Salmo 150:1 – Céu (não Templo);
150:4 – Flauta
(não dança);
149:3 – Coral
(não dança).



0. Questão Preliminar a Tudo: O CULTO NAS IGREJAS Neo-Testamentárias DEVE IMITAR TUDO DO CULTO NO TEMPLO Vetero- Testamentário?


Comecemos citando algumas partes do artigo "Salmo 150: Dançando no Santuário?", do presbiteriano Augustus Nicodemus Lopes, 2010/2011:

     ...     
A pergunta, que deveria ter sido feita desde o início, é se o culto cristão toma sua inspiração, gênese e formato do culto do Antigo Testamento. Para mim, a resposta é negativa, embora com qualificações.

O culto do templo é geralmente visto no Novo Testamento como parte da lei cerimonial, cumprida em Cristo e, portanto, abolida. A carta aos Hebreus trata deste assunto. Um dos melhores professores de Antigo Testamento que conheço me escreveu recentemente, falando deste assunto,

'O que acontecia no Templo não passa nem perto do que acontece nos melhores dos nossos cultos hoje, pois o serviço no Templo encenava a expiação'.


Os sacrifícios de animais, as cerimônias de purificação, a ordem dos levitas e dos sacerdotes, os rituais de oferecimentos das ofertas, a queima de incenso, a oferta diária dos pães, tudo isto é considerado como parte da antiga dispensação, que era simbólica, típica [
H: tipológica], e que foi plenamente cumprida em Cristo: não temos mais sacrifícios – o Senhor Jesus ofereceu de uma vez [H: por todas] um sacrifício completo, que não precisa ser renovado e repetido; não temos mais sacerdotes e levitas – os cristãos, todos eles, são sacerdotes e levitas. A queima de incenso é substituída pelo louvor que procede [H: de] nossos lábios. [H: O Templo, que era santo e sagrado, agora é o coração de cada salvo pertencente à dispensação das igrejas locais. É inapropriado que se chame de templo ou santuário o salão principal dos edifícios onde as igrejas locais (isto é, os membros de cada uma delas) se reúnem regularmente. Tais salões e edifícios não têm absolutamente nada a ver com o Templo ou Tabernáculo do VT]

Ao que tudo indica [
H: nas páginas do NT], os cristãos deram continuidade ao culto no Antigo Testamento apenas no que se refere aos princípios espirituais: a idéia de encontro com Deus, de adoração, de louvor, de solenidade, de alegria, de serviço espiritual [H: prestado a Deus] como povo do Senhor      ...       mas foram buscar nas sinagogas o formato para este culto mais simples e despojado. Nas sinagogas, instituição onde cresceram o Senhor Jesus e todos os apóstolos, [H: somente] havia leitura e pregação da Palavra, orações, cânticos e bênção [H: exaltação, bendição, falar bem do Senhor].

Portanto, devemos ter cautela em transferir para o culto cristão aquilo que era feito no Templo de Jerusalém      ...      . Por falta deste cuidado, a Igreja Católica tem um culto em muito similar ao do Antigo Testamento: eles têm o sacrifício da missa, sacerdotes que são mediadores entre Deus e homens e que perfazem este sacrifício, estolas sacerdotais e mitra, queima de incenso, etc.
      ...      "
(Terminamos de citar A. N. Lopes.)

Agora, pensemos um pouco em dois versos em que João registra as palavras de nosso Salvador, Senhor e Deus – Jesus, o Cristo:
- Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus. Mas a hora vem, e AGORA é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em ESPÍRITO e em VERDADE; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. (João 4:21-23 ACF)

Esta passagem deixa bem claro que o Novo Testamento APERFEIÇOOU a adoração! Nossa adoração, como crentes neo-testamentários, deve ser bem diferente e muitíssimo superior à do Velho Testamento!

Alguns excelentes homens de Deus, durante os séculos, pensaram e ensinaram e praticaram mais ou menos assim:

"- A profecia e ordem do Cristo para o culto nas igrejas do NT ‘a hora vem, e AGORA é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em ESPÍRITO e em VERDADE’, registrada em João 4:21-23, de modo nenhum quer dizer que a toda adoração do Velho Testamento era carnal! Tal interpretação seria uma absurda calúnia contra milhões de salvos do VT que foram muitíssimo sinceros e exemplarmente espirituais, em adoração.
- Portanto, o contraste não é entre carnal e espiritual, mas sim entre

(A) o culto ser “ajudado” por meios físicos e tipológicos e mecânicos, enfatizando tais meios materiais que não podiam faltar [ser feito só em Jerusalém, só no Templo, obrigatoriamente ter o tipo certo de animais/ incenso harpas/ saltérios/ címbalos/ trombetas (tudo isto usado exatamente do modo preconizado), em dias específicos, com vestes específicas, com bem especificados rituais e cerimônias, etc.], e
(B) o culto ser desassistido de tais e de todos os outros imagináveis meios físicos, a adoração sendo feita de modo só e enfaticamente imaterial, espiritual, nos corações sinceros e não por outros meios.

- Portanto, entre muitas outras coisas, João 4:21-23 implica que hoje, ao cantarmos louvores a Deus nas nossas igrejas, nós nunca, jamais, de maneira ou em grau nenhum, devemos usar nenhum instrumento musical que seja material ou que use as leis da Física,.
- Portanto, devemos usar somente nossa voz em louvor a Deus cantado em palavras brotadas em toda sinceridade do nosso coração."

Talvez tais ensinadores do passado estejam certos?...

Bem, nós mesmos ainda não temos certeza sobre o não usar nenhum instrumento. A não ser que se nos prove o contrário, estamos propensos a pensar que há boa possibilidade de que as palavras "salmos" e "salmodiar", usadas no NT em 1Co 14:26; Ef 5:19; Cl 3:16

“Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação.” (1Co 14:26 ACF)
 “Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração;” (Ef 5:19 ACF)
 “A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao SENHOR com graça em vosso coração.” (Cl 3:16 ACF)

em relação aos cultos das igrejas, implicam no acompanhamento por instrumentos tocados no estilo da harpa onde são dedilhados doces arpejos ou a melodia (um arpejo é um acorde em que as notas são tocadas em seqüência, e não tocadas ao mesmo tempo). Mas já temos certeza, pelo menos, de que a ênfase deve ser toda nas palavras de louvor fluindo da total sinceridade do coração, não em instrumentos musicais que porventura as acompanhem, mesmo com o mínimo possível de destaque e de volume. Também estamos convictos, pela Bíblia, de que estes instrumentos musicais, se houverem, devem ser tocados num estilo absolutamente semelhante ao dos únicos instrumentos autorizados para dentro do Templo e no momento do culto direto a Deus (o estilo dos suaves instrumentos de cordas, da família das harpas, liras, cítaras, saltérios ou alaúdes. Eles só permitem dedilhamento, dedilhando-se uma nota de cada vez (mesmo os acordes), cada uma delas tocada isoladamente, bem distintamente), num estilo o máximo afastado do sensual, podendo ser vigoroso- alegre- exultante- triunfal, ou suave- tranqüilo, mas sempre um estilo solene e respeitoso, um estilo sempre desagradando à carne e ao mundo, um estilo sempre incapaz de agradar num carnaval, num bordel, e em semelhantes orgias da carne.

Outra verdade fundamental e que deve ficar bem entendida antes de prosseguirmos neste estudo, é:
Para tudo há os locais, tempo, e modos apropriados ... e não apropriados. Vejamos rapidamente alguns exemplos:

-Em dia outro que o domingo do Senhor, pastor e todo homem crente podem tirar mel de colméias de abelhas bravas, jogar futebol vestidos com calção e chuteiras, praticar caça submarina, etc. Mas ninguém iria pregar na igreja ou mesmo ter uma audiência com o rei ou uma entrevista para conseguir emprego, todo suado e vestido de apicultor (com aquela tela cobrindo e protegendo o rosto), ou de calção e chuteiras, ou  de snorkel e pés de pato.
- Para corrigir e sarar problemas de coluna, toda mulher crente pode usar composto maiô para fazer hidroterapia somente com mulheres, mas iria ela usá-lo no trabalho ou na igreja?
- Como militares, podemos marchar ouvindo e até tocando bombos e cantando hinos que falem até em matar os inimigos que queiram invadir nosso país e matar nossas esposas e filhos, mas ninguém iria cantar isto numa festa de casamento, nem num culto de adoração a Deus.
- Na academia de ginástica da sua casa, você pode se vestir de calção e suar às bicas ao som de marchas militares muito rápidas e vigorosas, mas nada disso seria apropriado num culto fúnebre.

Portanto, Deus tem todo direito de permitir certas coisas a Israel nas suas festas e celebrações ao ar livre, tanto cívico e/ou religiosas como de expressão de arte e cultura nacional, mas não permitir a Israel algumas dessas coisas na exclusiva adoração direta- total- e- sem- mistura a Ele, no Tabernáculo ou no Templo do VT. Mais que isso, Deus tem todo direito de estabelecer padrões mais elevados, na dispensação das igrejas locais. Tem ou não tem?

1 Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
2 tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
3 Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;
4 Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dar pinotes de alegria
{*}; {* Note que " râqad" não pode ser dança sensual, pois é a mesma palavra usada para os pulos dos bodes barbudos, em Is 13:21! E os pinotes dos bodes são muito diferentes dos requebros dos John Travolta's e Madona's que querem sutilmente se introduzir nas nossas igrejas.}
5 Tempo de lançar fora as pedras, e tempo de ajuntar as pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;
6 Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;
7 Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;
8 Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.
(Ec 3:1-8 Bíblia LTT)



Por favor, estude, conferindo na Bíblia cada versículo citado, e comparando com outros versos sobre o mesmo assunto: http://solascriptura-tt.org/LiturgiaMusicaLouvorCulto/NenhumInstrumentoNasMusicasIgrejasIniciais-HelioNira.htm, particularmente o capítulo 4: “A Música nas Igrejas dos Primeiros Séculos. Citações.” Para sua conveniência, segue-se um muito resumido esboço desse capítulo:

ESBOÇO RESUMIDO:
(Nenhum verso do NT, e nenhum relato confiável, mostra instrumentos musicais sendo usados em nenhuma igreja dos primeiros séculos, pelo menos as não heréticas, pelo menos até 300 dC!). (Melhor dizendo, até cerca do ano 1300, certamente; talvez mesmo até cerca do ano 1400. Falta-nos re-pesquisar melhor essas datas).

Não chegamos ainda ao ponto de crer que de modo algum, em hipótese alguma, nenhum instrumento musical pode ser usado em nenhum momento de nenhum culto a Deus nas nossas igrejas. (Cremos que as palavras "salmos" e "salmodiar", usadas em relação a igrejas no NT, implicavam no acompanhamento por harpas, onde eram dedilhados arpejos ou a melodia). Mas, para que ponderemos gravemente sobre o assunto “instrumentos e seus usos nos cultos das igrejas neo-testamentárias”, e para que melhor saibamos adequar nossos cultos à vontade de Deus, citaremos aqui o que alguns proeminentes líderes religiosos dos primeiros séculos e da época da Reforma (ou pouco depois dela) escreveram sobre o assunto:

4.1. PAIS DA IGREJA:
- Mártir       ...      ,
- Mártir       ...      ,
- Clemente de Alexandria       ...      ,
- Clemente de Alexandria:

"Deixai o órgão de flautas [H: ou gaita] para o pastor [H: de cabras], a flauta para os homens que temem os deuses-demônios e se enfeitiçam [H: usando-a] na adoração dos seus ídolos. Tais instrumentos musicais têm que ser expulsos de nossas festas sem as suas asas, pois são mais adequados para os animais brutos e para aquela classe de homens que é menos capaz de raciocinar [H: espiritualmente].        [Psalm 150:4:] louvai-O com tamborim e coro...       Mas, quanto a nós, fazemos uso de somente um instrumento: somente a Palavra [H: cantada] de paz pela qual adoramos Deus, não mais com as anteriores harpa ou trombeta ou tambor ou flauta, as quais aqueles [H: pagãos] treinados para a guerra usam." (Clemente de Alexandria, 190dC, "The Instructor, Fathers of the Church", p. 130). (Mas, em torno do ano 200 dC, Clemente de Alexandria passou a tolerar liras e cítaras, por terem sido usadas por Davi).

- Eusébio       ...      ,
- Agostinho       ...      ,
- Crisóstomo:       ...      ,


4.2. GRANDES ERUDITOS (A PARTIR DO SÉCULO XIII):
- Aquinas       ...       ,
- Erasmo       ...       ,
- Lutero       ...       ,
- Calvino: "Instrumentos musicais celebrando os louvores a Deus seriam não mais adequados do que o queimar de incenso, o acender de candeeiros, e a restauração de outras sombras da Lei. Os Papistas, portanto, têm imbecilmente tomado isto emprestado, como também muitas outras coisas, dos judeus. Homens que são afeiçoados à pompa externa podem se deleitar naquela barulheira; mas a simplicidade que Deus nos recomenda pelos apóstolos é muito mais agradável a Ele. Paulo nos permite abençoar Deus na reunião pública dos santos, somente em uma língua conhecida (1Co 14:16). Que iremos então dizer do canto de coros que enche os ouvidos com nada mais que um som vazio [H: vazio porque é atrapalhado pela zoeira dos instrumentos, ou porque é em Latim, língua morta, incompreensível à igreja]?" (João Calvino, Commentary on Psalms 33),
- Wesley: "Não tenho nenhuma objeção ao uso de instrumentos de música em nossa adoração, desde que eles não sejam vistos nem ouvidos." (João Wesley, fundador do Metodismo, citado em Adam Clarke's Commentary, Vol. 4, p. 685)
- Fuller: "A história da Igreja durante os três primeiros séculos fornece muitos exemplos de cristãos primitivos se enlevando em cantar, mas (que eu possa me lembrar) nenhuma menção é feita de instrumentos. (Se minha memória não me engana), este [H: uso de instrumentos] originou-se na Idade das Trevas, [H: o apogeu] do Papado, quando quase que toda outra superstição foi introduzida. Hoje, [H: instrumentos musicais] são mais usados onde o menor dos respeitos é dado à simplicidade primitiva." (André Fuller, batista, "Complete Works of Andre Fuller", Vol. 3, P. 520, 1843),
- Spurgeon: …
Spurgeon pregou para 20.000 pessoas cada domingo, por 20 anos, no Tabernáculo Batista Metropolitano, em Londres, antes do uso da eletricidade e microfones, e jamais foram instrumentos de música mecânicos usados nos cultos. Quando lhe perguntaram a razão, citou 1Co 14:15 [H: "Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento"] e então declarou: "Eu tão cedo oraria a Deus com maquinário quanto cantaria a Deus com maquinário."]
- Finney: "Os cristãos iniciais recusaram-se a ter nada a ver com instrumentos musicais, os quais [H: instrumentos eles sabiam que] eles poderiam ter herdado do antigo mundo [H: pagão]." (Teodoro Finney, A History of Music, 1947, p. 43)
- Lang       ...       ,
- Leichtentritt       ...       ,
- Nauman: "Não pode haver nenhuma dúvida de que, originalmente, em todos os locais, a música do culto a Deus foi inteiramente de natureza vocal." - Emil Nauman, The History Of Music, Vol. 1, p. 177
- Ritter:       ...       ,
- Coleman       ...       ,
- Roma:       ...      ,
- Cavarnos       ...       ,
- Clarke:       ...       ,

Por favor, também estude, conferindo na Bíblia cada versículo citado, e comparando com outros versos sobre o mesmo assunto: http://solascriptura-tt.org/LiturgiaMusicaLouvorCulto/NaoUsoInstrumentosMusicaisCultoNovoTestamento-AnizioGomes.htm .


1) A TRADUÇÃO DE Salmo 150:1

Salmo 150: 1 Louvai ao SENHOR. Louvai a Deus no Seu santo lugar, louvai-O no firmamento do Seu poder.
2 Louvai-O por causa dos Seus atos poderosos; louvai-O conforme a excelência da Sua grandeza.
3 Louvai-O com o som de trombeta; louvai-O com o saltério e a harpa.
4 Louvai-O com o tamborim e a
flauta volteante, louvai-O com instrumentos de cordas e com órgãos.
5 Louvai-O com os címbalos sonoros; louvai-O com címbalos altissonantes.
6 Tudo quanto tem fôlego louve ao SENHOR. Louvai ao SENHOR.
(Salmo 150, Bíblia LTT (Literal, do Texto Tradicional) 2008)

No verso 1, o que aqui está traduzido como “no Seu santo lugar” é, em hebraico, “בְּקָדְשׁוֹ” ; transliterando: “b qodesh u”; lendo e pronunciando fica mais ou menos assim: “·qā·ḏə·šōw” (convenção fonética americana) ou “ de shou” (adaptando para português)

Notemos, antes de qualquer outra análise, que “06944 vdq” (transliterado qodesh, pronunciado - desh):

É substantivo (não adjetivo) masculino. Não abstrato, mas concreto.

Ocorre 448 vezes no VT, das quais a King James Bible traduz:
262 vezes como "santo" (sempre um substantivo (não adjetivo) concreto, usualmente formando como que um substantivo composto, concreto, como em "terra santa", "habitação santa", etc.);
68 vezes como "santuário" (um "lugar santo", usual mas não necessariamente no Templo, podendo ser outro lugar reservado só para exclusiva adoração direta- total- e- sem- mistura, a Deus);
52 vezes como "coisas santas" ou "coisas santificadas";
44 vezes como "santíssimo" (equivalente a "o mais santo lugar", do Tabernáculo ou do Templo);
30 vezes como "santidade" (não como um caráter abstrato, mas sempre se referindo a uma coisa concreta, como quando é dito que a lâmina de ouro puro da coroa tem gravado que ela é “santidade ao SENHOR”, Ex 39:30);
5 vezes como "dedicado" (como em "coisas dedicadas");
3 vezes como "santificado" (como em "coisas santificadas");
1 vez como "consagrada" (como em "coisas consagradas");
3 outras vezes formando uma miscelânea.

O léxico de Strong dá a “06944” os sentidos:

um local sagrado ou uma coisa sagrada, raramente tendo sentido abstrato ("santidade" [H: a qualidade de ser santo]):-
(coisa) consagrada, (coisa) dedicada, (coisa) santificada, santidade, o mais santo [H: lugar do Tabernáculo ou Templo], dia santo, porção santa, coisa santa, santo, santuário [H: ou “lugar santo”, usual mas não necessariamente no Templo, podendo ser outro lugar (a começar pelo terceiro céu) reservado só para exclusiva adoração direta- total- e- sem- mistura, a Deus]


Examinando todas as dezenas de Bíblias e também os mais detalhados comentários a que pudemos ter acesso, vemos que há 4 traduções a examinar para o hebraico “בְּקָדְשׁוֹ”, aqui em Salmo 150:1
(em parte, essas 4 possíveis traduções são dependentes do contexto e sua interpretação, e isto é normal):



1ª tradução a examinar: "por causa da Sua santidade"
John Gill, em Exposition of the Entire Bible, cita como defendendo esta tradução:
      "Ob sanctitatem ejus," [H: isto é, “por causa da santidade Sua”] Tirinus, Muis ;
      "ob insignem sanctitatem ipsius," [H: isto é, “por causa da insigne santidade Sua”]  Campensis  apud [H: isto é, citando] Gejerum .

Mesmo examinando várias dezenas de Bíblias (particularmente as mais fiéis, muitas delas antigas), em alguns idiomas, somente encontramos uma Bíblia com a tradução em foco, a francesa Ostervald (nos é incerto se é a original de 1724, ou uma revisão de 1996) que tem “pour sa sainteté” (“por causa da Sua santidade”), http://fr.ostervald-frossard.net/ancien-testament/poetiques/psaume_150.php.

Uma defesa alegada para esta tradução é que ela parece ter a mesma construção do verso 2, de forma que ambos os versos explicitariam a razão para louvarmos a Deus.

Salmo 150:1 ficaria sendo

 

Salmo 150.2 ficaria sendo

1 Louvai ao SENHOR.

 

 

Louvai a Deus por causa da Sua santidade,

=
(“santidade” corresponderia a “atos poderosos”)

2 [isto é,] Louvai-O por causa dos Seus atos poderosos;

louvai-O no firmamento do Seu poder.

=
(“firmamento do Seu poder” corresponderia a “excelência da Sua grandeza”)

louvai-O conforme a excelência da Sua grandeza.

Na nossa avaliação, esta defesa é bastante frágil, pois a quase todos nós parece muito mais natural e provável que v. 1 estabeleça o local ou locais em que louvor deve ser ofertado a Deus, e v. 2 dê a razão deste louvor. Isto é muito mais natural e provável do que fazer o verso 1.a (que ficaria assim: “... Louvai a Deus por causa da Sua santidade ...”) dizer o mesmo que o verso 2.a (que passaria a ser uma repetição da mesma coisa, em outras palavras: “[H: isto é,] Louvai-O por causa dos Seus atos poderosos ...).

Mas o problema mais grave que nos faz totalmente rejeitar a tradução “por causa da Sua santidade” é que ela frontalmente desrespeita a regra do hebraico tão bem expressa por Strong e outros eruditos, regra que esclarece que o substantivo em foco (06944) jamais (ou praticamente nunca) se aplica a abstrações (tal como “santidade”, que é o caráter abstrato ou a qualidade abstrata de se ser santo), mas somente se aplica a lugares concretos, ou a coisas concretas.
Deve ser por verem este mesmo problema que centenas das melhores traduções da Bíblia (feitas durante séculos e séculos, algumas delas feitas pelos melhores hebraístas e mais competentes e fiéis tradutores que este mundo já viu, e até mesmo por judeus) não adotam esta tradução em pauta.



2ª tradução a examinar: “no Seu Santo” (referindo-se ao prometido Messias)
John Gill, em Exposition of the Entire Bible, cita como defendendo esta tradução:
       wvdqb "in sancto habitaculo suo," [H: isto é, “em Sua santa habitação”, referindo-se ao Cristo] Vocceius ;
       "in sancto ejus," [H: isto é, “no Seu Santo”] Gejerus ;
       en tw agiw autou[H: isto é, “no Seu Santo”]Symmachus  apud [H: isto é, citando] Drusium .
O problema que totalmente descarta esta tradução “no Seu Santo” (referindo-se ao prometido Messias) é que ela não é tornada possível por nenhum dos dicionários e léxicos do hebraico (pelo menos os mais conhecidos, aqueles aos quais tivemos acesso). Mais forte do que isto é o fato de que, em nenhuma das 448 ocorrências de “06944 vdq”, este substantivo nem de longe, em construção como a de Salmo 150:1, pode se referir ao Messias. Certamente, é por causa disso que, mesmo examinando várias dezenas das melhores traduções da Bíblias em alguns idiomas, nunca encontramos nenhuma delas com a tradução agora em foco, “no Seu Santo” (referindo-se ao Messias).



3ª tradução a examinar: “nos Seus santos” (referindo-se aos anjos e, principalmente, aos homens que crêem em Deus e em cada palavra da Bíblia, e por Ele foram salvos)
Somente traduziram assim a degenerada fraude conhecida como Septuaginta (http://solascriptura-tt.org/Bibliologia-Traducoes/QueTalSeptuaginta-LXX-DCloud.htm sumariza porque ela é uma degenerada fraude) e traduções por ela influenciadas, tais como a suspeita Vulgata de Jerônimo, e algumas suspeitas versões do catolicismo oriental sediado em Constantinopla.
O problema que nos compele a totalmente descartar esta tradução nos Seus santos (referindo-se aos anjos e, principalmente, aos homens que no Cristo crêem e por Ele foram salvos) é que ela não é tornada possível por nenhum dos dicionários e léxicos do hebraico (pelo menos os mais conhecidos, aqueles aos quais tivemos acesso). Mais forte do que isto é o fato de que, em nenhuma das 448 ocorrências de “06944 vdq”, este substantivo nem de longe, em construção como a de Salmo 150:1, pode se referir aos anjos ou aos homens que crêem em Deus e em cada palavra da Bíblia, e que por Ele foram salvos.



4ª e melhor tradução examinada: "no Seu santo lugar"
(onde “santo lugar” usualmente se refere ao santuário do Templo, mas não é exigido isso, podendo ser qualquer outro lugar (a começar pelo terceiro céu) reservado só para exclusiva adoração direta- total- e- sem- mistura, a Deus)

Esta é a única tradução que podemos adotar, pois é a única que é tornada possível e recomendada por todos os dicionários e léxicos do hebraico, como vimos lá em cima.

John Gill, em Exposition of the Entire Bible, cita como defendendo esta tradução:
      “no Templo”, a casa do Seu santuário: Targum e R. Judah;
      “no céu”, Seu santo lugar, onde Ele é louvado pelos santos anjos e pelos homens crentes que lá já estão: R. Moses;

Note que, das 448 ocorrências de “06944 vdq” no VT, temos que a rainha das traduções, a King James Bible, 68 vezes as verte como "santuário" (o mesmo que "lugar santo") e 44 vezes como "santíssimo" (novamente, o mesmo que "lugar santo"), perfazendo um total de 112 apoios à solução agora sendo examinada. E nenhuma das restantes 448 – 112 = 336 ocorrências aponta 1 mm contra esta solução.

Esta tradução “no Seu santo lugar”, em Salmo 150:1, tem o apoio de virtualmente todas as muitas dezenas, ou mesmo centenas, das melhores Bíblias que ao longo dos séculos foram traduzidas pelos mais competentes hebraístas usando o mais fiel e competente método de tradução por Equivalência Formal, a partir da Palavra de Deus pela Sua providência conservada continuamente em uso pelos seus fiéis, perfeitamente preservada nos manuscritos nos idiomas originais hebraico e grego, depois da invenção da imprensa tendo eles sido impressos e chamados de Texto Massorético e Textus Receptus, respectivamente. Dez exemplos dessas muitíssimas Bíblias fiéis:

- A rainha das Bíblias, a inglesa King James Bible de 1611, e o Velho Testamento da Jewish Publication Society (traduzido por judeus para o inglês), que têm “in His sanctuary” (“no Seu santuário”);
- Darby em Francês, de 1859, que tem “dans Son saint lieu” (“em Seu santo lugar”);
- Green’s Literal Translation, de 1985, e Young’s Literal Translation, de 1872, que têm “in His holy place” (“no Seu santo lugar”)
- As Almeida’s 1744, 1819, Revista e Reformada 1948 TBS, e Corrigida Fiel 1995 e 2007 SBTB, que têm “em Seu santuário

A tradução em foco, “no Seu santo lugar”, em Salmo 150:1, também tem o apoio de todas ou praticamente todas as muitas centenas ou mesmo milhares de Bíblias que, mesmo que, em outros locais, não sejam 100% baseadas no mesmo Texto Hebraico perfeito, o são aqui, em Salmo 150:1.


2) AS INTERPRETAÇÕES DESSA TRADUÇÃO de Salmo 150:1


Examinando todos os comentários, anotações, estudos, pregações e aulas, aos quais pudemos ter acesso, vemos que há 4 interpretações a examinar para a única tradução correta e aceitável (“no Seu santo lugar”) para o hebraico “
בְּקָדְשׁוֹ”, aqui em Salmo 150:1. (em parte, essas 4 interpretações a examinar são dependentes do contexto e sua interpretação, e isto é normal.)



1ª interpretação: “Seu santo lugar” significa o Templo físico (quer no Velho Testamento, quer durante o Milênio), em exclusiva adoração direta- total- e- sem- mistura (quando sendo usado exclusivamente na ação mais direta e cerimonial de todos os tempos, de adoração a Deus, exclusivamente isto)
(não a adoração INdireta que às vezes existe em algumas ações de alguém, por exemplo, de lavrar sua terra/ cozinhar sua comida/ construir sua casa/ pintar sua igreja/ estudar Medicina/ guerrear/ comemorar vitórias/ etc., tudo isto objetivando, INdiretamente, a glória de Deus;      e, também, não a adoração misturada que às vezes existe em alguma ações de alguém, por exemplo, cantarolando um hino cristão de modo a marcar o ritmo de suas pedaladas de bicicleta/ escutando Bíblia em inglês com objetivo duplo, espiritual e de aprender a língua/ etc.).

Esta interpretação é totalmente impossível, pois versos 3 a 5 mencionam vários instrumentos de sopro e de percussão em tal ocasião, ao passo que, no VT, somente dois instrumentos, o saltério e a harpa (instrumentos semelhantes, da mesma família da lira), podiam ser usados dentro do Templo
(ver sumário de prova disto, abaixo, na seção 3), e ambos são instrumentos de cordas, instrumentos de cordas dedilhadas (isto é, cordas tangidas uma a uma, em distinta sucessão), são instrumentos basicamente para tocar a melodia, no máximo a harmonia (se dois (ou mais) desses instrumentos forem adequadamente tocados soando notas harmônicas ao mesmo tempo); o saltério e a harpa não são instrumentos apropriados para fortemente enfatizar fortes e sensuais ritmos como aqueles a princípio usados para atração e preparação sexual ou para adoração a deuses do paganismo, tais como rock, samba, etc., os quais, infelizmente, estão entrando em corações e lares e igrejas de crentes desavisados. Ademais, mesmo o saltério e a harpa silenciavam nos momentos mais solenes do culto.
Se instrumentos de percussão (tais como os mais potentes tambores) ou de sopro (tais como potentes cornetas e trombetas), que podem ser ouvidos a quilômetros de distância, podiam ser usados fora do Templo (para chamar o povo), de modo nenhum, jamais, podiam ser usados dentro do Templo; ademais, na hora do culto, tais instrumentos de sopro ou de percussão não podiam ser tocados nem mesmo do lado de fora do Templo! ...
Estude intensamente http://solascriptura-tt.org/LiturgiaMusicaLouvorCulto/MetaisCordasPercussaoNaIgreja-MetropolitanTabernacle.htm .
(ver sumário de prova disto, abaixo, na seção 3)

Ora, a Bíblia nunca contraria a si mesma, nem 1 mm, nem por 1 segundo, particularmente se numa mesma dispensação, se lidando com o mesmo povo, da mesma nação de Israel! É impossível que o VT numa sua parte proíba instrumentos de percussão e de sopro na exclusiva adoração direta- total- e- sem- mistura (quando sendo usados exclusivamente na adoração mais direta e cerimonial de todos os tempos), por Israel, no Templo, e noutra parte o VT permita e até ordene (!) o uso deles, exatamente nesta mesma situação!      ...     
Há de haver outra interpretação que esta (que toma “Seu santo lugar” como sendo o Templo, no VT). Há de haver outra interpretação 100% permitida e recomendada pelo hebraico e pela exegese, 100% obedecendo à sã interpretação mais simples e literal, interpretação harmônica com a dispensação, harmônica com o contexto e com a Bíblia como um todo!



2ª interpretação: “Seu santo lugar” significa um desfile militar- cívico por Israelitas nas RUAS da Jerusalém terrestre, por ocasião da inauguração do reino milenar. (Não uma exclusiva adoração direta- total- e- sem- mistura, dentro do TEMPLO, numa ocasião sem similar, comemorando a vitória de Armagedom e a vinda do Rei.)
O argumento é a alegação de que o contexto do Salmo 150, continuando o do Salmo 149, parece ser o de um desfile militar-cívico de Israel, numa ocasião sem precedentes, a comemoração da vitória de Armagedom. Como o Espírito Santo é o real autor de cada palavra e o seqüenciador- canonizador de toda a Bíblia (mesmo que Ele tenha decidido, ao assoprar Suas palavras, sempre as escolher do vocabulário e estilo de quem Ele usou como escritor), então foi Deus, o Espírito Santo, quem colocou os Salmos 149 e 150 vizinhos e nesta ordem, e fez escrever cada letra de cada palavra desses salmos, portanto o contexto dado pelo Salmo 149 deve, tem que ser levado em conta no entendimento do Salmo 150.

Bem, esta interpretação não é totalmente impossível, mas nos parece muito improvável, porque a adoração vista no Salmo 150, mesmo não ocorrendo dentro do Templo, tem certas características que a fazem parecer mais que um desfile militar ou comemoração cívica de Israel e, sim, uma exclusiva adoração direta- total- e- sem- mistura (mas veremos que isto será no terceiro céu, não na terra).

Ora, revisamos todas as ocorrências, no VT, das 7 palavras deste Salmo que são instrumentos musicais diferentes do saltério e da harpa (os únicos permitidos dentro do Templo, a tempo da exclusiva adoração direta- total- e- sem- mistura, propriamente dita):

- Quanto às 63 ocorrências da palavra "trombeta" (07782), elas são vistas convocando o povo para culto de adoração ou para guerra, dirigindo ações militares, avisando de perigos, e de outros modos diversos;
- As 17 ocorrências da palavra "tamborim" (08596) aparecem em escolhas não ordenadas nem sancionadas por Deus, mas sim feitas pelos homens em festividades espontâneas da parte deles; ademais, alguns pesquisadores israelitas dizem que é possível que tais tamborins foram instrumentos de cordas, com caixa ressonante parcialmente feita com couro e com cordas feitas com tripas (de cordeiros). Ver http://...
- Vimos as 6 ocorrências da palavra "machowl" (04234) (traduzível como "alegre girar numa roda", ou como "flauta volteante (isto é, flauta que dá voltas, seja no seu tubo, ou no modo de tocar, talvez com repetições ou volteios)", ou como "coral que responde em eco", conforme o contexto);
- Semelhantemente com as palavras "instrumentos de cordas", com "órgãos", com "címbalos" (muitos estudiosos acham que eram usados como metrônomos, sincronizando o tempo);

mas nenhum desses 7 instrumentos (fora saltério e harpa) jamais foram ordenados por Deus para serem tocados durante exclusiva adoração direta- total- e- sem- mistura a Deus, quer dentro do Seu Templo ou em qualquer outro local (a começar pelo terceiro céu) reservado exclusivamente para isso.



3ª interpretação: “Seu santo lugar” significa as vias públicas da Nova Jerusalém (na eternidade, quando aquela santa e celestial cidade pousará sobre a terra, mas ninguém com presença de pecado existirá fora do Lago de Fogo), por ocasião de regulares adorações diretas- totais- e- sem- mistura a Deus, mesmo não mais havendo o Templo na eternidade.

Bem, esta interpretação não é totalmente impossível. O argumento de muitos é que:

- Adão e Eva estavam sempre totalmente despidos antes da queda, sem isso ser pecado nenhum da parte deles;
- depois da queda, nós não devemos andar por aí despidos;
- mas, na eternidade, sem a presença do pecado, pode ser que Deus de novo permita que todos, pelo menos às vezes, estejam despidos sem nisso pecarem.
- Semelhantemente, Deus hoje pode proibir certos instrumentos musicais e certas outras coisas, porque Ele sabe que isto inevitavelmente será mau para nós, mas pode permiti-los na eternidade futura, quando não mais haverá a possibilidade de presença de pecado.


Mas julgamos que esta interpretação dificilmente seja a melhor ou a mais provável. Não vemos na Bíblia nada que indique que poderemos voltar a viver nus, desta feita por toda a eternidade futura (ao contrário, na eternidade futura, nós, os salvos, estaremos vestidos de linho fino, branco e puro Ap 19:14). Portanto, parece-nos ser sábio assumir que proibições de coisas associadas ao pecado neste presente mundo serão proibições mantidas durante toda a eternidade, mesmo não mais havendo então a presença de pecado nenhum. Por isso, não podemos conceber que nenhum tipo literal de instrumento musical que foi proibido na exclusiva adoração direta- total- e- sem- mistura no VT será permitido em exclusiva adoração direta- total- e- sem- mistura em qualquer tempo, mesmo na eternidade futura e sem a presença de pecado.


4ª (e melhor) interpretação: “Seu santo lugar” significa o (terceiro) céu, por ocasião de regulares adorações diretas- totais- e- sem- mistura, a Deus, e os instrumentos musicais são
figurativos de facetas do louvor dento da alma e espírito dos salvos que ali estão.

John Gill aponta
R. Moses  como defendendo esta posição. Na verdade, muitos (talvez a maioria dos antigos e conservadores) pregadores, exegetas, e comentaristas, também defendem esta interpretação, como, por exemplo, na anotação da Bíblia de Genebra 1599:

1 Praise ye the Lord. Praise ye God in his Sanctuary (a): praise ye him in the firmament (b) of his power.

(a) That is, in the heaven.

(b) For his wonderful power appears in the firmament, which in Hebrew is called a stretching out, or spreading abroad, in which the mighty work of God shines.

2 Praise ye him in his mighty Acts: praise ye him according to his excellent greatness.
3 Praise ye him in the sound of the trumpet: praise ye him upon the viol and the harp.
4 Praise ye him with timbrel and
flute: praise ye him with virginals and organs.
5 Praise ye him with sounding cymbals: praise ye him with high sounding cymbals.
6 Let everything that hath breath praise the Lord. Praise ye the Lord.


Nosso argumento é que a cláusula seguinte ("no firmamento do Seu poder") pode e deve ser vista como uma repetição, um paralelismo expressando a mesma idéia da presente cláusula; em outras palavras, um hebraísmo por pleonasmo, uma repetição por sinonímia, tão comum no VT.    Notemos que, uma vez que no (terceiro) céu não há ar, então também não há vibrações sonoras, não há som no sentido físico usual, não há instrumento material, não há instrumento musical no sentido físico usual, não há nenhum átomo de matéria nenhuma, mas apenas seres imateriais, espirituais. Portanto a linguagem de Salmo 150, forçosamente, incontornavelmente, tem que ser figurada, e todos os 9 instrumentos mencionados neste Salmo podem e devem ser tomados como referindo-se a maravilhosas facetas de inaudíveis mas maravilhosos “sons da alma”, inefável música celestial dentro do coração (imaterial, espiritual) adorador (Jo 4:23-24; Ef 5:19; Cl 3:16).

“23 Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. 24 Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.” (Jo 4:23-24 ACF).

“Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração;” (Ef 5:19 ACF)

 “A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao SENHOR com graça em vosso coração.” (Cl 3:16 ACF)


Mais uma vez, citemos algumas partes do artigo "Salmo 150: Dançando no Santuário?", do presbiteriano Augustus Nicodemus Lopes, 2010/2011:

“Uma evidência a favor desta tradução e interpretação é que, no mesmo verso, somos chamados a adorar a Deus [H: tanto] no Seu “santuário” como no [H: Seu] “firmamento”, o qual declara o seu poder. Se considerarmos que aqui no verso 1 temos um caso de paralelismo, tão comum na poesia hebraica, conclui-se que, aqui, santuário e firmamento são a mesma coisa:
      “... Louvai a Deus no seu santuário;
      louvai-o no firmamento do seu poder.” (Salmos 150:1 ACF)

Encontramos o mesmo paralelismo no Salmo 11.4:
      “O SENHOR está no seu santo templo,
      o trono do SENHOR está nos céus; ...” (Salmos 11:4 ACF)
Fica evidente que o santo templo de que fala o salmista são os céus, onde Deus tem o Seu trono.

Outra passagem é o Salmo 102.19:
      “Pois olhou desde o alto do seu santuário,
      desde os céus o SENHOR contemplou a terra,” (Salmos 102:19 ACF)

Mais uma vez, é evidente que o santuário referido é o céu, de onde Deus observa os homens.

Levando em consideração o escopo do Salmo 150, o paralelismo hebraico e estes outros salmos [
H:  11 e 102] que identificam o santuário de Deus com os céus, é perfeitamente possível concluir que aqui, no Salmo 150, “santuário” se refere à morada celestial de Deus e não ao templo físico de Jerusalém. E, logo, o apelo do verso 1 pode ser entendido como dirigido aos homens e anjos para que louvem a Deus, que habita em sua morada celestial.”



Citemos uma parte do artigo de The Metropolitan Tabernacle, traduzido por Valdenira N. M. Silva e armazenado em http://solascriptura-tt.org/LiturgiaMusicaLouvorCulto/MetaisCordasPercussaoNaIgreja-MetropolitanTabernacle.htm :

"Que tal Salmo 150? Ele convoca o povo de Deus para louvá-Lo com tamborins, dança [H: Hélio traduziria por flauta] e órgãos, ao lado dos instrumentos permitidos para o Templo. (O órgão, como já temos dito, era um instrumento de sopro com sete a dez flautas.) O Salmo assim começa - ‘Louvai ao SENHOR. Louvai a Deus no seu santuário; louvai-o no firmamento do seu poder.

O 'santuário' aqui mencionado é descrito como 'o firmamento do Seu poder' ou 'poderosa expansão' ou 'poderosos céus'. Não é o Templo terrestre, mas sim o templo do inteiro universo, até mesmo a expansão infinita além do universo, onde anjos voam ao comando de Deus, e a terra é um pequenino grão de poeira.
Como louvaríamos tal Deus?

O sexto verso do Salmo nos diz que instrumentos [
H: matéria inanimada] não podem eles próprios ser um canal de louvor. Somente coisas que têm fôlego [H: portanto, vida] podem adorar. Somente almas viventes podem louvar ao Senhor. À luz disto, o Salmo somente faz sentido quando entendido como um Salmo ricamente figurativo, usando os tons característicos dos vários instrumentos para descrever as diferentes emoções da verdadeira adoração [H: exclusiva adoração direta- total- e- sem- mistura, a Deus].

O puritano David Dickerson expressa isto em seu sumamente aplaudido comentário sobre os Salmos. Ele observa que

'a pluralidade e variedade destes instrumentos era adequada para representar os vários sentimentos do homem espiritual       ...       e para ensinar que o que deveria mover e inflamar a todos deveria ser as afeições e poderes de nossa alma para a adoração a Deus. Que melodia cada um [H: ser humano] deveria fazer dentro de si mesmo!       ...      , para mostrar a excelência do louvor de Deus, a qual nenhum instrumento, nenhuma expressão do corpo, poderia adequadamente expressar, seja com trombeta, saltério, etc.'

      ...     
O pregador escocês Andrew Bonar escreve:

'Na enumeração que este salmo faz de instrumentos musicais, há uma referência à variedade que existe entre os homens quanto ao modo de expressar alegria, e quanto ao modo com que acendem seus sentimentos.'

Em outras palavras, este salmo lista os instrumentos não como se devessem ser literalmente usados, mas como representando a faixa de emoções que compõem a adoração sentida no coração [H: espiritual]. Os instrumentos são puramente figurativos ou representativos. Esta é a interpretação tradicional deste Salmo.

A trombeta (verso 3) representa a nota da vitória. Nosso louvor deve ser ressonante, triunfante e exaltado.
O saltério e a harpa dão os doces, doces tons da gratidão e do amor. O louvor deve ser cheio de sentimento.
O tamborim e a dança
[H: Hélio traduziria por flauta] (verso 4) falam das efervescentes energia, esforço e entusiasmo de crianças e adolescentes envolvidos em uma atividade favorita. O louvor necessita e exige todas estas qualidades no coração [H: não em instrumentos inanimados, não em gestos e requebros] do adorador.
Órgãos eram instrumentos de prazer ao invés de adoração, portanto somos aqui relembrados que o verdadeiro louvor deve ser o mais elevado deleite dos crentes, não meramente uma obrigação.
O quinto verso traz os altos e ressonantes címbalos, uma óbvia alusão ao volume, força e poder do digno louvor.


Um estudo Bíblico bastante popular
[H: somente nesses últimos dias, que a Bíblia diz que são como os de Noé antes do dilúvio] observa, a respeito deste Salmo, que o escritor convoca para o louvor com todos os tipos de instrumentos musicais [H: inclusive os de carnavais, bacanais, cabarés, feitiçaria, macumba, e satanismo direto: cuíca, reco-reco, bombo, surdo, zabumba, maracá, pandeiro, berimbau, etc.]. Mas tomar esta visão muito literal deste Salmo produz uma grave contradição na Bíblia. Deus é visto fazendo firmes regras [H: a respeito do uso de instrumentos na exclusiva adoração direta- total- e- sem- mistura, a Deus], e então convocando para quebrá-las. Salmo 150 não poderia cancelar e não cancela as restrições impostas sobre a música de adoração [H: exclusiva adoração direta- total- e- sem- mistura, no Templo], no Velho Testamento.”



3) PODEMOS NÓS PROVAR QUE, DENTRO DO TEMPLO, O VT SÓ AUTORIZAVA SALTÉRIOS E HARPAS?
E QUE
ELES SILENCIAVAM DURANTE O CULTO PROPRIAMENTE DITO?


Para comodidade do leitor, vamos reproduzir um extrato informal do artigo
http://solascriptura-tt.org/LiturgiaMusicaLouvorCulto/MetaisCordasPercussaoNaIgreja-MetropolitanTabernacle.htm:

No Velho Testamento, Deus pôs restrições muito firmes no uso dos instrumentos [H: musicais]. Instrumentos eram permitidos, mas somente alguns [deles], e somente em determinados instantes.

Antes de tudo, temos que ter em memória uma regra vital da Bíblia – que DEUS SEPARA A ADORAÇÃO DIRETA A ELE (um grupo reunido no Templo ou como igreja) DE TODAS AS OUTRAS COISAS FEITAS PELOS SEUS FILHOS. Tudo que fazemos em vida tem que ser feito para Sua glória, mas adorá-lo diretamente é uma atividade especial e única, governada por regras e diretrizes, ambas especiais.

O Velho Testamento fala de pelo menos 8 tipos de instrumentos comumente usados pelas pessoas daqueles dias, e que todos eles eram permitidos na vida cívica, social e privada. No entanto, APENAS 4 (QUATRO) DESSES INSTRUMENTOS ERAM PERMITIDOS NA ADORAÇÃO DIRETA PRESTADA NA CASA DE DEUS.

INSTRUMENTOS BANIDOS NO TEMPLO

Flautas. Lemos de vários tipos de instrumentos da família da flauta, tais como a 'flauta' (halil) – uma flauta com três ou quatro orifícios, tocada transversalmente. Lemos do 'dulcímero' – uma flauta dupla. Mas nenhum tipo de tais instrumentos de sopro era permitido na adoração no Templo.

Outros instrumentos usados pelos judeus, mas excluídos do Templo, foram o 'tamborim' e o 'órgão', sendo este uma enorme gaita-de-boca ajuntando 7 a 10 flautas (provavelmente com palhetas)
[H: talvez como a gaita escocesa, que consideramos dar o som mais feio do mundo, mas é muito gaiata e estridente, podendo ser ouvida de longe]. Todos estes instrumentos poderiam ser usados para recreação e para festas cívicas ao ar livre, mas não na casa de Deus. Portanto, está errada a moderna alegação de que qualquer coisa podia ser usada na adoração direta a Deus, na Sua casa.

ORDENS ENFÁTICAS

A restrição é claramente especificada na Bíblia. Em vários textos (1Cr 15:16,28; 16:5,6,42; 25:1,6), lemos dos instrumentos que, por divina inspiração, foram indicados nos tempos de Davi para serem usados em adoração direta no Tabernáculo e no Templo. Veremos, depois, que estes instrumentos, limitados em tipo e número, foram cortados ainda mais para adoração direta fora do Templo [H: feita “em menor escala”], quer prestada privadamente, quer feita localmente em pequenos imóveis ou de casa em casa, em cada cidade ou vilarejo. Os instrumentos do Templo eram
      - saltério (ou alaúdes), tocados somente pelos Levitas;
      - harpa, tocados somente pelos Levitas; e
      - címbalos, tocados somente pelos Levitas
[ver nota i, abaixo]
      - trombetas (inclusive as cornetas, ou buzinas), tocadas somente pelos sacerdotes, para propósitos especiais
[ver nota ii, abaixo].
Estes quatro instrumentos eram somente metade do número de instrumentos em uso comum naquele tempo.

  E disse Davi aos chefes dos levitas que constituíssem, de seus irmãos, cantores, para que com instrumentos musicais, com alaúdes, harpas e címbalos, se fizessem ouvir, levantando a voz com alegria.  (1Cro 15:16)

  E todo o Israel fez subir a arca da aliança do SENHOR, com júbilo, e ao som de buzinas, e de trombetas, e de címbalos, fazendo ressoar alaúdes e harpas.  (1Cro 15:28)

  Era Asafe, o chefe, e Zacarias o segundo depois dele; Jeiel, e Semiramote, e Jeiel, e Matitias, e Eliabe, e Benaia, e Obede-Edom, e Jeiel, com alaúdes e com harpas; e Asafe se fazia ouvir com címbalos;    Também Benaia, e Jaaziel, os sacerdotes, continuamente tocavam trombetas, perante a arca da aliança de Deus.  (1Cro 16:5-6)

  Com eles, pois, estavam Hemã e Jedutum, com trombetas e címbalos, para os que haviam de tocar, e com outros instrumentos de música de Deus; porém os filhos de Jedutum estavam à porta. (1Cro 16:42)

  E Davi, juntamente com os capitães do exército, separou para o ministério os filhos de Asafe, e de Hemã, e de Jedutum, para profetizarem com harpas, com címbalos, e com saltérios; e este foi o número dos homens aptos para a obra do seu ministério:  (1Cro 25:1)

  Todos estes estavam sob a direção de seu pai, para a música da casa do SENHOR, com saltérios, címbalos e harpas, para o ministério da casa de Deus; e Asafe, Jedutum, e Hemã, estavam sob as ordens do rei.  (1Cro 25:6)

 
No tempo do rei Ezequias, estas regras foram reafirmadas em 2Cro 29:25-26:
‘E pôs os levitas na casa do SENHOR com címbalos, com saltérios, e com harpas, conforme ao mandado de Davi e de Gade, o vidente do rei, e do profeta Natã; porque este mandado veio do SENHOR, por mão de seus profetas.    Estavam, pois, os levitas em pé com os instrumentos de Davi, e os sacerdotes com as trombetas.

Apenas 3 tipos de instrumento deviam ser tocados pelos Levitas, e 1 tipo pelos sacerdotes. Mas de que modo eles foram usados? Os versos seguintes nos respondem:

‘27 E Ezequias deu ordem que oferecessem o holocausto sobre o altar. E, ao tempo em que começou o holocausto, começou também o canto do SENHOR, com as trombetas e com os instrumentos ordenados pelo poder da mão de Davi, rei de Israel. 28 E toda a congregação adorou prostrada, e os cantores cantaram, e as trombetas foram tocadas; tudo isto até o holocausto se acabar. 29 E, acabando de o oferecer, o rei e TODOS quantos com ele se achavam se prostraram e adoraram.’
  (2Cr 29:27-29 LTT)

Foi a música caracterizada por forte ritmo? A idéia de que o foi é pura especulação. Somos ensinados que as trombetas chamavam o povo para as assembleias solenes, e acompanhavam a queima das ofertas – uma atividade séria e solene, causando temor e reverente assombro, e mesmo vergonha e humilhação. O termo hebraico para 'solenidade' aparece na descrição destes atos de adoração. À luz disto, é sumamente provável que as trombetas e címbalos fossem tocadas para mover os corações à reverência e gravidade (os címbalos mantendo o tempo do cântico, como um metrônomo: tic-tac-tic-tac ... ). EMPURRAR NESTAS PASSAGENS DE REVERENTE ADORAÇÃO A IDÉIA DE ‘MÚSICA MODERNINHA E RITMADA’ É VIOLENTAR A BÍBLIA, É 'FORÇAR A BARRA'.

Naturalmente, adoração tem um forte elemento de alegria pura. Mas comparar as orquestras do Tabernáculo e do Templo com as modernas bandas de sensual, arrebatador, enlouquecedor ritmo pulsante, é obviamente absurdo: mesmo porque observamos que não havia nenhuma bateria de tambores/ bombos/ atabaques/ repiniques/ surdos/ zabumbas/ bongôs/ tamborins/ pandeiros/ maracás/ afonchês/ cuícas/ etc. naquelas orquestras (como há hoje sobre as plataformas de muitíssimas igrejas).

Também observamos que os instrumentos tocavam somente durante a queima da oferta, e então a música parava, e [
H:o rei e TODOS quantos com ele se achavam se prostraram e adoraram.’ Isto é,] cada pessoa continuava a adorar sem instrumentos (2Cro 29:28-29, acima).

No tempo de Davi, a orquestra da casa do Senhor parece ter consistido de vinte e sete músicos (1Cro 25:1-5). Se este é um entendimento correto, então tal orquestra era extremamente modesta para acompanhar o cantar de um enorme número de adoradores [ver nota iii, abaixo]. DESTA PROVISÃO EXTREMAMENTE PEQUENA, TORNA-SE CLARO QUE A MÚSICA NÃO TINHA O OBJETIVO DE DOMINAR OU DISTRAIR DA ADORAÇÃO INTELIGENTE E DOS SENTIMENTOS PROFUNDOS [H: ESPIRITUAIS].

Séculos depois, quando a adoração do Templo foi restaurada por Esdras e Neemias, a restrição aos quatro tipos de instrumentos foi escrupulosamente seguida, confirmando que era a regra obrigatória para os judeus. (Ver Esd 3:10 e Ne 12:27.)

  Quando, pois, os edificadores lançaram os alicerces do templo do SENHOR, então apresentaram-se os sacerdotes, já vestidos e com trombetas, e os levitas, filhos de Asafe, com címbalos, para louvarem ao SENHOR conforme à instituição de Davi, rei de Israel.  (Esd 3:10)

   E na dedicação dos muros de Jerusalém buscaram os levitas de todos os seus lugares, para trazê-los, a fim de fazerem a dedicação com alegria, com louvores e com canto, saltérios, címbalos e com harpas. (Ne 12:27)

Todas estas instruções aplicaram-se primeiramente ao segundo estágio do recuperação da arca e, depois, a todas as adorações no Templo. Nem todos os mesmos 4 tipos de instrumentos, no entanto, foram prescritos para adoração nas sinagogas (havia várias sinagogas em cada cidade grande, uma em cada pequeno vilarejo) [ver nota iv, abaixo]. Esta adoração era muito mais simples, os címbalos e trombetas desaparecendo de cena.

Com estas observações, tornou-se impossível que agora se force para dentro da Bíblia a leitura de ‘ritmos irresistíveis, que gostosura de dançar, empolgantes de pular, enlouquecedores para nossa carnalidade mais animal, excitantes de sensualidade, levando ao delírio, ao êxtase, do mesmo tipo e chegando ao nível do maior prazer que drogas e o sexo dão à carne.’ Até mesmo os instrumentos de corda indicados para a exclusiva adoração- direta- e- sem- mistura, feita em “menor escala” (privadamente e nas sinagogas, e não no Templo) eram doces e suaves, ao invés de clamorosos.

No Livro dos Salmos, vemos que harpas e saltérios eram os únicos instrumentos para acompanhamento de salmos em adoração direta privada ou nas sinagogas [ver nota v, abaixo]. Não podia haver nenhum instrumento de metal (a família dos saxofones, clarinetes, etc.) ou de percussão (tambores, pandeiros, etc.).
O próprio título do livro, 'Saltério', é, por definição, uma coleção de canções cantadas ao acompanhamento da harpa. Salmo 92 provê um exemplo desta restrição. O título ou cabeçalho sobre o salmo diz que ele era 'Um Salmo e Cântico para o Dia do Sábado'. Ele devia ser cantado (verso 3) em um instrumento de 10 cordas, o saltério, e a 'harpa com um som solene'. Neste salmo nenhuma lua cheia ou festa especial estava em mente, portanto ele era para ser acompanhado somente pelos dois instrumentos básicos (saltério e harpa).

  Sobre um instrumento de dez cordas, e sobre o saltério; sobre a harpa com som solene.  (Sal 92:3)

Os seguintes salmos também ilustram a regra que salmos eram para ser cantados ao som de harpas e saltérios: Salmo 33, 43, 49, 57, 71, 92, 108, 144 e 147. Em Salmo 4 e 55 os títulos mencionam instrumentos de corda, e em Salmo 12 o título prescreve uma lira (um tipo de harpa) de oito cordas. Em toda adoração privada e nas sinagogas, o canto era acompanhado somente por estes instrumentos nobres, recatados e apropriados.

[
Salmo 4: “SALMO de Davi para o músico-mor, sobre Neginote.[um instrumento de cordas, da família das harpas].
 
Salmo 12: “SALMO de Davi para o músico-mor, sobre Seminite.[um instrumento de 8 cordas, da família das harpas].

Salmo 33: “... 2 Louvai ao SENHOR com harpa, cantai a ele com o saltério e um instrumento de dez cordas. 3 Cantai-lhe um cântico novo; tocai bem e com júbilo...”

Salmo 43: “... 4 Então irei ao altar de Deus, a Deus, que é a minha grande alegria, e com harpa te louvarei, ó Deus, Deus meu. ...”

Salmo 49: “... 4 Inclinarei os meus ouvidos a uma parábola; declararei o meu enigma na harpa ...”

Salmo 55: Masquil de Davi para o músico-mor, sobre Neginote.” [Neginote é um instrumento de cordas, da família das harpas. Masquil é um poema ou canção de contemplação].

Salmo 57: “... 8 Desperta, glória minha; despertai, saltério e harpa; eu mesmo despertarei ao romper da alva. ....”

Salmo 71: “... 22 Também eu te louvarei com o saltério, bem como à tua verdade, ó meu Deus; cantarei com harpa a ti, ó Santo de Israel. ....”

Salmo 92: “... 3 Sobre um instrumento de dez cordas, e sobre o saltério; sobre a harpa com som solene. ...”

Salmo 108: “... 2 Despertai, saltério e harpa; eu mesmo despertarei ao romper da alva. ...”

Salmo 144: “... 9 ¶ A ti, ó Deus, cantarei um cântico novo; com o saltério e instrumento de dez cordas te cantarei louvores; ...”

Salmo 147: “... 7 Cantai ao SENHOR em ação de graças; cantai louvores ao nosso Deus sobre a harpa. ...”
]

[H:
RESUMO PARCIAL: Até aqui, quando ainda havia o TEMPLO, a Bíblia ensina que, na exclusiva adoração direta- total- e- sem- mistura a Deus dentro do Templo, só podiam ser usados 4 tipos de instrumentos:
a) saltérios (o mesmo que alaúdes) + seminites (com 8 cordas) + neginotes + instrumentos de 10 cordas: (contamos 19 menções deles nos versos acima), tocados somente pelos descendentes físicos de Levi;
b) harpas (contamos 15 menções delas nos versos acima), tocadas somente pelos descendentes físicos de Levi;
c) címbalos (contamos 9 menções deles nos versos acima), tocados somente pelos descendentes físicos de Levi;
d) trombetas (inclusive as cornetas, ou buzinas) (contamos 8 menções delas nos versos acima), tocadas somente pelos sacerdotes (descendentes físicos de Arão), tocadas somente com propósitos especiais e em momentos especiais [ver nota ii, abaixo], como de convocação do povo.
]

HÁ CONTRADIÇÕES? (Sal 68:25)

As regras do Velho Testamento são claras, mas, às vezes, parecem ser contraditas nos Salmos. Advogados da 'nova-moda' de adoração apontam para passagens tais como Sal 68:25 (onde Davi relata: Os cantores iam adiante, os tocadores de instrumentos atrás; entre eles as donzelas tocando adufes. '), e insistem que isto justifica que usemos tamborins nas igrejas. Em diversos outros salmos Davi parece contradizer suas próprias regras (correção: Deus parece contradizer as regras que deu, algumas através de Davi). É a partir destes versos que muitos adoradores 'nova-moda' tomam suas licenças para organizar eventos tais como 'concertos de louvor' [H: bandas de Rock, Aché, Afro-Latino, Techno, etc.].

No entanto, a interpretação e uso que fazem destes versos é claramente errada, uma vez que faz a Bíblia se contradizer a si própria, e não há nenhuma contradição na Palavra de Deus. Não é possível que Deus dê ordens definitivas em um local e totalmente as contradiga em outro. Este fato deveria nos fazer examinar mais cuidadosamente aquelas passagens que parecem contradizer as regras. Quando o fazemos, imediatamente percebemos que os instrumentos banidos não estavam sendo usados na
[exclusiva] adoração direta- [total- e- sem- mistura] a Deus (no Templo e 'igrejinhas' nas cidades e vilarejos), mas sim em festas cívicas ao ar livre, comemorando a vitória nas maiores batalhas da história.

Não devemos esquecer que os Israelitas eram tanto uma nação-governo quanto uma religião. Havia muitas coisas que lhes eram permitido fazer como uma nação, mas que não tinham nenhum lugar na adoração direta e formal
[H: exclusiva adoração direta- total- e- sem- mistura, a Deus]. Passeatas especiais, paradas militares e dias de ação de graças, eram atividades cívicas e ao ar-livre. Donzelas ainda quase crianças participavam destas marchas (ficando depois dos cantores e antes dos instrumentalistas), fazendo soar seus tamborins e dançando [ver nota vi, abaixo]. Mas nenhuma dessas coisas foi jamais permitida no Templo.

O adufe-tamborim de Sal 68:25 é obviamente parte de uma atividade cívica. Este salmo, mesmo sendo profético e messiânico, é baseado em uma notável vitória militar. Refere-se às carruagens de Deus, e como o conquistador levou cativa uma hoste de prisioneiros, depois da batalha. Fala de futuras vitórias. O poder de Deus – como aprendido no santuário – é agora relembrado 'nas ruas', e 'os cantores iam adiante, os tocadores de instrumento atrás; entre eles as donzelas tocando adufes."
O salmo inclui referências a ambos aspectos da vida judaica – festas cívicas e [exclusiva] adoração direta [- total- e- sem- mistura, a Deus]. -- Não há contradição das regras do Templo.

OUTROS SALMOS COM 'ADUFE' (Sal 81:2) E "TROMBETAS" (Sal 98:5-6)

Em Sal 81:2, o adufe é novamente encontrado: Tomai o salmo, e trazei junto o tamborim, a harpa suave e o saltério. Este é um salmo de Asafe. Estava ele quebrando as regras e introduzindo na adoração [exclusiva adoração direta- total- e- sem- mistura, a Deus] o adufe, um instrumento proibido? A resposta é não, pois seu salmo é uma imperiosa chamada ao povo, para juntar-se na adoração e festividades da Festa dos Tabernáculos. Esta era a mais alegre de todas as festas. Comemorava a libertação do povo, sua saída do Egito, sua sobrevivência no deserto, e a 'colheita' na Terra Prometida.

Durante os sete dias da festa, todos os israelitas viviam em "cabanas" feitas de folhas de palmeiras, simbolizando as tendas da peregrinação no deserto. Esta festa, com suas ofertas, era também o festival nacional da colheita. Obviamente, era uma ocasião onde era dado expressão a virtualmente cada (sadio) instinto cultural de vida ao ar-livre, e muita música acompanhava cada grande grupo de Israelitas viajando para comemorar a festa em Jerusalém. Naturalmente, as 'donzelas' tocavam seus tamborins, e a dança nacional dos Hebreus ficava em muita evidência antes da hora de dormir, em cada acampamento.

Conservando em mente estas cenas do festival nacional, compreendemos que Asafe não errou quanto os instrumentos. Ele não adicionou o tamborim à orquestra do Templo, nem o prescreveu como um instrumento para a\[exclusiva] adoração direta [- total- e- sem- mistura, a Deus].

Sal 98:5-6 [
“5 Cantai louvores ao SENHOR com a harpa; com a harpa e a voz do canto. 6 Com trombetas e som de cornetas, exultai perante a face do SENHOR, do Rei.”] menciona a harpa para acompanhar o cântico de salmos, e adiciona trombetas. Ora, estas eram para ser tocadas somente pelos sacerdotes, em dias especiais de festas. Com muita segurança, este salmo inclui a comemoração de grandes vitórias. Portanto, o que está em mente é a adoração em dias especiais.

A fórmula é, como sempre –
[1] nas festividades nacionais: tamborins e dança (completamente pura) da cultura hebraica;
[2] na [exclusiva] adoração direta [- total- e- sem- mistura, a Deus] normal em cada sinagoga de cada cidade ou aldeia: [somente] doces instrumentos da família da harpa;
[3] na [exclusiva] adoração direta [- total- e- sem- mistura, a Deus], dentro do Templo: doces instrumentos da família da harpa, mais trombetas e címbalos.

DANÇA E PERCUSSÃO

Os dois últimos dos salmos [149 e 150] são constantemente citados pelos promotores da adoração 'nova-moda', como uma justificativa para o uso de praticamente todo e qualquer tipo de instrumento (e dança, dança praticamente de todo e qualquer tipo) na adoração direta, sem nenhuma restrição ou inibição.

O Salmo 149 inclui o verso
[3] Louvem o seu nome com danças; cantem-lhe o seu louvor com tamborim e harpa.' Assumamos por um instante, somente para fins de raciocinarmos, que a palavra hebraica traduzida como 'dança' realmente significa isto. (Muitas autoridades crêem que a palavra original, que significa 'dar voltas', poderia igualmente referir-se a um tipo de corneta ou trombeta que dava voltas ou era retorcida, ao invés de se referir a uma dança) [ver nota vii, abaixo].

A questão é – o salmista está se referindo à [exclusiva] adoração direta [- total- e- sem- mistura, a Deus], ou às festividades nacionais dos judeus (incluindo os festivais de vitórias militares, com todo o seu regozijo ao ar-livre)? À medida que lemos através do salmo, a resposta torna-se óbvia. Salmo 149 não é especifica e exclusivamente sobre a [exclusiva] adoração direta [- total- e- sem- mistura, a Deus], pois estende-se amplamente sobre cada aspecto da vida nacional e privada. O salmista encoraja o povo de Deus a ser um povo regozijante em cada setor da vida – o de adoração, o cívico, o de trabalho, e o de lazer. Assim, 'danças' claramente se refeririam à vida cultural e recreacional da nação. OS ESTUDIOSOS MAIS ERUDITOS NOS DIZEM QUE A DANÇA EM RODOPIOS OU EM RODAS, DOS HEBREUS, ERA UMA ATIVIDADE POPULAR NAS VILAS, ESPECIALMENTE ENTRE AS CRIANCINHAS E ADOLESCENTES. ERA EXTREMAMENTE DISTANCIADA DA MÚSICA DE CONTATO FÍSICO DOS ANTROS DE FORNICAÇÃO E DE ESTIMULAÇÃO À SEXUALIDADE DOS SENSUAIS BALÉS DOS NOSSOS DIAS, E TINHA UM LEGÍTIMO LUGAR NOS GRANDES FESTIVAIS CÍVICOS.

O quinto verso do salmo, curiosamente, encoraja o povo a cantar bem alto sobre suas camas, enquanto o sexto verso deseja que eles louvem a Deus empunhando em suas mãos uma espada de dois fios. Deviam eles literalmente levar camas e espadas para dentro do Templo, e de algum modo empregá-los na adoração direta? É óbvio que não. Estes versos cobrem desde a adoração em privado até o serviço militar por amor ao Senhor.

O sétimo verso do salmo clama pela execução de vingança sobre os gentios, e o oitavo clama que reis serem presos com correntes. Uma vez que este salmo inclui festividades cívicas e paradas comemorativas de vitórias, não deveríamos nos surpreender em encontrar nele a menção de tamborins e danças. As regras para o Templo (para [exclusiva] adoração direta [- total- e- sem- mistura, a Deus]) não foram contraditas. O SENHOR QUER RECATO E SIMPLICIDADE, AO INVÉS DE ENTRETENIMENTO, SHOW, BARULHO, DESNECESSÁRIA DIVERSIDADE DE INSTRUMENTOS, E OSTENTAÇÃO HUMANA.

[O comentário sobre Salmo 150 está na seção 6 deste artigo de Hélio]


INFORMAÇÕES ADICIONAIS, COMO NOTAS AO FINAL

[Nota i] A primeira seleção de instrumentos feita por Davi, para a primeira e desastrosa tentativa de re-trazer a arca, incluiu tamborins (2Sm 6:5; 1Cro 13:8). Depois, enquanto a arca permaneceu na casa de Obede Edom, Davi radicalmente reformulou e revisou todos os arranjos para transportá-la, de modo a alinhá-los com a Lei. A este tempo, através de Gade (o vidente do rei) e de Natã (o profeta), Deus deu mandamento a Davi, e a ordem divina foi dada ao povo (2Cro 29:25). O tamborim não foi incluído, e nunca mais aparece em qualquer lista de instrumentos para exclusiva adoração direta- total- e- sem- mistura, a Deus, ou adoração no Templo. O segundo estágio do retorno da arca (representando a regra vigente (desde então para sempre)) foi realizado sem tamborins. Quanto aos címbalos, foram usados principalmente como meio de reger- dirigir a orquestra, uma vez que, em 1Cro 15:19, somente Asafe e outros dois condutores- maestros os tocaram.

[Nota ii] A história do uso da trombeta na adoração retrocede até Num 10, onde Deus ordenou que duas trombetas de prata chamassem o povo ao Tabernáculo. [Somente] os sacerdotes é quem deviam tocá-las, através dos séculos. Deviam ser tocadas em festas especiais e no começo do mês (somente durante a queima das ofertas), para lembrar o povo da natureza da sua libertação histórica. Geralmente, o número de trombetas usadas em ocasiões especiais continuou a ser de duas (1Cro 16:6). Excepcionalmente, 120 sacerdotes tocaram trombetas na consagração do Templo de Salomão. Esta foi a maior multidão jamais reunida para adoração, e a maior e mais longa queima de ofertas.

[Nota iii] A orquestra montada para acompanhar a arca para o segundo estágio da sua volta (uma parada-procissão ao ar livre) teve 3 címbalos, 11 liras e 6 harpas. Uma vez que a arca chegou ao interior da tenda, a orquestra foi reduzida para 8 harpas e liras, 1 címbalo e 2 trombetas. O tamanho da orquestra mudou, mas nunca os tipos de instrumentos. A restrição foi mantida. Em 1Cro 25:1-7, o número total de músicos era de 288, dos quais cerca de 260 formavam o coral, somente 28 tocavam instrumentos (e não havia amplificação eletrônica!...).

[Nota iv] ‘Sinagoga’ é uma palavra do Novo Testamento, mas a usamos aqui como um termo útil para descrever centros de adoração regionais e distritais – em outras palavras, as 'igrejas' locais dos Judeus.

[Nota v] Com a única exceção do Salmo 5, que era para ser acompanhado com uma flauta solitária. Este salmo, muito lamentador e nostálgico, era cantado nas peregrinações.

[Nota vi] Nota da Tradutora: certamente estas danças e soar de tamborins eram não sensuais, eram tais que não despertassem luxúria, ou estariam contrariando os mandamentos do próprio Deus.

[Nota vii] Nota da Tradutora: cremos firmemente que esta palavra, no meio de uma lista de 3 instrumentos, (no Salmo 149) e de 9 instrumentos (no Salmo 150), muitíssimo mais provavelmente refere-se a um instrumento (corneta ou trombeta dando voltas ou retorcida), ao invés de uma dança, mesmo que esta seja uma dança cultural completamente pura e inocente, como as antigas cantigas de roda das menininhas do nosso antigo Brasil, 'ciranda, cirandinha, vamos todos cirandar  ... '

[Nota viii] Alguns expositores dizem que isto fala tanto do santuário terrestre como do mais amplo firmamento. Neste caso, este é outro salmo que cobre todo o espectro da vida – da adoração no Templo, à vida cívica, à vida social



Para mais profundidade e detalhes, ler “Musical Instruments in the Public Worship of God”, Brian Schwertley”, em
http://www.reformedonline.com/view/reformedonline/music.htm


4) COMO É QUE NÓS, SEMPRE TÃO LITERAIS, ADMITIMOS QUE OS INTRUMENTOS MUSICAIS DE SALMO 150 SÃO FIGURATIVOS?



Ora, revisemos o que sempre tem sido ensinado pelos crentes verdadeiros e mais literalistas, o que sempre cremos e sempre ensinamos, sobre o único método de interpretação da Bíblia que é coerente com tudo que ela ensina sobre si mesma, o único método interpretativo que é coerente com a doutrina da perfeita inspiração e perfeita preservação da Bíblia; inspiração 100% e sempre e somente e plenamente por Deus; inspiração exclusiva e que não existe em nenhum grau ou modo em nenhum outro livro; inspiração plenária, de capa a capa, em todos os assuntos; inspiração inerrante e infalível; inspiração verbal, de toda e cada palavra. Revisemos:

- Método literal-gramatical-histórico[dispensacional]: "Quando o sentido simples da Escritura faz senso comum, não procure nenhum outro sentido. Portanto, tome cada palavra no seu significado literal - usual - ordinário - primário, a não ser que os fatos do contexto imediato, estudados à luz de passagens relacionadas e de verdades axiomáticas e fundamentais, claramente indiquem o contrário." (D. L. Cooper).


Obviamente, a interpretação literal- gramatical- histórica tem espaço para linguagem figurada- poética, de significado óbvio e de indiscutível necessidade de aplicação. Só não tem espaço para alegorismo, que é mero capricho da imaginação que torce às coisas para agradar ao homem (ler a escritura como se ela tivesse sido escrita num código secreto (sim, e que me agrade ao máximo), por exemplo: “leão” muitíssimas vezes significando Inglaterra, “Israel” inúmeras vezes significando a igreja universal, “mil anos” quase sempre significando qualquer período de anos, “todos” incontáveis vezes significando alguns, “para sempre” freqüentemente significando temporariamente, etc.).

Claro, claro, há talvez 0,1% de passagens com sentido poético (Is 55:12  ...  os montes e os outeiros romperão em cântico diante de vós, e todas as árvores do campo baterão palmas) e com uso de figuras de linguagens (“Eu sou a porta  ...”, “Eu sou o caminho  ...”, etc.), mas sempre há um modo (único e evidente pelo contexto imediato e mediato) de interpretar tais passagens de um modo que honre o literalismo de bíblico bom-senso.

Talvez alguns exemplos esclareçam melhor:

Exemplo 1: Um amigo nosso, André, é agente penitenciário. No seu trabalho, ouve um apenado dizer que, antes, fazia o tráfico de um pó muito bom, e André imediatamente entende que se refere a cocaína. Para nós, esta é a interpretação LITERAL racional, literal- óbvia- indiscutível, dentro do seu contexto. Não há outra interpretação possível. Ninguém precisa entender diferentemente. Depois, ao chegar na sua casa, André é recebido pela sua linda filhinha que, inocentemente, lhe pergunta quando é que poderá usar pó, como sua mãe, e ele imediatamente entende que ela se refere a um produto de beleza. Novamente, esta é a interpretação LITERAL racional, literal- óbvia- indiscutível, dentro do seu contexto. Não há outra interpretação possível. Ninguém precisa entender diferentemente.

Exemplo 2: Se o jornal diz que “a educação é o caminho que o Brasil deve trilhar”, isto é linguagem figurada, mas todos, de modo simples e imediato e honrando o literalismo de bom-senso, entendem que “caminho” não é uma rodovia, e que “trilhar” não é com pés físicos literais! Todos entendem que “caminho”, na sentença, significa ação a ser tomada para a salvação do nosso país. Ainda aqui, esta é a interpretação LITERAL racional, literal- óbvia- indiscutível, dentro do seu contexto. Não há outra interpretação possível. Ninguém precisa entender diferentemente. Semelhantemente, onde Cristo diz “Eu sou o caminho  ... , devemos entender não que “caminho” é de pedras ou asfalto, mas que, nesta sentença, significa acesso, maneira que habilita para a salvação pessoal do inferno e para a adoção pelo Pai, através de fé bíblica e recebimento bíblico do Cristo da Bíblia. Mais uma vez, esta é a interpretação LITERAL de bíblico bom-senso, literal- óbvia- indiscutível, dentro do seu contexto. Não há outra possível. Ninguém precisa entender diferentemente.

Interpretação alegórica é muito diferente da figurada, é uma tão ridícula caricatura dela que na realidade se torna o oposto do acima explicado: Alegorista 1 dirá “Onde o Cristo disse ‘Eu sou o caminho’, a palavra `Eu` significa a igreja Fulana, portanto o que Cristo realmente quis dizer é que a igreja Fulana é o único caminho para a salvação”; mas Alegorista 2 dirá "A expressão `o caminho’ é muito radical, devemos interpretá-la como sendo apenas `um dos muitos caminhos’, portanto o que Cristo realmente quis dizer é que Ele é um dos muitos caminhos possíveis para o céu, e sabemos que outros caminhos igualmente possíveis são as boas obras, a sinceridade, o esforço sincero, o batismo, o budismo, o islamismo, qualquer religião sinceramente seguida, ou até mesmo o ateísmo bondoso”. Com a interpretação alegórica, o interpretador faz a Bíblia ensinar qualquer coisa que ele quiser. Com interpretação alegórica, vai-se à Bíblia para torcê-la de modo a dizer o que o homem quer, é Deus que tem que se dobrar ao homem e não este a Deus. Repetimos: enquanto o literalismo só muitíssimo raramente dá a uma passagem um sentido figurado, e somente assim faz quando isto é compelido, é exigido por verdades axiomáticas plenamente estabelecidas em muitas outras passagens explícitas da Bíblia de sentido claro e indiscutível, o alegorismo (que é mero capricho da imaginação que torce as coisas de modo que venham a agradar ao homem) muito freqüentemente, desnecessariamente, sempre que pode ou simplesmente deseja, faz tudo que pode para sempre ler a Escritura como estivesse escrita em um código secreto, por exemplo: “leão” muitíssimas vezes significando Inglaterra, “Israel” inúmeras vezes significando a igreja universal, “mil anos” quase sempre significando qualquer período de anos, “todos” incontáveis vezes significando alguns, “para sempre” freqüentemente significando temporariamente, etc., etc., etc.

Para o literalista, “Israel” é sempre Israel; para Alegorista 1 “Israel” sempre significa a Igreja Católica Romana, para Alegorista 2 sempre significa a Igreja verdadeira dos salvos verdadeiros;  ...  para Alegorista 20 significa qualquer outra coisa.
Para o literalista, as inúmeras promessas da Bíblia de um reino de 1000 anos literais de Cristo fisicamente presente e fisicamente reinando de Israel literal sobre todo o mundo literal, é exatamente isto (reino total e literal, 1000 anos literais, Cristo literalmente presente fisicamente e reinando literalmente, literalmente sobre toda a terra e sobre tudo e todos que nela estão); para o Alegorista 1 significa um quase reino, mais ou menos virtual, de duração indefinida, de uma influência benéfica indefinida e não pessoal nem fisicamente presente, cuja influência benéfica começa pequenina e se estende gradualmente até alcançar a maior parte da terra, se e à medida que contar com a ajuda das religiões unidas e das ONG's mais ricas e atuantes.

Sim, cremos e ensinamos que todo homem deve ser literalista nos moldes acima explicados, ao ler a Bíblia, mas isto dá lugar para aceitarmos sem nenhum milímetro de constrangimento que algumas poucas e raras passagens da Bíblia estão em linguagem figurada, de sentido óbvio e único, que todos (ou praticamente todos) os literalistas reconhecerão, unânimes quando aos seus aspectos mais básicos.

Mais um último exemplo, adaptado de muitos pedaços anotados em nossa Bíblia a partir de livros que lemos ou sermões que ouvimos: todos nós, literalistas, cremos que Eclesiastes 12: 1-7 deve ser interpretado como linguagem figurada, basicamente como se segue:

Em Eclesiastes 12:2-7, o Espírito Santo de Deus, usando Salomão, descreve o avanço da velhice poeticamente, em inigualável beleza e precisão, figurativamente comparando-o ao de uma casa decadente. Isto deve nos comover de gratidão pelo efêmero dom da vida, deve nos dar mais compreensão e amor a nossos pais e aos idosos em geral, deve nos dar sabedoria para saber “viver enquanto morremos” a cada dia, e deve nos motivar a servir a Deus a cada dia, enquanto e tanto quanto pudermos.

“1 ¶  LEMBRA-TE também do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento;

2  ANTES QUE SE ESCUREÇAM O SOL, E A LUZ, E A LUA, E AS ESTRELAS, E TORNEM A VIR AS NUVENS DEPOIS DA CHUVA;
À medida que envelhecemos, pouco a pouco vem o declínio nos motivos, ocasiões, e até capacidade para sentimentos de profunda alegria e eletrizante entusiasmo. Surgem recorrentes e crescentes ataques de melancolia …
- “escureçam” pode ser alusão à diminuição da visão.
- “o sol, e a luz, e a lua, e as estrelas” podem se referir à primavera, ao melhor da vida, à prosperidade da vida.
- “o sol, e a luz, e a lua” podem ser alusão ao esplendor da fisionomia, à luz e brilho dos olhos, à beleza das bochechas e outras partes da face; ou podem se referir às superiores e inferiores faculdades da alma, ao entendimento, o raciocínio, à capacidade de julgamento e discernimento, à vontade, e às afeições.
- “as estrelas”: podem ser alusão às brilhantes noções e idéias que se erguem na imaginação e são fixadas na memória.
- “tornem a vir as nuvens depois da chuva” podem se referir aos fluídos que saem dos olhos, nariz, e boca; também podem aludir à perpétua sucessão de males, aflições e desordens; ou, ainda, podem ser referência às sobrancelhas destilando lágrimas, como nuvens depois da chuva; finalmente, podem significar o inverno, o decair, o ocaso da vida.

3  NO DIA EM QUE TREMEREM OS GUARDAS DA CASA,
Os braços e as mãos, antes tão fortes, pouco a pouco enfraquecem e se tornam débeis, em certos casos até quase inoperantes.
- “os guardas da casa” podem ser alusão às mãos e braços, que trabalham para manutenção do corpo, o alimentam, o protegem e defendem de quedas e acidentes e inimigos, na mocidade sendo
tão fortes, mas que, pouco a pouco, enfraquecem e se tornam débeis, em certos casos até quase inoperantes. Na velhice, não apenas murcham e como um maracujá seco, ficam com movimentos endurecidos, não se estendem nem se contraem como antes, não têm a força e velocidade e precisão e resistência de antes, ficam adormecidos, com dores e tremores.

E SE ENCURVAREM OS HOMENS FORTES,
- “os homens fortes” parecem ser as pernas, particularmente as coxas, cujas músculos são os mais fortes do nosso corpo, quando somos jovens nos permitem correr e saltar com surpreendente potência e velocidade, mas quando velhos e enfraquecidos nos impedem tudo isso e deixam nossos joelhos vergar e dobrar de modo a cairmos perigosamente.
- Mas também podem se referir aos ossos em geral, que ficam frágeis, e nossas articulações se desgastam de forma a ficarmos inoperantes ou totalmente inválidos quanto à função, e tortos e encurvados na forma.

E CESSAREM OS MOEDORES, POR JÁ SEREM POUCOS,
Nossos dentes vão ficando escassos, sem os de cima terem adequados correspondentes em baixo, ou vice-versa, vão ficando desencontrados, ou frágeis, ou frouxos- balançantes, ou com outros problemas, ou são substituídos, ou ficam totalmente faltando e sem substitutos. Não podemos mastigar o que nossa mente se lembra de como era bom fazê-lo. Temos que comer comida branda, às vezes pastosa, por fim semi- líquida. Isto não nos dá o mesmo prazer de antes, e às vezes comemos pouco por não gostarmos do que ainda podemos comer.

E SE ESCURECEREM OS QUE OLHAM PELAS JANELAS;

- “os que olham” referem-se aos olhos propriamente ditos. Em torno dos 40 anos nossa visão começa a ficar ruim para muito perto, depois catarata ou outras coisas nublam e depois vão escurecendo nossa visão.
- “janelas” aludem às órbitas; ou às pálpebras e “pestanas” (cílios).

4  E AS PORTAS DA RUA SE FECHAREM POR CAUSA DO BAIXO RUÍDO DA MOEDURA,
- “Portas” podem se referir às aberturas do corpo, e “rua” aos caminhos e passagens pelos quais a comida passa.
- “se fecharem” pode aludir à uma relativa diminuição no fluxo através destas portas.
- A boca fica fechada no fato dos dois lábios parecerem sobrar por causa da total ausência de dentes, por isso ficam chupados para dentro da boca.
- O baixo ruído da moedura: ao invés do forte ruído de dentes esmagando comida dura, só há débeis ruídos de gengivas amassando papa e purê e mingau e sopinha.
- Aos poucos nossa audição irá diminuindo, teremos dificuldade em entender cochichos cruzados em ambientes barulhentos, em entender gravações que não forem feitas com total qualidade, particularmente em outros idiomas.

E SE LEVANTAR À VOZ DAS AVES,
- A cada dia, o lutar para conseguirmos dormir será maior, nosso sono não será tão repousante e gostoso como antes, e não conseguiremos deixar de acordar aos primeiros ruídos externos, antes do que gostaríamos, às vezes antes de clarear.

E TODAS AS FILHAS DA MÚSICA SE ABATEREM.
- Nossas vozes vão perder o trovejar, a firmeza e a beleza. Vão se tornar baixas, trêmulas, sem o brilho de outrora. Enfraquecerão nossos pulmões, garganta, cordas vocálicas. Algumas pessoas terão dificuldade para nos ouvir e entender.
- Ou enfraquecerão nossos ouvidos, particularmente o tímpano e o nervo auditivo.
-

5  COMO TAMBÉM QUANDO TEMEREM O QUE É ALTO, E HOUVER ESPANTOS NO CAMINHO,
Vamos evitar fazer algumas coisas físicas que fazíamos antes, ou fazê-las com bem menor poder e levando bem mais tempo e cuidado, tendo muito medo d
e lesões devidas à nossa fragilidade.

E FLORESCER A AMENDOEIRA,
Nossos cabelos começarão ficando grisalhos, finalmente ficarão brancos como a neve, além de poucos e com menos viço.

E O GAFANHOTO FOR UM PESO,
De tão fracos, aos poucos nosso caminhar irá ficando hesitante como o do gafanhoto parece ser, talvez chegue a parecer que estamos “passando a ferro” (os pés se arrastarão ao invés de se saltarem e correrem com vigor), o andar se tornará hesitante e mesmo doloroso.

E PERECER O APETITE;
Diminuirão os nossos vários e saudáveis apetites na nossa vida.

PORQUE O HOMEM SE VAI À SUA CASA ETERNA, E OS PRANTEADORES ANDARÃO RODEANDO PELA PRAÇA;

Morreremos, mas a vida de todos continuará.

6  ANTES QUE SE ROMPA O CORDÃO DE PRATA, E SE QUEBRE O COPO DE OURO, E SE DESPEDACE O CÂNTARO JUNTO À FONTE, E SE QUEBRE A RODA JUNTO AO POÇO,
Todos os itens mencionados neste verso estão associados a um poço. Através de toda a Escritura, um poço é uma metáfora para a vida. Mas este não mais está sendo usado para retirar água.
Algum dia nosso corpo vai estar desgastado. Cada um de nós dois será apenas uma casca seca de nosso eu anterior. Os quatro verbos enfatizam o final da vida. Você e eu vamos morrer! Cada momento é um presente de Deus, brilhantemente embrulhado, esperando para ser aberto, admirado, e para sadiamente nos deleitarmos com este instante. A natureza doce e amarga da percepção disso tudo torna o presente mais precioso: Sabendo nós que o cordão de prata vai um dia se romper, nós o estimamos ainda mais precioso, enquanto está em nossas mãos.
- Cordão de prata: a medulla oblongata (que vital e preciosa e delicada!), cinzenta- prateada.
- Copo de ouro: o cérebro revestido pelas amarelas membranas dura e pia mater, tudo dentro do crânio.
- Cântaro junto à fonte: a vena cava, que traz de volta o sangue para o ventrículo direito do coração, aqui chamado de fonte, no sentido que produz jorros de sangue na sístole (contração) e diástole (expansão).
- Roda junto à cisterna: a grande aorta, que recebe sangue da cisterna , o ventrículo esquerdo do coração, e o distribui às diferentes partes do sistema circulatório.

7  E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.


Já demos todos os motivos pelos quais, mesmo sendo nós literalistas, estamos convictos de que, para não se contradizer de forma inimaginável, Deus fez escrever o Salmo 150 para ser interpretado não como uma ordem Sua para usarmos instrumentos que Ele proibiu em outros livros da Bíblia, na adoração
direta- total- e- sem- mistura a Si, mas para ser interpretado como uma figura das emoções e sentimentos que inundam a alma e o espírito dos santos anjos e dos homens salvos que já estão no (terceiro) céu (livres da presença de pecado), estando anjos e homens na adoração direta- total- e- sem-mistura a Deus.


5. POSSÍVEL OBJEÇÃO:


Alguém poderia pensar ser legítimo indagar: "Ora, admitindo-se que Salmo 150 refere-se ao [terceiro] céus, então, se Deus aceita em tão insuperavelmente santo local todos os tipos de instrumentos musicais mecânicos, será que Ele se desagradaria de algum tipo de instrumento nos cultos de exclusiva adoração direta- total- e- sem- mistura de Suas igrejas aqui sobre a terra?"

A primeira resposta é que todos estes instrumentos mencionados no Salmo 150 têm que ser tomados no sentido figurado, como explicamos acima, pois no terceiro céu não há ar, nem vibrações sonoras, nem instrumentos mecânicos, nem matéria nenhuma, mas só seres imateriais, espirituais.

A segunda resposta é que, mesmo se lá houvesse ar, vibrações sonoras, instrumentos mecânicos e matéria, a única maneira que temos de saber o que agrada ou não agrada a Deus nos cultos de exclusiva adoração direta- total- e- sem- mistura de Suas igrejas aqui sobre a terra é mediante o estudo do NT, particularmente das epístolas dirigidas especificamente a igrejas locais e seus pastores (Romanos a Filemom).
O que é que Deus prescreve, aí, para esses cultos? Certamente não encontraremos uma liturgia detalhada, uma detalhada seqüência dos atos de culto, uma detalhada relação de instrumentos/ ritmos/ acordes/ técnicas/ ritmos/ etc. admissíveis.
Mas, olhando pelo lado de todo VT e analisando cada e todo verso sobre o assunto, isto nos leva à convicção de que, nos cultos de exclusiva adoração direta- total- e- sem- mistura das igrejas de hoje,

“instrumentos musicais, se houverem, devem ser tocados num estilo absolutamente semelhante ao dos únicos instrumentos autorizados para dentro do Templo do VT no momento do culto direto e sem mistura, a Deus (o estilo dos suaves instrumentos de cordas, da família das harpas, liras, cítaras, saltérios ou alaúdes. Nenhum deles tem um “braço” onde os dedos da mão esquerda ficam em tais posições dos “frets” que acordes podem ser tocados com um só golpe da mão tocando várias cordas em paralelo, marcando um fortíssimo ritmo no estilo lengo-lengo, como nos cavaquinhos de pagodes, nem podem ser facilmente tocados em batidas sensualmente excitantes (como de contrabaixos de roqueiros do LSD) ou como “solos” ou “improvisos” que levam ao delírio (como de guitarras a La Jimmy Hendrix). Os instrumentos da família das harpas, liras, cítaras, saltérios ou alaúdes só permitem dedilhamento, dedilhando-se uma nota de cada vez, cada uma delas tocada isoladamente, bem distintamente), num estilo o máximo afastado do sensual, podendo ser vigoroso- alegre – exultante- triunfal, ou suave- tranqüilo, mas sempre um estilo solene e respeitoso, um estilo sempre desagradando à carne e ao mundo, um estilo sempre incapaz de agradar num carnaval, num bordel, e em semelhantes orgias da carne.”

Por outro lado, olhando sob o ponto de vista de todo NT, particularmente de Romanos a Filemom, isto nos fornece os princípios espirituais que devem governar os cultos de exclusiva adoração direta- total- e- sem- mistura a Deus, nas nossas igrejas locais, e os elementos que deles devem constar. E, entre estes, nas páginas do NT, não acharemos sequer meio átomo de indício de nenhum instrumento musical (exceto, TALVEZ, os que são apropriados aos nomes salmos e salmodiar encontrados em tais epístolas, portanto instrumentos associados ao estilo dos suaves instrumentos de cordas, da família das doces harpas, liras, cítaras, saltérios ou alaúdes).


6. SALMOS 150:4 E 149:3: DANÇA SENSUAL? GIROS INFANTIS SEM SENSUALIDADE? INOCENTES PULOS? FLAUTA? OU CORAL?


Primeiramente, lembremos que, em todas as línguas, há palavras que podem ter significados muito diferentes, dependentes do contexto. Por exemplo, fomos agora a um antigo dicionário de Aurélio e aprendemos que a palavra “manga” tem pelo menos 14 significados (nós só conhecíamos uns 6 ou 7 deles). Todos estes significados, uma vez que os conheçamos, são tornados óbvios pelo contexto. Dada uma frase com a palavra manga, imediatamente, numa fração de segundos, sem nenhuma dificuldade ou esforço, todos nós, unanimemente, sem nenhuma discórdia nem dúvida, entendemos o significado dela. Não há necessidade de chamarmos nenhum erudito, não há necessidade de nenhum longo debate, de nenhuma complicação. Facílimo!

- Se disserem “Gosto de abacaxi, goiaba, pitanga, caqui, MANGA, pêssego, sapoti, laranja, e pêra”, então até uma criancinha de 3 anos, até um retardado mental, até um louco de hospício, imediatamente, sem nenhuma complicação, entenderão que a palavra “manga”, posta nesta lista de 9 frutas (a propósito, no meio da lista, com 4 frutas antes, 4 frutas depois), só pode se referir à deliciosa fruta chamada de manga.

Por favor, complete as explicações abaixo:
- Se disserem: “A costureira é exímia em fazer golas, punhos, bolsos, e MANGAS de camisas e de ternos”, imediatamente entenderemos, pelo contexto, que “manga”, aqui, significa _ _ _ _ _ _ _.;
- Se disserem: “O menininho admira muito quem faz acrobacias, mas cruelmente MANGA de quem não sabe sequer andar de patins ”, imediatamente entenderemos, pelo contexto, que “manga”, aqui, significa _ _ _ _ _ _ _ .

Por favor, dê mais 1 ou 2 exemplos de significados dependentes do contexto e diferentes dos acima, para a palavra “manga”.


Ora, em Salmo 150:4 (e 149:3) há uma palavra hebraica que pode ter significados muito diferentes. Dependendo do contexto, <04234 mâchôwl> pode perfeitamente ser traduzida pelo menos de 3 de modos muito diferentes:
a) “mâchôwl”, se permitido pelo contexto, pode ser traduzida como "alegre girar numa roda" (que pode ser visto como um tipo de dança, embora, se fosse para adoração a Deus (adoração direta- exclusiva, ou adoração indireta- misturada), tal hipotética dança (se é que foi ordenada ou sancionada ou tolerada na Bíblia, na adoração direta ou indireta) teria forçosamente que ser uma dança sem nenhum átomo de possibilidade de poder dar a ninguém a aparência de danças do mundo dos paganismo, sensualidade, e erotismo);
b) ou “mâchôwl” pode significar "flauta volteante";
c) ou “mâchôwl” pode ser entendida como "coral que responde em eco".

Como devemos entender e traduzir <04234 mâchôwl> aqui, em Salmo 150:4 (e 149:3)?

       Clemente de Alexandria foi um herege e corruptor da Bíblia; mas, no ano 190 dC, era melhor hebraísta que muitos a partir da Idade Média, e, observando o contexto de sons [infelizmente, sem discernir que são sons de instrumentos musicais mecânicos e não de vocalizações por lábios de cantores (isto é, por seres humanos)], Clemente traduziu “mâchôwl” não como “dança”, mas como "coral-eco", isto é, "coral que responde em eco", ver "The instructor, Fathers of the Church", p. 130. “[Psalm 150:4:] Praise Him with timbal and choir... [“Choir” é coral, em português]

      Embora não formem a maioria, muitas das mais excelentes Bíblias batistas e reformadas (particularmente dos 3 séculos desde a época da Reforma em 15** até o início do século 18**), traduzem “mâchôwl” por “flauta”, em Salmo 150:4 (e 149:3):


 a Peshitta 150 dC (como não sabemos aramaico nem encontramos cópia das primeiras Peshitta’s, contentamo-nos com sua tradução (Lamsa) para o inglês, em http://www.lamsabible.com/LamsaOT/19_psalms.htm:
Salmo 149:3 Let them praise his name with the timbrel and psaltery; let them sing praises to him with the harps.”
Salmo 150:4 “Praise him with timbrel and pipe; praise him with sweet instringed instruments.” [“Pipe” é flauta, em português]

- a excelente “Sagradas Escrituras” (Reina 1569 http://bdigital.sib.uc.pt/poc/arq/Monografias/LivroAntigo/UCBG-2-9-4-8/UCBG-2-9-4-8_item1/P682.html):
Salmo 149:3 Alaben su Nombre con corro: Con adufre y harpa canten àel.” [Los juegos de corro son aquellos en los que los participantes, que suelen ser niños y niñas de entre 6 y 10 años, se cogen de la mano formando un círculo y cantan una canción conocida por todos, al tiempo que realizan diferentes gestos que suelen referirse al texto de la misma.]
Salmo 150:4 Alabaldo con adufre y flauta; alabaldo con cuerdas y organo.”

- a maioria das mais fiéis revisões da Reina-Valera, por exemplo, a 1909:
Salmo 149:3 Alaben su nombre con corro: Con adufe y arpa á él canten.” [Los juegos de corro son aquellos en los que los participantes, que suelen ser niños y niñas de entre 6 y 10 años, se cogen de la mano formando un círculo y cantan una canción conocida por todos, al tiempo que realizan diferentes gestos que suelen referirse al texto de la misma.]
Salmo 150:4 "Alabadle con adufe y flauta: Alabadle con cuerdas y órgano."

- Geneva 1560, 1599 (http://www.genevabible.org/ ):
Salmo 149:3 “Let them praise his Name with the flute: let them sing praises unto him with the timbrel and harp.”
Salmo 150:4 “Praise ye him with timbrel and flute: praise ye him with virginals and organs.”

- Diodati 1603 e 1607;
Salmo 149:3 Laudino il suo nome in su'l flauto: Salmeggingli in su'l tamburo, & in su la cetera.”
Salmo 150:4 Laudatelo col tamburo, e col flauto: laudatelo con l'arpicordo, e con l'organo.” http://bibbia.sentieriantichi.org/1607_diodati_pdf/1607_19_salmi.pdf

- Calvino, em seu comentário dos Salmos, parece argumentar que todos componentes dessa lista de 9 elementos são figuras espirituais de instrumentos musicais (portanto, deduzimos que a tradução deve ser “flauta” e não “coral” nemdança”)
http://www.sacred-texts.com/chr/calvin/cc12/cc12033.htm: “The Psalmist, therefore, in exhorting believers to pour forth all their joy in the praises of God, enumerates, one upon another, all the musical instruments which were then in use, and reminds them that they ought all to be consecrated to the worship of God.”

- acima de tudo, os tradutores da insuplantável KJB (King James Bible), em 1611, admitiram e sugeriram "pipe" (flauta) como alternativa a “dance”
http://dewey.library.upenn.edu/sceti/printedbooksNew/index.cfm?TextID=kjbible&PagePosition=722 :
“Praise him with the timbrel and dance {*}: praise him with stringed instruments and organs.”
{marginal note from the translators: “or pipe”. [“Pipe” é flauta, em português]}

- as Almeida’s, as Bíblias de João Ferreira de Almeida:

   Almeida 1744, (assumimos que a 1753 lhe é idêntica):
Salmo 149:3 “Louvem seu nome com frauta: psalmodiem-lhe com adufe e harpa.
Salmo 150:4 “Louvai-o com adufe e frauta: louvai-o com instrumentos de cordas, e com órgãos.”

   Almeida Revista e Emendada 1870 (ABSAmerican Bible Society) (agradecemos a informação, enviada pela irmã Noemi Campelo, que tem quase todas as Almeida’s antigas):
Salmo 149:3 “Louvem seu nome com frauta: psalmodiem-lhe com adufe e harpa.”
Salmo 150:4 “O louvai com adufe e frauta: o louvai com instrumentos de cordas, e com órgãos.”

   Almeida 1819 (BFBS - British and Foreign Bible Society);
Salmo 149:3 “Louvem seu nome com frauta: psalmodiem lhe com adufe e harpa.”
Salmo 150:4 “O louvae com adufe e frauta: o louvae com instrumentos de cordas, e com órgaõs.”

   Almeida Revista e Corrigida 1899 (ABS- American Bible Society) (agradecemos a informação, enviada pela irmã Noemi Campelo, que tem quase todas as Almeida’s antigas):
Salmo 149:3 “Louvem o seu nome com flauta; cantem-lhe o seu louvor com adufe e harpa..”
Salmo 150:4 Louvae-o com o adufe e a flauta, louvae-o com instrumento de cordas e com orgãos.”

   Almeida Revista e Corrigida 1922 (BFBS - British and Foreign Bible Society) (agradecemos a informação, enviada pela irmã Noemi Campelo):
Salmo 149:3 “Louvem o seu nome com flauta, (Nota de Rodapé: ou dança.) cantem-lhe o seu louvor com adufe e harpa.”
Salmo 150:4 Louvae-o com o adufe e a flauta; (Nota de Rodapé: ou dança.) louvae-o com instrumento de cordas e com orgãos.”

   Almeida Revista e Corrigida 1948 (IBB - Imprensa Bíblia do Brasil) (agradecemos a informação, enviada pela irmã Noemi Campelo, que tem quase todas as Almeida’s antigas) (assumimos que as 1944, 1951, 1967 e 1986 lhe são idênticas; confirmamos isto na 27ª impressão, em 1973, na 43ª impressão, em 1980, e na 86ª impressão, de 1996);
Salmo 149:3 “Louvem o seu nome com flauta, (Nota de Rodapé: ou dansa.) cantem-lhe o seu louvor com adufe e harpa..”
Salmo 150:4 “Louvai-o com o adufe e a flauta; (Nota de Rodapé: ou dansa.) louvai-o com instrumento de cordas e com orgãos.

   Almeida Revista e Reformada 1948 (TBS - Trinitarian Bible Society); etc.:
Salmo 149:3 “Louvem o seu nome com flauta, cantem-lhe o seu louvor com adufe e harpa.”
Salmo 150:4 Louvae-o com adufe e flauta; glorificae-o com instrumentos de cordas e orgãos.”

   Almeida Revista e Corrigida 1969 (2ª edição) (SBB – Sociedade Bíblica Brasileira) (agradecemos a informação, enviada pela irmã Noemi Campelo, que tem quase todas as Almeida’s antigas) (assumimos que a 1956 (1ª edição) lhe é idêntica);
Salmo 149:3 “Louvem o seu nome com flauta, cantem-lhe o seu louvor com adufe e harpa.”
Salmo 150:4 “Louvai-o com o adufe e a flauta; louvai-o com instrumento de cordas e com órgãos.”

   Almeida Revista e Corrigida 1995 (3ª edição) (SBB – Sociedade Bíblica Brasileira) (assumimos que a 2009 (4ª edição) lhe é idêntica);
Salmo 149:3 “Louvem o seu nome com flauta, (Nota de Rodapé: ou dança) cantem-lhe o seu louvor com adufe e harpa.”
Salmo 150:4 “Louvai-o com o adufe e a flauta; (Nota de Rodapé: ou dança) louvai-o com instrumento de cordas e com flautas.”

- Até mesmo algumas más e péssimas bíblias, e seus comentaristas, reconhecem, em alguns locais, que “dança” não pode ser a tradução de <04234 mâchôwl>, e optam pela melhor tradução, “flauta”, ou pela segunda melhor, “coral”:

   o herético Clemente de Alexandria (“[Psalm 150:4:] Praise Him with timbal and choir...”. ver acima) [“Choir” é coral, em português];

   a Vulgata de Jerônimo 405 dC tem “coral” em Sal 149:4 e 150:3 http://www.drbo.org/lvb/chapter/21149.htm e http://www.drbo.org/lvb/chapter/21150.htm:
Salmo 149:3 laudent nomen eius in choro in tympano et cithara cantent ei.” [“Choro” é coral, em português] http://www.speedbible.com/vulgate/B19C149.htm
Salmo 150:4 Laudate eum in tympano, et choro: laudate eum in chordis, et organo.” [“Choro” é coral, em português] http://www.speedbible.com/vulgate/B19C150.htm

   a católica Douay-Rheims desde 1582 até hoje tem “coral” em ambos locais:
Salmo 149:3 Let them praise his name in choir: let them sing to him with the timbrel and the psaltery.” [“Choir” é coral, em português]
Salmo 150:4 Praise him with timbrel and choir: praise him with strings and organs.”; [“Choir” é coral, em português]

   a Padre Antônio Figueiredo 1821 e 1867 (“concertos” em Sl 149:3; “flauta” em Sl 150:4) http://books.google.com/books?id=tqNAAAAAIAAJ&pg=PA19&dq=antonio+figueiredo+biblia&as_brr=1&hl=pt-BR#v=onepage&q=antonio%20figueiredo%20biblia&f=falseetc.(página 555);

   etc.

   Até mesmo a péssima ARA (Almeida Revista e Atualizada) 1993 (2ª edição) (assumimos que ARA’s 1956 (1ª edição) lhe é idêntica), da SBB, traduz “mâchôwl” por “flauta” em Sl 149:3, embora, muito estranha e inconsistentemente, traduza a mesma palavra diferentemente em Sl 150:4 (em semelhante contexto!...)!... Pelo menos note que a ARA admite em 1 desses 2 versos que a melhor tradução de “mâchôwl” é “flauta”:
Salmo 149:3 “Louvem-lhe o nome com flauta, cantem-lhe salmos com adufe e harpa.”
Salmo 150:4 “Louvai-o com adufes e danças; louvai-o com instrumentos de cordas e com flautas.”


      Em resumo, quanto Salmo 149:3, estamos absolutamente convictos de que a tradução “coral que responde em eco” para “mâchôwl” é, de forma disparada, a melhor:
Salmo 149: 1 Louvai ao SENHOR. Cantai ao SENHOR um cântico novo, e o Seu louvor na congregação dos santos. 2 Regozije-se Israel nAquele que o fez, regozijem-se os filhos de Sião no seu Rei. 3 Louvem o Seu nome em coral que responde em eco, salmodiai-Lhe com adufe e harpa. 4 Porque o SENHOR Se agrada do Seu povo; ornará os mansos com a salvação. 5 Exultem os santos em glória; cantem- retumbando- de- júbilo, sobre as suas camas. 6 Na garganta deles estejam os elevados louvores de Deus, e espada de dois fios nas suas mãos, 7 Para tomarem vingança dos gentios, e darem punições aos povos; 8 Para prenderem os seus reis com cadeias, e os seus nobres com grilhões de ferro; 9 Para fazerem neles o juízo escrito; esta será a glória de todos os santos. Louvai ao SENHOR. (LTT)
Mâchôwl” pode ser traduzido como "alegre girar numa roda", ou como "flauta volteante", ou como "coral que responde em eco"; esta última tradução é melhor, pois o contexto é de expressão vocal em emoção: note os verbos em todo o salmo: louvai, cantai, cântico, louvor, regozije-se, regozijem-se, louvem, salmodiai-Lhe, exultem, cantem- retumbando- de- júbilo sobre as suas camas, estejam na garganta deles os elevados louvores, etc. Bem inferior a esta tradução, há alguma possibilidade não desprezível para "flauta volteante", por casar com a lista de instrumentos musicais (adufe e harpa), isto também faz algum sentido. A terceira e última opção de tradução, "alegre girar numa roda", é virtualmente impossível, ante as considerações precedentes. Seja como for, de qualquer modo, pelo menos, note que é o denominador comum, é consensual: o contexto parece ser o de um desfile militar-cívico de Israel, numa ocasião sem similar, a vitória de Armagedom, não é o contexto de exclusiva adoração direta- total- e- sem- mistura, a Deus, no Templo! (Muito menos em uma igreja, no NT!) Este salmo de modo nenhum dá nenhuma base sancionante para que sejam tolerados todos os tipos de instrumentos e de danças e movimentos, nos nossos cultos de exclusiva adoração direta- total- e- sem- mistura, a Deus, nas nossas igrejas.

      Estamos absolutamente convictos de que, em Salmo 150:4, a tradução “flauta” para “mâchôwl” é, de modo disparado, a melhor:
Salmo 150: 1 Louvai ao SENHOR. Louvai a Deus no Seu santo lugar, louvai-O no firmamento do Seu poder. 2 Louvai-O por causa dos Seus atos poderosos; louvai-O conforme a excelência da Sua grandeza. 3 Louvai-O com o som de trombeta; louvai-O com o saltério e a harpa. 4 Louvai-O com o tamborim e a flauta volteante, louvai-O com instrumentos de cordas e com órgãos. 5 Louvai-O com os címbalos sonoros; louvai-O com címbalos altissonantes.  6 Tudo quanto tem fôlego louve ao SENHOR. Louvai ao SENHOR. (LTT)
“Flauta” casa com o fato de estarmos num contexto de sons e, particularmente, no exato meio de uma lista de 9 instrumentos musicais (há 4 instrumentos antes de “mâchôwl” e 4 instrumentos depois), portanto a única opção natural e de bom senso é que “mâchôwl” também seja traduzido como um instrumento musical, não pode ser nenhuma outra coisa. Adicionalmente, e mesmo que você não aceite o que acabamos de dizer, note que o contexto, dado logo no verso 1, é o do [terceiro] céu, o "firmamento do seu poder", onde não há ar nem matéria nenhuma, portanto não há nenhum instrumento material, não há nenhum som no sentido físico usual, portanto a linguagem é figurada, refere-se a maravilhosas facetas de inaudíveis mas maravilhosos “sons da alma” (Ef 5:19 e, talvez, Cl 3:16). Seja como for, de qualquer modo, pelo menos, note que, se houvesse dança (e não acreditamos nisso) na adoração indireta a Deus em desfiles e festas cívico-militares no VT, ela seria totalmente diferente das danças sensuais de ritmos com origens nas festas de sexo e feitiçaria, particularmente dos nativos africanos- americanos, danças e ritmos hoje sendo introduzidos nas pseudo- igrejas. Talvez fosse como ginástica rítmica, malabarismos, acrobacias, grandes feitos de força e de destreza. Talvez fosse como o dicionário define “corro”, a tradução da Reina e das Reina-Valeras que examinei: “Os jogos [ou brincadeiras infantis] de “corro” são aqueles nos quais os participantes, usualmente somente são meninos e meninas entre 6 e 1nos de idade, e seguram firmemente pelas mãos, formando um círculo, e cantam uma canção [usualmente mui pura e inocente, folclórica] conhecida por todos, ao mesmo tempo em realizam diferentes gestos referentes ao texto da mesma”. Nós mesmos, entre 6 e 10 anos de idade, na década de 50, estudamos em diversas escolas da Prefeitura de Campina Grande, interior da Paraíba, e diariamente, no intervalo de 20 a 30 minutos chamado de “recreio”, víamos dezenas de menininhas cantando inocentes cantigas de roda, fazendo exatamente isto descrito no dicionário espanhol. Tudo muito puro e inocente. Hoje, como crentes, não teríamos nada contra isso, também não temos nada contra você fazer vigorosos exercícios ritmados na academia de sua casa, ao som de hinos do Cantor Cristão, ou ter de participar de paradas militares ao som do Hino Nacional, Hino da Bandeira, e outros clássicos, mas, por causa dos princípios ensinados na Bíblia e que também, pelo Espírito Santo de Deus que habita em nós, são ensinados ao nosso espírito, e por puro bom senso + prudência + pudor, temos tudo contra músicas tocadas por instrumentos que podem ser tocados em estilo muito diferente dos suaves dedilhados da harpa, instrumentos usualmente associados a cultos pagãos e a festas de sexo, instrumentos tocados em ritmo capaz de ser dançado e usado como auxiliar de sexo por prostitutas profissionais. Temos tudo contra as músicas sensuais, eróticas e até imorais que estão sendo ouvidas, cantadas, tocadas e dançadas por crianças, jovens, adultos e até velhos, em muitas igrejas que não são sequer a sombra de suas antepassadas de uns 200 anos atrás.


7. CONCLUSÃO:


A Bíblia diz: Quem é injusto, faça injustiça ainda; e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, seja santificado ainda.” (Apocalipse 22:11 ACF).

Portanto, se você, nos cultos de adoração de sua igreja, quer tocar e/ou ouvir "atabaques satanicamente alucinantes", se quer tocar e/ou ouvir "os mais sensuais ritmos provenientes dos piores rituais pagãos e dos mais imorais bacanais", ou se quer alimentar sua carne sem limites, dançando esses ritmos, então toque, ouça, dance.

Mas, por favor, não nos venha dizer que isto é indiscutielmente prescrito no NT para exclusiva adoração direta- total- e- sem- mistura nos cultos de nossas igrejas, e que aqueles que pensam diferentemente de você serão condenados como Mical, que criticou Davi quando dançava [melhor dizendo, dava saltos de pura alegria, como vemos cabritinhos fazendo quando cessa o temporal e raia o sol], numa festa cívico- religiosa ao ar livre, não na exclusiva adoração direta- total- e- sem- mistura, a Deus, dentro do Templo.




Hélio de Menezes Silva, jan. 2011.



(Nas citações, reticências "      ...      " indicam omissões, e colchetes "[H: ]" indicam inserções por Hélio.)