SERÁ QUE ORAMOS CORRETAMENTE ?

 

INTRODUÇÃO

 

         A Igreja hoje vive uma época completamente mudada em relação à fase vivida em sua formação registrada no livro de Atos, os costumes mudaram, as tradições, doutrinas, ordem da Igreja enfim, toda a conduta e “modus vivendi” do cristão mudou. Mas será que a oração também mudou ? E outra pergunta ainda tem espaço: será que a oração deveria ser mudada em relação à praticada no passado ? Analisemos isso diante do Único e suficiente referencial que temos, as Escrituras Santas deixadas para orientar os povos sobre a terra, conforme a vontade do Senhor.

 
           Para definir a oração não precisamos na realidade dar uma explicação complexa, a oração nada mais é que falar, discursar e expor em palavras, é simples defini-la. Mas quando o cristão inicia sua oração, tem ele realmente falado com Deus corretamente como deve ser ?

 
           Muitas pessoas acabam por mencionar que Deus compreende cada linguajar, cada maneira de expressão oral, frases e metáforas diversas, sem dúvida Ele compreende, afinal Sua Onisciência permite que Ele entenda tudo sobre a terra e fora dela, entretanto a questão aqui discutida não trata-se da dúvida se Deus compreende a oração do cristão de hoje, mas se tal cristão está dirigindo-se a Deus como deveria fazê-lo. Justamente essas mudanças de comportamento da Igreja contemporânea incluem também a oração. Sim, o modo de orar mudou e muito de nossos antepassados até atualmente, mas Deus não muda, além disso o respeito, o temor e a submissão a Ele também de igual modo nunca deveriam mudar.


A oração NO PASSADO

             Vamos esboçar brevemente, sem esgotar o assunto e as fontes, sobre como oravam os homens de Deus no passado. Homens esses que tinham autoridade de exercer ofícios de Profetas, Sacerdotes, alguns Reis, Apóstolos, Mestres, entre outros ministérios.

 
           Uma pergunta pode dar início a esse esboço: quando iniciou-se a invocação ao Nome do Senhor ?

Lemos em
Gênesis 4:26 que após Sete gerar Enos, começaram então a invocar o Senhor. Aqui começou a primeira oração do homem a Deus. Fato marcante da História da humanidade, o momento no qual o homem chegou até o Senhor através de sua fala em oratória.

 
           Podemos ainda observar que Deus em muitas ocasiões naquela época falava aos homens claramente, mandando Sua Palavra a eles, porém a resposta do homem era a audição em silêncio, sem contestação, como muitas vezes falou o Senhor  a Abraão dando-lhe diversas orientações (
Gênesis 12:1;  15:1;  17:1).

 

A POSTURA NA oração

             Esse ponto da exposição é o ponto mais importante para confrontar com nossos dias, a postura do cristão na oração. Bem sabemos que sobre a terra todos estão sujeitos a autoridades humanas diversas, sejam autoridades executivas, judiciárias ou legislativas e quando qualquer pessoa sobre a terra  fica diante de alguma delas e recebe ordem de manifestar-se, o faz com cuidado, atenção, palavras corretas, respeito e temor de sofrer alguma punição por faltar com a verdade ou ainda por não respeitar tal autoridade, mas para dirigir-se a Deus como deveria ser ?

 
           O Criador de todas as coisas, Senhor do Universo infinito, e Ele sendo o Senhor Absoluto sobre tudo e todos, não merece muito maior postura quando dirigimos a palavra a Ele ? Vejamos como reagiam nossos ancestrais.

1- O PRONOME CHAMATIVO OU VOCATIVO DO OUVINTE.

             Leiamos em vários textos como iniciavam a oração:

Gênesis 24: 12, 26-27, 48 – “ O Senhor Deus de meu senhor Abraão. Bendito seja o Senhor Deus de meu senhor Abraão”.

Juizes 16: 28 – “clamou
Senhor DEUS

I Reis 8: 23 – Senhor Deus de Israel, não há Deus como tu.. ”.

Neemias 1: 5 – “ Senhor Deus dos céus, grande e terrível! Que guarda a aliança e a benignidade para com aqueles que o amam e guardam os seus mandamentos.”


Isaias 25:1 – Ó Senhor tu és o meu Deus; exaltar-te-ei, e louvarei o teu nome, porque fizeste maravilhas; os teus conselhos antigos são verdade e firmeza.”


Isaias 37:16 – “Ó Senhor dos Exércitos, Deus de Israel, que habitas entre os querubins; tu mesmo, tu és Deus de todos os reinos da terra; tu fizeste os céus e a terra.”


Daniel 9:4 – “E orei ao Senhor meu Deus, e confessei, e disse: Ah! Senhor! Deus grande e tremendo, que guardas a aliança e a misericórdia para com os que te amam e guardam os teus mandamentos;”


 
           Aqui podemos observar que em primeiro lugar todo aquele que vai dirigir a palavra ao Deus vivo, deve colocar-se no seu devido lugar em relação a Ele, assim quando o clamar não esqueça que ELE É SENHOR DEUS, GRANDE E TREMENDO!

 
           Atualmente já podemos ver alguns orando de forma indiferente, falando como se estivessem dirigindo-se a qualquer pessoa, até o tom da voz denuncia isso.  Sem falar nos não poucos casos onde falam de Deus usando palavras puramente torpes, que sequer tenho coragem de mencionar aqui. Portanto, cristãos, mantenham o devido respeito ao Senhor, Aquele que não muda.

 

2- POSTURA NA oração.

             Em muitas situações podemos verificar que os homens sempre colocaram-se em postura de humilhação diante do Todo Poderoso, assim verificamos em

Gênesis 24: 26 – inclinado

Êxodo
34: 8-9 – inclinado

II
Crônicas 6: 13-14
– ajoelhado

Esdras 9:5
– ajoelhado e com vestes rasgadas

Daniel 6:10
– ajoelhado

Lucas 22:41
– ajoelhado (o Próprio Senhor Jesus)

Atos 7:60
– ajoelhado
(Estêvão)

Atos 9:40
– ajoelhado
(Pedro ao orar para  ressuscitar Tabita)

Atos 20:36
– ajoelhado
(Paulo orando com os anciãos de Éfeso)

Efésios
3:14
– ajoelhado (Paulo novamente)

Números
20:6
– rosto em terra (Moisés e Arão)

II
Crônicas 20:18
– com o rosto em terra (Jeosafá e os moradores de Jerusalém)

Mateus 26:39
– prostrado sobre o rosto (O próprio Jesus)

Lucas 18:11, 13
– em pé (o fariseu e o publicano)


 
           Enfim, temos muitos exemplos de posturas em oração, entretanto todas elas foram efetuadas com a devida reverência e respeito.

3- O ATO DE HUMILHAR-SE DIANTE DE DEUS.

             Desnecessário é mencionar que Deus está infinitamente acima de nós em tudo, portanto além do exposto ainda temos o fato da humilhação diante dEle. O homem nunca perdeu bênçãos pela humildade, ainda mais diante do Senhor Deus. Mas a humilhação é um ato interno, uma atitude conhecida somente pelo próprio Deus, pois Ele sonda os corações e pensamentos, e saberá exatamente se o orador esta mesmo sentindo-se como manifesta. E não faltou conselhos e advertências sobre essa posição a ser tomada.

II Crônicas 7:14 – “E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei seus pecados, e sararei sua terra.” 

II Crônicas 34:27 – “Porquanto o teu coração se enterneceu, e te humilhaste perante Deus, ouvindo as suas palavras contra esse lugar, e contra os seus habitantes, e te humilhaste perante mim, e rasgaste as tuas vestes, e choraste perante mim, também eu te ouvi, diz o SENHOR.”


Daniel 10:12 – “Então me disse: não temas, Daniel, porque desde o primeiro dia em que aplicaste o teu coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, são ouvidas as tuas palavras; e eu vim por causa das tuas palavras.”


Mateus 23:12 – “E o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado.”


Tiago 4:10 – “Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará.”


I Pedro 5:6 – “Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte.”



 
           Como podemos observar o ato de humilhar-se diante do Todo Poderoso foi a prática antiga no passado, o ato de humilhação era verdadeiro, real e não somente interior como visualizado no exterior do homem. O conselho dos apóstolos foi que o cristão esteja em sua posição diante do Criador e Redentor, humilhado.

 
           Não é necessário aqui modificar os rumos da exposição para dizer sobre as doutrinas malignas quando mencionam e pregam em púlpitos, que o cristão deve requerer, exigir de Deus suas bênçãos!! Que aberração, heresia e horrenda coisa!! Quem de nós estaria no direito de exigir algo de Deus ? Ele nos orientou exatamente o contrário, para clamar, pedir, solicitar, implorar e humilhar-se para isso. então veja como Ele respondeu aos Profetas de modo positivo e os exaltou no seu tempo. Sua promessa é fiel e verdadeira, Ele não negará aquilo que prometeu, jamais.


O QUE PEDIR ?

             Uma petição sempre necessária é o perdão divino, hoje Graças ao Senhor, temos um Mediador que nos mantém unidos a Deus, Àquele que completou a obra em tempos passados e hoje intercede por nós. Assim, pedir perdão pelos pecados que praticamos, muitas vezes cometidos sequer sem que percebamos, seja por pensamento, palavra, omissão ou atitude, é sempre necessário. Então vejamos como um exemplo a oração que Esdras fez e registrada está em 9: 5-7  E perto do sacrifício da tarde me levantei da minha aflição, havendo já rasgado minhas vestes e meu manto, e me pus de joelhos, e estendi as minhas mãos para o Senhor meu Deus; E disse: Meu Deus! Estou confuso e envergonhado, para levantar a ti a minha face, meu Deus; porque as nossas iniqüidades se multiplicaram sobre a nossa cabeça, e a nossa culpa tem crescido até os céus.”

 
           Esdras orava e chorava fazendo a confissão diante de Deus, e ainda assim o povo se ajuntava com ele e choravam muito; Esdras 10:1 “E enquanto Esdras orava, e fazia confissão, chorando e prostrando-se diante da casa de Deus, ajuntou-se a ele, de Israel, uma grande congregação, de homens, mulheres e crianças; pois o povo chorava com grande choro.”


           
Sempre e bom lembrar ainda as Palavras de I João 1:9 “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda injustiça.”


           
Mas precisamos às vezes fazer outras petições, claro que sim, afinal Jesus nos ensinou que deveríamos pedir o que quisermos, mas a condição Ele deixou clara em João 15:7 Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós,
pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito.” A condição de estarmos nEle e Sua Palavras em nós dará a certa resposta, entretanto quando isso ocorre, muitas coisas não convém pedir, uma vez que não haverá tal conveniência encontrada na vivência com a Sua Palavra.

AS CAUSAS DO FRACASSO DE UMA oração

             Enumerar as causas do fracasso de uma oração não é tão simples, contudo as Escrituras nos garantem algumas diretrizes para entender quando estamos orando sem que os resultados venham.

-
Desobediência –                                  Deuteronômio 42-45

-
Pecado Ocultos-                                   Salmos 66:18; Isaias 1:15-16; Miquéias 3:4

- Indiferença -                                           Provérbios 1:28-30

- Falta de -                                           Tiago 1:6-7

-
Para gastar em deleites -                    Tiago 4:3

 
           É importante entender que a oração é eficaz e poderosa, a arma do cristão que arrasa o inimigo e suas ciladas, contudo precisamos fazê-lo corretamente, saber orar é seguir os exemplos que nos foram deixados pelas Escrituras.


CONCLUSÃO

             Precisamos aprender a orar novamente, isto é, reaprender a orar, os anos passaram e o mundo com suas tentações, com suas oferendas veio a invadir muito o Corpo de Cristo, alterando procedimentos antigos, mantidos pelos fiéis cristãos ao longo dos séculos e hoje adequado mais à nova vida popular. Deus sempre foi o mesmo e será eternamente, portanto modismos de doutrinas, mudanças em métodos de prestação de culto ao Senhor, e como no caso em questão, alterações na maneira de falar com Deus, ajustando-se às “manias lingüísticas” do nosso tempo, não são bem vindas nos céus.

 
           Vigiemos nossa boca e nossas intenções no falar, irmãos.




Luis Henrique L’ Astorina
Junho de 2003.



Todas as citações bíblicas são da ACF (Almeida Corrigida Fiel, da SBTB). As ACF e ARC (ARC idealmente até 1894, no máximo até a edição IBB-1948, não a SBB-1995) são as únicas Bíblias impressas que o crente deve usar, pois são boas herdeiras da Bíblia da Reforma (Almeida 1681/1753), fielmente traduzida somente da Palavra de Deus infalivelmente preservada (e finalmente impressa, na Reforma, como o Textus Receptus).



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