura. Em outras passagens somos ordenados a julgar. Devemos
julgar segundo a reta justiça (Jo.
7:24). Devemos julgar todas as coisas (I
Co. 2:15-16). Devemos julgar o pecado na igreja (I
Co. 5:3,12), disputas entre irmãos (I
Co. 6:5), pregação (I
Co. 14:29), aqueles que pregam falsos evangelhos, falsos
cristos, e falsos espíritos (II
Co. 11:1-4), as obras das trevas (Ef.
5:11), e profetas (I
Jo. 4:1).
"Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu
próprio senhor ele está em pé ou cai. Mas estará firme, porque
poderoso é Deus para o firmar".
Esta passagem é freqüentemente abusada por
aqueles que participam de movimentos ecumênicos. É dito que este
verso nos proíbe de expor pecado e erro e comprometimento. É
dito, além disso, que o verso ensina que muitas das verdades da
Bíblia são "não-essenciais" ou "não-fundamentais" no sentido de
como lidamos com elas.
Um pastor escreveu-me e disse:
"Romanos 14 é provavelmente a passagem mais
violentada por aqueles de nós que se intitulam
'fundamentalistas' (observe que eu me incluo). Nós temos ou
passado por cima deste capítulo ou dado a ele uma pecaminosa
interpretação superficial e dançado ao redor de seus poderosos
mandamentos sobre como lidar com diferenças a respeito de
doutrinas 'secundárias' dentro da igreja. Por 'secundária' não
quero dizer 'sem importância'. Eu preciso estar 'plenamente
persuadido' sobre todos os pontos bíblicos controversos, ainda
que deva receber bem e não julgar ou menosprezar aqueles que têm
opinião diferente sobre alguns deles".
A isto eu dei a seguinte resposta:
"Romanos 14 é uma importante passagem, mas não
tem nada a ver com a idéia de que há coisas nas Escrituras de
valor secundário no sentido de como devemos lidar com elas. Os
dois exemplos claramente dados pelo Apóstolo são comer carnes e
guardar dias santos. Não há absolutamente nenhuma exigência
recaindo sobre o Cristão do Novo Testamento a este respeito.
Deste modo, Romanos 14 está tratando de como devemos lidar com
assuntos NÃO ENSINADOS NAS ESCRITURAS. Em assuntos nos quais
Deus não tem falado, eu devo dar liberdade. Nos assuntos nos
quais Deus tem falado, a única liberdade é a obediência. Você
está errando o alvo no entendimento desta passagem".
"Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Quem
fala mal de um irmão, e julga a seu irmão, fala mal da lei, e
julga a lei; e, se tu julgas a lei, já não és observador da lei,
mas juiz. Há só um legislador que pode salvar e destruir. Tu,
porém, quem és, que julgas a outrem?"
Como
Mateus 7:1,
Romanos 14:4, e
I Coríntios 4:5,
Tiago 4:11 é freqüentemente mau usada pela multidão
ecumênica para dar suporte à sua falsa doutrina de que Cristãos
são proibidos de julgar doutrina e prática. Fazer estes versos
ensinarem que Cristãos não podem nunca julgar joga a Bíblia em
confusão. Há um julgamento certo e um julgamento errado. Muitos
versos nos ordenam que julguemos com julgamento justo (Lucas
12:57,
João 7:24,
I Co. 2:15). Nós devemos julgar pregação (I
Co. 14:29), pecado nas igrejas (I
Co. 5:3), disputas nas igrejas (I
Co. 6:5), pecado em nossas próprias vidas (I
Co. 11:31), falsos mestres (Mt.
7:15,
Rm. 16:17), espíritos (I
Jo. 4:1), etc.
Quando, então, está Tiago proibindo? O contexto
esclarece o assunto.
Primeiro, Tiago está tratando do falar mal (Tg.
4:11). Julgamento apropriado é falar a verdade em amor. A
verdade não é má e falar a verdade em amor não é mal. O tipo de
julgamento condenado por Tiago é julgar no sentido de rebaixar,
transmitir informações oficiosas, e difamar. É julgar com má
intenção. Quando alguém julga biblicamente o pecado e o erro,
nunca é com o desejo de ferir as pessoas. Os fariseus julgaram
Jesus desta forma má (Jo.
7:52). Os falsos mestres na Galácia e em Corinto julgaram
Paulo desta mesma forma, tentando rebaixá-lo ante os olhos das
igrejas (II
Co. 10:10).
Segundo, Tiago está se referindo ao julgamento
feito de um modo que é contrário à lei de Deus (Tg.
4:12). Isto se refere a julgar outros pelos padrões humanos
e não pelos divinos, colocando desta forma a si mesmo como o
legislador. Os fariseus fizeram isto quando julgaram Jesus por
suas tradições (Mt.
15:1-3). Por outro lado, quando um crente julga as coisas
pela Palavra de Deus, de forma santa e com compaixão, ele não
está exercendo seu próprio julgamento; ele está julgando pelo
julgamento de Deus. Quando, por exemplo, digo que é errado a uma
mulher ser pastor, este não é o meu julgamento, é o de Deus (I
Tm. 2:12).
Todas as citações bíblicas são da ACF (Almeida Corrigida Fiel, da SBTB). As ACF
e ARC (ARC idealmente até 1894, no máximo até a edição IBB-1948, não a SBB-1995)
são as únicas Bíblias impressas que o crente deve usar,
pois são boas herdeiras da Bíblia da Reforma (Almeida 1681/1753),
fielmente traduzida somente da Palavra de Deus infalivelmente preservada
(e finalmente impressa, na Reforma, como o Textus Receptus).
(retorne a http://solascriptura-tt.org/
SeparacaoEclesiastFundament/
retorne a http://
solascriptura-tt.org/
)