Argumentos bíblicos, teológicos, práticos e históricos: a bibliologia dos seminários fundamentalistas deve ser consistente: se crêem na preservação providencial das Escrituras, devem se aferrar ao TR, à KJV e à Almeida da Reforma (a Corrigida Fiel), abandonando o TC, a Atualizada, NVI, etc.



Os Seminários e as Traduções da Bíblia

Dr.Thomas M. Strouse
Maranatha Baptist Graduate School of Theology, Watertown, WI 530914
Dean of Tabernacle Baptist Bible College and Theological Seminary
Member of the board of directors of The Trinitarian Bible Society (Canada)
Copiado da Trinitarian Bible Society, Canada, http://www.trinitarian.com/
Traduzido e adaptado para o Brasil por Valdenira N.M. Silva





Introdução

Os institutos, seminários e faculdades teológicas, nos círculos fundamentalistas, enfrentam o problema de qual Bíblia usar nas aulas e nos cultos. É agressivo o ataque das modernas versões da Bíblia que estão inundando o público cristão, e, devido a isto, os indivíduos, igrejas e instituições de ensino teológico são forçados a escolher entre a Bíblia Almeida da Reforma 1 e algumas outras versões tais como a "Almeida Edição Contemporânea", a "Almeida Revista e Atualizada", a "Almeida Revisada da Acordo com os Melhores Textos", ou a "Nova Versão Internacional" (NVI). O autor apresentará este problema juntamente com as várias posições tomadas pelos institutos seminários e faculdades teológicas, e [ao final] o autor defenderá sua posição. 

O Problema

Histórica e tradicionalmente, os fundamentalistas têm mantido em suprema estima a King James Bible [e, no Brasil, a Bíblia Almeida da Reforma 1], e a têm considerado "A Bíblia do fundamentalismo." [Pelo menos no início, todo fundamentalista de língua inglesa se caracterizava por só usar o TR e a KJB1 (baseada no TR), sendo o TC e suas Bíblias associadas com o liberalismo]. Conseqüentemente, os institutos seminários e faculdades teológicas fundamentalistas estão relutantes em se afastar da Bíblia Almeida da Reforma 1 e de adotar algumas outras versões, na sala de aula e nos cultos, por medo de perderem antigos constituintes e de não atraírem novos alunos e sustentadores. O problema é exacerbado quando a escola ensina grego e hebraico, uma vez que estas foram as línguas originais do texto antigo dos quais a Bíblia foi traduzida. O Textus Receptus (TR) é o texto grego por trás da Almeida da Reforma, e o Textus Criticus (TC) é o texto grego por trás das versões modernas como a Atualizada e a NVI. Desde que o TR e o Texto Crítico (TC) discordam em 7% do texto, traduções destes respectivos textos discordam tanto por esta razão quanto por suas filosofias de tradução. Uma ilustração deste problema se desenvolve quando um seminário teológico usa a Bíblia Almeida da Reforma 1  nas aulas de teologia e de estudo da Bíblia, e usa o TC nas aulas de grego. Esta prática desnuda sua inconsistência às igrejas sustentadoras, e faz surgir questionamentos na mente do aluno, concernente à autoridade das Escrituras. Os seminários, institutos e faculdades teológicas tratam este problema de várias maneiras.

Várias Posições

Posição Bíblia Almeida da Reforma 1/ Nenhum Grego
Algumas escolas evitam o problema totalmente, usando somente a Bíblia Almeida da Reforma 1 e não ensinando linguagens bíblicas. Alguns [extremistas] neste grupo ensinam que a King James Version é inspirada e que suas palavras inglesas são superiores ao grego e hebraico.

Posição Bíblia Almeida da Reforma 1 / TR-ou-TC
Estas escolas vêem a necessidade de promover publicamente a Bíblia Almeida da Reforma 1, por quaisquer razões, mas ensinam grego a partir do TR e/ou do TC [indiscriminadamente]. Muito freqüentemente é dada ao professor de grego a liberdade de decidir sobre o texto grego [que prefira adotar].

Posição Bíblia Almeida da Reforma 1 / TC
Esta posição é promovida pelos institutos, seminários e faculdades teológicas que publicamente promovem a Bíblia Almeida da Reforma 1, mas que, nas aulas de grego, somente usam o TC, clamando que ele é superior ao TR.

Posição Bíblia Almeida da Reforma 1 -ou-NVI [-ou-Atualizada] / TC
Escolas que promovem esta posição alegam que a Bíblia Almeida da Reforma 1   e a NVI [ou a Atualizada] são traduções comparáveis e que qualquer uma delas pode ser [indiscriminadamente] usada nos cultos ou nas aulas, mas somente usam o TC nas aulas de grego.

Embora possam haver outras posições mantidas por escolas teológicas, as posições acima mencionadas são típicas da arena fundamentalista e da bibliologia de hoje em dia. No entanto, cada uma destas várias posições é contraditórias e insatisfatória. Os institutos, seminários e faculdades da Bíblia deveriam ter uma bibliologia consistente (uma vez que são institutos seminários e faculdades da Bíblia) e [deveriam ter] uma resposta satisfatória para o dilema do texto base / método de tradução.

A Posição Deste Escritor

A posição deste escritor é a seguinte: creio que o processo de inspiração cessou com os autógrafos, mas o Textus Receptus é essencialmente [idêntico a] os autógrafos, é os autógrafos [providencialmente] preservados; a Bíblia Almeida da Reforma 1 é uma tradução acurada [isto é, fiel, competente e precisa] do TR; [portanto, a Bíblia Almeida da Reforma 1] é merecedora de nossa [plena] confiança, conseqüentemente ela é A Palavra de Deus na língua portuguesa.

Há pelo menos quatro linhas de argumentação provando esta posição. O autor brevemente elucidará os argumentos bíblicos, teológicos, práticos e históricos.

O argumento bíblico
Numerosas passagens declaram que o Senhor preservaria Suas Escrituras para os crentes. Algumas destas passagens são Sal 12:6,7; 78:1-8; 119:111, 160; Mat 5:17,18 e 1Ped. 1:23-25. Adicionalmente, Mat 4:4 revela que Cristo prometeu que cada palavra de Deus seria o padrão pelo qual o homem deve viver (cf. Joã 12:48). Sua expressão "está escrito" declara que a Palavra de Deus foi escrita e ainda está escrita.

O Senhor disse "Porque lhes dei as palavras que Tu me deste; e eles as receberam, ..." Portanto, Cristo prometeu preservar [perfeitamente] a Palavra do Pai para a geração presente [aqueles que fisicamente lhe viam, ouviam e até tocavam] e, através deles, para as gerações futuras (v. 20). Ademais, o Senhor declara que a responsabilidade do crente é receber a Sua palavra. 2

O argumento bíblico vem das Escrituras, as quais claramente proclamam que o Senhor preservará Sua Palavra, para que os crentes a recebam.

O argumento teológico
Um muito grande número de mudanças, omissões e adições do TC são de significância teológica; o nome completo [do nosso Salvador], acompanhado do Seu título, [isto é,] "Senhor Jesus Cristo", é repetidamente [encurtado ou] mudado; porções inteiras das Escrituras, tais como Mar 16:9-20 e Joã 7:53:8:11, que são incluídas nos manuscritos TR, são deixadas de fora [no TC]. Os proponentes do TC freqüentemente argumentam que [todas] estas mudanças não afetam nenhuma doutrina, mas [gravemente retrucamos:] que tal a doutrina da Preservação Providencial, a qual está entranhada e inseparavelmente tecida juntamente com a doutrina da inspiração plenária e verbal? Se palavras são adicionadas, omitidas, ou mudadas, como podem estas duas doutrinas permanecer não afetadas? Os proponentes do TC geralmente armam-se em posição de guerra contra nós, quando revelamos [ou lhes lembramos e salientamos] que os manuscritos que baseiam o TC são exemplos de manuscritos adulterados pelos antigos gnósticos. Mas o NT está repleto de advertências contra o Gnosticismo incipiente. É na verdade muito ingênuo pensarmos que estes antigos falsos mestres não adulteraram o NT em grego de modo a dar suporte às suas falsas doutrinas. [Resumindo:]  É completamente incontroverso que Satanás ataca a Palavra de Deus; e não pode ser facilmente rejeitado que o ataque de Satanás sobre o NT está por baixo de muitas das leituras variantes do TC que certamente têm significância teológica.

O argumento prático
O TR é superior ao TC em termos práticos e simples. Com referência à credibilidade e fidelidade textual, a família de manuscritos (MSS) do TR (que é de longe o maior grupo, com aproximadamente 90% dos MSS sobreviventes ) é literalmente notável. São poucas as variantes entre estes MSS. Variantes entre os textos em que se baseiam o TC, entretanto, existem em uma tão larga escala que deixa aparvalhado o estudante textual que as considera. Por exemplo, somente nos [quatro] Evangelhos há  7578 diferenças entre o códice B [Sinaiticus] e o TR, e 8 972 diferenças entre Aleph [Vaticanus] e o TR  Destes fatos, é evidente que mesmo entre os dois textos favoritos dos defensores do TC há milhares de diferenças! Como podem estas leituras (que exibem tanto desacordo entre os [próprios] textos apoiadores do TC) ser separadas, classificadas e escolhidas [com segurança]? Como pode ser restaurado, a partir destes dois MSS [tão tremendamente dissonantes], um único texto fidedigno, qualquer que seja?


O argumento histórico
Pelo exame de documentos históricos tais como confissões e declarações de fé, o bibliologista pode se certificar da validade desta proposição: que os crentes têm [sempre] mantido a doutrina da Preservação Providencial das Escrituras. A Confissão de Fé de Westminster (1643-48) declara que os [textos em] grego e hebraico, "sendo imediata e diretamente inspirados por Deus e, pelos Seus singulares cuidado e providência, conservados puros em todos os séculos, são conseqüentemente autênticos...". A Confissão de Fé de New Hampshire (1833) declara que a Santa Bíblia "é um perfeito tesouro de instruções do céu ..."

Conclusão

Através dos séculos, os crentes têm crido nas promessas das Escrituras de que o Senhor inspirou os Seus autógrafos e depois os preservou através dos apógrafos (cópias), para que [finalmente] traduções fiéis, tais como a Bíblia Almeida da Reforma 1 , fossem feitas. Este escritor crê e sustenta a posição acima mencionada. Os graduados tanto da nossa Faculdade Teológica como do nosso Seminário Teológico saem de lá com a forte convicção de que têm a [perfeita] Palavra de Deus em suas mãos e que têm a solene responsabilidade de proclamar todas as palavras escrituradas por Deus.


1 Nota da tradutora-adaptadora: Quase sempre adaptaremos "King James Version" e "Authorized Version", do original deste estudo, para seu legítimo equivalente em português, a "Bíblia Almeida da Reforma", traduzida com total competência e por equivalência formal, do mesmo Textus Receptus, em 1681/1753, e hoje representada pela "Bíblia Almeida Corrigida Fiel," ACF, publicada pela Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil.

2 Nota da tradutora-adaptadora: Também acrescentaríamos os seguintes versos sobre a perfeita Preservação Providencial da Bíblia: 1Cro 16:15; Sal 19:7-8; 33:1; 100:5; 111:7-8; 117:2; Sal 119:89,152; 138:2b; Ecl 3:14; Isa 40:8; 59:21; Mat 4:4; 5:18; 24:35; Luc 4:4; 16:17; 21:33; João 10:35b; 16:12-13; 1Ped 1:23,25; Apo 22:18-19:


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