O embasamento do arminianismo é que o homem não é totalmente depravado -- seu
arbítrio (capacidade, poder de decisão) permanece plenamente livre e todo
poderoso para decidir, sozinho, seu próprio destino. A máxima do arminianismo
sobre a salvação é "A minha parte é estar desejoso de crer e decidir fazê-lo,
e a parte da graça de Deus é a de apenas me ajudar nisto". Para o
arminianismo, "preconhecimento" apenas significa que Deus antevê aqueles que
receberão o Salvador, e, com base nisto, Deus os elege. Quanto àqueles que
rejeitam o Salvador, Deus os condena.
Uma vez que a decisão final é feita pelo homem e Deus age com base e em (mera)
conseqüência daquela decisão, então, afinal, é o homem quem é soberano: Deus não
determina nada, Ele não concede nada (exceto a assim chamada "graça comum",
aquela que remove a inabilidade de O escolher) e Ele não assegura nada. Assim, o
fator final e decisivo na salvação arminiana é a escolha que o pecador faz de
Deus, não a escolha que Deus faz do pecador. É o homem quem escolhe Deus, e não
Deus que escolhe o homem. Aqueles que a Bíblia chama de "eleitos por Deus" são
escolhidos somente no sentido de que Ele viu de antemão a sua decisão e fé e
boas obras (as quais brotam deles mesmos e não são obra de Deus). A vontade do
homem é exaltada ao trono de soberana e o homem torna-se seu próprio salvador.
Graça é simplesmente a restauração da habilidade natural do homem agir por si
mesmo; graça nunca realmente o salva, mas somente o capacita a salvar a si mesmo
... se ele assim o desejar e determinar.
HOMEM SOBERANO? -- Uma vez o homem tem todo poder para sozinho decidir entrar na
salvação, então também tem toda a responsabilidade de sozinho lá se manter, e
todo risco de decidir dela sair, pelo seu livre arbítrio. Qualquer medida de
objetiva imperdibilidade da sua salvação, e qualquer medida de subjetivo
sentimento de segurança que ele algum instante tenha da sua salvação, são
fundadas sobre seu sentimento de próprio mérito momentâneo, ajudados por
qualquer tipo de experiências emocionais que ele possa ajuntar ao longo do
caminho. Por isso todos arminianos têm testemunhos semelhantes a: "Mesmo depois
que aceitei Jesus eu tinha dúvidas se era realmente salvo. Mas, quando tive meu
batismo com o Espírito Santo e comecei a falar em línguas, então eu tive a
certeza. Isto é, tive-a até que ... Mas então eu REALMENTE ganhei certeza quando
... Mas depois eu fiquei em dúvida de novo, até que ...". Consequentemente, a
existência do arminiano é baseada em experiências e subjetivismo, olha para
dentro dele mesmo e não para a obra consumada de Cristo, é tragicamente
perseguida por medos, por incertezas, por desviar-se, e por fracassos (e por
fingimentos).
Imperdibilidade da salvação (salvação que é eterna e imperdível e incondicional
e baseada somente na fé na obra consumada do Senhor Jesus Cristo), doutrina mais
que provada pela Bíblia, é completamente rejeitada (e ferozmente odiada) pelo
arminiano. Ele odeia e incansavelmente evita toda Escritura que estabelece
segurança eterna; ou, na melhor das hipóteses, procura desacreditar e negar tais
Escrituras, desviando-se para referências que estão fora do contexto apropriado
(o contexto de salvação na dispensação das igrejas), referências que lhe pareçam
militar contra a eterna segurança.
O exame da seguinte lista de dogmas nos dá uma visão mais clara do arminianismo
(sigla PACIP):
- Parcial depravação: A depravação humana não é tal que o torne incapaz de, por si só, desejar e buscar e encontrar a Deus, e de exercer seu livre arbítrio para decidir confiar e receber Jesus como seu Salvador.
- Afrontável graça de Deus: A graça de Deus é resistível no sentido final, de modo que o homem pode, no final das contas, frustar, impedir, derrotar o propósito de Deus para salvá-lo.
- Condicional eleição: A eleição por Deus é condicionada a Ele ter visto de antemão a fé em certos homens a quem Ele, então, passa a os chamar de Seus eleitos.
- Ilimitada expiação: A obra de expiação por Jesus foi exatamente a mesma para todos, sem nenhuma diferenciação quanto ninguém, fazendo todos os homens igualmente possíveis de serem salvos, mas realmente não garantindo a salvação de nenhum homem.
- Perdível salvação: A salvação final (isto é, ao final da sua vida terrestre) é possível aos crentes, mas a vitória final depende deles mesmos, depende deles perseverarem em fé. Assim, a apostasia final (sem tempo de arrependimento e de volta à fé), com conseqüente perda final de salvação, é possível a todos salvos. Cada um que se cuide, até à hora da morte, senão ...
Hélio de M. Silva (não sou arminiano! (nem
calvinista!) ),
(baseado em pequeno trecho do excelente artigo "Arminius, to Calvin, to Paul",
em
http://withchrist.org/MJS/armcalpaul.htm , de Miles J. Stanford, e em
email do Prof. Josias Macedo Baraúna Júnior).
Todas as citações bíblicas são da ACF (Almeida Corrigida Fiel, da SBTB). As ACF
e ARC (ARC idealmente até 1894, no máximo até a edição IBB-1948, não a SBB-1995)
são as únicas Bíblias impressas que o crente deve usar,
pois são boas herdeiras da Bíblia da Reforma (Almeida 1681/1753),
fielmente traduzida somente da Palavra de Deus infalivelmente preservada
(e finalmente impressa, na Reforma, como o Textus Receptus).