É o Texto Recebido Embasado em Manuscritos Poucos e Tardios?


(http://www.wayoflife.org/database/is_the_received_text_based_on_few.html )




David Cloud





Durante mais de cem anos, os defensores das versões modernas têm promovido o engodo de que o Novo Testamento Grego de Westcott & Hort
(e os sucessores do mesmo no Século 20, tais como o texto grego da United Bible Societies) é fundamentado nos mais antigos e melhores manuscritos "enquanto o texto grego da Bíblia King James é um texto inferior, embasado em um mero punhado de gregos manuscritos recentes”.   Considerem a seguinte declaração  de D.A. Carson, autor do livro influente e popular - The King James Version Debate: A Plea for Realism:

"Embora Erasmo publicasse uma quarta e quinta edição, precisamos nada mais dizer sobre os mesmos, aqui.  O Testamento Grego de Erasmo permanece de pé e alinhado por trás da Versão King James; mesmo assim, ele se embasa em meia dúzia de manuscritos minúsculos, nenhum dos quais anteriores ao século dez. ... A BASE TEXTUAL DO TR É UM PEQUENO NÚMERO DE MANUSCRITOS MINÚSCULOS, DESORGANIZADOS E SEM DIREÇÃO, E RELATIVAMENTE TARDIOS [recentes]" (D.A. Carson,The King James Version Debate, Baker Book House, 1979, pp. 35-36).

Outro exemplo deste erro é encontrado no livro The Bible Version Debate: The Perspective of Central Baptist Theological Seminary (1997). O capítulo quarto é "Defining the Terms" (Definindo os Termos), escrito por  W. Edward Glenny, professor de Novo Testamento na Centra l" - … O TR está embasado em apenas sete manuscritos tardios [recentes]”. (Glenny, p. 51).

Esta declaração inacreditavelmente errônea tem sido tão frequentemente repetida  pelos defensores dos críticos textuais e da versão moderna que é comumente aceita como verdade. Conquanto não  seja surpresa ver os Novos Evangélicos como D.A. Carson adotarem tais coisas temos visto que alguns batistas fundamentalistas estão repetindo estes mesmo erros batidos. Se os eruditos batistas fundamentalistas  do nosso tempo gastassem pelo menos tanto tempo estudando os escritos dos eruditos textuais crentes na Bíblia, como o Deão João Burgon, Edward Miller, e E. F. Hills, os quais creem na infalível inspiração e na divina preservação, como fazem, estudando os escritos dos modernistas e Novos Evangélicos, tais como Bruce Metzger, F.F. Bruce, e Kurt Aland, os quais negam, tanto a inspiração como a preservação, não teriam tanta pressa em passar à frente falácias a leitores que de nada suspeitam.

Seja como for, não é difícil dissipar o mito de que o Texto Grego Recebido que embasa a Bíblia  King James e outras Bíblias da Reforma, está embasado em apenas sete manuscritos tardios [recentes]".  É verdade que Erasmo tinha como sua propriedade real apenas uns poucos manuscritos gregos, quando compôs a primeira edição do seu Novo Testamento Grego, mas ele tinha examinado uma grande quantidade de outros manuscritos, tanto latinos como gregos, e ele os tinha comparado com muitas traduções antigas da Bíblia e com uma grande quantidade de citações dos líderes da igreja primitiva. Ele também estava ciente das leituras alternativas contidas em manuscritos, tais como o o Código Vaticanus e o Código D.  Desse modo, ele estava em posição de saber que aqueles poucos manuscritos que ele tinha em mão, representavam o testemunho de vastos números de outros manuscritos.  O fato é que o Texto Recebido  que embasa as estimadas e poderosamente usadas Bíblias da Reforma é representado na maioria dos manuscritos gregos existentes, nas citações dos líderes da igreja primitiva, e nas antigas traduções da Bíblia. Daí porque o Texto Recebido tem sido comumente chamado de “texto majoritário” (embora esse termo tenha sido usurpado, nos recentes anos, pelo Novo Testamento Grego de Hodges-Farstad-Thomas Nelson  de 1982). As autoridades textuais admitem que dos mais de 5.200 manuscritos gregos existentes, 99% contenham  o texto comum tradicional eclesiástico (i.é., das igrejas), ou Texto Recebido. Assim, diante de tal evidência, é tolice dizer que o Texto Recebido “está embasado em apenas sete manuscritos tardios [recentes]”.


O TESTEMUNHO DE J.H. MERLE D’AUBIGNE ANULA ESTE MITO


A seguinte citação do historiador  J. H. Merle D’Aubigne demonstra que  Erasmo teve acesso a mais evidência textual do que os críticos modernos admitem:  

"Nada foi mais importante na aurora da Reforma do que a publicação do Testamento de Jesus Cristo  na língua original. Erasmo nunca havia trabalhado tão cuidadosamente. ‘Se eu dissesse quanto suor me custou, ninguém me acreditaria’ ELE HAVIA COLETADO MUITOS MANUSCRITOS GREGOS  do Novo Testamento, e RODEOU-SE DE TODOS OS COMENTÁRIOS  E TRADUÇÕES, dos escritos de  Orígenes, Cipriano, Ambrósio, Basil, Crisóstomo, Cirilo, Jerônimo, e Agostinho. ... ELE TINHA INVESTIGADO OS TEXTOS CONFORME OS PRINCÍPIOS DA CRÍTICA SAGRADA.  Quando o conhecimento do Hebraico foi necessário, ele consultou Capito, e mais particularmente Ecolampádio. 'Nada sem Teseu', ele disse sobre o último, fazendo uso do provérbio grego (J.H. Merle D’Aubigne, History of the Reformation of the Sixteenth Century, New York: Hurst & Company, 1835, Vol. 5, p. 157).

A noção popular de que Erasmo  e outros editores do Novo Testamento Grego do Século XVI trabalhavam com escassos recursos é, simplesmente, uma tolice. As notas que Erasmo colocou em suas edições do Novo Testamento Grego comprovam que ele estava informado das leituras variantes que têm se infiltrado nas nas traduções modernas, desde 1881. Mesmo que Erasmo não tivesse acesso a todos os manuscritos  que os tradutores podem usar hoje em dia, não resta dúvida de que ele teve acesso às leituras variantes, por outros maneiras.

"Através do seu estudo dos escritos e Jerônimo e dos Pais da Igreja, Erasmo tornou-se muito bem informado  sobre as leituras variantes do texto  do Novo Testamento. De fato, todas as leituras variantes mais importantes hoje conhecidas pelos eruditos já eram conhecidas de Erasmo, há mais de 460 anos atrás, e discutidas nas notas (previamente preparadas) que ele colocou em suas edições do Texto Grego do Novo Testamento. Aqui, por exemplo, Erasmo tratou com  tais passagens problemáticas, como a conclusão da Oração do Senhor (Mateus 6:13), a entrevista do jovem rico com Jesus  (Mateus 19:17-22), o final de Marcos (Marcos 16:9-20), a canção angelical (Lucas 2:14), o anjo, a agonia e o suor de sangue omitidos (Lucas 22:43-44), a mulher apanhada em adultério (João 7:53-8:11), e o mistério da piedade (1 Timóteo 3:16)" (Dr. Edward F. Hills,The King James Version Defended, 1956, 1979, pp. 198-199).

Erasmo não apenas consulta muitos manuscritos gregos e latinos, como antigas traduções da Bíblia, como, para determinar o exato texto, ele examinou as citações dos antigos escritos cristãos.

"Erasmo usa os Pais da Igreja como testemunhas independentes para o antigo texto da Vulgata. Em sua carta dedicatória ao papa, ele menciona que teve o cuidado especial devido aos escritos sagrados, o que o levou a  não apenas comparar ‘os manuscritos mais antigos e mais corretos’ mas também a ‘correr através dos antigos teólogos e reconstituir, a partir das suas citações e exposições, o que cada um deles havia lido e havia mudado (W. Schwarz, Principles and Problems of Biblical Translation, p. 145).

Não atribuímos grau algum de perfeição a Erasmo. Com certeza, ele cometeu sérios erros, (embora menos frequentemente do que os defensores das versões modernas falsamente o caricaturam). Mas, o fato é que Erasmo foi diligente em pesquisar a história da transmissão das Escrituras e que ele teve recursos suficientes para realizar esta tarefa. A publicação do primeiro Texto Grego do Novo Testamento impresso [na imprensa de tipos móveis, recém inventada por Gutemberg] não foi, de modo algum, uma coisa apressada, superficial, mal feita e descuidada, conforme os críticos textuais gostariam que acreditássemos.   (Dizemos muito mais sobre Erasmo (e o seu papel na publicação do primeiro Novo Testamento Grego impresso) no livro Myths about the King James Bible.)

 

O TESTEMUNHO DO BISPO ELLICOT DESFAZ ESTE MITO

 
Quanto ao Texto Recebido ter sido embasado em “sete manuscritos tardios [recentes]”, consideremos, em adição, o testemunho do Bispo Ellicott, presidente do comitê que produziu a English Revised Version de 1881 (o comitê incluía também Westcott & Hort),  a antecessora de todas as novas versões modernas:  "OS MANUSCRITOS QUE ERASMO USOU DIFEREM, EM SUA MAIOR PARTE, APENAS EM ALGUNS DETALHES INSIGNIFICANTES, DA GRANDE MAIORIA DOS MSS CURSIVOS”. O caráter geral do seu texto é o mesmo. Com esta observação, o pedigree do Texto Recebido  é levado muito além  dos manuscritos individuais usados por Erasmo... Esse  pedigree recua à remota antiguidade.

“O  PRIMEIRO ANCESTRAL DO TEXTO RECEBIDO FOI, PELO MENOS, CONTEMPORÂNEO DO MAIS ANTIGO DOS NOSSOS MANUSCRITOS AINDA EXISTENTES, SE NÃO MAIS ANTIGOS DO QUE QUALQUER UM DELES  (Ellicott, The Revisers and the Greek Text of the N.T. by two members of the N.T. Company, pp. 11-12).

Dr. Ellicott estava familiarizado com toda a erudição textual do seu tempo, e, mesmo assim, não hesitou em dizer que o Texto Recebido está embasado em autoridade textual que é, pelos menos, tão antiga como aquela em que o texto de Westcott-Hort foi embasado. O Dr. Ellicott estava dizendo que a autoridade textual do Texto Recebido é, pelo menos, tão antigo como as dos afamados manuscritos Sinaiticus e Vaticanus.

 

O TESTEMUNHO DA SOCIEDADE BÍBLICA TRINITARIANA ANULA ESTE MITO.


A Sociedade  Bíblica Trinitariana (TBS) de Londres, Inglaterra, coloca o assunto numa perspectiva que muitos defensores das versões modernas parecem tentar o possível para ignorar. A TBS foi formada a partir de um conflito com a British and Foreign Bible Society (BFBS) sobre a doutrina da Trindade e a divindade de Jesus Cristo. A BFBS, organizada em 1804, recusou-se a assumir uma posição contra o Unitarismo, portanto os homens que estavam preocupados com a pureza doutrinária abandonaram aquela sociedade em 1831, para formarem a Trinitarian Bible Society (TBS). Nos primeiros anos da TBS, o assunto sobre os diferentes textos e versões  da Bíblia não foi um caso tão sério no sentido em que se tornou no Século 19. Embora houvesse críticos textuais na primeira metade dos anos 1800, eles não exerciam ampla influência  nos círculos cristãos comuns.  As batalhas encaradas pelos trinitarianos, nos anos anteriores, eram dirigidas a outras direções. Com a publicação da English Revised Version (ERV) e do Texto Grego de Westcott-Hort, ambas em 1881, a TBS começou a assumir uma posição mais ativa sobre textos e versões. Vários artigos foram publicados no TBS Quarterly Record , na virada do século, criticando a ERV e apoiando o Texto Recebido. Alguns destes textos se apoiaram pesadamente no livro Revision Revised, de John Burgon, bem como da pesquisa de  F.C. Cook e F.H.A. Scrivener. A partir daquele tempo até hoje, os trinitarianos têm assumido uma posição definitiva, em favor do Texto Recebido e da King James Bible. De observação especial em defesa da Authorized Bible, dentro da  TBS, está Terence Harvey Brown, Secretário da TBS, desde 1958 até 1990. Brown foi o autor de muitas publicações eruditas, crentes na Bíblia, produzidas pela TBS durante esses anos, as quais influenciaram grande número de pessoas, no mundo inteiro. Isto é descrito na história oficial da TBS, conforme segue: "De 1958 em diante, a TBS tem movido guerra contra todas estas frentes com vigor extraordinário. Sucessivas traduções inglesas modernas foram revistas pelo secretário no relatório trimestral (Quarterly Record), com a análise dos defeitos delas." (Andrew J. Brown, The Word of God Among All Nations: A Brief History of the Trinitarian Bible Society 1831-1981, p. 118).

O seguinte testemunho da Trinitarian Bible Society explode o mito  de que o Texto Grego Recebido é um “texto tardio [recente]”, enquanto o texto grego eclético é um "texto antigo:"

"Deve ser enfatizado que A DISCUSSÃO NÃO É ENTRE O TEXTO ANTIGO E UM  RECENTE, MAS ENTRE DUAS FORMAS ANTIGAS DO TEXTO, uma das quais foi rejeitada e a outra adotada e preservada pela igreja, como um todo, permanecendo no uso comum durante mais de quinze séculos.

As pressuposições da moderna crítica textual baseiam-se  no testemunho discordante de alguns poucos espécimes do texto rejeitado [durante 15 séculos] e recentemente desenterrado do esquecimento aos quais elo havia sido deliberadamente e sabiamente consignado, no século IV” (The Divine Original, TBS article No. 13, , p. 7).

 

O TESTEMUNHO DE JOÃO BURGON ANULA ESTE MITO.


John William Burgon (1813-1888) foi um dos maiores críticos textuais da Bíblia do Século 19. (Demos uma ampla biografia de sua vida em nosso  livro -  For Love of the Bible: The Battle for the Received Text and the King James Bible from 1800 to Present.)

Burgon foi Professor de Divindade em Oxford, Gresham; Companheiro no Oriel College, vigário da St. Mary’s (a igreja da universidade); e, durante os últimos doze anos de sua vida, ele foi o Deão de Chichester. Na última parte dos anos 1800s, Burgon defendeu a Bíblia como sendo a infalível e inerrante Palavra de Deus, inspirada nos jotas e tís,  e lutou muitas batalhas contra a incrustação do modernismo teológico. A série de mensagens sobre a inspiração bíblica, pregadas por Burgon, na Universidade de Oxford, em 1860, são obras primas da apologia.

Burgon observou: "A raiz de toda a mentira dos últimos tempos, está na descrença na Bíblia como a Palavra de Deus [palavra por palavra]. Este é o erro fundamental”. Burgon defendeu a autoria mosaica de Gênesis e rejeitou qualquer teoria científica contrária à Revelação Divina.  Ele declarou sabiamente: Destrua a minha confiança na Bíblia como sendo um registro histórico e você destruirá minha confiança nela toda; pois, certamente, a maior parte da Bíblia é um registro histórico." Sua posição foi:

"Ou, em companhia dos melhores e
 mais sábios de todas as eras,  você deve crer em toda a Escritura; ou, em companhia do descrente de estreita mente, você deve descrer dela toda.  Não existe posição intermediária aberta a você . . . . Quem se rende e abandona a primeira página da Bíblia, rende-se e abandona todas elas. . . . Não, senhores! (Sejam persuadidos) de que a Bíblia é a exata declaração do Eterno; Ela é tanto a Palavra de Deus, como se os altos Céus se abrissem e escutássemos Deus falando conosco com voz humana. . . . A Bíblia não é nenhuma outra senão a  voz dAquele que está assentado no trono! Cada livro dela, e cada capítulo, e cada verso, e cada palavra, e cada sílaba  (onde devemos parar?) e cada letra dela- é uma, exata declaração do Altíssimo! . . . A Bíblia não é senão a Palavra de Deus: não é mais a Palavra de Deus em algumas partes e é menos em outras partes, mas toda Ela é igualmente, em igual grau, a declaração dAquele que está assentado no trono; absoluta, sem falha, inerrante, suprema!"

A isto digamos Amém e Amém! É certo que defesa da Bíblia tão sem hesitação, tão decisiva e gloriosa, não tem sido ouvida na Universidade de Oxford, nos últimos cem anos [E eu diria, em nenhuma universidade deste mundo, nos últimos 200 anos!]

Observando o florescimento da moderna crítica textual, no seu tempo, BURGON VIU UMA DIRETA CONEXÃO ENTRE ELA E A ALTA CRÍTICA MODERNA, QUE PROCEDIA DA ALEMANHA. Tanto a crítica textual como a alta crítica estavam sendo aguerridamente defendidas, no Século 19, pelos inimigos do Cristianismo, particularmente pelos unitarianos e teológos modernistas. (Isto é documentado exclusivamente em meu livro de 1999 -  Myths about the King James Bible). Burgon ergueu-se para enfrentar o desafio da crítica textual. Ele foi erudito textual do mais alto nível, sem igual entre os homens do seu tempo.    Ele excursionou pelas bibliotecas da  Europa, examinando e coletando manuscritos no Novo Testamento por onde quer que andasse. Em 1860, ele visitou a Biblioteca do Vaticano para examinar o Código Vaticanus. Em 1862, ele viajou ao Monte Sinai, para inspecionar  os  manuscritos  do mosteiro de Sta. Catarina  (o mesmo onde  Tischendorf encontrou o manuscrito Sinaiticus). O Dr. Edward Hills observa o propósito das viagens de Burgon: "Sendo impulsionado pelo desejo de conseguir o extremo conhecimento contra as falsas declarações  feitas pelos críticos reinantes do seu tempo,  Burgon devotou os últimos 30 anos de sua vida a desacreditá-los.  Crendo firmemente que Deus havia providencialmente preservado o verdadeiro texto do Novo Testamento, ele se dispôs a descobrir como as leituras depravadas e corrompidas haviam se desenvolvido. Isto exigiu que ele viajasse muito (E.F. Hills, "A Biographical Sketch of the Life of Burgon," Unholy Hands on the Bible: Vol. 1, Jay Green, ed., p. xix).

Após toda esta diligente pesquisa no texto e história da Escritura, Burgon ficou convencido de que o Texto Recebido embasando a King James Bible é a Palavra de Deus preservada.  Quando o Texto Grego do Novo Testamento de Westcott-Hort foi publicado, junto com a English Revised Version, in 1881, Burgon expôs os seus erros, numa série de artigos que apareceram na Quarterly Review [RevisãoTrimestral]. Estes foram, mais tarde, incorporados ao livro - The Revision Revised, em 1883. (Este livro está disponível numa bela edição de capa dura, da Bible for Today, 900 Park Ave., Collingswood, NJ 08108.)

Embora  John Burgon não acreditasse que a KJV é perfeita em cada ponto, ele exaltou a King James Bible sobre todas as demais versões inglesas, chamando-a “o tesouro precioso, que nos foi entregue pela piedade e sabedoria de nossos pais”;  e manteve [a posição] que o Texto Recebido do Novo Testamento, à parte dos mínimos melhoramentos que ele achou que deveriam ser feitos, é a preservada Palavra de Deus. Ele defendeu ardorosamente o Texto Recebido contra o texto  crítico introduzido por Westcott e Hort (o qual é basicamente o mesmo texto grego  das modernas versões inglesas.)

ATRAVÉS DA HISTÓRIA DA IGREJA, DE CERTAS MANEIRAS, A PESQUISA DE BURGON NO TEXTO DA ESCRITURA NÃO TEM JAMAIS SIDO IGUALADA. ISTO É PARTICULARMENTE VERDADEIRO NO TOCANTE À SUA PESAQUISA NAS CITAÇÕES DAS ESCRITURAS PELOS LÍDERES DA IGREJA  DA ANTIGUIDADE. Para descobrir que texto da Escritura os antigos líderes da igreja estavam usando, ele laboriosamente escavou 86,489 citações dos antigos cristãos e as compilou em dezesseis grossos volumes de manuscritos, os quais se encontram hoje no Museu Britânico.   Mais de 4,000 das citações são de escritores que viveram antes de 400 d.C. Por esta incomparável pesquisa, Burgon ficou convencido de que o Texto Recebido que embasou as Bíblias da Reforma é o exato texto que esteve sendo usado pelo povo de Deus através dos séculos e, assim, é a preservada a Palavra de Deus. Ele concluiu "Chame este texto como de Erasmo, ou Complutense, ou de Estienne [a tradução do francês para o inglês é Stephens, e para o português é Estéfano], ou de Beza, ou de [os irmãos] Elzevir; chame-o de Texto Recebido, ou Texto Tradicional [ou de Texto Eclesiástico, o texto das igrejas], ou de qualquer outro nome que você queira [usar] – o fato permanece que um texto tem chegado até nós e que ele é atestado pelo consenso geral das antigas cópias [os manuscritos do Novo Testamento], dos antigos pais, e das antigas versões”. (Burgon, The Revision Revised, 1881).

Este testemunho de Burgon não deve ser tomado superficialmente. Ele conhecia tanto  sobre a Bíblia  do 2o., 3o., 4o. e 5o. séculos,  como qualquer homem que tem vivido nos últimos 200 anos. Quando ele disse que o Texto Recebido  é atestado pelos manuscritos gregos, pelas citações dos antigos líderes da igreja e pelas antigas versões da Bíblia, estava em posição de falar sobre isso.

Burgon replicou diretamente ao mito de que o texto grego de Westcott-Hort é embasado no testemunho de manuscritos mais antigos do que o Texto Recebido:

"Se a objeção for feita, como provavelmente será, que ‘vocês querem limitar-se apenas sobre cinco cópias manuscritas usadas por Erasmo?’ Eu replico, que as cópias empregadas foram selecionadas porque eram conhecidas para representar com exatidão a Palavra Sagrada; que o descendente do texto foi evidentemente guardado com zeloso cuidado, exatamente com o a genealogia humana do Senhor  foi preservada; QUE ELE SE EMBASA         PRINCIPALMENTE SOBRE O MAIS AMPLO TESTEMUNHO; e quando qualquer parte dele entra em conflito com a mais ampla evidência atingível, então eu creio que ele exige correção." (Burgon, The Traditional Text, 1896, Dean Burgon Society Press reprint, 1998, p. 15).

Vemos, assim, que João Burgon, cuja pesquisa na história da Bíblia foi  vasta, testificou que o Texto Recebido está embasado não apenas sobre um punhado de manuscritos reunidos por Erasmo e outros editores do Século 16, mas sobre  "O MAIS AMPLO TESTEMUNHO." (Burgon admitiu a [remota] possibilidade de alguma correção do Texto Recebido, e isso tem sido discutido em alguns artigos publicados   pela Bible for Today de  Collingswood, New Jersey.) Precisamos ouvir cuidadosamente o testemunho de Burgon nisto, porque não apenas ele conhecia o seu assunto, mas, por causa  da sua filiação à Igreja da Inglaterra,  ele reverenciava a Bíblia como sendo a infalivelmente inspirada e providencialmente preservada Palavra de Deus, algo que a maioria dos modernos críticos textuais (incluindo Thayer, Metzger, Aland, Black, Bruce, Colwell, Goodspeed, Grant, Gregory, Kenyon, Kittel, Lake, Von Soden, Robinson) nega.

Concernente à preservação das Escrituras, a nossa fé não é no homem, mas em Deus. Mesmo que os editores da Reforma tivessem menos recursos do que os dos tempo mais recentes, sabemos que o Deus que controla os tempos e as estações estava no controle da Sua Palavra Santa. As infalíveis Escrituras não ficaram escondidas em algum calabouço monasterial, ao pé do Monte Sinai,  ou em um empoeirado canto da biblioteca do Papa.  As infalíveis Escrituras estavam sendo publicadas, lidas e ensinadas pelo povo de Deus.

A vasta maioria dos manuscritos gregos, das versões antigas e dos manuscritos dos “Pais da Igreja”   apoia o Texto Recebido.  Este era um fato conhecido pelos editores da Reforma. Enquanto os críticos textuais dos nossos dias veem isso como um mero acidente da história,  os antigos editores das Bíblias da Reforma, sendo crentes na Bíblia, viam nisso a mão de Deus. E nós fazemos o mesmo.


 


David Cloud, 2000 e 2004

Tradução por Mary Schultze, 2014.




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